segunda-feira, 21 de julho de 2014

Financial Times: Brics é um Rival Potencial para FMI e Banco Mundial

 
Financial Times-Na última quinta feira (17) o jornal americano Financial Times publicou uma reportagem falando sobre o encontro dos Brics que está acontecendo no Brasil e a expectativa de criação de um Banco de Desenvolvimento Sustentável pelos países participantes do grupo – Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. Eles analisam a criação do Banco dos países como uma possibilidade de fragmentação da governança econômica.
 
Segundo o jornal,o Banco de desenvolvimento dos Brics é um rival potencial para o Banco Mundial, e irá funcionar em paralelo com o Fundo Monetário Internacional, as duas instituições com sede em Washington que encarnam a ordem econômica liderada pelos EUA.
 
Guido Mantega, ministro da Fazenda( Finanças) do Brasil, disse que uma das grandes diferenças entre a visão dos Brics de uma nova arquitetura financeira global e do sistema existente é o princípio da igualdade entre as partes interessadas. Ao contrário do FMI, cuja liderança é sempre Europeia e do Banco Mundial, cujo presidente é escolhido pelos os EUA, o banco Brics terá uma presidência rotativa de cinco anos, com cada país a obtenção de um turno.
 
A ascensão dos Brics é a primeira verdadeira mudança de poder na economia global desde a criação do FMI, diz o jornal. A criação desse banco mostra o que poderia acontecer com aqueles que não estão acomodados: a fragmentação da governação econômica mundial em vários centros de poder, competindo por influência, e menos capazes de trabalhar juntos na entrega de estabilidade econômica e financeira global.
 
Mas seria um erro pensar que isso já aconteceu ou está acontecendo. Os Brics não são tão unidos como parecem e a instituição vai ter que encarar grandes desafios operacionais. Os movimentos que estão levando a criação dessa nova instituição são tanto a frustração com a falta de liderança dos EUA como o desejo de suplantá-lo. A Tensão com o sistema existente está em ascensão - mas ele ainda não foi quebrado.
 
A queixa mais imediata contra o FMI é o fracasso do Congresso dos EUA em ratificar as reformas para o poder de voto Fundo. Essas mudanças teriam dado aos grandes mercados emergentes maior poder no fundo, de acordo com o seu peso na economia global. A administração Obama confessa a sua vontade de levar a economia mundial, mas tem pouca credibilidade quando não consegue reunir apoio interno, completa a publicação.

Suspeitos de Fraude de Cem Milhões de Dólares do Banco Nacional de Angola Entregam-se

Angola -O Tribunal Supremo de Angola emitiu em Junho mandados de captura contra elementos que são suspeitos de se constituírem numa organização criminosa que em 2009 terá feito transferências ilícitas da Conta Única do Tesouro Nacional para o exterior do país.
 
Estes elementos, funcionários bancários, polícias, advogados, médicos ou empresários, aguardavam o desfecho do processo em liberdade, com termo de identidade e residência. Nos últimos dias entregaram-se voluntariamente às autoridades dez destes elementos.
 
Contudo, outros 17 permanecem em liberdade, por dificuldades das autoridades no cumprimento dos mandados de captura emitidos pela 3.ª secção da Câmara Criminal do Tribunal Supremo. Suspeita-se que os elementos deste grupo falsificaram ofícios, sinopses e protocolos do BNA, numa esquema que terá lesado os cofres públicos em 100 milhões de dólares, naquela que é uma das maiores fraudes naquela instituição. Citando a acusação, alguns órgãos referem que "numa ação bem organizada", este grupo utilizou o Departamento de Gestão de Reservas do banco central para executar várias operações de pagamento ao exterior, nomeadamente em transferências "irregularmente ordenadas" ao Banco Espírito Santo (BES) de Londres.
 
Com o despacho de pronúncia, aquele tribunal emitiu mandados de captura contra estes elementos - por os crimes imputados não permitirem liberdade condicional -, seguindo o processo a sua tramitação normal.

Pressão sobre a Rússia é ineficaz

Rússia-A pressão sobre a Rússia, que os EUA tentam exercer por meio de sanções, resulta ineficaz sem uma pressão sobre o seu sector energético. Ao mesmo tempo, a implementação destas sanções será difícil ou, inclusive, impossível, comenta o periódico The Foreign Policy.

