quarta-feira, 23 de março de 2016

É este homem que todos procuram

Não tem nome, ainda. Só umas fotos de uma câmara de vigilância do aeroporto internacional de Bruxelas. A figura, aparentemente pacífica, de chapéu e casaco bege a empurrar um daqueles carrinhos de aeroporto, é o novo rosto do terror.

Informações não confirmados dizem poder tratar-se de Najim Laachraoui, que já era procurado pela polícia.

Adelma Tapia Ruiz é uma das suas vítimas. Aos poucos começamos a saber o nome das primeiras vítimas de quem morreu ou ficou ferido no ataque. A, peruana de 36 anos, estava no aeroporto.

Prossegue, hoje de manhã, uma enorme caça ao homem para tentar encontrar aquele que será um dos terroristas responsáveis pelos atentados de Zaventem. O único que terá saído com vida do aeroporto. As suspeitas da Polícia Federal belga apontam para que os três indivíduos na foto sejam os autores do atentado. Os dois da esquerda terão feito explodir as bombas que traziam escondidas nas malas, e já terão sido identificados. Segundo os últimos relatórios, são dois irmãos, Khalid e Brahim El Bakraoui, de 27 e 30 anos, de nacionalidade belga. De acordo com o jornalista Durte Levy foram eles que ajudaram a esconder Salah Abdeslam, o mentor dos atentados de Paris capturado há dias, e têm um longo currículo criminal na Bélgica. Mais informações sobre os dois irmãos podem ser lidas aqui. Esta madrugada a polícia voltou a divulgar mais fotografias, pedindo ajuda e informação sobre os mesmos.

O taxista que os transportou foi crucial para apontar o distrito de Schaerbeek como a origem dos alegados terroristas. Nas buscas acabaram por ser encontrados materiais explosivos e uma bandeira do autoproclamado Estado Islâmico. Os atentados, que para já deixaram um balanço trágico de 31 mortos e 250 feridos, acabaram por ser reivindicados pelo Daesh.

Bruxelas acordou fria sob o manto de uma enorme operação de segurança. A polícia está a fazer buscas em várias residências à procura do suspeito. Nas estações de metro que estão abertas soldados inspecionam as malas de todos os que entram.

Um que preferia não ter de escrever. Onde escrevo e apago vezes sem conta sem saber o que deixar aqui como relato do que se está a passar. Se acordou agora, aqui fica o resumo possível do que se sabe até ao momento. Ou pode ver este pequeno vídeo do Le Monde.

O aeroporto de Toulouse foi hoje parcialmente evacuado à medida que se espalha o medo de novos ataques. E quem está já a caminho de Bruxelas é o FBI e a polícia de Nova Iorque, já que terão sido identificados cidadãos americanos entre as vítimas.

O jogo particular entre as seleções da Bélgica e de Portugal, que se devia realizar na próxima semana, poderá ser anulado ou transferido para outro sítio. A Federação Portuguesa de Futebol já se disponibilizou para receber o jogo.

A Europa continua a ser um dos melhores sítios para viver em todo o mundo. Nós, os europeus, muitas vezes só nos lembramos disso quando é posta em causa essa segurança. Um atentado na Somália nunca terá o mesmo impacto que outro, até de menor dimensão, na Europa. E se nos lembramos de Paris, Londres, Madrid, quase ignoramos os atentados na Turquia. O Expresso fez as contas e, se recuarmos ao verão de 2014, altura em o terrorismo se tornou ainda mais global, com o aparecimento do Daesh, ocorreram 190 ataques em todo o mundo que resultaram em 7000 mortos. Mas é das 31 vítimas mortais em Bruxelas que agora nos lembramos.

O ataque ao coração da Europa deixou todo um continente em estado de alerta. Esta infografia da AFP dá-lhe uma ideia exata de como cada país está a reagir aos atentados.

Para compreender o que está em causa com estes ataques o primeiro texto obrigatório é do colunista do Expresso Miguel Monjardino, que em 12 pontos analisa esta nova onda de terror.

A Europa chora. Mas a Europa também está preocupada com a reação ao terror. E, se como diz Henrique Monteiro, “a ideia de sermos positivos perante estas tragédias é a pior das contrariedades que lhes podemos oferecer. É a sua derrota, a sua não razão de existência”, chamo a atenção para um outro texto escrito por Bleri Lleshi, um filósofo político que vive em Bruxelas. Lleshi, que trabalha com a população jovem do bairro de Molenbeek, onde foi capturado aquele que é considerado o cérebro dos ataques de Paris, coloca o dedo na ferida: “Por causa de alguns indivíduos, uma comunidade de 100 mil pessoas é agora considerada um lugar perigoso recheado de terroristas”. Mas o autor vai mais longe e diz que estas atitudes de ódio e falta de tolerância são aquilo que os terroristas procuram fomentar, de forma a conseguirem recrutar mais membros. Isto numa cidade onde “40% dos jovens vive na pobreza”. É por isso que responder com ódio só vai alimentar o Daesh. “O maior pesadelo do Daesh foi como alguns países europeus, como a Alemanha, receberam refugiados sírios de braços abertos”, conclui.

Sobre textos que tem que ler, espreite o relato de Miguel Calado Lopes, jornalista que já fez o favor de pisar durante muitos anos esta redação, sobre o dia de ontem, na sua cidade. “Estou condenado por juízes de causas assassinas a olhar o meu próximo como se fosse um alienígena, habitante de um planeta com o qual não me faço entender. Falamos línguas diferentes. Na tentativa quimérica de me pôr a salvo de um destino desejado por gente desconhecida, tento descobrir no seu olhar, ou na sua ausência, uma intenção malévola. Não consigo.

Como seria de esperar, os jornais de todo o mundo dão amplo destaque aos atentados. Aqui fica um resumo e a imagem da primeira página de alguns. Começando pelos jornais belgas, o De Morgen preferiu uma ilustração; O Le Soir titula “Resistir”; o Het Belang van Limburg coloca na capa a data do dia de ontem 22/3 e escreve por baixo “O nosso dia mais negro”; o De Tijd escolheu uma foto do ataque ao metro onde escreveu “nunca a salvo”. Pode ver aqui também as capas de jornais como o The Guardian; The Daily Telegraph; The Times; Les Echos; El Mundo.

Não fosse a Bélgica famosa pelos artistas de banda desenhada pode ver aqui e aqui alguns dos cartoons em resposta aos atentados. Um dos que acabou por ter mais sucesso nas redes sociais foi este, divulgado pelo Le Monde, do cartoonista Plantu.

Toda a informação sobre os atentados em Bruxelas continuará a ser acompanhada ao minuto no  Cirilo João Vieira.
 

 

 
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quinta-feira, 10 de março de 2016

Toda a Gente Gosta do Marcelo


Os presidentes da República eleitos em democracia foram Eanes, Soares, Sampaio, Cavaco e Marcelo, que ontem tomou posse. Por algum motivo não foram António, Mário, Jorge, Aníbal e Rebelo de Sousa. Marcelo é Marcelo (já foi Marcelete, quando o outro Marcelo, Caetano de apelido, era referido amiúde). A popular série de televisão norte-americana Everybody Loves Raymond (Todos gostam do Raymond), que foi para o ar nos EUA entre 1996 e 2005 e teve algum sucesso posterior em Portugal, podia, em versão caseira, chamar-se Toda a gente gosta do Marcelo. Assim mesmo: do Marcelo.

