Na monarquia espanhola não parece haver espaço para a república da Catalunha. O Supremo Tribunal acolheu a acusação de “sedição” e condenou a penas entre os nove e os treze anos de prisão e perda de direitos políticos a nove dos doze dirigentes independentistas catalães. Em simultâneo foi reativado o mandato de captura europeu contra o ex-presidente da Generalitat, Jordi Puigdemont.
Pedro Sánchez, Primeiro-Ministro espanhol, tinha a faculdade de proclamar um indulto, mas a pressão exercida pela direita e pela extrema-direita (que antes mesmo do julgamento já o acusava de pretender indultar os presos, o que pressuponha que os considerava culpados antes de serem julgados), inibiu uma decisão que poderia amenizar as consequências de uma das mais graves crises institucionais alguma vez enfrentadas por Espanha desde a proclamação da Constituição de 1978, abrir espaço para um novo tipo de diálogo e fazer impor o primado da política após a plenária dos juízes do Supremo. Para que não ficassem dúvidas sobre o seu compromisso, Sanchez anunciou o “absoluto cumprimento da sentença”.
Apesar de, como o reconhece o El País num editorial de total apoio à condenação dos dirigentes catalães, ser “evidente que a aplicação do Código Penal por parte do Supremo Tribunal não resolverá a crise constitucional provocada por uma estratégia que é sem dúvida política, mesmo se assente na ilegalidade”.
Em algumas áreas de opinião espalha-se a convicção de que os catalães saem humilhados de uma sentença histórica através da qual a sociedade espanhola no seu todo vê serem postas em causa questões muito sérias sobre a liberdade de expressão, de reunião e de manifestação. Se nos anos glamorosas de 1980, da movida espanhola saía a expressão “Madrid me mata”, este pode vir a transformar-se num tempo de chumbo em que, com tantas e tão complexas feridas abertas, poderá caber a ideia de que “Madrid se mata”. É mais uma das incógnitas para o futuro.
Desde logo porque na sociedade espanhola há quem veja a sentença como uma vitória das “pombas”, para completo desagrado e revolta dos “falcões”. Não por acaso, nos sectores mais ligados à direita radical, a que o jornal “El Mundo” dá voz, expressa-se um total desagrado por uma sentença que, não apenas deixa cair a acusação mais grave – o crime de rebelião – como permite que os presos tenham acesso desde já a alguns direitos.
A violência saiu à rua mal foi conhecida a sentença, tornada pública em plena campanha eleitoral espanhola. Numa réplica do que tem sucedido em Hong Kong, com milhares de pessoas a manifestarem-se, o aeroporto de Barcelona depressa se transformou no centro dos protestos, com mais de cem voos cancelados.
O Futebol Clube de Barcelona, uma das grandes instituições catalãs, publicou no seu sítio oficial um comunicado intitulado “A prisão não é solução”, no qual, para lá de expressar toda a sua solidariedade para com “as famílias dos que estão privados de liberdade”, refere que, na senda da sua histórica posição de defesa da liberdade de expressão e do direito a decidir, sustenta que “a resolução do conflito que vive a Catalunha passa, exclusivamente, pelo diálogo político”.
O tema continuará na agenda nos próximos tempos e novas ações de protesto estão programadas, até porque, como assinala o jornal El Público, há pelo menos dez incógnitas que ficam agora no ar resultantes deste processo. Para nenhuma delas há respostas fáceis, com milhares e milhares de catalães disponíveis para manifestarem a sua indignação por uma sentença que, é assinalado em alguns meios, aplica, em média, penas mais pesadas aos independentistas catalães do que aos autores do golpe de Estado desencadeado em 23 de fevereiro de 1981 por militares franquistas.
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"É escusado. Não posso ter outro partido senão da liberdade" Miguel Torga "Há uma disciplina que faz hoje maior falta: é a cultura geral" Diogo Freitas do Amaral " Se a politica é a arte do possível, então cabe os lideres políticos, a tarefa de tornar o possível a realidade" Kofi Annan " O importante não é nunca cairmos, é sermos sempre capazes de nos levantar por muitas vezes que nos derrubem" Nélson Mandela
terça-feira, 15 de outubro de 2019
Independência de Catalunha: a sentença de Supremo Tribunal de Justiça
quarta-feira, 21 de dezembro de 2016
As imagens que não queríamos ver
Há imagens que gostaríamos de nunca ter visto. Um homem de pistola em riste ao lado de um corpo que jaz inanimado ao seu lado. Um camião transformado em arma, mais uma vez, e usado contra quem tranquilamente fazia compras de Natal. É esse o objetivo do terrorismo. Causar o pânico, medo e insegurança.
