terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Fundo de Resolução da UE Tem Dinheiro para ‘Resolver’ até 10 Grandes bancos

A nova autoridade europeia que ficou com a responsabilidade de gerir a falência de bancos a partir de 1 de janeiro tem dinheiro suficiente para ‘resolver’ entre oito a dez grandes bancos durante os próximos quatro anos, noticia o jornal britânico Financial Times.
 
Segundo o jornal, o Mecanismo Único de Resolução enviou um prospeto a empresas de serviços financeiros para a contratação de serviços de contabilidade, avaliação económica e financeira e serviços legais no valor de 40 milhões de euros para o período entre 2016 e 2020.
 
Uma porta-voz do mecanismo confirma, mas diz que o valor orçamentado não deve ser interpretado como uma previsão do número de bancos que as autoridades esperam ter de ‘resolver’ nos próximos anos. O valor pode até ser negociado e ajustado, diz.
 
O Mecanismo Único de Resolução entra hoje em vigor nos países da zona euro e para os países da União Europeia que decidiram aderir à União Bancária, do qual é a segunda perna. A primeira foi a entrada em vigor do Mecanismo Único de Supervisão.
 
O mecanismo é composto por duas partes. Uma autoridade de resolução a nível da União Europeia chamada Conselho Único de Resolução (composta por representantes das autoridades relevantes de cada país) e um fundo comum de resolução, financiado pelo setor bancário.
 
Como funciona?
 
O Mecanismo Europeu de Supervisão, como supervisor dos bancos incluídos na União Bancária, sinaliza um banco que esteja em dificuldades financeiras severas e que precise de ser ‘resolvido’.
 
O Conselho Único de Resolução, o Mecanismo Único de Supervisão e a Comissão Europeia iniciam os procedimentos necessários e levam a cabo a resolução do banco que está a falir, ou em risco de falir, com o Conselho a ter nas mãos o poder de decisão de quando e se coloca um banco em resolução, e escolhe a forma como são usadas as ferramentas para a resolução e o fundo.
 
Depois disso, o esquema para a resolução do banco pode então ser aprovado ou rejeitado pela Comissão Europeia ou, em certas circunstâncias, pelo Conselho em 24 horas.
 
A execução do esquema é levada a cabo pelas autoridades de resolução nacionais, mas sob a supervisão do Conselho Único de Resolução. Para além de monitorizar a execução do plano pelas autoridades nacionais, o Conselho pode ainda dar ordens diretamente ao banco em resolução, caso as autoridades nacionais desobedeçam às instruções do Conselho.
 
O Fundo de Resolução, criado com contribuições do setor bancário para financiar a resolução dos bancos, só pode contribuir para este processo se pelo menos 8% das perdas dos bancos forem imputadas aos credores dos bancos, o chamado bail-in.

Mota Soares não é Candidato à Liderança do CDS. E número de Operações Bancárias Suspeitas Aumentou 20% num ano

Boa tarde,

 Hoje abrimos o dia com uma notícia de política: Pedro Mota Soares não será candidato à liderança do CDS, ficando agora na corrida Nuno Melo e Assunção Cristas. Como conta o Filipe Santos Costa, o anúncio deverá ser feito nos próximos dias, já que o Conselho Nacional do partido se reúne na próxima sexta-feira, para decidir a data e as regras do congresso em que será escolhido o sucessor de Paulo Portas.

Dois temas que estiveram segunda-feira bem presentes no noticiário nacional: o modo como é feita a lavagem de dinheiro e a investigação aos negócios ilegais da segurança privada.

No primeiro, o Micael Pereira foi ler o primeiro relatório do grupo de trabalho que está a avaliar os riscos de branqueamento de capitais e o combate ao terrorismo em Portugal. Uma das conclusões é que o número de operações bancárias suspeitas aumentou 20% num ano.

No segundo, o Hugo Franco relata os desenvolvimentos mais recentes da Operação Fénix, na qual o Ministério Público acaba de confirmar que o presidente do FC Porto, Pinto da Costa, é um dos 57 acusados, naquela que é uma das maiores investigações sobre os negócios ilegais da segurança privada. E fique a saber que desde 2010 já foram detidos mais de 700 seguranças ilegais.

Em destaque ainda, no Diário de notícia de hoje, a explicação dos quês e porquês da escalada da tensão entre a Arábia Saudita e o Irão e das diferenças religiosas e políticas entre os dois países, pela Margarida Mota;

No dia do maior debate presidencial de que há memória em Portugal (foram os dez candidatos, todos contra todos, na rádio), a Ângela Silva fala da chuva de debates e lembra que o mais difícil deles está para vir. É ler o que ela escreve, sob o título “Marcelo a ver a banda (dos debates) passar”;

Sobre debates e campanhas, leia também a crónica do Henrique Monteiro ("Passos na campanha de Marcelo? Ni hablar!");

Ainda sobre debates, vale a pena ler a habitual crónica das segundas-feiras do Reinaldo Serrano, na qual conta a história de um documentário sobre os 10 (bem acesos) debates políticos que dois titãs da intelectualidade norte-americana - William F. Buckley e Gore Vidal – tiveram em 1968 no quadro das convenções do Partido Democrata e do Partido Conservador para escolher os respetivos candidatos à presidência dos EUA.

