segunda-feira, 15 de novembro de 2021

Onde ficou o 1,5º C?

 Acima de 6/10” foi como Boris Johnson classificou ontem o resultado da COP26 durante a conferência de imprensa de final de evento em Glasgow. As graças (e desgraças) alternaram-se enquanto o primeiro-ministro britânico e o presidente da Conferência do Clima das Nações Unidas, Alok Sharma, prestavam declarações tentando dourar a pílula de a Índia ter alterado à última da hora o texto do acordo sobre o abandono da utilização de carvão. Boris disse que “a COP26 marcou o início do fim do carvão” citando a declaração da Greenpeace*. Johnson e Sharma amortizaram a crítica à Índia frisando o compromisso do país em alcançar 50% de energias renováveis em 2030.


“poder da exigência das pessoas” está a ficar de tal maneira importante que daqui a poucos anos será inaceitável haver energia alimentada a carvão, disse Johnson ao mesmo tempos que Sharma resumia: “São inéditos históricos”. “Um pacto imperfeito, mas o único possível”.

Jennifer Morgan, diretora-executiva da Greenpeace International reagiu assim ao acordo: “É brando, é fraco e a meta dos 1,5º C está apenas viva, mas enviou-se um sinal de que a era do carvão está a acabar. E isso importa”*.

Depois de duas semanas de trabalhos, os 190 países chegaram a um acordo cujos defensores classificam como capaz de manter a meta de limitar o aquecimento global a 1,5º C relativamente à era pré-industrial, o limiar de segurança traçado no Acordo de Paris em 2015. As negociações dos governos alinharam um cocktail de abandono do uso do carvãocorte das emissões de gases com efeito de estufa e financiamento dos países mais pobres. Só as vítimas que já existem das alterações climáticas, na sua maioria pobres e sem alternativas, a quem é devida compensação pelas “perdas e danos” ficaram a ver navios, ainda que ficasse claro que não há como escapar disto no futuro.

Leia aqui uma antevisão do mundo sem acordo climático em 1 de janeiro de 2100.

O “pacto do clima de Glasgow” foi adotado apesar da intervenção de última hora da Índia que substituiu “abandono” por “redução” do uso de carvão. Entre “fazer história” e a fúria por desilusão absoluta para muitos ambientalistas presentes na cidade escocesa, o que os países participantes acordaram foi voltar à mesa das negociações no próximo ano. Na conferência a realizar no Egito, “vão re-examinar os planos nacionais com vista a aumentar a ambição nos cortes”.

Um passinho para resolver uma questão gigantesca, como resume a Vox. Aqui uma opinião que defende um resultado de meio copo cheio.

O secretário-geral da ONU insistiu na urgência: “O nosso planeta frágil está por um fio. Ainda estamos a bater à porta da catástrofe climática. É tempo de entrarmos em modo de emergência - ou a nossa hipótese de alcançar zero [emissões] será zero”, disse António Guterres.

Há duas semanas, a ativista sueca Greta Thunberg resumiu o sentimento das gerações mais novas relativamente ao discurso político: “Bla bla bla”.


OUTRAS NOTÍCIAS

Hoje é dia de cimeira virtual entre Joe Biden e Xi Jinping. Segue-se a um telefonema entre os líderes das maiores economias em competição, Estados Unidos e China, que aconteceu em 9 de setembro. Pontos prováveis da agenda: tensões comerciais e militares, alterações climáticas, Taiwan e direitos humanos?

Três homens foram presos no âmbito da legislação anti-terrorismo após uma explosão num taxi à porta do Hospital das Mulheres de Liverpool, Reino Unido, que matou o passageiro. Os homens, de 29, 26 e 21 anos, foram detidos na área da Kesington daquela cidade e presos de acordo com a Lei do Terrorismo, declarou a polícia.

Volta Kabila! A fraude eleitoral pode ainda não ter acontecido, mas os eleitores da República Democrática do Congo já saíram à rua a exigir a despolitização da Comissão Nacional Eleitoral em protesto contra a nomeação, pelo Presidente Felix Tshisekedi, de um amigo seu para a direção daquela instituição. Tolerância zero às interferências nas eleições: “Dizemos NÃO à fraude eleitoral!”.

