quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Cirilo J .Vieira: sempre acreditei que Donald Trump podia ganhar as eleições presidenciais porque, as últimas sondagens estavam dentro da margem do erro

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A noite louca que deu a presidência dos Estados Unidos a Donald Trump.

 
Todas as sondagens indicavam o contrário, porém o candidato republicano varreu os votos nos principais estados, mantendo a proximidade com a fronteira dos 270 pontos que lhe daria a vitória logo desde o início da madrugada. Ninguém acreditava que Hillary Clinton não ganhasse a corrida à Casa Branca e o que aconteceu foi a candidata democrata ser obrigada a reconhecer a vitória de Trump às 7h40 (de Lisboa). O New York Times estudou as oscilações do eleitorado, explica quem eles são e porque é que escolheram o candidato republicano.

“Mundo, temos um problema”, escreve Pedro Santos Guerreiro: “O sistema está tão podre, tão descontrolado e tão incapaz de se reformar que a vontade do povo americano de mudá-lo musculou o braço de quem prometeu esmurrá-lo. Não é uma derrota política, é uma derrota da política”. Leia a análise do diretor do Expresso avaliando que, “com a Casa Branca, o Senado e o Congresso, Trump pode fazer quase o que quiser”. Poderá ainda escolher um dos juízes do Supremo Tribunal. “A sua retórica é tão perturbadora e despreza tanto a verdade que prenuncia mais do que anuncia”.

Depois da reportagem que fez sobre a convenção republicana que elegeu Donald Trump como candidato republicano à Casa Branca, Daniel Oliveira chama a este momento o ponto sem retorno, como aqui pode ler. A reportagem tinha por título “Chegou o futuro triste” e aqui está ele.

Como dizia um eleitor republicano à Sky News por volta das 5h, a conquista de Trump era “a vitória do bem sobre o mal”, Clinton é “uma pessoa má” e nem deveria sequer ter tido direito a candidata-se”.

“Acabo de receber um telefonema da secretária de Estado Clinton”, declarou Trump “felicitando-nos pela nossa vitória”. “É a vez de nos unirmos. Serei o Presidente de todos os americanos e isso é muito importante para mim”, declarou o futuro 45º Presidente dos Estados Unidos.

A reação à perspetiva de vitória de Donald Trump teve repercussões imediatas em todo o mundo. A face visível disso foi a queda registada nos mercados internacionais proporcional à admissão, ao longo da noite eleitoral, de que Hillary Clinton não ganharia. Menos dois pontos percentuais nos mercados asiáticos e o Dow Jones em queda, mercados em pânico.

A primeira reação política internacional chegou aos EUA sob a forma de felicitações vindas de França. Marine Le Pen, a líder do partido de direita Frente Nacional e candidata à presidência no voto da próxima primavera, espera inspiração no comportamento dos eleitores americanos, a quem louvou a “liberdade”, confirmando assim que a política de Trump é favorável a França.

Reveja aqui o desenvolvimento do escrutínio na cobertura em direto que o Expresso fez desde as 21h de terça-feira. A noite teve os seus momentos… Quando ainda ninguém queria acreditar que poderia acontecer, às 4h40 o chefe de campanha de Donald Trump, Layne Bangerter declarava: “A voz do povo fez-se ouvir”. Trump estava então à frente com 232 votos contra os 216 Hillary Clinton. Horas mais tarde, ao agradecer a vitória à sua equipa, o próprio Donald Trump repetiu vezes sem conta a palavra “inacreditável!”.

Recorde aqui como esta campanha quebrou todas as regras das anteriores.

 

OUTRAS NOTÍCIAS
 

Uma das conclusões do segundo dia da Web Summit, cujos 50 mil participantes tiveram dificuldade em deslocar-se de metro pela cidade de Lisboa, é que vamos ter de aprender a viver sem trabalho… parece que é desta que os robôs vão levar a melhor no mercado de trabalho, escreve a Joana Madeira Pereira: “O trabalha não tem futuro”, ouch!. Robôs e cloud, porque as empresas já perceberam que o Cloud faz parte do seu futuro, disse ao Pedro Miguel Oliveira o CTO da Microsoft Mark Russinovich. Como angariar financiamento é um dos maiores desafios para a maioria dos empreendedores, os investidores só têm olhos para as empresas já com provas dadas, explica a Margarida Fiúza.

É “sem sombra de dúvida” ao Tribunal Constitucional que cabe decidir sobre o caso Caixa Geral de Depósitos, garante o homem que presidiu ao TC até julho passado, Joaquim Sousa Ribeiro. O caso é incomum, não há muitas dúvidas e o atual presidente do TC, Manuel Costa Andrade, dizia ao Expresso há uma semana que se ninguém colocar ao tribunal questões sobre se os administradores da Caixa devem ou não declarar as respetivas declarações de património, os juízes não se pronunciam. Daniel Oliveira chama ao caso “uma embrulhada complicada” como pode aqui ler.

Após a audição do ministro das Finanças, Mário Centeno, o Parlamento Europeu tomou ontem posição ao final do dia contra o congelamento de fundos comunitários para Portugal. Ficou assim suspenso o diálogo estruturado, ou seja, o processo através do qual o PE toma uma posição relativamente ao congelamento de fundos em conjunto com a Comissão Europeia. O PE decidiu também recomendar à CE que não suspenda os fundos e que caso, apesar disso, a instituição tome uma decisão nesse sentido irá reabrir então o diálogo estruturado.