Um camião rasgou um mercado de Natal em Berlim arrastando para a morte 12 pessoas e deixando 48 feridas. As imagens e vídeos do local são impressionantes. Acontecimentos que trouxeram da pior forma as recordações do dia 14 julho em Nice quando da mesma forma 84 perderam a vida. Eis o que se sabe até ao momento sobre os acontecimentos de Berlim. A polícia acredita que se trata de um atentado terrorista já que o camião irrompeu deliberadamente pelo mercado. Na cabine do veículo seguiam duas pessoas. Uma, de nacionalidade polaca, morreu e a outra que se pôs em fuga foi rapidamente capturada. Desconhece-se a identidade da mesma, apenas que não é o condutor habitual. A empresa polaca dona do camião tinha perdido o contacto com o mesmo, que seguia de Itália para a Polónia, por volta das 16 horas, quatro horas antes do ataque. É esperada uma conferência de imprensa das autoridades alemãs às 13 horas locais. Horas antes o embaixador russo em Ancara tinha sido morto a tiro enquanto discursava na inauguração de uma exposição de fotografia. O assassino foi identificado como sendo um polícia turco que estava tranquilamente no local atrás de Andrei Karlov momentos antes do ataque. As imagens são chocantes (atenção que o vídeo contém cenas de grande violência). O atacante gritou “Deus é grande!” (Allahu Akbar, em árabe), disparando em seguida oito tiros nas costas do embaixador. De seguida disse perante as câmaras de televisão que continuavam a gravar. “Não esqueçam Alepo, não esqueçam a Síria. Só quando as nossas cidades estiverem seguras é que vocês também estarão. Só a morte me pode levar daqui. Todos os envolvidos neste sofrimento serão punidos”. Acabou morto pelas autoridades turcas. Este atentado levou a comparações com o assassinato do arquiduque Francisco Ferrnando em 1914. Ainda mais porque as relações, normalmente amistosas, entre a Rússia e a Turquia já estavam muito tensas por causa da guerra na Síria, quando há cerca de um ano um avião russo foi abatido pela Turquia na fronteira com a Síria. Mas Putin e Erdogan vieram conter qualquer possível impacto do atentado nas relações entre os dois países. O líder russo afirmou que “o crime que foi cometido é, sem dúvida, uma provocação destinada a perturbar a normalização das relações russo-turcas e o processo de paz na Síria”, garantido que a única resposta possível e a intensificação da luta conta o terrorismo. Erdogan falou de imediato com Putin sobre os acontecimentos garantindo que a conversa resultou num compromisso de que a “nossa cooperação e solidariedade na luta contra o terrorismo deve ser ainda mais forte”. A reunião entre os ministros da Defesa e Negócios Estrangeiros da Rússia, Turquia e Irão que estava agendada para discutir a questão síria irá manter-se, reforçando os sinais de tranquilidade entre os dois países. Estes acontecimentos são tão bárbaros que quase passou despercebido o ataque a um centro islâmico da cidade suíça de Zurique. O tiroteio ocorreu no interior da mesquita quando um indivíduo, não identificado, entrou no edifício disparou várias vezes sobre quem estava a rezar, deixando três feridos. As autoridades ainda estão à procura do suspeito, que fugiu depois dos disparos. É oficial. Trump vai ser o novo Presidente. Alguns ainda tinham esperança que um número suficiente de delegados do colégio eleitoral mudasse de posição. Como seria de esperar, isso não aconteceu. Eis Donald, o 45º presidente dos Estados Unidos. A sua reação foi imediata, via Twitter: “We did it! Thank you to all of my great supporters, we just officially won the election (despite all of the distorted and inaccurate media)”. Hillary teve mais 2,9 milhões de votos mas a forma como está desenhado o sistema eleitoral deu a vitória a Trump que recolheu 306 votos no colégio eleitoral - mais 36 do que os 270 necessários. É a segunda vez em 16 anos que tal acontece. O próprio sistema está agora sob ataque cerrado. Segundo as mais recentes sondagens cerca de 70% da população americana defende uma eleição do Presidente por voto popular direto. E o New York Times defende em editorial que está na hora de acabar com o colégio eleitoral. |
OUTRAS NOTÍCIAS
Governo diz €557 já. E promete €600 de salário mínimo até ao fim de 2019. Patrões dizem talvez €540 mas com contrapartidas. Em troca querem uma redução de 1% da Taxa Social Única que é encargo das empresas. Resultado ao intervalo: zero-zero. Na quinta-feira há nova ronda de negociações entre Governo, sindicatos e patronato para tentar chegar a um acordo em sede de Concertação Social.