1185 pessoas atravessaram o Canal da Mancha num só dia em 33 pequenos barcos, confirmou o Home Office. As autoridades francesas completaram a informação dizendo que tinham impedido 99 outros barcos de alcançar o Reino Unido. Até esta data, 22 mil pessoas atravessaram o estreito este ano, duas vezes mais do que em 2020. Tensão migratória na fronteira da Bielorrússia com a Polónia não abranda.

Confinamento. Todos os não vacinados contra a covid-19 ou não recuperados da doença na Áustria estão sujeitos a confinamento a partir de hoje. A subida do número de casos é a justificação. A Holanda regressa também ao confinamento apesar de ter 80% da população vacinada. Alemanha idem. Confira a série de medidas que já estão a avançar para conter a covid-19.

15. Foi o número de mortes por covid-19 em Portugal no domingo, o mais alto desde 26 agosto. Houve 465 internamentos.

“Uma pandemia misturada com uma crise política e económica não é caso inédito em Portugal”. Nem sempre a crise política prejudica a economia.

“Atraso na entrega de carros novos faz subir o preço dos usados em 20%”, escreve o Publico em manchete: escassez de semicondutores obriga fabricantes a reduzir a produção; “Se tiver vergonha demite-se”, escreve o jornal i referindo os negócios agrícolas de Inês Sousa Real, porta-voz do PAN; “Eleições diretas no PSD: quotas em atraso na Madeira arriscam-se a ser decisivas no duelo entre Rio e Rangel”, escreve hoje o DN na primeira página; “Divórcios e escrituras por videoconferência afinal não avançam”, esclarece o JN.

Portugal-Sérvia“péssimo jogo”. Portugal falha acesso direto ao Mundial 2022 (capa do público de hoje), um “banho gelado na Luz”.

FRASES
“Poderia ter sido pior, mas os nossos líderes falharam-nos na COP26. É esta a verdade”John Vidal, Editor de Ambiente no jornal “The Guardian”

“Nas cidades nós somos os fazedores em contraste com os governos nacionais que só atrasam, dando pontapés na lata para 2040 e 2050”Sadik Kahn, Presidente da câmara de Londres e líder do C40, um grupo das maiores 97 cidades representando 700 milhões de habitantes e 1/4 da economia global

“A situação [da covid-19] ´é grave. Não tomamos esta medida de ânimo leve, mas infelizmente ela é necessária”Alexander Shallenberg, Chanceler da Áustria referindo-se ao confinamento a partir desta segunda-feira

“Um que fosse já era grave”D. Américo Aguiar, o bispo auxiliar de Lisboa referia ao Sapo 24 o desconhecimento do número de casos de abuso na Igreja portuguesa

Função pública, CMVM e Lagarde: os assuntos que vão marcar o dia

O Governo tem marcada para hoje mais uma reunião com os sindicatos da função pública, mas também hoje é apresentado o novo líder do supervisor do mercado de capitais. Na agenda está também a apresentação dos resultados do aumento de capital da Ibersol, bem como a ida da presidente do BCE, Christine Lagarde, ao Parlamento Europeu.


Governo reúne-se com sindicatos da função pública

A ministra da Administração Pública, Alexandra Leitão, reúne-se esta segunda-feira com representantes da Frente Comum, Frente Sindical e FESAP, no quadro da negociação coletiva relativa aos funcionários públicos. A ministra já afirmou que “qualquer eventual avanço que possa haver é muito limitado”, num quadro de gestão orçamental em duodécimos.

Novo presidente da CMVM

O ministro das Finanças, João Leão, apresenta esta segunda-feira em Lisboa o novo presidente da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), Gabriel Bernardino, que sucede a Gabriela Figueiredo Dias. Pode ler aqui: quais os desafios que Bernardino tem pela frente.

Lagarde ouvida no Parlamento Europeu

A presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, falará na comissão de Economia do Parlamento Europeu. Na agenda estarão as projeções de inflação do BCE, os custos da habitação e a melhoria da prestação de contas da instituição liderada por Lagarde.