A região autónoma da Madeira continua à espera do dinheiro prometido por Lisboa três meses depois dos incêndios que deixaram 20 famílias sem alojamento e ainda agora a depender do acolhimento por familiares.

Mariana Mortágua distanciou-se de uma eventual candidatura à Câmara Municipal de Lisboa e emerge Ricardo Robles como o candidato natural pelo Bloco de Esquerda. A deputada e dirigente declarou que o BE “deve apostar nos autarcas que formou" para encabeçar as listas do Bloco nas eleições autárquicas que se realizam no próximo ano.

Hoje é o Dia Internacional contra o Fascismo e o Antissemitismo instituído pelo Parlamento Europeu, no âmbito da luta contra o racismo e a xenofobia na União Europeia. A data escolhida coincide com a Noite de Cristal, 9 de novembro de 1938, quando sinagogas e lojas de judeus foram incendiadas, assaltadas e saqueadas em toda a Alemanha.

FRASES

Estarei aqui para vos guiar, ajudar e unir o nosso grande país”, Donald Trump, próximo presidente dos EUA

Trump não é um conservador é um populista nacionalista”, Miguel Monjardino, Professor e comentador da SIC

O sistema constitucional nos EUA mudou muito nos últimos 15 anos, do ponto de vista executivo, favorecendo o lado da presidência”, Miguel Monjardino, Professor e comentador da SIC

O povo está a tomar o país de novo. Nós faremos o mesmo”, Geert Wilders​, líder holandês do Partido da Liberdade

O QUE ANDO A LER
Ou, o que andei “a ver”. Acabo de chegar de África zangada com “aquela visão” que por lá só encontra guerra, doença, desordem e subdesenvolvimento. Bom, são 54 países, ok? Modestamente, só percorri cinco da África Austral, o suficiente para confirmar o quanto o mundo tem a aprender com os africanos. Estas sugestões completamente ao lado das presidenciais norte-americanas reúnem (algumas) ideias e produções de (alguns) cidadãos deste continente onde todos são bem-vindos, garantiu-me um africano. Começo pelo Festival de Fotografia de Lagos (Nigéria) e pelo trabalho que desenvolveu este ano sobre a identidade africana. O site Trueafrica mostra-lhe 20 fotógrafos de que provavelmente nunca ouviu falar até 22 de novembro. Na Bélgica pode seguir Nástio Mosquito, o no-mínimo-original artista angolano que lá atuará a 23 deste mês. Por cá, consulte a agenda para estes dias do indispensável Bleza caso lhe apeteça a melhor música de dança africana (e não só) que se apresenta regularmente em Lisboa. Depois, não vá imaginar-se que não vivemos todos em simultâneo no mesmo século neste mundo global, poderá apreciar as últimas criações do Bazofo na Cova da Moura. O que é Bazofo? Bazofo é uma palavra de crioulo de Cabo Verde para descrever alguém com estilo e atitude. Mas também é uma pequena marca de roupa sustentável e ética da Cova da Moura, a maior comunidade cabo-verdiana em Portugal. Por coincidência no tal mundo global conheci o Naledi N, foi o meu guia num dia inteiro de visita ao Soweto (Joanesburgo, África do Sul) e só quando trocámos contactos fiquei a saber que é um habitué do Instagram onde promove o trabalho de um grupo de sowetans (do qual faz parte) que produz roupa de assinatura hand made (in Soweto) e invejável, como pode ver no link.

Se estiver a norte, mais propriamente no Porto, África Mostra-se já daqui a dois dias. Consulte aqui a programação. Em Lisboa tem hoje e amanhã cinema raramente exibido entre nós: AfroTela. Lisboa Africana tem estas ofertas por estes dias. E aproveito para imitar o Nicolau Santos, que aqui sugeriu há dias a retrospetiva do artista plástico angolano António Ole no Museu Gulbenkian (ex-Centro de Arte Moderna). Tem até 7 de janeiro para não perder a obra de uma figura tutelar da contemporaneidade artística daquele país.

Esticando o calendário, deixo uma sugestão para os últimos dias de 2016, 29, 30 e 31 de dezembro, num dos lugares mais incríveis do mundo: as Cataratas Victoria no Zimbabwe. Chama-se Vic Falls Carnival – Victoria Falls e promete! Eu só viajei no comboio onde o trailler da Jameson foi filmado e posso assegurar que é tudo como aparece nos 3’10’ desta fitinha . Chamam-lhe a maior “infusão cultural de talento da África Austral” e são três dias de festival com músicos do Zimbabwe, Zâmbia, África do Sul, Botswana, Moçambique e Namíbia. Há viagens em overland truck (só para dar uma ideia) a partir de Joanesburgo e os preços são muito razoáveis. Se partir de Cape Town, consulte aqui dez das melhores experiências gastronómicas que o esperam. Juro que estas duas últimas são sugestões para serem posteriormente arquivadas na categoria “inesquecível”!



 














 

segunda-feira, 31 de outubro de 2016

FBI entra na campanha nos Estados Unidos e baralha tudo

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Bom dia e boa segunda-feira.