Mesmo à esquerda Marcelo tem entusiastas. O PS aplaudiu-o de pé e com alguma garra e os restantes partidos que apoiam o Governo só disseram o que disseram... por tradição. O Presidente
dividiu a esquerda com doses simpatia e com a mesma descontração que seguiu a pé para o Parlamento. Ferro Rodrigues elogiou-o muito, e Juncker também. As quebras de protocolo e momentos bizarros foram momentos de afetos que fazem lembrar Soares. Isso torna Marcelo um ‘anti-Cavaco’? Talvez…

Passos Coelho
foi para Oxford participar numa conferência. Talvez tenha Marcelite, uma espécie de inflamação provocada por uma dose excessiva de Marcelo. Ou, então, acha natural estar na posse e faltar a um almoço reservado a duas dúzias de personalidades, entre as quais o Rei de Espanha e o Presidente de Moçambique, para além do Presidente da Comissão Europeia e as mais altas instâncias do país. Ainda assim disse ter gostado, como Paulo Portas e o resto de quase toda a população, do Cardeal Patriarca ao Xeique Munir, imã da Mesquita de Lisboa. À noite houve cantorias na Praça do Município (maldito tempo chuvoso!), onde Marcelo foi mais vedeta do que as vedetas e hoje os jornais embandeiram em arco e alinham pela bitola. Vejamos:

Todos trazem grandes fotos e maiores esperanças nas capas, à exceção do 'Correio da Manhã' e dos desportivos, que falam da glória do Benfica. De resto, o 'DN' titula "Temos de sair deste clima de crise em que quase sempre vivemos"; o 'Público' exclama: "Marcelo: de gesto em gesto, novo Presidente tentou unir todos 'num dia de sonho'"; o 'I' puxa "O Presidente que o PS aplaude de pé": o 'Jornal de Notícias' tem a frase 'cicatrizar e unir'; o 'Negócios' descreve 'O Presidente politicamente (in)correcto" e o 'Diário Económico' apenas "Marcelo, dia um" citando a frase "Não somos um povo morto, nem sequer esgotado". Só o 'CM', como já se disse, põe o presidente nos fundos da página, debaixo do Benfica e de um violador, para afirmar "Marcelo promete cicatrizar as feridas"

Querem mais Marcelo? Sim? Então vamos ainda dizer que ele
condecorou Cavaco com a Ordem da Liberdade e cumprimentou-o com um longo aperto de mão. Já Cavaco, que voltou à escola de condução, despediu-se de Belém da forma aqui documentada.

Hoje, Marcelo recebe António Costa, seguindo a normal agenda de um Presidente que recebe primeiros-ministros à quinta-feira. Já agora, Costa recebe o comissário Moscovici que lhe vem falar do orçamento, do se e do quando.
 

OUTRAS NOTÍCIAS
 

Dias de tanta euforia há poucos, mas o Benfica ganhou ao Zenit, lá em São Petersburgo, na Rússia, e segue em frente para os quartos-de-final da Liga dos Campeões. Ganhou 2-1, depois de na Luz ter ganho 1-0. Será já o efeito Marcelo nos grandes feitos portugueses? Não deve ser… esta era eu a brincar… Ainda no futebol, logo às 18 horas (na SIC), há o Fernerbahce-Braga (clube do Marcelo) a contar para a Liga Europa.

Bem sei que foi antes de Marcelo discursar, mas ontem pagámos mais pela
colocação de dívida (nota: eu sei que não deve haver qualquer relação de causa-efeito). E não é por causa de Portugal, mas há cinco razões para Mario Draghi anunciar medidas já hoje, dizem os especialistas, este para onde o envio, João Silvestre, e o 'Wall Street Journal' e o 'Financial Times' - o risco da deflação é o tema. Por cá, continua-se sem saber se o Plano A é o B ou se o Plano B tem mais impostos além do signficado de quando e se no que toca a aplicar medidas adicionais.

Pensa que não tem nada a ver com isto? Tem! O Pedro Santos Guerreiro, novo diretor do Expresso, fez uma explicação simples,
em 2 minutos e 59 segundos sobre o que é ser da classe média. E a classe média, como se sabe, é que paga estas guerras todas...

Ontem começou uma guerra. Mas foi há 100 anos, em 1916.
O embaixador da Alemanha entregou os papéis com a declaração e os nossos homens seguiram para a frente. É uma história com muitos contornos ainda por contar.

Quem tem uma história que tem mesmo de contar é Maria Luís Albuquerque, ex-ministra das Finanças. Não é que
os seus novos patrões conseguiram benefícios fiscais quando era ela a responsável? 381 mil euros. Pois, por isso é que sendo ou não legal, gente que se preza não aceita lugares destes. E os partidos já estão em polvorosa, entre as dúvidas profundas e os ataques a fundo…

Parece que Dias Loureiro e Isaltino Morais, dois homens de gabarito, podem estar a procurar
novas oportunidades em Timor. Está bem. Agora que o ‘Correio da Manhã’ foi libertado de noticiar as contas de Sócrates, convém saber das contas dos outros. Haja equilíbrio. A propósito, o mesmo jornal diz que Luís Filipe Meneses tem cinco milhões em imóveis. Também é jeitoso. E ainda há o filho

Pensei em, como homenagem ao Marcelo (assim mesmo ao Marcelo), ficar-me só por notícias portuguesas. Temos tantas e tão diversas. Por exemplo, hoje é também o dia em que António José Seguro lança um livro, baseado na sua tese de mestrado; e com ele estará muita gente (ver-se-á quem). Mas não resisto a notícias de outras paragens.

Como esta: o
Zika chegou ao Oriente, concretamente a Taiwan e Hanan. É verdade, o mosquito dá a volta ao mundo e assusta muita gente…

Os patrões da Tesla (veículos elétricos) e da Apple
juntam-se contra… Donald Trump, o mais odiado e mais popular americano da atualidade. Um perigo real que ninguém sabe até onde vai. Ainda à volta do candidato republicano, encontra-se no 'The New York Times' uma simples explicação de como, na confusão do que é o sistema de nomeação, ele pode ser travado pelos Republicanos.

O computador (da Google) derrotou o campeão de Go, um
jogo de estratégia popular no Oriente.​

Aung San Suu Kyi, a heroína de Myanmar, não foi nomeada para
presidente do país pelo seu próprio partido, o que teve a sua anuência.

Lula já foi formalmente acusado pela procuradoria brasileira devido à
posse não explicada de um triplex (ocultação de património). Acusados ainda a sua mulher e um dos filhos, num total de 16 pessoas.

Entre 250 mil e meio milhão de franceses saíram à rua contra a
nova lei do trabalho, Lei Khomry, do nome do ministro socialista da pasta, e isso está a causar distúrbios no PSF, apesar de a maioria dos economistas ser favorável à lei.

E leia a
comovente carta de Paul McCartney acerca de George Martin, o recém-falecido ‘quinto’ Beatle, maior produtor da banda mais famosa de sempre.

Os países dos Balcãs estão a
fechar a porta aos migrantes. Agora foi a Macedónia. Que mais se pode dizer, salvo olhar este egoísmo europeu como um prenúncio de algo muito mais grave? Será o colapso moral da Europa, como hoje no 'Público' lhe chama Francisco Assis?

FRASES
Marcelo, escolhe-me para primeira-dama”, Dulce, uma popular em frente ao Palácio de Belém citada pelo Observador.

“Que os próximos cinco anos sejam vividos sob o signo da mesma paz, justiça e fraternidade que a vossa presença e as vossas palavras aqui hoje tão eloquentemente evocaram”, Marcelo na cerimónia inter-religiosa na Mesquita de Lisboa

Não terá uma presidência simples”, Passos Coelho, líder do PSD no Parlamento, antes da tomada de posse.

Espero que o Presidente agora eleito seja essencial para reforçar o diálogo e cooperação”, Carlos César, líder parlamentar do PS.

"Quanto ao discurso de Marcelo, sejamos claros: não teve interesse nenhum" João Miguel Tavares, no 'Público', num artigo intitulado 'O Presidente de toooooodos os portugueses'.