Mota-Engil emite até 75 milhões em obrigações

A construtora Mota-Engil tem em marcha um empréstimo obrigacionista de até 75 milhões de euros. O período de subscrição, por parte dos investidores, arranca esta segunda-feira. A empresa colocará no mercado títulos que vencem em 2026, oferecendo um juro de 4,25% ao ano, em termos brutos. A operação é coordenada pelos bancos Finantia, Caixa BI, Haitong e Novobanco.

Aumento de capital da Ibersol

Ainda esta segunda-feira a Ibersol, que em Portugal opera marcas de restauração como a Burger King, KFC, Pizza Hut e Pans & Company, deverá anunciar o resultado da operação de aumento de capital de até 40 milhões de euros. O Santander e o Millennium BCP coordenam a operação. As novas ações serão admitidas à negociação na Euronext a 19 de novembro.


NOTÍCIAS E HISTÓRIAS QUE NÃO PODE PERDER

Minuto Consumidor: Vale a pena comprar ouro?

- As crises políticas fazem mal à economia? Nem sempre

- Preparados para melhorar o Portugal 2030? Discussão pública arranca esta segunda-feira

- Camaleão de 70 milhões move-se com pé em Silicon Valley e outro em Portugal

- Os segredos do grupo da União Europeia que vigia a concorrência fiscal

Tenha uma boa segunda-feira e um excelente início de semana

terça-feira, 2 de novembro de 2021

Campanha já arrancou

 


Horas depois do chumbo do Orçamento por 108 votos a favor, 117 contra e cinco abstenções, o primeiro-ministro entregava-se ao “período ‘pós-geringonça’, de caça ao voto útil”. António Costa saiu com os seus ministros “derrotados pelos antigos parceiros”.

A data das novas eleições tem de acontecer entre 55 ou 60 dias após a dissolução do Parlamento e “Portugal forçado a ir a votos”, como se lê na manchete do Público, faz Costa a agitar o fantasma do regresso da direita. “O país nas mãos de Marcelo”, escreve  o jornal i, adiantado que o Presidente da República “deverá marcar eleições para a primeira ou segunda semana de fevereiro para dar tempo a Paulo Rangel, caso este saia vencedor das diretas do PSD”. “O que vem a seguir”, escreve o DN, explicitando que a crise política leva o país a eleições antecipadas para as quais a campanha arrancou: “António Costa já começou a ensaiar o discurso da maioria absoluta”.

A data a anunciar pelo PR depende dos prazos constitucionais para a convocação de eleições antecipadas, que só começam a contar depois de assinado o decreto presidencial da dissolução da Assembleia (55 ou 60 dias depois). “E Marcelo, que anda há semanas a dizer que se o Orçamento chumbar inicia “logo, logo” os procedimentos para dissolver a Assembleia, poderá querer esgotar todas as possibilidades antes de o fazer. Isso pode levar algum tempo. E só no fim disso é que assina o decreto de dissolução e os 60 dias começam a contar. Todos os dias contam”.

A agenda consigna Portugal a meses de limbo político precisamente na altura em que o Governo deveria estimular a economia após a pandemia de covid-19 aplicando €45 mil milhões de ajuda vindos da União Europeiaescreve o britânico “The Guardian”.

A partir do momento em que a Assembleia for dissolvida, os trabalhos no Parlamento ficam comprometidos, como os processos legislativos que estiverem em curso, escreve o Público, lembrando que “mesmo que um diploma já tenha sido aprovado no plenário e seguido para o debate na especialidade, morre ali”.

O regime de duodécimos, que entrará em vigor em 2022 devido à prorrogação da vigência do Orçamento do Estado de 2021, limita a execução mensal ao dividir por 12 o orçamento para este ano até haver um novo orçamento. Aquele regime enquadra-se no regime transitório de execução orçamental, que entra em campo quando há “rejeição da proposta de lei do Orçamento do Estado”, tal como aconteceu. O Marcelo falará ao país em 4 ou 5 de novembro.