Sabe que quem tiver porte de arma no Texas pode andar agora com a pistola no coldre, bem à vista, como os antigos cowboys? E que os automobilistas de Nova Deli (atenção que eu escrevi “os”, porque as “as” estão isentas) não podem circular dois dias seguidos? A Alexandra Simões de Abreu foi ver que novas leis e regulamentações entraram em vigor um pouco por todo o mundo, incluindo Portugal (onde a lei do tabaco acaba de mudar, o salário mínimo aumenta, etc.)

A Anabela Campos e a Isabel Vicente escrevem sobre o imbróglio do BPI em Angola, onde Isabel dos Santos volta a encostar o presidente do banco, Fernando Ulrich, à parede. Sobre este assunto, leia também a crónica do Nicolau Santos ("O murro na mesa de Isabel dos Santos").

Na opinião, o Daniel Oliveira escreve sobre o Banif para dizer que “Um calote aos privados é menos grave do que um assalto aos contribuintes”, enquanto Henrique Raposo pergunta se “Não dá para acabar com os open space?”

Boas leituras, um bom resto de dia e um melhor começo de ano


POLÍTICA

Mota Soares não é candidato à liderança do CDS

DOIS CANDIDATOS O anúncio deverá ser feito nos próximos dias. Na próxima sexta-feira, dia 8, reúne-se o Conselho Nacional do partido, para definir a data e as regras do congresso que elegerá o sucessor de Paulo Portas. Tudo se decidirá entre Nuno Melo e Assunção Cristas                   
 
 
Ano novo, leis novas

2016 De nova lei do tabaco em Portugal ao casamento homossexual na Estónia, acabam de entrar em vigor novas leis um pouco por todo o mundo
 

Mais de 700 seguranças ilegais detidos desde 2010

Mais de 700 seguranças ilegais detidos desde 2010


 
PRESIDENCIAIS
 
 
  Boas leituras, um bom resto de dia e um melhor começo de ano.                                        
 

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

A Guerra e as Estrelas

Eles chegam hoje.

Vêm de uma galáxia distante, de uma terra que nos é estranha, tão estranha como eles parecem ser. Falam línguas que não percebemos, usam roupas que jamais vestiríamos e acreditam em coisas que não compreendemos lá muito bem. É difícil acreditar nas histórias que contam. Há quem não lhes ligue nenhuma e quem lhes dedique a vida inteira. Há também os que têm medo deles. Alguns já os viram, a maioria vai ter esperar mais algumas horas. Sim, eles aterram hoje. Uns e outros.

Os primeiros são estrelas. Os outros apenas fogem da guerra.

Há semanas que só se fala deles e desse filme revelador do futuro. "Star Wars: O despertar da força", o capítulo mais recente de uma história de milhões de euros,, estreia hoje em mais de 150 salas portuguesas e há 40 mil pessoas com bilhete comprado à espera da hora certa. A crítica internacional parece
rendida ao trabalho do realizador J.J. Abrams, o que não significa que o sétimo episódio da saga seja uma enorme nave espacial imperial capaz de resistir a qualquer raio laser ou crítica.

 Há semanas que se deixou de falar neles e as imagens do verão passado são hoje um filme antigo. Vinte e quatro refugiados vindos da Eritreia, do Sudão, do Iraque, da Síria e da Tunísia chegam hoje a Portugal. Fogem de conflitos que, nos últimos anos, mataram milhões de pessoas. São seis famílias que aterram em Lisboa com pouco a que chamar seu e, por certo, não haverá muita gente à sua espera - como se viu na Marinha Grande. Em Portugal, os recém-chegados vão ser acolhidos ainda em Lisboa, Cacém, Torres Vedras, Penafiel e Vinhais. Chegam 24 dos 4500 que deverão chegar. Um ínfima parte desse universo de pessoas que perderam tudo exceto a vontade de continuar vivas.

Ficam dois números:
Este sai da
Visão: 20 mil milhões de euros foi o que rendeu o merchandising da Guerra das Estrelas desde o primeiro filme, em 1977.

Este chega da
GQ: este ano, mais de um milhão de pessoas chegaram à Europa vindas de várias zonas do mundo atingidas pela guerra, naquela que é a maior e mais dramática movimentação de seres humanos desde a Segunda Guerra Mundial - e um negócio milionário para as redes de tráfico.

Milhões no céu, milhões na terra. Tão diferentes e tão iguais.
 