A 9 dias das eleições nos EUA, volta a incerteza.
Aqui pode perceber tudo sobre o caso que está a baralhar as eleições na América, com a ajuda deste pequeno glossário (feito com base nas perguntas e respostas sobre o caso publicadas pelo NYT).

James Comey: diretor nacional do FBI que incendiou a campanha com a carta de 166 palavras enviada sexta-feira ao Congresso (e que pode ser lida aqui) dando conta da intenção de reabrir a investigação a Hillary que tinha sido concluída em julho. De ascendência irlandesa, mãos de lenhador e cabeça de procurador (a definição é da Veja), a atuação de Comey tinha sido até aqui muito elogiada pelos Democratas. Mas a quebra da regra instituída de não interferência nas campanhas eleitorais mudou tudo.

Anthony Weiner: congressista e ex-marido de uma assessora de Hillary Clinton no computador do qual foram agora encontrados os mails que podem comprometer a candidata. E como é que a polícia chegou ao computador de Weiner? Por estar a investigar alegações de que o congressista teria trocado mensagens de cariz sexual com uma menor. A investigação começou o mês passado e permitiu à justiça chegar ao iPad e portátil de Weiner, onde foram descobertos os mails que podem conter informação classificada. E de acordo com a legislação americana, o mau uso de informação classificada é crime.

Huma Abedin: personagem chave no caso, como a principal e mais próxima assessora de Hillary. Está há dois meses separada de Weiner, depois de alegações do New York Post de que este teria enviado online fotos do seu pénis a uma mulher, quando estava ao lado do filho de quatro anos do casal.

John Podesta: o diretor nacional de campanha de Hillary e autor de algumas das mais duras acusações contra o FBI por ter divulgado informação seletiva com um potencial político destruidor enorme. As acusações ao FBI prendem-se, além do facto óbvio de visarem Hillary, pelo facto de Comey ter dito que não sabia se a informação recolhida era ou não relevante nem quanto tempo levaria a investigar (os novos mails ainda não foram analisados).

FBI: a investigação aos mails de Hillary enquanto responsável pela diplomacia americana têm um ponto, que é o de perceber se a utilização de contas privadas e não seguras de correio eletrónico foi ou não feita com o propósito intencional de desviar informação dos canais normais. Aí pode residir o crime, no dolo com que a atuação foi feita. Neste caso, as revelações de Comey na última sexta-feira assumem particular gravidade dado tratar-se de uma atuação inédita tão perto de umas eleições presidenciais.

Vamos ao caso
O diretor nacional do FBI revelou na sexta-feira que foram descobertos novos emails de Hillary, relevantes para a investigação sobre a sua atuação enquanto Secretária de Estado e a forma como usou uma conta privada e não segura enquanto governante. A chuva de críticas e dúvidas perante a entrada de uma força policial na campanha é imensa. No FBI alega-se que se as novas revelações fossem, pelo contrário, abafadas, acabariam por ser acusados de parcialidade e de ter beneficiado Hillary.

O Guardian também olha para o assunto e o abalo que causa na campanha de Hillary, mas conclui que o tema não deverá ser suficiente para (credo) colocar Trump na Casa Branca.
Neste artigo de opinião publicado no New York Times explica-se porque é que Comey agiu mal e extravasou as suas funções de forma ilegítima. Também o experiente James Fallows afirma na Atlantic que Comey entrou de forma abusiva na campanha eleitoral.
Curioso este artigo, que tenta explicar como é que tanta gente tão comum e tão normal consegue estar do lado de Trump.

Perante tudo isto, pode o resultado eleitoral ser influenciado?
Nas últimas semanas, e depois dos três debates televisivos, o resultado de dia 8 parecia fechado. Agora, a mais recente sondagem divulgada (embora ainda não haja estudos com pesquisas feitas apenas depois das últimas divulgações) dão Hillary um ponto apenas à frente. 46 contra 45
Seja como for, the house is on fire. Um tema a seguir com toda a atenção nos próximos dias

 

OUTRAS NOTÍCIAS
 
Cá dentro
Assunto dos últimos dias, em boa medida empurrado pelas notícias do Observador, foi a demissão de dois elementos de gabinetes ministeriais, e pela mesma razão. A apresentação de currículos com mentiras, no caso licenciaturas que nunca existiram. O último dos casos, envolvendo o chefe de gabinete do ministro da Educação levou mesmo o CDS a pedir a cabeça do ministro Tiago Brandão Rodrigues, o primeiro-ministro a garantir que mantém total confiança no seu responsável pela Educação, e os aliados da geringonça a darem entretanto o caso por encerrado.

Relevante foi a proposta avançada por António Costa de permitir a liberdade de fixação de residência para cidadãos da CPLP. A ideia vai ser avançada pelo primeiro-ministro no encontro de Brasília dos responsáveis dos países lusófonos. “Uma comunidade de povos mais que uma comunidade de países”, defende Costa. O próprio Marcelo já a comentou, dizendo tratar-se de uma ideia muito difícil de concretizar, até por Portugal estar dentro do espaço aberto europeu.