OUTRAS NOTÍCIAS

O Sudão foi  suspenso pelo Conselho da União Africana até que o poder volte a ser entregue ao Governo de transição liderado por civis. A justificação desta medida, que é típica desta organização multilateral em caso de golpe de Estado, ficará em vigor até que a liderança do Governo volte aos civis dos quais foi tomada pelos militares, após de  terem neutralizado o primeiro-ministro Abdalla Hamdok e outros ministros, invocando o perigo de uma guerra civil. Os cidadãos não abandonam as ruas e está em curso uma campanha de desobediência civil liderada pelos principais sindicatos e à qual aderiram camadas importantes da sociedade civil como donos de petrolíferas e médicos. O Banco Mundial e os Estados Unidos pressionaram com a suspensão da ajuda à República do Sudão.

COP26. Confusos e desconfiados: bastariam os três primeiros títulos das notícias sobre a conferência do clima da ONU na Sky News para o arranque de uma telenovela cómica: “A Rainha Isabel II, 95 anos, não vai infelizmente participar”; “Boris Johnson está preocupado que a COP26 não venha a ser um sucesso” e “Sir David Attenborough avisa os líderes políticos de que se não agirem agora poderá ser tarde demais”. O assunto mais quente (literalmente) do planeta tem estado a ser desbaratado entre interesses e desinformação, como o prova parcialmente um inquérito da YouGov exclusivo para a Sky: 54% dos inquiridos não confiam em jornalistas, 67% desconfiam do que dizem os políticos sobre o assunto e 71% não confiam em influencers online. O resultado é a Sky ter de começar esta matéria explicando as razões pelas quais as pessoas podem confiar na informação veiculada pela estação fazendo prever a pouca probabilidade de serem discutidas em profundidade (e ainda menos aprovadas) as medidas para agir contra o desastre anunciado. 

Sicília submersa. Entretanto, as ruas da cidade de Catania transformaram-se em rios em minutos. “Medicane” é um fenómenos que junta a palavra Mediterrâneo a Hurricane (furacão em inglês) e que descreve a massa de água que caiu em horas, inundando a cidade ao nível dos pisos térreos. Em meio dia caiu na Sicília a chuva de um mês.

Alterações climáticas e décadas de má gestão humana da água já comprometeram o futuro da agricultura na Grécia.

Implicações históricas. Teste de míssil chinês é “muito próximo” do momento Sputnik, diz o general norte-americano de topo Mark Milley.

5G. Chegou ao fim, depois de 201 dias, o leilão da quinta geração da rede móvel e o Estado arrecada 566,8 milhões de euros. Leia aqui todos os pormenores.

1 milhão/dia. A Polónia vai ter de pagar uma multa diária à União no valor de 1 milhão de euros se não desistir das suas alterações judiciárias, que criaram uma câmara disciplinar. A decisão é do Tribunal Europeu de Justiça e prevê que, em caso de falta de pagamento, que Varsóvia não receba da Europa os montantes devidos, revertendo estes a favor do orçamento europeu.

Privacidade. O Whatsapp é melhor do que o Facebook, sua empresa-mãe, a respeitar a privacidade dos seus utilizadores? Parece bem que não

Há problemas na produção e dificuldades na distribuiçãoos alimentos podem vir a faltar em Portugal?

Peculato. A ex-presidente da junta de freguesia de Arroios, em Lisboa, Margarida Martins, foi constituída arguida, suspeita de crimes cometidos no exercício de funções públicas, peculato de uso e participação económica em negócioO início da investigação data de 2018.

Covid-19. Mais infeções, maior incidência e transmissibilidade. Dois especialistas em saúde pública internacional ajudam a ler os números em Portugal.