 
                            OUTRAS NOTÍCIAS
Não há volta a dar, o momento é mesmo de guerra e de estrelas.Rui Fonte foi a estrela de Braga frente ao Sporting, naquele que já é considerado o melhor jogo da época e que opôs os dois finalistas da Taça de Portugal no ano passado. Houve prolongamento, golos, sete ao todo, cambalhotas e mortais no marcador, e os casos do costume também - que certamente vão dar muito que falar durante todo o dia. O Sporting de Braga segue para os quartos de final da prova, tal como o Porto (que derrotou o Feirense por 1-0). Boavista e Académica defrontam-se às seis e meia da tarde - é o jogo que falta para estar completo este quadro de resultados. 

Em Espanha, em plena contagem decrescente para as eleições de domingo, Mariano Rajoy foi a infeliz estrela do dia ao ser vítima de um "ato de guerra" durante uma ação de campanha em Pontevedra, na Galiza. Um rapaz de 17 anos deu um soco no primeiro-ministro espanhol e partiu-lhe os óculos. Foi detido logo a seguir. Um momento que vai marcar a reta final da campanha. Pode ler a história e ver o vídeo no jornal mais próximo do acontecimento, o Diário de Pontevedra, também nos nacionais El Mundo e El País, ou no digital El Confidencial. E pode ainda recordar o que Henrique Monteiro escreveu no Expresso há uns meses sobre a versão original e falada em português. 

O primeiro debate quinzenal na Assembleia da República com António Costa no Governo e Pedro Passos Coelho e Paulo Portas na oposição terminou com votos de boas festas e sem vítimas. Ou quase. Passos Coelho surpreendeu ao fazer uma intervenção à tarde, e guardou para o lanche de Natal do grupo parlamentar a versão mais recente de um provérbio antigo: amigos, amigos, oposição à parte. Some-se o aviso de Rui Rio e vai ficando mais claro que algo está mesmo a acontecer à Direita do país político. É um António Costa tranquilo e com a força do seu lado que estará hoje e amanhã em Bruxelas. O primeiro-ministro português e os restantes líderes da União encontram-se para um Conselho Europeu, o último do ano, que deverá ficar marcado pela discussão sobre o Brexit. A campanha para o referendo que decidirá a permanência do Reino Unido na UE está em curso e todos os dias há alguém a fazer contas ao sim e ao não. 

Por cá, também não falta quem anda de calculadora na mão. O Banif, já se percebeu, é um problema, embora ainda não se saiba bem que tipo de problema é. Na terça-feira de manhã, quando vinha para o jornal, ouvi no rádio o presidente do banco falar de "tranquilidade" e garantir que "os depositantes e os contribuintes podem estar descansados". À noite, quando voltei a casa, ouvi no mesmo rádio que António Costa estava reunido com partidos políticos, o ministro das Finanças e governador do Banco de Portugal para discutir a situação do Banif. É um problema, mas também uma guerra que está em curso. 

Dos Estados Unidos da América, conta o The New York Times, chegam boas notícias: o FED resolveu aumentar a taxa diretora de juros pela primeira vez nos últimos sete anos, um sinal de confiança na recuperação, lenta,da economia norte-americana. No

Expresso tem uma análise detalhada. Ainda nos EUA, houve novo debate para as presidenciais. Desta vez, a batalha foi no campo republicano e a discussão andou à volta de política externa e de terrorismo. E sim, Donald Trump foi mais uma vez a estrela. 

Na Ucrânia falou-se de corrupção e a discussão acabou com um copo meio cheio de água a cair na cabeça de um político. Mais um momento animado num parlamento com história: houve algo parecido há uns dias e no passado também (basta procurar aqui). Prepare-se para o que os jornais vão escrever sobre as estrelas de Star Wars hoje e amanhã.

E isto é o que os 24 refugiados que fogem da guerra vão ficar a saber de Portugal pelos jornais de hoje:
 
O Público garante que o aumento máximo das pensões em 2016 será de 2,5 euros e anuncia uma guerra entre PS e comunistas e bloquistas por causa dos exames do 6.º e 9.º anos. 
Os ecos da entrevista de José Sócrates na TVI estão no DN, com a resposta do PSD: um voto de confiança na PGR, Joana Marques Vidal. 

O i anuncia o regresso da Troika a Portugal depois das presidencias, o JN revela que os doentes em lista de espera vão poder escolher hospital para as consultas de especialidade e, ainda no rescaldo da entrevista ao antigo-primeiro ministro, o Correio da Manhã contrataca a toda a largura da primeira página: "As cinco mentiras de Sócrates".


FRASES

"Que sirva para alguma coisa a geringonça. Não pode pedir aos camaradas da intersindical que acabem com o sindicalismo agressivo", Paulo Portas para António Costa

"O professor Adriano Moreira é um dos mais persistentes e profundos defensores do humanismo cristão em Portugal. A nossa corrente doutrinária não podia ficar melhor representada no Conselho de Estado”, nota do CDS, que indicou Adriano Moreira para o Conselho de Estado"Que o CDS me procure é natural", Adriano Moreira

“Basta falar com as pessoas em Israel. Os muros funcionam"
, Donald Trump
sobre a construção de um muro para impedir a entrada de imigrantes ilegais nos EUA.