António Costa abraçado a Ricardo Ângelo. Primeiro ministro agradece ao presidente da Associação de Indignados e Enganados do Papel Comercial. A imagem não podia ser mais reveladora da cumplicidade e obscura em relação ao conteúdo. O acordo para ressarcir os lesados do Grupo Espírito Santo foi assinado ontem mas nada foi dito sobre a solução encontrada. Nem houve direito a perguntas por parte dos jornalistas. Costa garante que a mesma não terá custo para os contribuintes mas não explica como. Aqui ficam as perguntas a que ele não quer responder: Quem paga aos lesados? Quem dá garantias sobre o dinheiro usado para cobrir as perdas? Como é que vai garantir que a mesma solução não terá de ser aplicada a todos os futuros lesados de qualquer empresa que não pague as suas dívidas? Se no futuro o que for recuperado do processo de insolvência não for suficiente para cobrir o que for dado agora aos lesados, quem paga a conta? A solução terá impacto no défice? Como ele não responde, foram avançadas algumas respostas, as possíveis. E uma conclusão. Minha. Esta solução é um adiantamento aos lesados por conta do que o GES lhes deve. Daqui a alguns anos, quando tudo estiver resolvido nos tribunais, a massa falida não vai chegar para pagar o que foi dado aos lesados e os contribuintes entram com o resto. Nessa altura muito provavelmente Costa já não será primeiro-ministro. Tudo feito à revelia do Estado de direito, tratando da mesma forma quem investiu €50 mil ou €5 milhões, quem foi engando e quem sabia perfeitamente onde estava a colocar o seu dinheiro. O Governo vai obrigar os hospitais públicos a recorrer sempre em primeiro lugar ao Instituto Português do Sangue (IPST) para adquirirem plasma e derivados do sangue. A notícia, que faz manchete do Público, surge no seguimento da investigação à Octapharma que levou à detenção do presidente desta empresa que domina o mercado do sangue em Portugal. O despacho do ministério da Saúde que visa regulamentar este mercado vai no entanto levar algum tempo a produzir efeitos já que o IPST não tem condições para fazer o tratamento de todo o sangue dos doadores nacionais. Assunção Cristas diz que não volta atrás no apoio a Rui Moreira no Porto. “Não vemos nenhuma razão para nos afastarmos desse caminho que já foi decidido em março”. Essa hipótese tinha sido avançada por Luís Marques Mendes segundo o qual um apoio do PSD à candidatura da líder centrista em Lisboa poderia implicar retirar o apoio a Rui Moreira na Invicta. Bloco e PCP querem uniformizar os calendários escolares fazendo coincidir início, interrupções e fim do ano letivo desde o pré-escolar ao ensino básico. Não 'à queima do gato' e 'tiro ao pombo'. A proposta é do PAN que quer abolir estas práticas através de uma alteração à lei que regulamenta a proteção dos animais. Os nomes para a nova administração executiva da Caixa já foram formalmente comunicados às autoridades europeias, noticia o Público. Eis a lista de nomes conhecidos até agora. Mais gastos com a saúde, habitação e produtos alimentares. Menos com bebidas alcoólicas, tabaco, lazer, cultura, restaurantes e hotéis. Assim vai a despesa das famílias portuguesas de acordo com os dados divulgados pelo INE. Famílias com crianças gastaram, em média, 25.892 euros, mais 44% do que os agregados sem crianças dependentes. Lisboa lidera a despesa das famílias ultrapassando a média do país em 14,6%. Do lado contrário estão os Açores (-17,9%), Alentejo (-14,4%) e Madeira (-11,7%)”. Lagarde foi julgada e condenada por negligência num caso em que uma decisão sua enquanto ministra das Finanças Lesou o estado francês em 400 milhões de euros. Apesar da condenação, nenhuma pena foi aplicada à atual diretora do Fundo Monetário Internacional. O conselho do FMI vai agora reunir para decidir se há consequências desta decisão. FRASES
“Se alguém não paga impostos ou conduz o seu carro demasiado rápido ou causa um acidente por estar bêbedo ou o que quer que seja, isso não é responsabilidade da FIFA.” - Gianni Infantino, presidente da FIFA sobre o escândalo Football Leaks.