“Agora vou descansar” Cavaco Silva, depois de condecorado pelo sucessor.

O QUE EU ANDO A LER
 
Ando a ler uma revista. A Visão História, que ainda está à venda nas bancas e que vale muito a pena. Traz a história dos 18 presidentes anteriores a Marcelo com um belo cronograma, mas mais do que isso, tem colaboradores invejáveis. Desde logo, António Araújo (assessor de Cavaco e agora de Marcelo, especialista em Constitucional) escreve sobre os poderes dos Presidentes. Depois, nomes como Mota Amaral, Rui Ramos, Luís Almeida Martins, António Ventura, António Costa Pinto, Otelo Saraiva de Carvalho, Vasco Lourenço, Jorge Miranda, Freitas do Amaral, Ferro Rodrigues, Ana Gomes e Manuela Ferreira Leite, entre outros especialistas e protagonistas, analisam um por um o trabalho dos Presidentes desde 1910. Há ainda uma peça sobre as primeiras-damas e uma outra, muito interessante, sobre os segredos do Palácio de Belém. Em altura de tomada de posse (só acabam os festejos amanhã, no Porto), é leitura recomendada.

E por hoje é tudo. Depois do Nicolau ‘Keinesyano Graças a Deus’ Santos e do ‘Chamem-me o que quiserem’ Henrique Monteiro (eu próprio) é a vez, amanhã, do Miguel Cadete, o homem que além de pertencer à direção do Expresso é o diretor da revista Blitz, a mais antiga e constante publicação de música. Talvez (e quem sabe se Marcelo não ajuda… era a brincar).
 
E seguem os meus cumprimentos e o desejo de um excelente dia.
 


 

 

quarta-feira, 9 de março de 2016

Marcelo vai reabrir o Acordo Ortográfico? Talvez sim

É incontornável. Hoje é o primeiro dia de Marcelo Rebelo de Sousa na Presidência da República. E que vai ser muito diferente do seu antecessor ninguém tem dúvidas. Ontem, por exemplo, tinha planeado passear-se na baixa lisboeta com o Presidente de Moçambique, Filipe Nyusi – mas o frio e a necessidade de resguardar a garganta para tudo o que terá de dizer durante o dia de hoje aconselharam a que os dois se reunissem num simpático convívio no Grémio Literário. E dando um toque pessoal disse que estava “esmagado” pela gravata azul do presidente moçambicano – ele que também tinha uma gravata azul.

Nyusi é um dos três convidados especiais entre os 500 que assistirão às cerimónias de posse. Os outros são o rei de Espanha e o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker.

Como revela a Ângela Silva, são três dias de cerimónias - políticas, religioso-ecuménicas e musicais - que começam hoje em Lisboa mas se estendem (na sexta-feira) ao Porto, e que sinalizam atenção máxima ao momento político, ou não tivesse o sucessor de Cavaco agendado um primeiro encontro com o primeiro-ministro, António Costa, já para quinta-feira à tarde. Veja aquiOs desafios do presidente anti-Cavaco”.

Mas ainda mal aqueceu o lugar e já está envolto numa polémica. Marcelo tem mantido uma posição ambígua sobre o Acordo Ortográfico, mas escreveu um artigo de opinião para o Expresso, já depois de ter sido eleito, com a ortografia anterior ao AO, e o livro do fotógrafo Rui Ochôa sobre a sua campanha presidencial, que ele próprio prefaciou, chama-se “Afectos” e está igualmente escrito na ortografia pré-acordo.

Quer isto dizer que o novo Presidente vai reabrir a questão do Acordo Ortográfico? Pelo menos é o que desde já lhe pede o presidente da Academia de Ciências de Lisboa, Artur Anselmoe que lembra que há “coisas incompreensíveis e inaceitáveis” no Acordo Ortográfico e que não “não há afecto mais forte do que o da língua”. Do além,Vasco Graça Moura muito lhe agradeceria, ele que batalhou incessantemente contra este Acordo Ortográfico, que para ele significava “a perversão intolerável da língua portuguesa”.

Isto é, seguramente, algo que Cavaco Silva não faria. Assim como nunca fez coisas que, com toda a certeza, Marcelo vai fazer em Belém. Qual o lugar na História do agora presidente cessante e como será o mandato do novo inquilino do palácio cor-de-rosa é algo que só o tempo, esse grande escultor, nos dará a conhecer daqui a muitos anos.

Até lá, e sobre os dez anos de Cavaco em Belém e os outros tantos que passou em São Bento, o que não faltam são análises e analistas. “O homem que queria ser como Salazar mas faltavam-lhe todas as qualidades”, escreve Daniel Oliveira, em tom crítico, enquanto Ricardo Costa vai em sentido oposto no seu “Um texto minoritário”. Henrique Monteiro disserta sobre “Cavaco, 36 anos depois”, São José Almeida fala num homem “ultrapassado pela obra”. Mas há muito mais nos vários jornais e sites.
 
 
OUTRAS NOTICIAS
Surpresa! Nós que acusamos os paraísos fiscais que são a Holanda e o Luxemburgo, para onde fogem as empresas e os capitais portugueses,estamos a utilizar igualmente essa arma. E assim já há em Portugal 5653 estrangeiros a quem foi concedido o estatuto de residente não habitual, o que lhes dá direito a ficar isento de IRS (se forem reformados) ou a pagar uma taxa de IRS de apenas 20%. A administração fiscal está neste momento a analisar outros 1754 pedidos de adesão a este regime. A esmagadora maioria são reformados, sobretudo franceses, suecos e finlandeses. Há já países a estudar formas de travar esta concorrência fiscal portuguesa.

Vivemos tempos a que não estávamos habituados.No Brasil, o presidente de uma das maiores construtoras do país, a Odebrecht, foi condenado a 19 anos de prisão. Marcelo Odebrecht, ex-presidente e herdeiro do Grupo Odebrecht, é acusado de suborno, lavagem de dinheiro e crime organizado na sequência da Operação Lava Jato, que está a decorrer desde há dois anos e que já envolveu inclusive o antigo presidente do Brasil, Lula da Silva.

Mas também por cá há algo inusitado: o ex-presidente da Região Autónoma da Madeira,Alberto João Jardim, vai ser ouvido como arguido no processo Cuba Livre, acusado de prevaricação, abuso de poder e violação das normas orçamentais. O processo foi aberto em 2011 para investigar a dívida pública regional de 6,3 mil milhões de euros, dos quais 1,1 mil milhões foram ocultados das contas nos orçamentos regionais entre 2003 e 2010. O Ministério Público acabou por arquivar o caso em 2014, mas foi solicitada a abertura da instrução por várias pessoas que se constituíram assistentes entre quais vários nomes ligados ao extinto PND como Gil Canha, atualmente deputado independente na Assembleia Legislativa da Madeira.

Quem também anda com a vida agitada é Maria Luís Albuquerque, desde que aceitou ir trabalhar para uma gestora internacional de fundos. Os deputados do PCP e BE querem saber se, enquanto foi ministra, Maria Luís deu benefícios fiscais à Arrow, precisamente a entidade que agora a contratou. Sobre esta matéria é de ler o arrasador texto de opinião que Pedro Tadeu escreve no Diário de Notícias, com o título “Maria Luís Albuquerque é incompatível com o quê?”

Problemas não faltam igualmente na comunicação social. A direcção do Diário Económico, jornal detido pelo Grupo Ongoing, presidido por Nuno Vasconcellos, apresentou a sua demissão, dada a degradação das condições de trabalho, pois os jornalistas estão sem receber o subsídio de Natal e os meses de janeiro e fevereiro e há dívidas a fornecedores e ao Estado que se estão a acumular.