"A atual paralisação está a implicar gravíssimos prejuízos para o porto de Lisboa, temos vários cancelamentos de escala por atraso [existem atrasos de três e quatro dias] e é uma perturbação não só para o porto, mas para toda a economia de Lisboa e inclusive para as ilhas da Madeira e dos Açores", Marina Ferreira, presidente do conselho de administração do Porto de Lisboa, sobre os pré-avisos de greve dos estivadores.

O QUE ANDO A LER
... e a ver e a experimentar... 
Conhece aquela sensação estranha que temos quando acabamos de pesquisar algo no Google, uma peça de roupa ou um livro, e no instante seguinte aquela peça de roupa e o tal livro aparecem à venda num post no feed de notícias do Facebook? Esta semana aconteceu-me algo parecido. Avisaram-se na terça-feira que seria minha a honra de servir o Expresso Curto de hoje. Na véspera, ao almoço, tinha discutido com dois amigos parte de um artigo que estava a ler. Uma daquelas conversas que não levam a lado nenhum, mas que valem pela viagem. O assunto: o sentido da vida. O que é que andamos cá a fazer? 

Nessa mesma tarde, descobri um "brinquedo" que a BBC colocou online há pouco tempo. Chama-se Your Story e ainda está em fase de testes (eles próprios avisam que de vez em quando pode falhar). A ideia é genial: basta introduzir a data de nascimento (ou entrar através do Facebook e permitir que o software desenvolvido pela BBC aceda à sua informação pessoal) e em segundos tem no ecrã a história da sua vida contada através dos acontecimentos mais importantes e das notícias sobre eles disponíveis no arquivo da BBC. Um resumo do que já foi feito desde que cá chegámos. 

A minha história começa antes de o presidente norte-americano Richard Nixon se demitir, na sequência do escândalo Watergate, passa pelo primeiro voo do Concorde (ainda era bebé), pela morte de John Lennon, a busca pelo monstro de Lock Ness, etc. Uma das datas sugeridas é 11 de maio de 1997 (pouco antes de eu fazer 23 anos, diz-me a BBC). Nesse dia, o supercomputador Deep Blue derrotou o mestre xadrezista e campeão do mundo Gary Kasparov.

Foi o primeiro triunfo da criatura sobre o condutor e foi também o meu momento estranho. O artigo discutido ao almoço, entre pizas e comida do Médio Oriente, chama-se
"The Doomsday Invention", está na edição de 23 de novembro da "The New Yorker" (e pode ser lido
aqui). Não vale a pena adiantar muito, só porque vale mesmo a pena ler. Fica um aperitivo: Nick Bostrom, filósofo sueco que dirige uma coisa chamada Instituto para o Futuro da Humanidade, em Oxford, escreveu um livro que saltou para a lista dos best-sellers do Times do não passado: "Superintelligence: Paths, Dangers, Strategies". 


O argumento principal do livro é que a verdadeira inteligência artificial, se se concretizar, poderá tornar-se mais perigosa do que todas as anteriores ameaças tecnológicas - armas nucleares incluídas. No limite, defende Bostrom, se a humanidade não gerir com todo o cuidado o desenvolvimento da inteligência artificial arrisca-se a criar e a assistir à sua própria extinção. "Não temos ideia de quando a detonação vai ocorrer, mas se encostarmos o aparelho ao ouvido já conseguimos ouvir um fraco tique-taque", argumenta. Ou seja, e de volta ao almoço, como se já não bastasse a guerra, o aquecimento global, os asteroides errantes, civilizações extraterrestres e a própria extinção do sol (tudo matéria discutida no artigo), agora vamos passar a ter medo do telemóvel, do tablet e do computador? O que é que andamos cá a fazer? 

E, já agora, mais uma pergunta metafísica. "Onde diabo está Deus?" - livrinho pequeno, mas com um grande título. Richard Leonard, o autor, é um jesuíta australiano com um doutoramento em Estudos Cinematográficos. Ele próprio admite não querer perder tempo com planos abertos de natureza filosófica ou teológica e vai diretamente para o grande plano, o das pequenas coisas do dia-a-dia. No caso dele, a pequena coisa foi o grande acidente da irmã, Tracey, uma enfermeira com menos de 30 anos que, depois de trabalhar numa missão religiosa na Índia, regressara a Austrália para trabalhar com religiosas junto da comunidade aborígene, na zona de Perth. 

Na véspera do aniversário de Richard, a sua irmã tinha ido substituir uma colega e sofreu um acidente de carro que a deixou quadriplégica. A família viu-se numa crise de fé. Como é que algo assim sucedeu a uma pessoa como ela? "Eu não preciso de pensar que Deus tem de ser a causa direta de tudo na minha vida para acreditar forte e vivamente num Deus pessoal", escreve Richard (edições Paulinas). Há mais 108 páginas de experiência na primeira pessoa, mas também de reflexão sobre o modo como as pessoas se relacionam com Deus no mundo moderno - o mundo dos filmes e dos refugiados. 