A manchete do Público de hoje é uma notícia de economia: “Consumo de cerveja caiu 25% nos últimos dez anos em Portugal”. A crise, os gostos, os produtores, o IVA, etc, etc, etc. A mim impressiona-me sobretudo saber que, de acordo com estes números, há uma década bebia mais 75 imperiais por ano do que bebo agora.
Sai uma jola aqui para o escriba do canto…

Esta é uma pequena notícia. Pequena em tamanho mas que revela mais do que o número dos seus caracteres aparenta. A história é esta: Marcelo queria dar um sinal de frugalidade e decidiu não levar os partidos nas viagens ao estrangeiro. Estes não gostaram. Protestaram. E agora já vão com o chefe do Estado lá fora (como na última semana a Cuba).

Seis dezenas das 70 medidas dos acordos da esquerda já estão cumpridas. O que levanta a questão de perceber como vai a geringonça funcionar daqui em diante.

Em Portugal os doentes têm de esperar 16 meses para fazer uma ressonância magnética no SNS.

Morreu Bernardino Gomes, fundador do PS. O funeral é hoje.

O mau tempo perturbou os voos nos Açores e afetou a vida de centenas de pessoas.


Lá fora
Dias de verdadeiro sobressalto tem vivido a Itália. Em agosto foram 300 mortos no sismo de Amatrice. Na última semana mais dois abalos. E ontem novamente um sismo a afetar o centro do país, Roma e Florenca incluídos (pode ver o mapa da região afetada aqui). Mas desta vez, felizmente, sem vítimas mortais, apesar do abalo de 6,5 na escala de Richter. O Papa Francisco já veio exprimir a sua solidariedade para com as vítimas deste novo sismo em Itália, o mais violento em 36 anos, e que destruiu seis localidades medievais. O Governo italiano vai reunir-se hoje para decidir medidas e Renzi já disse que vai reconstruir tudo sem estar preocupado em olhar para o valor do défice.

Apesar do susto para os partidos tradicionais, e do grande aumento do Partido Pirata, o vencedor das eleições na Islândia foi um dos partidos no poder no país. Agora deve seguir-se um período de negociações para se acertar quem vai para o governo.

31 de outubro de 1517. Faz amanhã 500 anos que Martinho Lutero afixou as suas 95 teses na porta de uma capela a sul de Berlim, com isso mudando a história do cristianismo para sempre. Para assinalar a data, e com sentido ecuménico, o Papa Francisco vai estar amanhã na Suécia a assinalar a data da reforma protestante. Se se interessa pelo tema, leia o que o Guardian escreve.

O CETA, acordo comercial entre o Canadá e a União Europeia, foi finalmente assinado.

Imprescindível este artigo sobre a forma como a atuação das grandes empresas e corporações está a mudar e como cada vez mais um cada vez mais pequeno número de grandes grupos controla a economia mundial.

Em Espanha, Rajoy toma hoje posse como presidente do Governo, pondo formalmente termo a uma intensa crise política que durou praticamente um ano.

A nova forma de fazer a guerra e de uso da propaganda pelo Estado Islâmico: disparar, filmar, tweetar.

Na guerra no Iémen, ataques aéreos da coligação árabe fizeram 40 mortos este fim de semana.

Em 1969, John Lennon escreveu à Rainha de Inglaterra. Agora a carta foi divulgada.

Cristiano Ronaldo marcou três este fim de semana e ajudou, e de que maneira, o Real Madrid a vencer o Alaves por 4 a1 e a manter-se no topo da liga espanhola. Quem também tem razões para sorrir é o galês Gareth Bale que viu renovado o seu contrato com os merengues.

Mas o melhor texto de desporto que li este fim de semana foi mesmo este, sobre a tristeza e reclusão de José Mourinho em Manchester. “O inferno do diabo vermelho”. A prosa é magnífica, passe o exagero de comparar a situação de Mourinho à de Mandela em Robben Island.

Neste nosso cantinho, de cada vez que falamos de agentes de futebol, falamos de Jorge Mendes, como o dono e senhor do reino da bola. Mas pelos vistos há outros que reclamam o título de maior agente do planeta, como Mino Raiola, representante, entre outros, de Pogba e Ibrahimovic.

Lewis Hamilton venceu a prova de Fórmula 1 no México e ainda mantém acesas as esperanças de conquistar o título mundial.


FRASES
“Temos de discutir já as progressões na Função Pública”, Carlos Silva, líder da UGT, em entrevista ao Jornal de Negócios e Antena 1, apontando um tema que deve ser dos mais quentes nas negociações à esquerda no próximo ano

“A lei das fundações não é clara. Há zonas cinzentas”, Rui Vilar, em entrevista ao Diário de Notícias

“Existe hoje uma tendência de neonacionalismo e xenofobia em todo o mundo”, Albrecht Koschorke, historiador literário alemão, autor de “O Mein Kampf de Adolf Hitler - uma leitura crítica”.

 
NÚMEROS

8.500.000.000

Oito mil e quinhentos mihões de euros. Uma verdadeira pipa de massa. Jerónimo de Sousa diz que este é o valor que pagamos anualmente só pelos juros da nossa dívida e que por isso mesmo é preciso renegociá-la.

