quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Financial Times diz que Emergentes Podem ter Futuro Turbulento

FT-O jornal Financial Times  publicou uma reportagem no último sábado (20), onde diz que os mercados estão cada vez mais conectados e que certas mudanças internas nos Estados Unidos podem influenciar em diversos locais, especialmente nos emergentes como Brasil, China e Rússia. Eles destacam um relatório do Banco de Pagamentos Internacionais, que estima que depois da crise de 2008 nos EUA, com a Falência do banco Lehman, cerca de 50 mil empresas em países emergentes sofreram quase U$ 30 bilhões em perdas. 

 “É uma lição de consequências inesperadas do mercado em um mundo altamente interconectado” diz a publicação. O FT ainda diz que analisar essa questão é particularmente oportuno porque o Federal Reserve (Fed) sinalizou esta semana planos para apertar a política monetária no próximo ano. Os Estados Unidos estão com uma política monetária frouxa, o que quer dizer que eles desvalorizam propositalmente o dólar, o que estimula a exportação, e consequentemente uma maior produção e criação de emprego.   
 
A nova política do Fed pode facilmente criar novos choques. Desde 2008, os bancos centrais mantiveram a política monetária tão frouxa que os investidores globais têm devorado ativos de mercados emergentes em busca de qualquer coisa que possa produzir retornos.
 
Isto levou a uma mudança no ecossistema de crédito: enquanto as empresas na Rússia, Brasil, China e Índia costumavam levantar fundos por meio de empréstimos dos bancos, o relatório do Banco de Pagamentos observa que eles têm cada vez mais partido para a venda de títulos para os gestores de ativos.
 
O jornal diz que isso cria um risco: quando as taxas ocidentais sobem, alguns dos fluxos de investimento em mercados emergentes poderiam ir em sentido inverso, criando reações em cadeia. Na verdade, uma versão pequena ocorreu no ano passado, quando os mercados oscilavam muito em especulações de que o Fed estava prestes a "afunilar" a sua política monetária frouxa.
 
Em um mundo interconectado choques têm o péssimo hábito de atingir onde menos se espera. A razão para esta diferença dramática é que muitas empresas têm vendido a dívida por meio de  offshore, ou seja, empresas que tem uma contabilidade num país diferente daquele que atua.
 
Para algumas empresas - por exemplo,os grupos de commodities (produtos  de baixo valor agregado, especialmente matéria prima) na Rússia, África do Sul ou o Brasil - esse descompasso importa pouco, pois têm fácil acesso a dólares. Para outros, um balanço do dólar pode representar grandes riscos, diz o jornal. 
 
Para o FT,  mercados emergentes têm enfrentado os fluxos de investimentos voláteis anteriormente e estão se tornando mais inteligentes. Um detalhe trazido pelo relatório do Banco de Pagamentos é que as empresas de mercados emergentes estão emitir títulos com prazo mais longo. Outra é que eles parecem estar usando menos dos derivativos exóticos que trouxeram prejuízo em 2008.  

terça-feira, 23 de setembro de 2014

Moçambique com Inflação de 3% em 2014, Segundo a EIU

Resultado de imagem para Moçambique
Moçambique-A taxa de inflação média anual de Moçambique para 2014 foi revista em baixa de 3,9% para 3,0% pela Economist Intelligence Unit (EIU) que reviu em alta de 10 pontos base para 10,1% a previsão do défice orçamental igualmente para este ano.
 
A média de 3,1% registada na taxa de inflação anual em Agosto, associada a um contexto internacional caracterizado pela redução dos preços dos bens alimentares e uma quebra marginal no valor do petróleo, estará na origem da revisão, segundo sustenta a EIU na sua análise macroeconómica sobre o país relativa a Setembro.
 
O défice orçamental, por outro lado, é alvo de uma ligeira subida, passando de 10% para 10,1% do produto interno bruto (PIB), o que a organização assinala que resulta da combinação da diminuição do apoio dos doadores internacionais ao Estado e o aumento da despesa pública.

No documento, a EIU mantém em 7,3% a sua previsão sobre o crescimento económico de Moçambique em 2014, para um valor real do PIB de 16,2 mil milhões de dólares, com o sector da Indústria a registar uma expansão de 9%, o dos Serviços de 7,2% e o da Agricultura de 6%.

Quanto às exportações, a organização espera que atinjam 4,4 mil milhões de dólares em 2014, subindo gradualmente até 6,8 mil milhões em 2018, altura em que o valor das importações deverá situar-se em cerca de 12,8 mil milhões de dólares, devido à importação de equipamentos para a exploração de recursos naturais, associados sobretudo aos grandes projectos de exploraçãode recursos naturais.

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Acordo UE-Ucrânia: Celebrado em Kiev; Lamentado em Moscovo

Ucrânia-Dia histórico em Kiev e reações amargas em Moscovo após a ratificação pelo parlamento ucraniano do Acordo de Associação com a União Europeia. Uma cerimónia “sem precedentes” realizada em simultâneo com a votação no Parlamento Europeu.
 