Há trinta anos, quando o tudo parecia mais simples e o mais parecido que havia com a Internet era um vídeo e uma televisão a cores, os filmes de surf eram uma coisa estranha - barulhentos e com uma única preocupação: mostrar muitas ondas e raparigas com pouca roupa. Quem fazia surf ficava ali, agarrado, até a fita da cassete estar gasta. Quem não fazia - pais, tias, avós e namoradas incluídos - limitava-se a abanar a cabeça e a sair da sala. Na altura o surf também era uma coisa estranha, marginal, muito diferente do negócio à escala planetária em que se transformou.

O melhor exemplo da mudança chegou à sala lá de casa no sábado, via iTunes. Chama-se "View from a blue moon". Passou há dias no ecrã gigante do S. Jorge, em Lisboa, numa sessão única e absolutamente esgotada, e há quem diga que é o melhor filme de surf de sempre. Pode discutir-se se é, mas é indiscutível que se trata de uma obra de arte, capaz de agradar ao mais dedicado dos surfistas (ou não mostrasse um pouco da vida, e do surf, de John John Florence, provavelmente um dos melhores do mundo) e também a quem só vê o mar uma vez por ano (as imagens aéreas e a forma como são filmadas as paisagens é mágica. O melhor é mesmo o Brasil). Pode ver o trailer e tudo sobre o filme aqui. 

Sem perder a onda, fique a saber que a última etapa do mundial de surf está em curso em Pipeline, no Havai, e é transmitida em direto na página da World Surf League. Na última noite houve um pouco de tudo: ondas grandes, um ferido e nenhuma decisão sobre o título mundial. Havia cinco candidatos e três continuam na corrida. Mick Fanning é um deles e ontem, minutos antes de entrar na água, soube que o irmão tinha sido encontrado morto, na Austrália. É provável que a prova acabe hoje. Começa pelas sete da tarde (em Lisboa, menos 10 horas em Oahu) e, por isso, será outro surfista, o Martim Silva, a dar-lhe todas as novidades. Do mar, do país e do mundo.
 

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Está “indicado”. Já tem Governo. Agora deixem-no trabalhar!

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Portugal-Calma! Cavaco ainda não aceitou os ministros de Costa. O mais provável é que dê luz verde, mas conhecendo a Presidência da República, com todo o seu formalismo, não me admiraria que no palácio cor-de-rosa haja algum mal-estar. E porque? Bem, o facto da lista dos ministros ter sido posta a correr na TSF (e noutros media), como um facto consumado, horas antes de ser entregue formalmente em Belém foge, por completo, ao guião institucional dos últimos anos. É que, mal ou bem, Cavaco Silva ainda tem uma palavra a dizer. É o Presidente que nomeia o elenco governativo e, convém não esquecer, no passado houve vetos presidenciais (Soares e Sampaio) a propostas de ministros. O Ricardo Costa lembra aqui alguns casos.

Para Cavaco Silva, o nome de
Augusto Santos Silva, escolhido para os Negócios Estrangeiros, será com certeza um dos mais difíceis de aceitar. No seu estilo truculento – ele que gosta de “malhar”, Santos Silva (que ainda por cima era ministro da Defesa) teve com Cavaco (que é também Chefe Supremo das Forças Armadas) uma relação difícil no segundo Governo de Sócrates. Quem esquece o comício de Manuel Alegre, em janeiro de 2011, onde o então ministro se referiu ao PR como “chefe de fação”. E mais recentemente, por causa da não condecoração de José Sócrates, escreveu no Facebook: “Senhor Presidente, (…) não se deixe pressionar. Não condecore Sócrates. É que ele não merece tamanha nódoa no seu currículo. Haverá certamente, dentro em breve, um Presidente merecedor da honra de condecorá-lo”. Bom mas se Cavaco o aceitar, e é o mais certo, o convívio será curto. O Presidente deixa Belém em março do próximo ano. E os socialistas (e as esquerdas) podem finalmente suspirar de alívio! E com certeza não serão os únicos.

Se Santos Silva foi uma novidade (retirado do baú socialista, é certo!), a grande surpresa da lista dos nomes do próximo executivo é
Francisca Van Dunem (Público: a primeira mulher negra a chegar a ministra). A alta magistrada dá um salto: do topo do Ministério Público para o topo da Justiça. E da Justiça para a política. Costa vai ter uma ministra que conhece, com pormenor, todas as investigações em curso. E José Sócrates terá gostado desta escolha? Afinal, Costa promove um elemento do mesmo Ministério Público que investiga o ex-PM, que o pretende acusar e que neste momento o mantém em “lume brando”. O mesmo MP que Sócrates diz que só o prendeu para que o PS perdesse as eleições.