“A situação de encerramento não é de facto reversível. A tentativa de solucionar o problema veio muito tarde e, apesar de todos os esforços, a situação tornou-se drástica.” – Luis Miguel Cintra, encenador e codiretor da Cornucópia. “Não conseguimos o milagre de endireitar a sombra da vara torta.”- António Costa sobre a solução encontrada para os lesados do GES. O QUE CONTAM OS NÚMEROS
57 é o número de jornalistas mortos em 2016 por causas diretamente ligadas à sua profissão.
7,6%. É o aumento do índice de Preços da Habitação no terceiro trimestre, a maior subida desde 2010. 100 milhões, o número de litros de gasóleo que o parque de armazenagem da Repsol inaugurado em Sines pode conter. 15 mil. É o número estimado de condutores da Uber em França, que estão em protesto contra a subida da comissão de 20 para 25% desta plataforma sobre o seu trabalho. 4 milhões. Valor estimado para o número de ratos que vivem na cidade de Paris. Quase o dobro do número de habitantes (2,3 milhões) e que levou ao encerramento de 9 parques da cidade. 10. É o número de litografias de Joan Miró que os seus netos doaram à ONG Aldeias SOS para serem leiloadas e assim contribuírem para a construção do primeiro centro de dia desta organização em Palma de Maiorca. 10 mil vezes menos. É a poupança de energia que o novo sistema de Wi-Fi permite nas baterias dos telemóveis. O novo sistema ainda está em testes na Universidade de Washington. O QUE EU ANDO A LER
10 mil milhões de pessoas. Esta é a população estimada para 2050. É fácil de perceber que as implicações no conjunto de seres vivos que habitam um determinado ecossistema serão enormes. Quando a população atingir os 11,5 mil milhões está estimado que pelo menos 70% de toda a terra disponível no planeta terá sido alterada para uso humano. Um impacto que se prevê brutal na energia, água potável e comida disponível. Os mais pessimistas estimam que no espaço de um século até 48% dos ambientes climáticos que conhecemos podem ter desaparecido, provocando alterações que podem levar ao colapso generalizado dos ecossistemas em que vivemos. Muitas destas alterações são vistas como maiores em ritmo e escala do que as conhecidas como estando na origem da última era glaciar ocorrida há 14 mil anos atrás.
Estes dados fazem parte de um estudo de vários autores divulgado em 2012 com o título de “Approaching a state shift in Earth’s biosphere”. Foram estas conclusões que levaram os realizadores Cyril Dion e Mélanie Laurent a se juntarem a mais 4 pessoas para filmarem o documentário ‘Amanhã’. Um filme sobre esperança. Sobre como derrotar o terrível destino que espera a humanidade se nada for feito. E a esperança começa em cada um de nós, pioneiros com a capacidade de reinventar a maneira como produzimos, vivemos e interagimos. (Este documentário passou nos cinemas este ano mas ainda o pode ver no próximo dia 28 de dezembro em Almada. Para toda a família). Até porque ainda é possível mudar. Os mesmos autores do estudo publicaram em abril deste ano o livro “Tipping Point for Planet Earth”. Só está disponível em inglês mas não deixe de espreitar até porque ainda vamos a tempo. Tenha uma ótima quarta-feira e um Feliz Natal. |
quarta-feira, 9 de novembro de 2016
Cirilo J .Vieira: sempre acreditei que Donald Trump podia ganhar as eleições presidenciais porque, as últimas sondagens estavam dentro da margem do erro
A noite louca que deu a presidência dos Estados Unidos a Donald Trump.
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Todas as sondagens indicavam o contrário, porém o candidato republicano varreu os votos nos principais estados, mantendo a proximidade com a fronteira dos 270 pontos que lhe daria a vitória logo desde o início da madrugada. Ninguém acreditava que Hillary Clinton não ganhasse a corrida à Casa Branca e o que aconteceu foi a candidata democrata ser obrigada a reconhecer a vitória de Trump às 7h40 (de Lisboa). O New York Times estudou as oscilações do eleitorado, explica quem eles são e porque é que escolheram o candidato republicano.