15
Foi há quinze anos já que nasceu o primeiro iPod (quem nunca teve um que atire a primeira pedra). Ainda se lembra como era o primeiro? Pode ver aqui.


quinta-feira, 6 de outubro de 2016

António Guterres, um português no topo do mundo

 
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Tudo indica que hoje, em Nova Iorque, às 15 horas de Lisboa, António Guterres será aclamado secretário-geral das Nações Unidas. Nunca um português terá chegado tão longe. Nunca nenhum terá tido, nos últimos séculos, tamanha influência no mundo. Guterres era, provavelmente, o mais bem preparado de todos.

Apesar de todas as dúvidas que o atormentaram enquanto foi primeiro-ministro de Portugal. Mesmo que a sua eleição para secretário-geral das Nações Unidas tenha sido discutida até cortar a meta.

Ontem, depois de ter dominado as cinco votações anteriores para o mais alto cargo da Organização das Nações Unidas, recebeu 13 votos favoráveis dos 15 membros do Conselho de Segurança. Com o novo processo de eleição, que pugna pela transparência, ninguém votou pelo desencorajamento. Apenas dois membros escolheram a indecisão.

Pelo contrário, a mais temida adversária, Kristalina Georgieva, que surgiu à última hora e se apresentava como a maior rival pelos apoios que poderia obter, foi inapelavelmente batida, com oito votos de desencorajamento.

António Guterres ganhou e hoje, na derradeira votação, será o único candidato. O português chegará à liderança das Nações Unidas por aclamação.
Uma vitória cristalina, como descreve o “Público”.

O que falta para Guterres ser secretário-geral da ONU?

O Conselho de Segurança da ONU deu uma indicação clara, durante a sexta votação que ontem teve lugar, sobre quem deve ser o novo secretário-geral e então suceder a Ban-Ki Moon a partir de 1 de janeiro de 2017. Porém, cabe à Assembleia Geral, tomar a
decisão final, por maioria simples, hoje, às 15 horas.

Vitali Churkin, embaixador da Rússia, o país que atualmente preside ao Conselho de Segurança, anunciou ontem publicamente esperar “que seja indicado por aclamação”. Representando os 15 membros do Conselho de Segurança, acrescentou: “Desejamos ao senhor Guterres que tudo corra bem no desempenho das funções como secretário geral das Nações Unidas, nos próximos cinco anos.”

O novo secretário-geral da ONU será eleito pela Assembleia Geral, depois desta recomendação do Conselho de Segurança da ONU. Necessita de uma maioria simples dos 193 países
para que a decisão seja ratificada, numa votação que acontece à porta fechada. Também compete à Assembleia Geral estabelecer a duração do mandato, que tradicionalmente é de cinco anos.

Do Técnico para o Mundo

António Manuel de Oliveira Guterres nasceu em Lisboa em 1949. Terminou a licenciatura em Engenharia Electrotécnica em 1971, sendo considerado um dos melhores alunos de sempre do Técnico, a mais reputada escola de engenharia portuguesa.

Entrou para o PS em 1973 e já secretário-geral ganhou as eleições legislativas de 1995. Presidiu a dois governos, sendo primeiro-ministro entre 1995 e 2001. Depois de uma derrota do PS nas eleições autárquicas, demitiu-se do cargo, para evitar o “pântano político”, cedendo o lugar a Durão Barroso. Barroso também abandonaria também o cargo para ser presidente da Comissão Europeia.

Em 2005, António Guterres seria nomeado Alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados, cargo em que se manteve até 2015. A sua candidatura à presidência da República, em 2016, seria ventilada inúmeras vezes. Ao não se concretizar, abriu o caminho à vitória de Marcelo Rebelo de Sousa.

Como ele chegou lá

O novo processo de eleição do secretário-geral das Nações Unidas pretendia-se transparente mas foi perturbado pela candidatura, na passada semana, por proposta da Alemanha, de Kristalina Georgieva, comissária europeia do Orçamento e Recursos Humanos.

A candidatura de Guterres teria começado
há mais de dois anos, quando um diplomata norueguês terá indagado da disponibilidade do português para ocupar o cargo. A candidatura só seria formalizada mais tarde mas desde o passado mês de julho, António Guterres venceu claramente todas as seis eleições entre os membros do Conselho de Segurança, eliminando sucessivamente os candidatos patrocinados por Jean Claude Juncker, atual presidente da Comissão Europeia, ou pela chanceler Angela Merkel.

As dúvidas quanto ao sentido de voto da Rússia, um dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança, dissolveram-se ontem, 5 de outubro. Um resultado que se apresenta como uma clara vitória da diplomacia portuguesa.

FRASES

“António Guterres era e é, claramente, o melhor para o cargo. Pelas suas qualidades pessoais, pelo seu currículo na própria ONU, pela capacidade de visão e de equação dos principais problemas universais”. Marcelo Rebelo de Sousa, presidente de Portugal

“Foi um grande trabalho da nossa diplomacia, um grande esforço que todos temos feito, todos os órgãos de soberania, todos os partidos”. António Costa, primeiro-ministro de Portugal

“António Guterres tem a capacidade de estabelecer pontes. Ele vai ser um secretário-geral que representa a voz das Nações Unidas como tal, de todas as nações, de todos os 193 países que fazem parte das Nações Unidas”, Augusto Santos Silva, ministro dos Negócios Estrangeiros

“Triunfou uma forma participada, contra manobras de última hora”, Jorge Sampaio, presidente de Portugal