Entretanto, a Global Media, dona do Diário de Notícias e TSF, anunciou que vai concentrar as operações dos seus meios de comunicação na capital nas Torres de Lisboa, junto à segunda circular, processo que deverá estar concluído até final deste ano. A mudança, contudo, não pode ser dissociada do encaixe que a Global Media vai fazer com a venda do histórico edifício do DN, ao cimo da Avenida da Liberdade.

Em Espanha, continua o impasse político. Agora, o líder do PSOE, Pedro Sanchéz, decidiu incluir Mariano Rajoy e o PP nas negociações para tentar formar um novo governo. Contudo, o líder dos Ciudadanos, Albert Rivera, considera impossível um tal acordo para formar um executivo estável.

Entretanto, estalou a divisão no Podemos, entre o secretário geral, Pablo Iglesias, e o seu número dois, Iñigo Errejón. O que está em causa não é apenas uma disputa pelo poder, mas também que tipo de relacionamento o Podemos deve ter com os socialistas do PSOE.

Nos Estados Unidos, Donald Trump continua a sua caminhada imparável para ser o candidato dos republicanos à Casa Branca, depois de ter ganho de novo no Michigan e no Mississipi. Do lado democrata, Bernie Sanders não vai conseguir travar a vitória de Hillary Clinton, mas vai vender cara a sua derrota. Hillary venceu no Mississipi mas perdeu no Michigan para Sanders.

A crise dos migrantes na Europa também continua. A partir das zero horas de hoje, foi dadamais uma machadada numa solução conjunta. A entrada na Eslovénia passa a ser limitada. É o primeiro país do Espaço Schengen a aplicar esta medida. Por seu turno, as agências humanitárias arrasaram a proposta turca que agradou aos líderes da UE e que prevê uma troca de migrantes clandestinos por refugiados sírios.

O produtor musical britânico George Martin, que transformou os Beatles em estrelas mundiais, morreu aos 90 anos, disse esta quarta-feira o baterista da banda Ringo Starr. Martin, considerado o quinto Beatle, apenas não produziu um disco dos Fab Four.

FRASES
Os portugueses acreditam que Marcelo pode resolver os problemas todos. E isso é um risco perigoso”. José Miguel Júdice, jornal i

Marcelo “é o homem certo no lugar certo”. Jean-Claude Juncker, Público

Cavaco “vai ficar para a história como um grande Presidente da República”. Eduardo Catroga, ex-ministro das Finanças de Cavaco, jornal i

Cavaco “foi um constrangimento para o normal funcionamento do país”. José Junqueiro, deputado do PS, jornal i

Ontem, eu reparava no sorriso das vacas. Estavam satisfeitíssimas, olhando para o pasto que começava a ficar verdejante”. Cavaco Silva numa das 10 frases polémicas que proferiu durante os seus mandatos, jornal i

O prof. Cavaco deixa um legado notável para os rasteiros padrões indígenas”. Alberto Gonçalves, sociólogo, Diário de Notícias

Como não assinalar a ironia de a Cavaco Silva, o seco, alternar Marcelo Rebelo de Sousa, o afetuoso?”. José Ferreira Fernandes, Diário de Notícias

O QUE ANDO A LER E A OUVIR
Depois de tanta polémica nas redes sociais, claro que tinha de ir ao lançamento do livro de Henrique Raposo “Alentejo prometido”. Estava gente de todos os quadrantes, mas pontificavam os representantes da direita. Pouco importa. Lutarei sempre para que Raposo possa escrever o que lhe apetecer, mesmo que discorde radicalmente dele. Foi essa uma das grandes, enormes conquistas de Abril. Quanto a Raposo, promete continuar a provocar polémica: “Este livro e os que vou escrever provocarão sempre atrito, porque tenho um olhar camiliano sobre os portugueses”. Pelo caminho descobri um novo livro de poemas de Adília Lopes, “Manhã”, que comprei. E por falar em poesia recebi recentemente o novo livro de José Luís Barreto Guimarães, “Mediterrâneo”, e dois livros de Filipa Leal, “Nos dias tristes não se fala de aves” e “Vem à quinta-feira”, que será lançado este fim-de-semana no Porto. Já li os três e recomendo vivamente. São da melhor poesia que por estes dias se faz em Portugal.

Quanto à música, regressei a Pasión, de Rodrigo Leão, um dos CD’s de que mais gosto. E a interpretação de Celina da Piedade no tema que dá título ao CD é verdadeiramente deliciosa.

Como novidade recomendo o novo CD de Carlos Martins. Para além das suas virtualidades musicais, para quem gosta do bom jazz português, traz aquele que provavelmente foi o último pingo de talento que Bernardo Sasseti deixou, na faixa “Chant of Kali”. Ou como diz Carlos Martins, nesta faixa “é a graça espiritual de Bernardo Sassetti que perdura”.

E pronto, está servido hoje um pouco mais longo porque não é todos os dias que o país tem um novo Presidente da República. Amanhã estará por cá o “chamem-lhe o que quiserem” Henrique Monteiro. Tenha um excelente dia

quinta-feira, 3 de março de 2016

Quem desata o nó do BPI? (Sim, este é mais um negócio envolvendo Isabel dos Santos)

O grande destaque noticioso de hoje prende-se com o BPI. Isabel dos Santos e Caixabank, os dois maiores acionistas e que estão em desacordo há mais de um ano, negoceiam solução para o BPI em Angola e Portugal.
 
O imbróglio, explicam a Isabel Vicente e a Anabela Campos, pode estar mais perto do fim. Isto porque com a pressão a aumentar, dado que está a terminar o prazo dado pelo BCE para que o BPI reduza a exposição a Angola e para a consolidação em Portugal, a empresária angolana e o banco espanhol foram obrigados a sentar-se à mesa em busca de uma solução.

Em cima da mesa nesta altura está um acordo global que permita aos espanhóis reforçar a presença em Portugal e reduzir a exposição a Angola.
 
Pelo lado do Governo, o dossiê está a ser acompanhado e o empurrão que falta pode surgir com a alteração da lei para fazer cair a blindagem.

Merece ainda destaque a notícia de que existe suspeita de homicídio na morte de um jovem algarvio. O rapaz de 15 anos terá sido vítima de crime, confirmou a Polícia Judiciária. O cadáver foi encontrado esta manhã num terreno baldio próximo da casa onde o jovem vivia com a mãe e o padrasto e estaria apenas tapado por uns ramos.

Este fim de semana há clássico em Lisboa. O Sporting recebe o Benfica e os dois estão separados por um topo na liderança do campeonato. Hoje, o Pedro Candeias,  explica em dois minutos e 59 segundos, num vídeo com grafismo animado, o que podemos esperar do jogo. E porque é que o Sporting se mostra mais forte nos jogos contra os grandes.

Lá fora, a última madrugada foi de "Super Tuesday". O dia em que boa parte da luta nas primárias pela obtenção do lugar de candidato Democrata e Republicano a presidente dos EUA pode ficar definido. As coisas não estão fechadas, mas de facto ficaram encaminhadas para Donald Trump e Hillary Clinton, o que levou o correspondente de Cirilo João Vieira nos EUA a escrever que "o duelo está marcado para novembro". Leia-se, para o dia em que os norte-americanos escolherem o sucessor de Barack Obama. Perante estes resultados, há uma consequência interessante: a direita, perante a perspetiva de ter Trump como candidato, "parece estar em choque", enquanto a esquerda fica "resignada" com o nome Clinton em vez da surpresa que seria Bernie Sanders.
 
Amanhã é dia de Conselho de Ministros, em formato especial. A reunião dos membros do Governo vai decorrer no Forte de São Julião da Barra, em Oeiras. E o encontro tem como tema o Mar. A propósito disso, Cirilo João Vieira falou com o diretor do Centro de Ciências do Mar e do Ambiente (MARE), Henrique Cabral, Que foi particularmente duro: "andamos há anos a falar de mar e não acontece nada".