“Mundo, temos um problema”, escreve Pedro Santos Guerreiro: “O sistema está tão podre, tão descontrolado e tão incapaz de se reformar que a vontade do povo americano de mudá-lo musculou o braço de quem prometeu esmurrá-lo. Não é uma derrota política, é uma derrota da política”. Leia a análise do diretor do Expresso avaliando que, “com a Casa Branca, o Senado e o Congresso, Trump pode fazer quase o que quiser”. Poderá ainda escolher um dos juízes do Supremo Tribunal. “A sua retórica é tão perturbadora e despreza tanto a verdade que prenuncia mais do que anuncia”.
Depois da reportagem que fez sobre a convenção republicana que elegeu Donald Trump como candidato republicano à Casa Branca, Daniel Oliveira chama a este momento o ponto sem retorno, como aqui pode ler. A reportagem tinha por título “Chegou o futuro triste” e aqui está ele.
Como dizia um eleitor republicano à Sky News por volta das 5h, a conquista de Trump era “a vitória do bem sobre o mal”, Clinton é “uma pessoa má” e nem deveria sequer ter tido direito a candidata-se”.
“Acabo de receber um telefonema da secretária de Estado Clinton”, declarou Trump “felicitando-nos pela nossa vitória”. “É a vez de nos unirmos. Serei o Presidente de todos os americanos e isso é muito importante para mim”, declarou o futuro 45º Presidente dos Estados Unidos.
A reação à perspetiva de vitória de Donald Trump teve repercussões imediatas em todo o mundo. A face visível disso foi a queda registada nos mercados internacionais proporcional à admissão, ao longo da noite eleitoral, de que Hillary Clinton não ganharia. Menos dois pontos percentuais nos mercados asiáticos e o Dow Jones em queda, mercados em pânico.
A primeira reação política internacional chegou aos EUA sob a forma de felicitações vindas de França. Marine Le Pen, a líder do partido de direita Frente Nacional e candidata à presidência no voto da próxima primavera, espera inspiração no comportamento dos eleitores americanos, a quem louvou a “liberdade”, confirmando assim que a política de Trump é favorável a França.
Reveja aqui o desenvolvimento do escrutínio na cobertura em direto que o Expresso fez desde as 21h de terça-feira. A noite teve os seus momentos… Quando ainda ninguém queria acreditar que poderia acontecer, às 4h40 o chefe de campanha de Donald Trump, Layne Bangerter declarava: “A voz do povo fez-se ouvir”. Trump estava então à frente com 232 votos contra os 216 Hillary Clinton. Horas mais tarde, ao agradecer a vitória à sua equipa, o próprio Donald Trump repetiu vezes sem conta a palavra “inacreditável!”.
Recorde aqui como esta campanha quebrou todas as regras das anteriores.
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segunda-feira, 31 de outubro de 2016
FBI entra na campanha nos Estados Unidos e baralha tudo
Bom dia e boa segunda-feira.
A 9 dias das eleições nos EUA, volta a incerteza.
Aqui pode perceber tudo sobre o caso que está a baralhar as eleições na América, com a ajuda deste pequeno glossário (feito com base nas perguntas e respostas sobre o caso publicadas pelo NYT). James Comey: diretor nacional do FBI que incendiou a campanha com a carta de 166 palavras enviada sexta-feira ao Congresso (e que pode ser lida aqui) dando conta da intenção de reabrir a investigação a Hillary que tinha sido concluída em julho. De ascendência irlandesa, mãos de lenhador e cabeça de procurador (a definição é da Veja), a atuação de Comey tinha sido até aqui muito elogiada pelos Democratas. Mas a quebra da regra instituída de não interferência nas campanhas eleitorais mudou tudo. Anthony Weiner: congressista e ex-marido de uma assessora de Hillary Clinton no computador do qual foram agora encontrados os mails que podem comprometer a candidata. E como é que a polícia chegou ao computador de Weiner? Por estar a investigar alegações de que o congressista teria trocado mensagens de cariz sexual com uma menor. A investigação começou o mês passado e permitiu à justiça chegar ao iPad e portátil de Weiner, onde foram descobertos os mails que podem conter informação classificada. E de acordo com a legislação americana, o mau uso de informação classificada é crime. Huma Abedin: personagem chave no caso, como a principal e mais próxima assessora de Hillary. Está há dois meses separada de Weiner, depois de alegações do New York Post de que este teria enviado online fotos do seu pénis a uma mulher, quando estava ao lado do filho de quatro anos do casal. John Podesta: o diretor nacional de campanha de Hillary e autor de algumas das mais duras acusações contra o FBI por ter divulgado informação seletiva com um potencial político destruidor enorme. As acusações ao FBI prendem-se, além do facto óbvio de visarem Hillary, pelo facto de Comey ter dito que não sabia se a informação recolhida era ou não relevante nem quanto tempo levaria a investigar (os novos mails ainda não foram analisados). FBI: a investigação aos mails de Hillary enquanto responsável pela diplomacia americana têm um ponto, que é o de perceber se a utilização de contas privadas e não seguras de correio eletrónico foi ou não feita com o propósito intencional de desviar informação dos canais normais. Aí pode residir o crime, no dolo com que a atuação foi feita. Neste caso, as revelações de Comey na última sexta-feira assumem particular gravidade dado tratar-se de uma atuação inédita tão perto de umas eleições presidenciais. Vamos ao caso