O tempo de Cavaco Silva ainda não terminou, a lista de Costa está a ser analisada em Belém e o Presidente ainda hoje deverá ter mais uma conversa com o primeiro-ministro “indicado”. A decisão presidencial só acontece depois desse encontro. No “quem é quem” que lhe chegou às mãos, o Presidente pode contar 17 ministros e 3 secretários de Estado que vão estar na dependência direta do PM. Quem são eles? Veja aqui.

Na lista dos ministros há 9 estreias, 8 repetentes, 4 mulheres, 3 ex-ministros de Sócrates. Há independentes - na Educação um dos mais novos de sempre -, todos costistas e um segurista:
João Soares (no entanto, um dos primeiros a defender a maioria de esquerda). E há Carlos César que não consta do rol mas que será peça-chave no futuro da governação. Como líder parlamentar – e o Parlamento vai ser o epicentro dos tempos que ai vêm – será uma espécie de vice-primeiro-ministro de Costa. O número dois. Essencial nas relações/negociações com as esquerdas.

E com a direita? Não lhes
“pedi a mão” disse já António Costa. A direita que se cuide, avisava esta noite Fernando Medina na TVI24, Costa “conseguiu ser indigitado, já formou um governo e agora só lhe falta aprovar o Orçamento”. Se o fizer, PSD e CDS ficam numa posição muito delicada – e “a agressividade está condenada ao fracasso”, acrescentava o autarca. O Orçamento do Estado de 2016, que muitos consideram ser o primeiro grande teste à união das esquerdas, e que Costa gostaria de ver resolvido até ao final do ano, só deverá ficar aprovado depois das presidenciais (24 de janeiro). Em março, escreve o DN, mas Bruxelas será tranquilizada antes. Por falar em Bruxelas, o Público diz que Costa teve de desistir do ministério dos Assuntos Europeus (Elisa Ferreira chegou a ser pensada para o cargo) que passa a secretaria de Estado e fica na tutela dos Negócios Estrangeiros.

Em traços gerais: António Costa chamou para o Conselho de Ministros os seus homens de confiança. Totalmente alinhados com a sua estratégia – sem abertura para outras correntes. Um governo de combate, como hoje escrevem os jornais.
Um Governo teso, nas palavras de Pedro Santos Guerreiro. Numa orgânica que estará muito dependente do primeiro-ministro. Há gente com reconhecida experiência política (Santos Silva, Vieira da Silva, Pedro Marques, Eduardo Cabrita), mas também há estreantes. Que saltaram das Universidades, que deram nas vistas em várias áreas mas isso só não chega para os tornar bons governantes. O risco “Álvaro Santos Pereira” existe, mas deixemo-los governar. Agora é a sério. Depois do processo surpreendente que vivemos desde as eleições, nos últimos 52 dias, começa agora um novo tempo. A bola está do lado deles. Do PS e das esquerdas. E de António Costa. O negociador, “o homem que se recusa a acreditar nos impossíveis”.

Antes de concluir o capítulo da política, deixe-me ainda chamar a atenção para uma questão que vai marcar o dia. Depois de se saber que afinal a devolução da sobretaxa – que nos venderam durante a campanha que ia ser uma “fortuna” – vai ser de ZERO!, Paúlo Núncio vai dar explicações no Parlamento (e vai dizer que ainda pode render 8,5%). Só agora? Ele e a ministra das Finanças já deviam ter esclarecido publicamente esta embrulhada. Será que nos convencem que os números não foram martelados para ganhar votos? Às 11h30 se verá.

FRASES
Marcelo para Costa: “As maiores felicidades”Maria de Belém. Cavaco “estava a adiar o inadiável”Sampaio da Nóvoa. Candidato acredita num “bom executivo, num bom programa, e num bom orçamento”Marisa Matias. Cavaco “decidiu finalmente ser Presidente da República”Edgar Silva. Estão criadas condições para “devolver” direitos “usurpados”

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Um Governo (a prazo), um Aparelho, um Presidente‏

Bom dia,
"Eu abaixo assinado declaro solenemente por minha honra que cumprirei com lealdade as funções que me são confiadas"

Esta vai ser hoje uma das frases mais ouvidas. No Palácio da Ajuda, pelas 12.00, vão tomar posse os ministros do XX Governo Constitucional, liderado por Passos Coelho. E por 17 vezes se vai ouvir este juramento.
 
A seguir, são os secretários de Estado. Estes normalmente tomariam posse uns dias depois. Mas "normalmente" é uma palavra que não se aplica nesta altura à vida política portuguesa.
 
O que não vamos ouvir mas vai estar na cabeça de todos é que o juramento, neste caso, vai ser mais do género "Eu abaixo assinado declaro solenemente por minha honra que cumprirei com lealdade as funções que me são confiadas.. ainda que seja por escassos dias".

Sobre o tema hoje vale a pena ficar a saber isto:
 
Além dos ministros, tomam também posse os secretários de Estado. E como este artigo explica, acentua-se a tendência de recurso à prata da casa. Que é como quem diz, o aparelho partidário tem maior presença neste governo da coligação do que no anterior.
 