“Que a sua sensatez e o respeito que a sua voz inspira no mundo possam fazer a diferença”. Cavaco Silva, presidente de Portugal

“É histórico para Portugal, é a primeira vez que um português terá este lugar tão relevante”. Passos Coelho, líder do PSD

As Nações Unidas mostraram-se imunes a “manobras mais ou menos estranhas”. Catarina Martins, líder do BE

Uma vitória pessoal e da diplomacia portuguesa que “honra muito Portugal”. Assunção Cristas, líder do CDS

É necessário contrariar a “linha de instrumentalização” da ONU. Ângelo Alves, dirigente do PCP

“Uma boa notícia para a ONU e para Espanha”. Mariano Rajoy, primeiro-ministro de Espanha

“Um bom amigo, um homem de visão, coração e ação. A cooperação entre a União Europeia e as Nações Unidas vai tornar-se mais forte”. Federica Mogherini, Alta Representante da União Europeia para os Negócios Estrangeiros e Política de Segurança

Visto de fora

A imprensa internacional destaca a capacidade de diálogo de António Guterres, o facto de se ter imposto aos candidatos femininos ou a surpreendente união do Conselho de Segurança das Nações Unidas. O editorial do “New York Times”, “uma nova voz para um mundo complicado”, começa logo por dizer que Guterres é
“uma excelente escolha para suceder a Ban-Ki Moon”.

O “Observador” fez um
apanhado do que foi dito “lá fora”. O “DN” recolhe vários depoimentos que contestam a provável eleição de um homem, quando seria expectável a nomeação de uma mulher enquanto secretária-geral da ONU. O “Economist” saúda Guterres até porque considera os dois mandatos de Ban-Ki Moon um “flop” mas cita o seu antecessor: “um homem de princípios mas também um pragmático”. A BBC pergunta (e responde): “quem é António Guterres?”

Os trabalhos de Guterres


Enquanto todo o país e (grande parte do) mundo rejubilam com a vitória de guerra, já se apontam alguns dos desafios que o novo secretário-geral das Nações Unidas terá de enfrentar. A guerra na Síria, a questão dos refugiados, a desigualdade, a Coreia do Norte ou a Rússia são apenas uma parte dos problemas com que Guterres se irá defrontar.
O “Diário de Notícias” já descobriu dez.

Vencidos
 
Se Guterres é o grande vencedor, Kristalina Georgieva e Angela Merkel são os maiores perdedores desta eleição. A chanceler defendeu, à última hora e com o apoio de países como a Hungria a candidatura Kristalina. Ambas perderam e o seu futuro parece cada vez mais comprometido. Georgieva terá que abandonar o seu cargo de comissária europeia?
 
                           OUTRAS NOTÍCIAS

FMI diz que as coisas vão piorar. Num relatório ontem publicado, o FMI diz que Portugal não irá cumprir as metas orçamentais em 2017. Que este ano não ficará abaixo dos 3%.
E que em 2021 terá o pior défice em toda a zona euro.

Marcelo pediu “princípios” aos políticos portugueses. O Presidente da República, durante o seu discurso do 5 de Outubro, pediu aos políticos portugueses que dessem o exemplo. Até porque, há “casos a mais de princípios vividos a menos”.

Vem aí o Orçamento do Estado para 2017. Rosa Pedroso Lima, Helena Pereira e Adriano Nobre desenharam por isso um guia, em 18 pontos, para sabermos o que mais nos irá acontecer.
Saiba aqui o que está em causa e os impostos que podem recair sobre o vinho.

Novo Banco resolvido até final deste mês? A intenção do Banco de Portugal é fechar a venda do Novo Banco, que poderá ir para os chineses do Minsheng Bank, até ao fim de outubro.
A data é, porém, flexível e tem sido constantemente adiada.

Mais de 15 mil na inauguração do MAAT. O novo museu da Fundação EDP foi visitado, entre as 12h e as 19h, por mais de 15 mil pessoas. O afluxo foi tanto que obrigou, por razões de segurança, ao fecho da passagem pedonal que liga aquela área à beira-rio ao Museu dos Coches.

Donald Trump cai nas sondagens. Várias sondagens publicadas nos últimos dias também como certa uma derrapagem na campanha eleitoral do candidato republicano. Nas vésperas do segundo debate, a acontecer na madrugada de domingo para segunda-feira, os republicanos vêem-se na eminência de
perder estados como a Pensilvânia, Florida e Carolina do Norte sendo obrigados a rever a sua estratégia.
                         O QUE ANDO A LER
 
 
“Para mim, comemos todos a mesma maçã. Adão, Eva, o rebelde Jesus, em toda a sua glória, e Satanás fazem todos parte do plano de Deus para fazer de nós homens e mulheres, para nos oferecer as dádivas preciosas da terra, da sujidade, do suor, do sangue, do sexo, do pecado, da bondade, da liberdade, do cativeiro, do amor, do medo, da vida e da morte… da nossa humanidade e de um mundo só nosso”.

Poderia ter sido António Guterres a escrever estas palavras, logo que fez parte da Juventude Católica durante a sua juventude ou mesmo já muito depois disso. Mas não. Elas saíram da pena de alguém de um rocker marcado por uma educação católica.