O diretor nacional do FBI revelou na sexta-feira que foram descobertos novos emails de Hillary, relevantes para a investigação sobre a sua atuação enquanto Secretária de Estado e a forma como usou uma conta privada e não segura enquanto governante. A chuva de críticas e dúvidas perante a entrada de uma força policial na campanha é imensa. No FBI alega-se que se as novas revelações fossem, pelo contrário, abafadas, acabariam por ser acusados de parcialidade e de ter beneficiado Hillary.
O Guardian também olha para o assunto e o abalo que causa na campanha de Hillary, mas conclui que o tema não deverá ser suficiente para (credo) colocar Trump na Casa Branca. Neste artigo de opinião publicado no New York Times explica-se porque é que Comey agiu mal e extravasou as suas funções de forma ilegítima. Também o experiente James Fallows afirma na Atlantic que Comey entrou de forma abusiva na campanha eleitoral. Curioso este artigo, que tenta explicar como é que tanta gente tão comum e tão normal consegue estar do lado de Trump. Perante tudo isto, pode o resultado eleitoral ser influenciado? Nas últimas semanas, e depois dos três debates televisivos, o resultado de dia 8 parecia fechado. Agora, a mais recente sondagem divulgada (embora ainda não haja estudos com pesquisas feitas apenas depois das últimas divulgações) dão Hillary um ponto apenas à frente. 46 contra 45 Seja como for, the house is on fire. Um tema a seguir com toda a atenção nos próximos dias |
OUTRAS NOTÍCIAS Cá dentro
Assunto dos últimos dias, em boa medida empurrado pelas notícias do Observador, foi a demissão de dois elementos de gabinetes ministeriais, e pela mesma razão. A apresentação de currículos com mentiras, no caso licenciaturas que nunca existiram. O último dos casos, envolvendo o chefe de gabinete do ministro da Educação levou mesmo o CDS a pedir a cabeça do ministro Tiago Brandão Rodrigues, o primeiro-ministro a garantir que mantém total confiança no seu responsável pela Educação, e os aliados da geringonça a darem entretanto o caso por encerrado.
Relevante foi a proposta avançada por António Costa de permitir a liberdade de fixação de residência para cidadãos da CPLP. A ideia vai ser avançada pelo primeiro-ministro no encontro de Brasília dos responsáveis dos países lusófonos. “Uma comunidade de povos mais que uma comunidade de países”, defende Costa. O próprio Marcelo já a comentou, dizendo tratar-se de uma ideia muito difícil de concretizar, até por Portugal estar dentro do espaço aberto europeu. A manchete do Público de hoje é uma notícia de economia: “Consumo de cerveja caiu 25% nos últimos dez anos em Portugal”. A crise, os gostos, os produtores, o IVA, etc, etc, etc. A mim impressiona-me sobretudo saber que, de acordo com estes números, há uma década bebia mais 75 imperiais por ano do que bebo agora. Sai uma jola aqui para o escriba do canto… Esta é uma pequena notícia. Pequena em tamanho mas que revela mais do que o número dos seus caracteres aparenta. A história é esta: Marcelo queria dar um sinal de frugalidade e decidiu não levar os partidos nas viagens ao estrangeiro. Estes não gostaram. Protestaram. E agora já vão com o chefe do Estado lá fora (como na última semana a Cuba). Seis dezenas das 70 medidas dos acordos da esquerda já estão cumpridas. O que levanta a questão de perceber como vai a geringonça funcionar daqui em diante. Em Portugal os doentes têm de esperar 16 meses para fazer uma ressonância magnética no SNS. Morreu Bernardino Gomes, fundador do PS. O funeral é hoje. O mau tempo perturbou os voos nos Açores e afetou a vida de centenas de pessoas. Lá fora
Dias de verdadeiro sobressalto tem vivido a Itália. Em agosto foram 300 mortos no sismo de Amatrice. Na última semana mais dois abalos. E ontem novamente um sismo a afetar o centro do país, Roma e Florenca incluídos (pode ver o mapa da região afetada aqui). Mas desta vez, felizmente, sem vítimas mortais, apesar do abalo de 6,5 na escala de Richter. O Papa Francisco já veio exprimir a sua solidariedade para com as vítimas deste novo sismo em Itália, o mais violento em 36 anos, e que destruiu seis localidades medievais. O Governo italiano vai reunir-se hoje para decidir medidas e Renzi já disse que vai reconstruir tudo sem estar preocupado em olhar para o valor do défice.