Além disso, a imprensa de hoje dá nota da presença dos filhos de Maria José Nogueira Pinto e de Jaime Gama entre os novos secretários de Estado.

Jerónimo de Sousa foi entrevistado na SIC Notícias e
pelo que disse um acordo com PS e Bloco parece ainda longe de estar garantido. O líder comunista mostrou ainda que o seu partido mantém a vontade de romper com as metas do Pacto de Estabilidade, matéria tabu para os socialistas.

Somam-se as vozes (Negrão, Morais Sarmento, Marques Mendes, Ribeiro e Castro) dos que à direita entendem que não haverá possibilidade de um governo de gestão de Passos Coelho, depois do chumbo do Executivo no Parlamento. Também o JN diz na capa hoje que Passos rejeita essa possibilidade. E o Sol acrescenta que Passos não só rejeita ficar em gestão como conta sentar-se na primeira fila da bancada laranja no Parlamento para liderar a oposição a Costa. Isto tudo somado abre a porta a que Cavaco dê posse a um governo de esquerda liderado por Costa. Aliás, o i de hoje tem uma entrevista ao ex-consultor de Cavaco Silva Carlos Blanco de Morais, em que este diz "não me surpreende que o Presidente da República acabe por chamar o líder do PS a formar Governo".

Na capa de hoje, o Público diz que o Parlamento deve ficar parado até dezembro se este governo foi chumbado no dia 10.
Daqui a 11 dias, quando terminar o debate do Programa de Governo e forem discutidas e votadas as moções de rejeição, estão já agendadas manifestações pró e contra para junto do Parlamento. Pró coligação e anti-moções. E Pró-moções e anti-coligação. Há para todos os gostos.

Sabe que o PM com menos tempo no cargo no últimos 40 anos foi Nobre da Costa? Que Mariano Gago foi quem mais tempo esteve no governo? E que a Passos só faltam 57 dias para ultrapassar Mário Soares no ranking dos que mais tempo foram primeiros-ministros? Estes números e muitos mais
podem ser lidos aqui.
 
OUTRAS NOTÍCIAS
 

 Cá dentro, a diretora de um lar em Reguengos de Monsaraz é acusada de crimes de sequestro agravado, 11 crimes de abuso sexual de menor dependente, sete crimes de maus tratos e três de peculato. Entre os
terríveis episódios já conhecidos desde caso estão o de uma menor de 15 anos que foi fechada uma semana numa despensa.

Carlos Cruz, que já cumpriu dois terços da sua pena, pode ter a sua primeira
saída precária pelo Natal.

José Sócrates já teria sido em apanhado em escutas mesmo
antes de começar o processo Operação Marquês. Isto aconteceu porque o empresário e seu amigo Carlos Santos Silva estava a ser escutado no âmbito do processo Monte Branco.

Numa altura em que há alguns sinais de tensão e divisões internas no Benfica,
hoje ficou a saber-se que Luís Filipe Vieira deverá ser novamente candidato à presidência do clube para o ano.

É também notícia a história de Peter Boone, o influente economista que em 2010 anunciou o caos para a dívida pública portuguesa e terá lucrado com isso.
O Ministério Público quer agora julgá-lo pelo crime de manipulação de mercado.

Os primeiros refugiados sírios
chegam a Portugal já no final da próxima semana.

Ontem ficámos a saber que Sérgio Monteiro, que hoje deixa de ser secretário de Estado dos Transportes, vai ser contratado pelo Fundo de Resolução para resolver a venda do Novo Banco. A contratação mereceu algumas críticas (
leia o artigo de Ricardo Costa). E ao que parece os bancos ficaram de fora desta escolha, que foi assumida diretamente pelo Banco de Portugal.

Ainda não ganhamos como os nórdicos, mas ao que parece já bebemos como eles,
explica o DN.

A Reforma Agrária já tem muitos anos. Já é quase história a carochinha. Mas ainda agora o Estado português acaba de ser condenado a
pagar dois milhões de euros a uma empresa agrícola que foi expropriada em 1975.
Lá fora, esta é seguramente uma das mais fortes notícias no mundo hoje. A China, ou melhor o Partido Comunista Chinês decidiu acabar com a política do filho único.
Permitindo que todos os casais possam ter... dois filhos. As ações de grandes empresas de produtos para bebés, como a Nestlé, a Danone e a Johnsons já registaram grandes subidas em bolsa... Na BBC News, aconselho este artigo que em cinco números explica o que significou a política de restrição de filhos na China nas últimas décadas. Exemplo? Evitou o nascimento de 400 milhões de crianças.

Ainda na China, o país reviu em baixa as
metas de crescimento da economia para os próximos anos. Agora aponta-se para um crescimento de cerca de 6,5% ao ano até final desta década.

A economia de Taiwan encolheu pela primeira vez em
seis anos.