Em Kiev, os 355 deputados presentes votaram a favor da ratificação do acordo e a alegria tomou conta das bancadas.
 
Em Moscovo, nas fileiras dos apoiantes do presidente russo não há surpresa. O deputado Nicolai Valuyev, do partido Rússia Unida, afirma: “Estávamos todos preparados para isto. A Rússia esperava até ao último momento que a Ucrânia não quisesse destruir a base económica em que vive, mas a julgar pelos sinais provenientes de Kiev não há lógica nas decisões que tomam”.
 
Franz Klintsevich, do mesmo partido, constata: “Assim que esses acordos forem aprovados seremos forçados a fechar as nossas fronteiras para muitas mercadorias, porque entendemos claramente que os produtos de alta qualidade e baratos da Europa não serão capazes de competir com os produtos ucranianos ou russos.”
 
Apesar da ratificação do acordo, a entrada em vigor de uma das suas cláusulas mais importantes foi adiada para Janeiro de 2016. A decisão de adiar a parte do acordo sobre o comércio livre entre a Ucrânia e os países da União Europeia foi tomada em conjunto com a Rússia, no final da semana passada.

Portugal Entre os Quatro Países com Taxa de vagas de Trabalho mais Baixa da União Europeia

Portugal-0,6% dos postos de trabalho existentes em Portugal estavam vagos no segundo trimestre do ano. É a mesma percentagem dos três meses anteriores. E é uma das mais baixas da União Europeia, onde a média se situa nos 1,6%.
 
Primeiro, Letónia. Depois Polónia. Seguem-se Espanha e Portugal. São estes os quatro países da União Europeia em que as vagas no mercado de trabalho representam a percentagem mais baixa face a todos os postos de trabalho existentes (vagos ou ocupados).
 
A taxa portuguesa fixou-se em 0,6% no segundo trimestre do ano, idêntica à dos primeiros três meses, segundo dados do gabinete de estatísticas europeu. Na comparação com o mesmo período do ano passado, há já uma melhoria: o número de postos de trabalho vagos aumentou de 0,4% para os referidos 0,6%.
 
A taxa de posto de trabalho vago expressa-se através da divisão do número de postos de trabalho vagos sobre o número de postos de trabalho ocupados somados ao número de postos de trabalho vagos.
 
Portugal apresenta então, neste campo, um dos números mais reduzidos no segundo trimestre. A percentagem mais baixa é a da Letónia, com 0,4%. A da Polónia é de 0,5% no primeiro trimestre, dado que valores do período entre Abril e Junho são confidenciais. Portugal e Espanha têm 0,6% dos postos de trabalho de toda a economia vagos. A média comunitária é de 1,6%, a da Zona Euro é de 1,7%. A Alemanha, com 2,8%, e a Bélgica, com 2,4%, são as economias em que há mais postos de trabalho disponíveis, de acordo com o Eurostat.
 
A taxa de "ocupação" dos postos de trabalho subiu em Portugal na comparação homóloga, pelo que o país acompanhou a evolução da média comunitária na transição entre estes períodos. "A taxa subiu em 15 países, permaneceu estável em quatro e caiu em sete comparativamente com o segundo trimestre de 2013", escreve o Eurostat. A média de 1,7% na Zona Euro é a mais elevada dos dois últimos anos, ainda que não tenha chegado aos valores anteriores a 2007, antes da crise financeira global que teve um forte impacto no mercado de trabalho.
 
Em Portugal, a recuperação desta taxa no último ano aconteceu depois de muitos empregos terem sido destruídos na sequência das medidas de austeridade impostas na sequência do resgate financeiro. A taxa de desemprego também tem vindo a cair nos últimos meses, depois de ter alcançado máximos. A recuperação económica que se sentiu no mesmo período poderá ter dado aos empregadores uma maior disponibilidade para contratar em 2014 do que no arranque de 2013, ainda que sem grandes euforias, dada a baixa taxa.

Grandes Empresas Europeias Agarram-se Firme ao Seu Dinheiro

Empresas Europeias-A tradição já não é o que era. Para investir não recorrem aos bancos, mas também não usam capitais próprios. As empresas europeias estão a amealhar todo o dinheiro que podem e no último ano as suas reservas aumentaram perto de 50 mil milhões de euros, apesar de a economia na região estar a dar alguns sinais de recuperação.

"Guardar o dinheiro em vez de o investir é uma mudança radical desde a crise económico-financeira e é um comportamento que parece ter vindo para ficar", disse Chris Gentle, responsável da Deloitte em Londres para a Europa, Médio Oriente e África, ao "Financial Times".

Segundo o jornal britânico, que fundamenta o artigo num estudo da consultora, as empresas cotadas na Europa, Médio Oriente e África têm nos seus balanços quase um bilião em cash, quando antes da crise, em 2007, tinham perto de 700 mil milhões.