Polémica recente é a que envolve os reformados finlandeses a viver em Portugal. Na Finlândia chovem as críticas aos reformados que deixam de pagar impostos no país ao mudarem a residência fiscal para Portugal. Pensionistas finlandeses a viver no Algarve dizem que há livre circulação na União Europeia, o que o impacto nas receitas do seu país de origem é marginal.

Ainda lá fora, olhamos para a fúria antitabagista de Erdogan na Turquia.
 
Amanhã há mais. Cá espero por si.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Contributos para uma teoria do caos


O mundo está perigoso. Se eu fosse o Chico Buarque optaria por dizer que a coisa está preta. A Simone, a brasileira Bettencourt de Oliveira, talvez optasse por uma mais dolorosa e incomodada versão do "Começar de Novo", enquanto o Fausto não deixaria de confirmar que o barco está de saída e, como vêm aí mouros e turcos, quem nos acode que o barco vai ao fundo? Vamos por partes. Comecemos com uma das grandes dores de cabeça do momento. O vírus Zika está a mobilizar exércitos e a colocar governos e a Organização Mundial de Saúde (OMS) num estado de alerta profundo. Uma dúvida surge: Poderá o "El Niño" estar na origem da explosão do temível vírus Zika? Há cientistas inclinados a aceitar esta hipótese, como reporta num bem documentado trabalho a revista norte-americana Mother Jones. O caso está tomar proporções extremas, ao ponto de as mulheres em El Salvador terem sido aconselhadas a não engravidar.Vera Lúcia Arreigoso dá-nos conta da confirmação de seis casos em Portugal, e a Mafalda Ganhão fala do alerta lançado pela OMS. A situação é mesmo muito grave e a BBC avança já com uma previsão da OMS segundo a qual o vírus pode vir a afetar 4 milhões de pessoas.

A revista Atlantic traz um excelente trabalho construído a partir de uma espécie de manual de como não receber bem ou não dar as boas vindas aos refugiados. Refere-se, é claro, e perdoe-se o adjetivo, à infame decisão da Dinamarca de confiscar os bens de refugiados. Podia acrescentar-lhe a atitude da Suécia de, como sublinha hoje o editorial do Público, instituir um programa de deportações para lidar com as vagas de refugiados. A BBC faz um trabalho sobre esta vontade sueca de deportar 80 mil refugiados. António José Teixeira tinha ontem ontem no Expresso este título: "Tapa-se a vergonha e confisca-se a dignidade", para dizer que "o medo está a condenar a Europa. Medo de si própria, medo do outro, de dar a mão, medo de se afirmar, medo de honrar os valores por que tanto se sacrificou". Estão a ver porque chamei a canção de Fausto à colação? A EU é na verdade um enorme navio. Navega em águas muito agitadas e corre o risco de, para usar uma linguagem do basquetebol, sofrer um grande afundanço.

Veja-se a Grécia. Até já é ameaçada de ser excluída do Espaço Shengen por alegadamente não estar a cumprir as suas obrigações de conter os refugiados. É que, enquanto sopram grandes e verdadeiras tempestades, daquelas para as quais é necessária coragem e determinação, como única forma de enfrentar os fortes (ventos, se quiserem, embora fique implícita a metáfora), a grande, a candente questão da Europa é a preocupação com o défice de um minúsculo país como Portugal. Há uma diferença substancial de estimativas entre o Governo e a Comissão Europeia em relação à variação do valor do défice estrutural em 2016. A Unidade Técnica de Apoio Orçamental-UTAU também veio sustentar que o exercício orçamental considera medidas extraordinárias e temporárias não conformes com o Código de Conduta para a Implementação do Pacto de Estabilidade e Crescimento e acusa o Governo de melhorar "artificialmente" o esforço orçamental. A Deloit vem dizer que o Orçamento é um documento sem grandes medidas e que assenta na crença. O Governo está a ensaiar uma defesa assente num pressuposto: a inscrição da reversão da austeridade como medida extraordinária, lê-se no Público, está baseada no facto de, quando as medidas foram aplicadas em 2011 e 2012, terem sido apresentadas como sendo temporárias. Assim, o carater temporário dessas medidas devia estar expresso nas contas.

A pressão é enorme e, dizia ontem Pacheco Pereira na Quadratura do Círculo, vai aumentar, até pelo jogo que será feito no âmbito da União Europeia a partir do que se considera ser a fragilidade inerente ao facto de o Governo ter o apoio do BE e do PCP. Há a expectativa de que a corda rompa, o que nos conduz à pescadinha de rabo na boca. Já se perguntou porque é que os governos parecem incapazes de resolver os problemas concretos das pessoas? Há quem explique esta situação com uma afirmação com a qual qualquer pessoa de bom senso, como diria o futuro ex-presidente da República, estará de acordo. Hoje é possível estar na política sem estar no poder. O verdadeiro poder pertence a quem controla a economia. E quando assim é, aproximamo-nos perigosamente do incontrolável caos na gestão da coisa pública. É uma teoria.
                             
 OUTRAS NOTÍCIAS
Está em curso uma greve convocada pelos sindicatos da Frente Comum, afetos à CGTP. Escolas e hospitais estão a ser os locais mais afetados nesta luta pela reposição imediata das 35 horas semanais de trabalho.

O IVA na restauração está de volta. A partir de 1 de julho regressa a aplicação da taxa de 13%, mas apenas para a comida. As bebidas continuarão a ser taxadas a 23%.

Hoje a partir do final da tarde vai começar a discutir-se o BANIF. O PS vai tomar posição pública e o Ministro das Finanças, Mário Centeno, será ouvido na Comissão de Orçamento e Finanças. Entretanto já se sabe que a Comissão Parlamentar de Inquérito será presidida pelo deputado do PCP António Filipe. Na Comissão estarão parlamentares como Mariana Mortágua, do BE, ou João Galamba, do PS, bem como João Almeida, do CDS. Ainda não se conhecem nomes do PSD.

Um conjunto de militantes do PS de Coimbra vão fazer um acordo com o Ministério Público para evitar a ida a julgamento com a acusação de crimes de falsificação de documentos no preenchimento de fichas na filiação de militantes. Em troca prestarão trabalho comunitário ou pagarão algumas verbas em dinheiro.

A estação de comboios de S. Bento, no Porto, vai acolher um hotel e áreas comerciais e culturais. O objetivo é a ocupação comercial de uma área de perto de 9 000 metros quadrados em plena baixa portuense.

Álvaro Siza está a construir uma torre de alto luxo em plena Manhattan, em Nova Iorque. É um prédio a partir de cujo topo se desfruta de uma paisagem única, equipado com solário, terraços privados, piscina, o último grito em spa e centro de "fitness", espaços para as crianças brincarem e outras mordomias. "Siza Matters", como diz o Architects Newspaper, que nos mostra uma primeira foto do edifício.

Pode a estrela de "Titanic" assumir a pele de um ícone bolchevique? Ver Leonardo di Caprio a encarnar no cinema a figura de Lenine não é algo passível de agradar aos comunistas russos, que já expressaram as suas reservas de forma clara. A polémica está lançada, o ator diz-se entusiasmado com a ideia desenvolvida pelos estúdios russos Lenfilm. O ator acrescentou que de igual modo ficaria deliciado se lhe entregassem o papel de Putin ou de Rasputine.

Blade Runner vai regressar com Harrison Ford, assegura a revista Esquire. Lançada em 1982, a fita teve então modestas receitas de bilheteira. Transformou-se, porém, em filme de culto. Surgem agora notícias de um Blade Runner 2, realizado, já não por Ridley Scott, que sempre colocou muitas reservas quanto a essa hipótese, mas pelo canadiano Denis Villeneuve.