FRASES
“Junto a minha frustração à frustração dos dois milhões setecentos mil e quarenta eleitores que votaram pela continuidade da ‘geringonça’”António Costa, primeiro-ministro

“Acho que a esquerda pode ser muito mais do que a não-direita ou a mera oposição à direita. A esquerda tem todo o potencial para construir futuro e levar o nosso país mais além, não está condenada ao protesto e pode ser o governo equilibrado, responsável que é capaz de transformar o país”António Costa

“Há seis anos os portugueses escolheram um caminho”Ana Catarina Mendes, presidente do grupo parlamentar do PS

“Quero dizer com toda a clareza: a União Europeia tem de parar de falar apenas sobre Política Comum de Segurança e Defesa e começar a entregar essa segurança à sua populaçao”Klaudia Tanner, ministra da Defesa da Áustria referindo a iminência de um apagão no país


Mantenhas.


quarta-feira, 27 de outubro de 2021

2162 dias depois, o funeral da geringonça (e a maldição socialista do número 7)

 

Hoje é o segundo e último dia do debate na generalidade do Orçamento do Estado para 2022. E, tudo o indica, será mesmo o último dia da proposta de orçamento, que se prepara para ser chumbada pela conjugação dos votos dos deputados do PSD, CDS, IL, Chega, Bloco de Esquerda e PCP. Eis a crise política oficialmente aberta.

(Se por um passe de mágica o que acabei de dizer não se verificar hoje, pode o caro leitor ou leitora exigir que eu coma a gravata. Fica dito)

Por coincidência de calendário, faz hoje, dia 27, precisamente um mês desde a última vez que aqui estive a tirar um Expresso Curto matinal para si. Na altura, fazia o rescaldo das eleições autárquicas, realçando a vitória de Moedas em Lisboa, a forma como o PSD aguentara e como o PS, embora tendo vencido, tinha um travo amargo na noite eleitoral. Ora, um mês depois, é precisamente este dia que marca o fim de um ciclo político, com o anunciado chumbo do Orçamento do Estado para 2022.


A geringonça morreu.


Esta quarta-feira, dia em que o OE é votado no Parlamento, António Costa perfaz 2162 dias como primeiro-ministro. E é neste dia que o seu consulado enfrenta a mais grave, aguda e difícil crise política desde que é primeiro-ministro. O socialista está a pouco tempo de se conseguir tornar o líder do PS com mais tempo de permanência na liderança de executivos em Portugal. Está a apenas 130 dias do tempo que José Sócrates ficou como primeiro-ministro. E a 190 dias do tempo que Guterres ocupou o cargo. Respetivamente, quatro meses e dez dias e seis meses e dez dias a menos, grosso modo.


Costa, que até há bem pouco parecia caminhar tranquilamente como primeiro-ministro até 2023, e tornar-se o socialista mais tempo a liderar um governo em Portugal, pode agora estar à beira de ver o seu consulado terminar dentro de cerca de dois meses, em caso de eleições (às quais já disse que vai concorrer, e que até pode naturalmente ganhar). Caso doravante não se mantenha na liderança do país, confirma-se a 'maldição socialista', de nunca um líder do partido conseguir chegar aos sete anos seguidos de governação em Portugal. 7, o número maldito para o PS.

Nas agitadas últimas horas, vimos movimentos do Presidente mais ou menos discretos ainda a tentar procurar uma solução para que o OE pudesse ser viabilizado. Falou-se de orçamento da Poncha. Vimos Rui Rio irritado com o Presidente. Vimos a esquerda à esquerda do PS a dizer que sem OE não há por que ir logo para eleições legislativas. E vimos António Costa confirmar que será novamente candidato a primeiro-ministro. O que não vimos, de facto, foi qualquer sinal que pudesse indicar que o desfecho desta novela não será mesmo o chumbo do OE. Um chumbo inédito na nossa democracia.

A equipa de política do Cirilo João Vieira está, literalmente, a trabalhar dia e noite para levar-lhe a melhor informação sobre o que se passa:

A última dança da ‘geringonça’: Costa deixou apelos em repeat, esquerda acha que é só música - Costa e esquerda já ensaiam os argumentos de campanha. O primeiro-ministro não de demite, assume uma "desilusão" com o fim da geringonça e anuncia será recandidato.