Nos últimos doze meses, as cerca de 1200 companhias listadas nos principais índices da Europa, Médio Oriente e África acrescentaram mais 47 mil milhões de euros aos seus balanços.

"As empresas aumentaram claramente a média dos seus fundos próprios", disse Gareth Williams, economista chefe da Standard & Poor's, citado pelo "Financial Times". "Alguma coisa de estrutural aconteceu. Se as condições mudarem e voltarem a ficar complicadas, os bancos não estarão lá como têm estado historicamente para apoiar a liquidez financeira das empresas."

endividamento:  esta situação reflecte também a flexibilização de condições para empresas do mercado de obrigações, onde os custos dos empréstimos atingiram mínimos históricos e grandes empresas europeias puderem aceder a financiamentos baratos. Estas companhias estão também entres as mais endividadas.

Uma parte significativa dos balanços das empresas está concentrada em apenas algumas áreas de negócios. Mais de um terço no sector da manufactura.

A questão da dívida sugere que os negócios europeus continuam pouco dispostos a financiar os seus investimentos com recurso a capitais próprios - este é, aliás, um dos grandes problemas do sector empresarial português e faz parte de uma das mais recentes chamadas de atenção dos relatórios da troika.

Segundo a Deloitte, escreve o "Financial Times", 59% das 271 empresas contactadas directamente que planeiam investir para crescer no próximo ano, apenas um terço pretende fazê--lo com recurso a capitais próprios.

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Rússia Olha para Angola para Compensar Sanções do Ocidente

Rússia-A Rússia olha para Angola como uma das formas de compensar as sanções aplicadas pelo Ocidente devido à intervenção na Ucrânia, e Angola pretende capitalizar a liquidez russa para equilibrar o orçamento deficitário, escreve a Economist Intelligence Unit (EIU).

De acordo com a unidade de análise económica da revista britânica The Economist, o empréstimo de 1,5 mil milhões de dólares feito pelo banco russo VTB Capital, "um dos maiores créditos isolados que Angola recebeu nos últimos anos, é um indicador não só da solidez das relações entre os dois países, mas também do impacto que as receitas petrolíferas abaixo do previsto estão a ter nas contas de Angola".

Na nota de análise distribuída aos investidores, os peritos da EIU lembram que este valor é maior que a totalidade do acordo assinado com o Fundo Monetário Internacional em 2009 para fazer face à falta de liquidez que se seguiu à queda dos preços do petróleo nessa altura.

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

União Europeia Preocupada com Falta de Fiscalização da Pesca na Guiné-Bissau

Bruxelas-Bruxelas manifestou preocupação com a falta de fiscalização de atividade de pesca na Zona Económica Exclusiva da Guiné-Bissau, um facto reconhecido pelo secretário de Estado das Pescas, Ildefonso de Barros.
 
A União Europeia é uma das principais parceiras no sector das pescas da Guiné-Bissau e esta semana enviou uma equipa técnica para avaliar as medidas em curso para a fiscalização no sector.
 
De forma ainda preliminar a missão, chefiada por Louize Hill, da direção-geral do Mar na Comissão Europeia, concluiu que a fiscalização é deficitária.
 
“Há uma falta de controlo da pesca nas águas nacionais (da Guiné-Bissau), a União Europeia nas conversações que tem com as autoridades, fez uma avaliação onde constatou que há muito trabalho para fazer”, destacou Louize Hill.
 
O secretário de Estado das Pescas da Guiné-Bissau, Ildefonso de Barros também reconheceu que nos últimos anos, sobretudo durante o período em que o país foi dirigido por um Governo de transição, a fiscalização praticamente deixou de existir.
 
O responsável admitiu que a Guiné-Bissau quase deixou de ter a sua frota de controlo da actividade de pesca ilegal, não regulamentada ou pesca não declarada.
 
“A missão veio avaliar, no fundo, todo o nosso sistema de controlo e fiscalização da actividade de pesca, os registos dos navios, a forma como controlamos a emissão de licenças e o esforço de pesca na nossa ZEE”, notou Ildefonso de Barros.
 
O relatório final sobre a avaliação da União Europeia deve ser conhecido após o regresso da equipa, mas Louize Hill destacou que já foram transmitidas “algumas recomendações” às autoridades guineenses sobre o que é preciso corrigir.
 
Medidas devem ser tomadas ao nível da emissão de licenças, retoma da fiscalização, registo de navios e ainda no domínio da legislação do setcor, disse o secretário de Estado das Pescas guineense.
 
Totalizando mais de 60 navios, a União Europeia (Espanha, França, Grécia, Itália e Portugal) tem um acordo de pesca com a Guiné-Bissau em vigor desde 1980, mas na sequência do golpe de Estado militar de Abril de 2012 os barcos europeus deixaram de pescar nas águas guineenses.
 
O secretário de Estado das Pescas disse acreditar que brevemente os navios europeus voltaram a pescar na ZEE guineense.