O
Parlamento Europeu aprovou uma resolução pedindo que sejam retiradas as acusações contra Edward Snowden e que o protejam e reconhecam como um defensor dos direitos humanos.

O naufrágio de um barco com migrantes que fazia o trajeto entre Marrocos e Espanha terá causado
dezenas de mortos. Dos 50 tripulantes, só 15 foram recolhidos com vida.

Na Alemanha, a extrema-direita aperta o cerco à chanceler Angela Merkel, apresentando centenas de
queixas-crime por alta traição pela política de acolhimento de refugiados que está a ser seguida.

Ainda sobre refugiados, ontem publicámos um
texto de fôlego que ajuda a explicar e a perceber as grandes vagas de refugiados ao longo da história. E hoje voltaremos ao tema.

Este domingo, cinco meses depois, os turcos voltam às urnas. Mas as perspetivas são de que o AKP, do
presidente Erdogan, volte a não atingir a maioria absoluta (que perdeu pela primeira vez em 13 anos).

Bidhya Bhandari é a primeira mulher a ser eleita presidente
no Nepal. O Nepal só deixou de ser uma monarquia em 2008 e a nova chefe de Estado é viuva de um rebelde comunista.

O Papa Francisco avança com um perdão para os
Legionários de Cristo.

O que é que o Mundo está realmente a fazer para travar as alterações climáticas? O
Financial Times disponibiliza um mecanismo para calcular e medir os esforços e impactos de cada um.

Justin Bieber fez uma birra e abandonou um
concerto em Oslo. Pouco depois pediu desculpa... mas o mal estava feito.

Quem é o novo elemento da família Clooney Amal?
Chama-se Milie...

NÚMEROS

132
São enviados diariamente qualquer coisa como 132 mil milhões de emails. Mas será que esta é uma forma de comunicação que
está para acabar?

7,5
7,5 milhões de euros é o prejuízo acumulado pela
CP Carga nos primeiros nove meses deste ano.

736
736 milhões de euros teve a EDP de lucro nos primeiros nove meses do ano. Mas o número, embora gigante, significa uma
perda de 4% face ao mesmo período do ano anterior.

FRASES

"Precisamos de poupar. Mas estamos a poupar menos. Infelizmente estamos em risco de assistir à terapia do consumo, exatamente aquilo que a economia não precisava neste momento", Helena Garrido, no Jornal de Negócios

"Porque é que o défice tem de ser 3 por cento e não 4 por cento?", Jerónimo de Sousa, na SIC Notícias, mostrando que o PCP não está disposto a abdicar da suas bandeiras eleitorais

"Não quero defender a Volkswagen, o que fizeram é indefensável, serão castigados por traírem os clientes e terá repercussões significativas. Mas a verdade é que sempre se esticaram os limites", Hans-Paul Burkner, presidente da Boston Consulting Group, em entrevista ao Jornal de Negócios

O QUE EU ANDO A LER
Henry Kissinger, o Maquiavel da política moderna, o Richelieu de Nixon, é seguramente uma das mais polémicas figuras da política americana do último meio século. Considerado um dos exemplos maiores da "realpolitik", muitos consideram-no uma espécie de criminoso de guerra (era o caso por exemplo do polemista já falecido Christopher Hitchens). Agora, está já publicado, embora ainda sem edição em Portugal, o primeiro e monumental volume de uma biografia sobre o norte-americano de origem judaíca alemã. O autor? um dos mais reputados, populares e também polémicos historiadores da atualidade, o escocês radicado nos EUA Niall Ferguson. Ferguson, que tem escrito muitos livros sobre história e história económica (A Ascensão do Dinheiro, Civilização, Império, A Lógica do Dinheiro, The Great Degeneration, para citar alguns), traça neste primeiro volume (curiosamente intitulado "O Idealista") um retrato muito curioso e menos conhecido de Kissinger: todo o seu percurso até ter aceite a indicação como Conselheiro Nacional de Segurança de Nixon. Kissinger que foi refugiado alemão fugido do regime de Hitler, soldado americano que combateu Hitler na Alemanha, aluno e professor brilhante de Harvard. Sendo certo que Kissinger gera, como já disse, muitos ódios, esta obra, escrita com a fluidez habitual dos livros de Ferguson, é imprescindível para quem está disposto a conhecer melhor o percurso de um dos mais importantes políticos e estadistas americanos.

Além desta recomendação,
deixo-lhe este longo artigo da Atlantic sobre como o Estado Islâmico se dissemina no Médio Oriente. E sobre o que pode ser feito para travar o movimento terrorista.

Por hoje é tudo. Ao longo do dia vá acompanhando o que se passa com a posse do novo governo no site do Expresso. Pelas seis da tarde damos-lhe a análise ao que de mais importante se passou. E amanhã é dia de edição semanal do Expresso.

Tenha uma excelente sexta-feira e um fim-de-semana ainda melhor. Eu cá vou de férias e estarei de volta no dia 9. Com a política ao rubro com o debate do Programa de Governo na Assembleia da República.