Alguém que também está habituado aos grandes palcos deste mundo. Chama-se Bruce Springsteen e acaba de publicar a sua autobiografia, “Born To Run”. O volume, com mais de 560 páginas, já conheceu tradução para português (Elsinore) e é um relato em tom confessional do percurso de um músico americano de Nova Jérsia capaz de atrair dezenas de milhar de espectadores aos seus concertos como se provou ainda este ano, no Rock in Rio.

A sua canção mais representativa é, muito provavelmente, a que dá título ao livro e onde canta “trumps like us, baby we were born to run”. Já o livro, que só agora comecei a ler, acaba assim: “o caminho está livre: acelero a fundo e a velocidade regressa a casa nos meus braços”.
 
Parabéns António Guterres.


Tenha um bom dia!
 

 
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quarta-feira, 18 de maio de 2016

Deixem-se de tretas, força nas canetas que os maiores são....os bancos portugueses

São 23. Sabem chutar uma bola. E dizem que são magníficos. Só falta provar que conseguem ganhar o Euro 2016. E deixem-se de tretas, como cantava Herman José, força nas canetas que o maior é Portugal.

Pode ver aqui
quem são os eleitos por Fernando Santos, que acabou por trocar Tiago por Renato Sanches. Ele lá deve saber porquê. Custa-me a crer que o selecionador tenha cedido aos grandes interesses financeiros que movem o futebol.

Mas se hoje só se fala de futebol, ontem foi o dia da banca. E mais uma vez pelas piores razões.

Parece que existe uma
frente unida em defesa da banca nacional. Uma verdadeira seleção nacional. Não querendo ser desmancha-prazeres, noutras alturas em que tal aconteceu, por exemplo em 2011, o resultado não foi nada famoso.

E para perceber o que está a passar-se é preciso recuar quatros anos. Quando os amigos Teixeira dos Santos e Carlos Costa fizeram as contas ao dinheiro necessário para o programa de resgate colocaram 12 mil milhões para recapitalizar a banca. Na altura foi excluída a necessidade de um programa que fizesse uma injeção de capital à cabeça nos bancos portugueses tal como aconteceu na Irlanda por exemplo. Portugal, dizia-se, não tinha os mesmos problemas na banca que tinham outros países. Pois não…

Quatro anos depois, esses países resolveram os problemas dos seus bancos, e nós por cá, continuamos a lutar para não ter de pagar mais alguns.

O governador do Banco de Portugal veio ontem defender mais uma vez a
criação de um banco mau para limpar os ativos dos bancos do crédito mal parado. Mas para que isso aconteça é preciso que exista uma isenção da política de ajudas públicas. Bruxelas tem de ajudar. Uma medida que assentaria como uma luva à Caixa Geral de Depósitos.

Este deve ter sido um dos assuntos no menu do almoço entre António Costa e a responsável pela supervisão europeia, Danièle Nouy. O primeiro ministro acabou por mais tarde pedir que os bancos e os reguladores se entendam para
resolver o problema do mal parado.

Na mesma conferência organizada pela Associação Portuguesa de Bancos e pela TVI, António Costa defendeu ainda que a venda do Novo Banco
tem de ser a mais competitiva possível e excluiu descontos para os bancos que já estão a pagar o ex-BES através do Fundo de Resolução.

Mas onde começa e onde acaba a responsabilidade de um Governo se meter na vida dos bancos? Isso vai depender da cor do partido do Governo, mas acima de tudo depende da vontade de quem lidera o banco de o querer ou permitir.

Quando se anda por aqui há bem mais de uma década, temos a sorte de já termos visto o suficiente para sabermos que o Governo varia entre salvador e bicho papão. Conforme o interesse momentâneo do banqueiro.

Fernando Ulrich revoltou-se ontem com o anterior Governo e Presidente da República por nada terem feito para defender os interesses do BPI em Angola. “Zero absoluto” foram as
palavras usadas para atacar quem nada fez para defender a permanência do BFA no mercado angolano.

Parece-me óbvio que qualquer governo deve defender os interesses nacionais no estrangeiro. Mas não foi este, nem o anterior governo, que criaram o problema Angola. Quem o fez foram as autoridades angolanas. Fica bem a Fernando Ulrich dizer que o governador do Banco de Angola elogia o BFA, mas seria muito melhor se a supervisão funcionasse de facto naquele mercado de forma a ser equiparada com a europeia. Se isso acontecesse, o BPI não teria qualquer problema naquele mercado.

Entretanto a administração do BPI considerou a OPA lançada pelo Caixa Bank como oportuna mas não deixou de dizer que o preço é baixo ao avaliar as ações do banco
38% acima do preço oferecido pelos espanhóis.
 
 
OUTRAS NOTÍCIAS
Confesso que cada vez percebo menos sobre a questão das 35 horas. No mesmo dia o primeiro-ministro diz que as 35 horas serão aplicadas a 1 de Julho para todos os trabalhadores em funções públicas e que não há uma aplicação faseada. Horas mais tarde Mário Centeno diz que a medida das 35 horas “abrange apenas uma parte dos trabalhadores em funções públicas", pois existem algumas classes profissionais que "têm horários de trabalho próprios". E ainda que poderá haver casos em que será preciso criar uma norma transitória. Será que António fala com o Mário?