Apesar do susto para os partidos tradicionais, e do grande aumento do Partido Pirata, o vencedor das eleições na Islândia foi um dos partidos no poder no país. Agora deve seguir-se um período de negociações para se acertar quem vai para o governo. 31 de outubro de 1517. Faz amanhã 500 anos que Martinho Lutero afixou as suas 95 teses na porta de uma capela a sul de Berlim, com isso mudando a história do cristianismo para sempre. Para assinalar a data, e com sentido ecuménico, o Papa Francisco vai estar amanhã na Suécia a assinalar a data da reforma protestante. Se se interessa pelo tema, leia o que o Guardian escreve. O CETA, acordo comercial entre o Canadá e a União Europeia, foi finalmente assinado. Imprescindível este artigo sobre a forma como a atuação das grandes empresas e corporações está a mudar e como cada vez mais um cada vez mais pequeno número de grandes grupos controla a economia mundial. Em Espanha, Rajoy toma hoje posse como presidente do Governo, pondo formalmente termo a uma intensa crise política que durou praticamente um ano. A nova forma de fazer a guerra e de uso da propaganda pelo Estado Islâmico: disparar, filmar, tweetar. Na guerra no Iémen, ataques aéreos da coligação árabe fizeram 40 mortos este fim de semana. Em 1969, John Lennon escreveu à Rainha de Inglaterra. Agora a carta foi divulgada. Cristiano Ronaldo marcou três este fim de semana e ajudou, e de que maneira, o Real Madrid a vencer o Alaves por 4 a1 e a manter-se no topo da liga espanhola. Quem também tem razões para sorrir é o galês Gareth Bale que viu renovado o seu contrato com os merengues. Mas o melhor texto de desporto que li este fim de semana foi mesmo este, sobre a tristeza e reclusão de José Mourinho em Manchester. “O inferno do diabo vermelho”. A prosa é magnífica, passe o exagero de comparar a situação de Mourinho à de Mandela em Robben Island. Neste nosso cantinho, de cada vez que falamos de agentes de futebol, falamos de Jorge Mendes, como o dono e senhor do reino da bola. Mas pelos vistos há outros que reclamam o título de maior agente do planeta, como Mino Raiola, representante, entre outros, de Pogba e Ibrahimovic. Lewis Hamilton venceu a prova de Fórmula 1 no México e ainda mantém acesas as esperanças de conquistar o título mundial. FRASES
“Temos de discutir já as progressões na Função Pública”, Carlos Silva, líder da UGT, em entrevista ao Jornal de Negócios e Antena 1, apontando um tema que deve ser dos mais quentes nas negociações à esquerda no próximo ano
“A lei das fundações não é clara. Há zonas cinzentas”, Rui Vilar, em entrevista ao Diário de Notícias “Existe hoje uma tendência de neonacionalismo e xenofobia em todo o mundo”, Albrecht Koschorke, historiador literário alemão, autor de “O Mein Kampf de Adolf Hitler - uma leitura crítica”.
NÚMEROS
8.500.000.000 Oito mil e quinhentos mihões de euros. Uma verdadeira pipa de massa. Jerónimo de Sousa diz que este é o valor que pagamos anualmente só pelos juros da nossa dívida e que por isso mesmo é preciso renegociá-la. 15 Foi há quinze anos já que nasceu o primeiro iPod (quem nunca teve um que atire a primeira pedra). Ainda se lembra como era o primeiro? Pode ver aqui. |
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