Há sinais de mudança na Lego. Pela primeira vez na sua história, a companhia produtora das peças responsáveis pela consrução de muitos imaginários e incontáveis sonhos, admite criar uma figura que se movimentará em cadeira de rodas. Deverá acontecer no próximo Verão e é uma espécie de primeira e tímida resposta às insistentes críticas relativas à pouca diversidade revelada pela companhia.

NÚMEROS
42,1
Custo em euros do trabalho/hora no setor privado na Dinamarca. Seguem-se a Bélgica (41,1) e Suécia (40,1).

24,6
Custo médio
em euros do trabalho/hora na União Europeia. Imediatamente acima está o Reino Unido (25,1). Imediatamente abaixo está a Espanha (21).

12,7
Custo em euros do trabalho/hora no setor privado em Portugal. O último da lista dos 28 países da UE é a Hungria (7,9).

(Fonte: Institut für Makroökonomie und Konjunkturforschung, Dusseldorf)

FRASES

"As democracias não vivem com medo, vivem com exigência", Catarina Martins, porta-voz do Bloco de Esquerda em entrevista à SIC

"O governo caiu num erro, devia ter sido mais cauteloso, sobretudo nas medidas tomadas ainda antes do Orçamento de Estado", Bagão Félix, ex-ministro das Finanças no DN

"É um sinal perigoso alguém sair da televisão para o Palácio de Belém sem um programa político" Jacinto Lucas Pires, escritor, em entrevista ao Jornal de Negócios

"Suceder a Cavaco Silva na presidência é como casar em segundas núpcias com a Tina Turner. Depois daquele primeiro marido, qualquer um é um príncipe", Ricardo Araújo Pereira, humorista


O QUE ANDO A LER

Já aqui chamei a atenção para Teresa Veiga, em minha opinião uma das grandes contistas portuguesas da atualidade. Falei dela com entusiasmo a propósito de "Gente melancolicamente louca" e regresso para assinalar a minha mais recente leitura, há dias terminada. Trata-se de "Uma aventura secreta do Marquês de Bradomín", Grande Prémio do Conto Camilo Castelo Branco.

Ainda nos livros, estou a beneficiar de elevadas doses de boa disposição, graças a um novo regresso ao imortal "Cadernos de Pickwick", de Charles Dickens, o livro que Fernando Pessoa lamentava já ter lido, por não poder voltar a lê-lo pela primeira vez, inserido na imperdível coleção de humor dirigida por Ricardo Araújo Pereira para a Tinta da China. Publicado em fascículos entre 1836 e 1837, constituiu um imediato êxito absoluto, ao ponto de fazerem já parte da lenda os relatos vários de pessoas cuja saúde terá tremelicado com tanto riso provocado pelas corrosivas peripécias vividas pelo clube de pensadores, chamemos-lhe assim, reunidos à volta do Sr. Pickwick. Numa Inglaterra vitoriana, Pickwick e os seus discípulos apresentam abundantes e mordazes críticas às quais ninguém parece escapar.

A pretexto de Dickens, um dos grandes escritores cuja atualidade, importância e qualidade têm vindo a ser redescobertas, iniciemos um percurso por outras pequenas leituras que me têm ocupado os dias, saídas de jornais e revistas de acesso fácil. Basta tocar na respetiva hiperligação. O Guardian publica um trabalho de Claire Tomalin, autora da muito aplaudida biografia "Charles Dickens: a Life". A escritora defende que a proliferação de bancos alimentares, a falta de apoio do Estado aos serviços destinados a crianças, o ataque ao Serviço Nacional de Saúde, a comercialização do ensino nas universidades, fazem de Dickens um autor mais essencial do que nunca, dado serem muitos destes temas aqueles que o escritor defendeu e pelos quais lutou.

A partir desta abordagem estabeleço a ponte com a entrevista à escritora indiana Arundhati Roy, autora do tocante "O Deus das pequenas coisas", publicada no suplemento Babelia do El País. O título diz ao que vem: "O capitalismo fracassará como o comunismo". Prognósticos antes do fim do jogo são arriscados, dada a notável capacidade de regeneração do sistema. A afirmação surge, porém, a propósito do último livro de Roy, "Espectros del capitalismo" na sua edição espanhola. Corajosa, com uma paixão ancorada no seu forte empenhamento cívico, a escritora, diz o jornal, socorre-se de uma infinidade de dados para denunciar "os desmandos dos poderosos contra os mais débeis".

É ainda e segregação, embora a um outro nível, que nos fala a fotógrafa Catherine Talese, filha do grande e inimitável jornalista e escritor Gay Talese, ao recuperar a vivência de Gordon Parks, a primeira fotógrafa negra da revista Life. Em 1956 foi enviada ao Alabama para fotografar o dia a dia de uma família negra num ambiente de profunda segregação. Sessenta anos depois, as fotos (aqui e aqui), algumas delas só recentemente conhecidas através da sua publicação em livro, continuam aí a gritar a dolorosa verdade dos momentos retratados. A história perdida de uma América segregada, com toda a sua emoção, é contada em detalhe pela revista Time.

Termino num outro registo, com a fantástica entrevista a Eduardo Lourenço conduzida pela Luciana Leiderfarb e publicada no Expresso a propósito da disponibilização pelo jornal do livro "Cultura - Tudo o que é preciso saber", do alemão Dietrich Schwanitz, dividido em seis volumes. Ainda não começou a ler? Então não sabe o que perde. Se ler, perceberá que aquele "Tudo" é relativo. Há sempre algo mais que podemos saber. Por isso remeto para um livro grátis, disponível no sítio do jornal El Mundo, intitulado "Obras fundamentales del arte del siglo XX". É, através da reprodução de 47 obras capazes de descrever o século, uma memorável viagem pela produção artística de um tempo feito de grandes mudanças.

E é tudo. Fico-me por aqui, na esperança de que lhe tenha feito bom proveito este café da manhã.

Tenha um bom dia.

 

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Mulheres Recebem Menos 24% que os Homens

Em média, no mundo, as mulheres trabalhadoras recebem 24% menos do que os homens e ocupam menos de um quarto das posições de chefia nas empresas.
 
Esta é uma das conclusões do relatório “O Trabalho como Motor do Desenvolvimento Humano” divulgado pelo PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento) no último mês (pode ler o relatório em inglês aqui).
 
O relatório apresenta também uma nova estimativa sobre a divisão do trabalho entre os homens e as mulheres. Apesar do sexo feminino realizar 52 % de todo o trabalho no mundo, ainda existem desigualdades evidentes na distribuição do trabalho.

 

Situação das mulheres


Embora as mulheres contribuam com 52% do trabalho global, a população masculina domina no trabalho remunerado.  Assim, resta às senhoras uma fatia expressiva dos serviços não pagos, principalmente os domésticos.
 
De acordo com o relatório, as mulheres têm menos probabilidade de ser pagas pelo seu trabalho , sendo que três em cada quatro horas de trabalho não remunerado são realizadas por mulheres. Em contrapartida, os homens exercem duas de cada três horas de trabalho remunerado.
 
Considerando também que são as mulheres que prestam assistência a membros mais vulneráveis da família, o relatório adverte que, com o envelhecimento da população, essa disparidade pode aumentar.

Para reduzir essa desigualdade, as sociedades necessitam de novas políticas, incluindo a melhoria do acesso aos serviços de prestação de cuidados remunerados. Garantir a igualdade de remuneração, assegurar licenças maternidade e paternidade remuneradas e combater o assédio e as normas sociais que excluem tantas mulheres do trabalho remunerado são algumas das mudanças necessárias. Isso permitirá que a sobrecarga do trabalho não remunerado de prestação de assistência fosse partilhada de forma mais ampla, dando às mulheres a possibilidade efectiva de optar, ou não, por integrar o mercado de trabalho”, afirmou Helen Clark, administradora mundial do PNUD.