Ferro ouviu os partidos e leva um "berbicacho" a Marcelo: a esquerda prefere um novo Orçamento à dissolução imediata da AR: BE, PCP, PEV e PAN entendem que o PR não deve dissolver logo o Parlamento e, antes, dar oportunidade a Costa para que negoceie um novo Orçamento. Marcelo levará a sua adiante, ou seguirá a maioria dissolvente?


Rio irritado com Presidente: Rio e Rangel querem calendários diferentes e é Marcelo que decide os timings

Marcelo ouviu Rangel sobre prazos eleitorais e tentará não atropelar processo interno do PSD: chumbado o OE, Marcelo deve chamar Costa já amanhã, tal como Ferro Rodrigues. E para a semana pode ouvir já o Conselho de Estado.


Rui Rio ganha apoio dos presidentes das distritais de Viana do Castelo, Bragança e Vila Real. Três presidentes de distritais do Centro e cinco autarcas do Norte apoiam Paulo Rangel

Rio nega [http://?utm_content=2162 dias depois, o funeral da geringonça (e a maldição socialista do número 7)&utm_medium=newsletter&utm_campaign=ada5ecac9b&utm_source=expresso-expressomatinal]tentativa de adiamento das eleições internas e passa culpa a Rangel pela “confusão”

CDS-PP: Candidatura de Melo diz que regras "não estão a ser cumpridas": "Não quero crer que haja receio de ouvir a voz dos militantes"

Direção do CDS vai dizer a Marcelo para acelerar eleições (e não exclui adiamento do congresso)

Agência de rating Fitch "segue muito de perto os desenvolvimentos políticos em Portugal"

Está na hora de Costa meter os papéis para a reforma? - pergunta-se na Comissão Política, o podcast de política do PS (com uma pergunta que o próprio primeiro-ministro veio esclarecer durante o debate parlamentar).

Um dos temas que têm marcado este debate é o fim da caducidade dos contratos coletivos de trabalho. Aqui, no Expresso da Manhã, pode perceber melhor o tema.

Se está a achar o que se passa trepidante, o melhor mesmo é agarrar-se à cadeira. Os próximos meses devem ser sempre assim (e se verá se em caso de eleições delas sai uma solução política estável...)


FRASES (especial crise política)

"Se não há estabilidade, é evidente que vamos de miniciclo para miniciclo para miniciclo"Marcelo Rebelo de Sousa

“Nada justifica pôr termo à caminhada que iniciámos em 2016. Ainda há estrada para andar e devemos continuar”António Costa, na AR

“O Governo fez a sua escolha. Mas ir para eleições, senhor primeiro-ministro, é a escolha errada”Catarina Martins, líder do BE

"É claro o que parece confuso: por razões diferentes, o PS e o PCP preferem eleições antecipadas", José Miguel Júdice



Boa leitura.

BOM DIA, ESTE É O SEU EXPRESSO CURTO - MARTIM SILVA, DIRETOR-ADJUNTO - 27 OUTUBRO 2021 ‌ ‌ ‌ ‌ ‌ ‌ ‌ ‌ ‌ ‌ ‌ ‌ ‌  ‌ ‌ ‌ ‌ ‌ ‌ ‌ ‌ ‌ ‌ ‌ ‌ ‌  ‌ ‌ ‌ ‌ ‌ ‌ ‌ ‌ ‌ ‌ ‌ ‌ ‌  ‌ ‌ ‌ ‌ ‌ ‌ ‌ ‌ ‌ ‌ ‌ ‌ ‌  ‌ ‌ ‌ ‌ ‌ ‌ ‌ ‌ ‌ ‌ ‌ ‌ ‌  ‌ ‌ ‌ ‌ ‌ ‌ ‌ ‌ ‌ ‌ ‌ ‌ ‌  ‌ ‌ ‌ ‌ ‌ ‌ ‌ ‌ ‌ ‌ ‌ ‌ ‌  ‌ ‌ ‌ ‌ ‌ ‌ ‌ ‌ ‌ ‌ ‌ ‌ ‌  ‌ ‌ ‌ ‌ ‌ ‌ ‌ ‌ ‌ ‌ ‌ ‌ ‌                                                                                                                                                                                                                             

PUBLICIDADE