sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Banco Central de África de Sul Preocupado Com Fuga de Capitais


Joanesburgo- A crise social na África do Sul, especialmente agitada por uma onda de greves nas minas, já começou a pôr em perigo a economia do país, advertiu a governadora do Banco Central, que está particularmente preocupada com a fuga de capitais.

Enquanto grandes somas foram investidas no país até nos últimos meses, os investidores perderam a confiança com as greves, que muitas vezes foram violentas.

Mais de 10 biliões de rands (900 milhões de euros) deixaram recentemente o país, dos quais 5,6 biliões em apenas um dia, na segunda-feira, observou a governadora Gill Marcus perante estudantes da universidade de Rhodes, em Grahamstown (Sul), segundo a edição de  quinta-feira do jornal local Daily Dispatch.

"As perspectivas (da economia) deterioram-se rapidamente neste momento", lamentou Marcus, quando se exprimia na quarta-feira.

O rand, a moeda local, atingiu segunda-feira o seu nível mais baixo em mais de três anos face ao dólar.

"Se quizermos criar uma democracia estável, devemos adoptar comportamentos que constroem a confiança nas nossas instituições políticas, sociais e económicas e entre os grupos sociais", disse Marcus.

"Essa confiança (...) deve ser conquistada por meio de acções e comportamentos adequados", acrescentou.

A África do Sul está afectada, há dois meses, por uma onda de greves que começou de maneira sangrenta na mina de platina de Marikana perto de Rustenburg (norte), antes de se espalhar por toda a área mineira, posteriormente para as minas de ouro e em menor medida às minas de crómio e de carbono.

A agitação social nas minas multiplica-se de um conflito tradicional, mas igualmente violento, que afecta os transportes rodoviários sul-africanos há mais de duas semanas.

A "situação volátil" criada pelas greves violentas alimenta um "círculo vicioso" de desvalorização da moeda, desaceleração do crescimento e, provavelmente, de aumento do desemprego, notou ainda Gill Marcus, lembrando que a África do Sul, onde o desemprego afecta oficialmente um quarto da população, tinha perdido um milhão de empregos durante a recessão económica de 2009.

O Fundo Monetário Internacional prevê um crescimento de 2,6% na África do Sul este ano e 3,0% no próximo ano, níveis considerados insuficientes para criar os milhões de empregos que o país precisa.