 

Salários e igualdade profissional só em 2133


Apesar da participação feminina cada vez maior na sociedade, a desigualdade entre sexos persiste em todo o mundo. Dados divulgados pelo Fórum Económico Mundial revelam que a igualdade de géneros só deve ocorrer daqui a mais de 100 anos, por volta de 2133.
 
O Índice Global de Desigualdade de Género de 2015 analisou 145 países e o ranking obtido foi o seguinte: Islândia (1º), Noruega (2º) e Finlândia (3º) a liderar, com a Síria (143º), Paquistão (144º) e Iêmen (145º) nas últimas posições.
 
Fontes: PNUD e  BBC.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

O Cata-vento Catou os Votos: Marcelo Presidente

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Primeira hora: um forte sismo, de magnitude 6,6 na escala de Richter, foi sentido esta madrugada no Estreito de Gibraltar, entre Marrocos e Espanha. Os únicos dados reportados logo depois são materiais. Notícia na Renascença.

Bom dia República!

Um pouco mais de metade do pouco mais de metade dos eleitores portugueses que votaram elegeu Marcelo Rebelo de Sousa como Presidente. A tomada de posse será em março e a partir daí o Palácio de Belém terá um inquilino que gosta de ser senhorio. Na nossa democracia, o homem fez mais a Presidência que a Presidência fez o homem – e Marcelo fará diferente de Cavaco porque é diferente de Cavaco. Se Cavaco foi mosca, Marcelo será vespa.

(Se fossemos moscas, saberíamos o que andará Cavaco Silva a dizer às paredes sobre estas eleições. Mas, se fossemos moscas, provavelmente preferiríamos outras inconfidências.)

Com um governo minoritário no poder, que está sob pressão externa e que se sustenta na instabilidade interna de dois partidos na oposição, Marcelo Rebelo de Sousa já pode tirar o fato de Avô Cantigas que usou na campanha e pôr o tabuleiro de xadrez na mesa. A situação política é tão estranha que o candidato do PSD ganhou mas Passos Coelho não; os candidatos do PS perderam, mas António Costa não. Como dizia Pedro Adão e Silva na TSF, assim nasce “um Bloco Central entre palácios”, o de Belém e o de São Bento.

Sim, só houve um vitorioso, mas Marisa Matias teve um resultado ótimo (exceção no descalabro da esquerda), Sampaio da Nóvoa saiu airoso (com a votação que queria para a primeira volta, engando-se ao julgar que ela bastava para chegar à segunda) e Vitorino Silva saiu como o grande dos pequenos (vão continuar a troçar dele?). E sim, Maria de Belém tem um resultado humilhante e Edgar Silva tem uma votação tão fraca que os efeitos no PCP podem levá-lo a opor-se aos aliados de oportunidade, PS e Bloco de Esquerda.

Se António Costa foi habilidoso na construção do seu poder, Marcelo sempre habilidoso foi na destruição do poder dos outros. Que outros? Passos Coelho, que o chamou de cata-vento? Por alguma razão, o antigo primeiro-ministro fez o discurso mais insípido da noite. O texto foi tão curto que dava para um tweet, o vídeo foi tão curto que cabia no Snapchat.

“Sozinho, Marcelo fez história”, escreve Filipe Santos Costa, num texto sobre este caso de estudo “feito com um táxi e uma marmita”. “É a primeira vez que um candidato ganha umas eleições presidenciais sem fazer campanha. Sem cartazes, sem comícios, sem propaganda. Sem nada”, adita escreve Daniel Oliveira. “António Costa já perdeu desde que é líder do PS três eleições”, nota Martim Silva. Mas, com Marcelo em Belém, “o primeiro-ministro suportado pelas esquerdas terá mais liberdade” para se desvincular da geringonça, fraseia Bernardo Ferrão. José Gomes Ferreira deixa quatro perguntas a Marcelo, incluindo esta: “Vai permitir que Portugal volte a bater estrondosamente no muro por não ter escolhido melhor caminho?” E vai Marcelo conquistar os abstencionistas?, questiona Ricardo Costa.

Sortido de reações: “Não abdicarei de seguir o meu estilo e agir de acordo com as minhas convicções” (Marcelo); “o meu projeto acabou aqui” (Sampaio da Nóvoa); “Não vou desistir. Apelo também a que não desistam.” (Marisa Matias); “Pode contar com as minhas ideias” (Vitorino Silva); “os portugueses rejeitaram as candidaturas populistas e que se apresentavam como antissistema” (António Costa); “Só posso desejar muitas felicidades” (Passos Coelho). Mais reações aqui.

Marcelo será um presidente diferente do comentador e diferente do candidato. “Será um sofrimento interpretar os silêncios de um conversador que nasceu para falar”, angustia-se Miguel Esteves Cardoso no Público. Chegou a hora de deixarmos de falar das poucas horas que Marcelo dorme e passarmos a falar das muitas em que está acordado.
 
OUTRAS NOTÍCIAS

A redução da Taxa Social Única paga por trabalhadores com salários até 600 euros mensais só vai afinal aplicar-se a trabalhadores por conta de outrem, revela o Negócios. De fora ficam assim funcionários públicos e trabalhadores por conta própria.

Ainda é o rascunho da proposta, mas o Orçamento do Estado está a ser analisado à lupa. António Costa deu uma entrevista ao Financial Times para garantir que o documento é uma demonstração de responsabilidade orçamental ao mesmo tempo que vira a página da austeridade.

O Ministério da Educação quer reduzir preços dos manuais escolares já em Setembro, noticia o Económico. As negociações com a Associação de Livreiros e Editores já começaram.

Jihadi John esteve em Lisboa em 2011. A notícia foi dada no fim de semana e confirmada pelo Ministério da Administração Interna. O homem de cara tapada filmado pela propaganda do Estado Islâmico a decapitar reféns passou por Portugal um ano antes de viajar para a Síria. O homem que, segundo confirmação do autoproclamado Estado Islâmico (Daesh), está morto, esteve no nosso país para obter financiamento para a causa jiadista na Síria, asseguraram fontes do nosso jornal.

No domingo, o Daesh publicou um vídeo em que garante mostrar nove dos terroristas envolvidos nos atentados de Paris, que matou 130 pessoas em novembro. Segundo o The Guardian, no vídeo há ameaças ao Reino Unido. Trata-se de um vídeo de propaganda, com muita produção e edição, refere a CNN.

“Vamos enterrá-los”, diz o presidente do Afeganistão, em entrevista à BBC. Ashraf Ghani sublinha que o Daesh “não foi um fenómeno afegão” e que as suas atrocidades “alienaram o povo”. “Os afegãos estão agora motivados pelo espírito de vingança”, prossegue. “Eles confrontaram o povo errado”.

Ontem, um avião da Turkish Airlines que voava entre Houston e Istambul aterrou de emergência no aeroporto irlandês de Shannon devido a ameaça de bomba, informou o The Irish Times.

O Irão vai comprar de 114 aviões Airbus. O negócio é possível depois da entrada em vigor do acordo nuclear, há cerca de uma semana, que levantou sanções internacionais, que impediam o país de comprar novas aeronaves, explica o Negócios. Hassan Rohani, presidente do Irão, visita França esta quarta-feira.

Wolfgang Schäuble considera que a Europa deve considerar juntar-se à Rússia numa ação para estabilizar o Médio Oriente. O ministro das Finanças alemão assina hoje um artigo de opinião no jornal alemão Frankfurter Allgemeine Zeitung, cujo conteúdo o Negócios antecipou.