Um tema que
está a dividir PS do Bloco e do PCP.

Nenhum deles deve ter ficado contente com o Conselho de Finanças Públicas. Teodora Cardoso
voltou a chumbar as contas do Governo, desta vez as que fazem parte do Programa de Estabilidade e Crescimento. É que os números das exportações e do investimento continuam sem ser explicados pelo Ministério das Finanças. O "I" noticia que Bruxelas está a aumentar a pressão sobre Portugal. Hoje a Comissão Europeia vai analisar as contas dos vários países e espera-se um puxão de orelhas a Portugal. Deverão ser apresentadas novas recomendações para que o Governo corrija as contas.

O Governo anunciou ontem que não vai abrir novas turmas em metade dos colégios com contrato de associação. O mesmo foi comunicado à Associação de Estabelecimentos do Ensino Privado pela secretária de estado-adjunta da Educação, Alexandra Leitão. A decisão torna inviáveis metade dos 79 colégios com contrato de associação defende o setor. O Público escreve hoje que no total serão 370 turmas que deixarão de ser financiadas.

Após dois meses de investigação, a Polícia Judiciária deteve ontem
sete suspeitos dos crimes de sequestro qualificado e homicídio, entre outros crimes, de João Paulo Fernandes, o empresário de Braga sequestrado no passado dia 11 de março na presença da filha de oito anos. Dos sete detidos, três são advogados, e um deles vice-presidente do PDR, e quatro são empresários.

A Ordem dos Médicos entregou ontem na Assembleia da República uma petição que reuniu mais de 15 mil assinaturas, para que os
pais com filhos até aos 3 anos tenham uma redução de duas horas no horário de trabalho.

Também a petição para proibir o uso, venda e distribuição do pesticida glifosato já reuniu as 15 mil assinaturas necessárias para ir a
discussão na Assembleia da República.

É daqueles murros no estômago que ainda apanhamos apesar dos horrores que a guerra no médio oriente e suas consequências nos foram habituando. Dos campos de refugiados vem a notícia do crescente número de meninas que são entregues pelos pais para
casarem a troco de cerca de 3.500 euros.

O incêndio que já é considerado o maior desastre natural da história do Canadá continua sem controlo, ameaçando
agora quatro campos de exploração de petróleo.

O Museu que não se vê, é o tema da exposição temporária que se inaugura hoje no
Museu de Arte Antiga. Nela poderemos ver muitas peças de arte da coleção deste museu que nunca foram mostradas. Até ao próximo dia 25 de Setembro, sendo que hoje a entrada é gratuita, tal como no próximo sábado, entre as 18:00 e a meia-noite, em que se celebra a Noite dos Museus.

Há uma nova esperança para o
tratamento de depressão profunda e que estará numa substância alucinogénica existente num tipo de cogumelos que eram consumidos pelos astecas.

Também no combate aos vírus, surge nova esperança, pois foi criada uma
nova molécula capaz de os destruir.

E se o twitter deixasse de contabilizar fotografias e links externos
no limite de 140 carateres de cada publicação? Talvez isso venha a acontecer em breve como noticia a agência Bloomberg.

Atualmente já é comum procurarmos no facebook, no linkedin e no google o nome de alguém que acabámos de conhecer, mas num futuro próximo talvez seja difícil resistir à tentação de fotografarmos as pessoas que vamos conhecendo para obtermos informações através da
FindFace, a nova app russa que ameaça acabar ainda um pouco mais com a privacidade.

O QUE DIZEM OS NÚMEROS
5 mil milhões. É o valor, em dólares, movimentado pelas redes de tráfico de pessoas na Europa no ano passado.

4%. É quanto caiu a coleta de impostos pela Câmara de Nova Iorque provenientes da hotelaria. Tudo por causa do Airbnb.

19 milhões. É o valor, em euros, que a BBC pretende poupar com o encerramento de várias secções do seu sítio na internet como comida, viagens e notícias locais.
A notícia criou um movimento contra o fim do site de receitas que num só dia recolheu 120 mil assinaturas. A empresa está a reconsiderar a proposta.

60 cêntimos. É o valor da flutuação do preço da cerveja salgada galega Mustache, que é feita com água do mar das Rias Baixas e
cujo preço varia de acordo com as marés. É uma espécie de jogo de bolsa para quem decide comprar a dita cerveja.

100.000. O número de órbitas ao nosso planeta que a
Estação Espacial Internacional acaba de ultrapassar. Tudo feito a uma velocidade de 28 mil quilómetros por hora.

O QUE EU ANDO A LER
As viagens dão sempre a oportunidade para ler aqueles clássicos que ficaram presos ao pó do armário. Vernon Sullivan não lhe deve dizer nada. Pseudónimo literário usado para escrever autenticas paródias criminais. Obras onde Boris Vian usava toda a sua imaginação para urdir uma crítica feroz à sociedade através de um humor único. Isto tudo embrulhado numa espécie de James Bond encontra a equipa CSI nos anos 40.
“Morte aos feios”, no original “Et on tuera tous les affreux” é um livro polémico, como quase toda a obra de Boris Vian se tivermos em conta que foi publicado em 1948. As referências sexuais e a crítica à sociedade americana da costa leste estão espalhadas por toda a obra.