Filippo Grandi, que substituiu António Guterres como Alto Comissário da ONU, diz que a Europa pode receber mais refugiados.

Nos Estados Unidos, o caminho para as eleições primárias prossegue. Donald Trump, que lidera as sondagens para a nomeação republicana, diz que “podia disparar sobre alguém e não perdia votantes”.

O cómico Beppe Grillo anunciou a saída da política italiana. O “palhaço” fundador do Movimento 5 Estrelas, que em 2013 revolucionou o panorama político italiano ao tornar-se a segunda maior força partidária, diz agora que “a política é uma doença mental”. A história está no El Pais.

Um mês depois das legislativas, a situação política continua bloqueada em Espanha. Depois de Mariano Rajoy ter recusado o convite do Rei para formar Governo, o Ciudadanos anunciou que não votará no líder dos socialistas, Pedro Sánchez. Como resume o Negócios, “tudo é possível e improvável ao mesmo tempo”. O rei Felipe VI “é a chave da governabilidade”, dita o El Mundo. A Comissão Europeia está atenta, diz que o “risco político” pode criar desconfiança e avisa que o próximo governo terá de realizar um forte ajuste orçamental.

40% do investimento direto estrangeiro em Espanha desde 2008 foi realizado através da Holanda e do Luxemburgo, para pagar menos impostos. No El Pais.

As vendas de automóveis estão a subir há dois anos e, segundo a Acap, assim podem continuar em 2016. A previsão é de mais 10%, segundo declarações ao Económico.

A CP Carga passará a ter lucros em 2019, prevê a MSC, que tomou o controlo da empresa na semana passada. Em entrevista ao Negócios, o diretor geral da empresa, Carlos Vasconcelos, garante: “Sob palavra de honra da MSC: não vamos despedir um único trabalhador”.

O dono do grupo "Feira dos Tecidos" é suspeito de ter defraudado o Fisco em 6,1 milhões de euros, revela o Jornal de Notícias. Serafim Martins encontra-se em prisão preventiva e aguarda julgamento.

Os bancos estão a aumentar as comissões da prestação da casa, conta o Negócios. Os aumentos chegam a 18%.

Também no Negócios: o Montepio vai colocar no mercado mais 200 milhões de unidades de participação do fundo que criou para se capitalizar, mas os investidores estão avisado que arriscam a "perda de parte ou da totalidade do montante investido". O aviso efeito depois da pressão da CMVM.

A Perella Weinberg, consultora de investimentos envolvida em diversos processos de fusões & aquisições em Portugal, processou um dos seus antigos colaboradores, Michael Kramer, acusando-o de ter urdido um plano para sair da empresa e fundar uma “boutique financeira” própria e concorrente. A história está no Financial Times.

Mudanças na advocacia. Jorge Brito Pereira, ex-PLMJ, é o novo sócio da Uría, ao lado de Daniel Proença de Carvalho e Duarte Garin. Entrevista a três no Económico.

Desde que a “Lei da Identidade de Género” entrou em vigor, em 2011, quase 300 pessoas mudaram de sexo no registo civil, noticia o Público.


O QUE DIZEM OS NÚMEROS
 
Marcelo ganhou em todos os distritos. Eis os seus resultados, por ordem decrescente:
1. Viseu: 62,57%
2. Vila Real: 62,28%
3. Bragança: 61,91%
4. Leiria: 61,07%
5. Aveiro: 59,42%
6. Braga: 58,96%
7. Guarda: 58,53%
8. Açores: 58,07%
9. Viana do Castelo: 57,03%
10. Madeira: 51,35%
11. Porto: 51,28%
12. Santarém: 51,11%
13. Coimbra: 50,19%
14. Castelo Branco: 50,14%
15. Lisboa: 49,77%
16. Faro: 47,62%
17. Portalegre: 42,88%
18. Évora: 38,61%
19. Setúbal: 37,89%
20. Beja: 31,71%

Resultados globais das eleições presidenciais:
 

1. Marcelo Rebelo de Sousa: 2.403.764 votos, 51,99 %
2. Sampaio da Nóvoa: 1.058.684 votos, 22,9 %
3. Marisa Matias: 468.406 votos, 10,13 %
4. Maria de Belém: 196.095 votos, 4,24 %
5. Edgar Silva: 182.462 votos, 3,95 %
6. Vitorino Silva: 151.933 votos, 3,28 %
7. Paulo de Morais: 99.548 votos, 2,15 %
8. Henrique Neto: 38.744 votos, 0,84 %
9. Jorge Sequeira: 13.701 votos, 0,3 %
10. Cândido Ferreira: 10.514 votos, 0,23 %

Brancos: 58.571, 1,24 %
Nulos: 43.718, 0,93 %
Abstenção: 4.712.164, 49,93%


FRASES

“Marcelo? Só sei que vai ser melhor que Cavaco. E só por isso já vou dormir melhor”, Miguel Sousa Tavares, ontem.

“Podíamos arranjar uma candidata engraçadinha, mas não somos capazes de mudar”. Jerónimo de Sousa, na pior declaração da noite, bem reveladora do mau perder para… Marisa Matias.

“Marcelo ganhou porque a direita ressentida perdeu”, escreve Raul Vaz no Económico.

Marcelo venceu por estar semanalmente na casa das pessoas”, Octávio Ribeiro, no Correio da Manhã.

"A dimensão lúdica (de Marcelo) é o que lhe dá graça, mas coaduna-se pouco com a figura presidencial", António Vitorino, ontem.

“[Marcelo] tem tudo para ser um Presidente da República muito útil ao país. Um Presidente que fiscaliza o governo mas não o quer enfraquecer nem se alimenta dele.André Macedo, no DN.

“António Costa perdeu à direita – e à esquerda”, Miguel Pinheiro, no Observador.


O QUE EU ANDO A LER

Por que razão estão centenas de estudantes de Harvard a estudar filosofia chinesa antiga? A pergunta é feita pela Atlantic, que analisou aquele que é neste momento o terceiro curso mais popular daquela universidade entre os ainda não licenciados. A filosofia chinesa, escreve a revista, é ensinada “como uma maneira de dar aos alunos ideias concretas, contraintuitivas e até revolucionárias, que os ensinam a viver uma vida melhor”. 2.500 anos depois, Confúcio formar americanos entre os 18 e os 19 anos. E como em chinês, o mesmo vocábulo é usado para “mente” e “coração”, o professor Michael Puett garante que as decisões são tomadas pelo coração.

“KL - A História dos Campos de Concentração Nazis”. A sigla reduz a palavra konzentrationslager, o livro expande o conhecimento do que nunca poderá ser esquecido, omitido ou desmentido: as atrocidades do Terceiro Reich e o seu amplo e horroroso sistema de campos de concentração.

As 850 páginas (das quais mais de 200 são de apêndices) podem afastar leitores, mas basta ler as primeiras páginas do prólogo para ficar agarrado, mesmo que elas comecem pelo testemunho da náusea dos soldados das forças aliadas quando, naquele dia de abril de 1945, encontraram dois mil cadáveres dentro de um comboio abandonado.

Sabemos hoje como era a morte nos campos de concentração, mas sabemos menos como neles era a vida. Este livro parte de anos de pesquisa para contar os dias nestes campos das noites, mas também como a sua evolução espelhava as forças no nazismo alemão, regime cuja organização interna é aqui revelada como muito mais caótica e improvisada do que muitos supõe. Não é um livro para ficar feliz. É um livro para saber, para não esquecer – e para não permitir que se repita. (Crítica da New Yorker aqui)

Norte, centro e sul: hoje está de chuva. As temperaturas vão descer entre quatro e seis graus. Há dias assim. E mesmo nos dias assim.
Tenha um dia bom.