 
Para que as medidas contra a Federação Russa tenham efeito ponderável, elas devem contar com a participação da União Europeia, escreve o periódico, mas os líderes dos países-membros da UE não conseguiram chegar a consenso a este respeito na sua cúpula, realizada em Bruxelas.
 
As sanções contra a exportação de recursos energéticos russos podem infligir um golpe sério contra toda a economia mundial, o que irá afectar inevitavelmente também os próprios EUA.

sexta-feira, 18 de julho de 2014

Putin Alerta para Efeito Boomerangue das Sanções Norte-Americanas


Putin-A Rússia diz que as novas sanções adoptadas pelos Estados Unidos para castigar a posição do Kremlin na crise ucraniana podem fazer retroceder as relações bilaterais para os tempos da Guerra Fria. A posição, expressa pelo primeiro-ministro Dmitri Medvedev, reforça a condenação feita pelo presidente russo.
 
Em visita ao Brasil, Vladimir Putin defendeu que as sanções “têm um efeito de bumerangue e vão, sem dúvida, empurrar as relações entre os Estados Unidos e a Rússia para um beco sem saída, provocando danos bastante severos. E também vão prejudicar, a longo prazo, os interesses estratégicos do governo(Administração) e do povo norte-americano”.
 
A administração Obama adoptou pela primeira vez medidas que visam directamente as principais empresas públicas russas que reforçam a base do poder de Putin, nomeadamente a petrolífera Rosneft.
 
O diretor-executivo da empresa, Igor Sechin, afirmou que “como a Rosneft é uma empresa geradora de recursos para a Rússia, essas sanções não a visam como companhia. Têm como objetivo prejudicar as políticas soberanas da Rússia e tentar agravar o bem-estar económico dos seus cidadãos”.
 
Em termos imediatos, as sanções privam de financiamentos em dólares, a médio ou longo prazo, não só a Rosneft como o gigante do gaz Novatek e o Gazprombank, terceiro banco do país. Estes três grupos são dirigidos por aliados do Kremlin. As medidas afectam ainda o banco público VEB e oito empresas do sector da Defesa.

quinta-feira, 17 de julho de 2014

Não Há Consenso no Seio da União Europeia

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União Europeia-Os líderes da União Europeia não chegaram a acordo sobre quem vai ocupar os cargos de chefe da diplomacia da UE e de presidente do Conselho Europeu.
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 consenso não está fácil de alcançar. O primeiro-ministro italiano, defendeu a candidatura da sua ministra dos Negócios Estrangeiros, Federica Mogherini, mas diversos países, do leste europeu, vetaram.
 
A decisão fica assim adiada:
“É necessário um acordo sobre o pacote global: o alto representante, a presidência do conselho e outros elementos. Por isso é necessário um acordo global. Se não houver, não há acordo nenhum. Estou certo que a 30 de Agosto tomaremos uma decisão”, afirmou Herman Van Rompuy.
 
A Primeira-ministra dinamarquesa, Helle Thorning-Schmidt, é a candidata melhor posicionada para assumir o cargo de presidente do Conselho Europeu, mas França mostra reservas porque o país não pertence à Zona Euro.
 
“O único acordo que foi confirmado é que o chefe da diplomacia europeia deverá ser um candidato do centro-esquerda. Os 28 têm seis semanas para refletir e não têm o direito de errar".

Estados Unidos e União Europeia Preparam Novas Sanções Contra a Rússia

Estados-Unidos-Os Estados Unidos vão reforçar as sanções contra os principais grupos russos, entre eles o banco da Gazprom, o Gazprombank e o banco estatal VEB. Sanções que vão afectar, principalmente, os sectores energético, da defesa e do petróleo.
 
Os americanos acrescentaram também à lista de pessoas atingidas pelas restrições o vice-presidente da Duma, o ministro para os assuntos da Crimeia, entre outros:
 
“Estamos a tomar estas ações em estreita cooperação com os nossos aliados europeus, que estiveram reunidos em Bruxelas para acordar os próximos passos, e aquilo que esperamos é que a liderança russa compreenda, de uma vez, que a sua atcuação na Ucrânia tem consequências, incluindo um enfraquecimento da economia russa e o crescente isolamento diplomático”, adiantou Barack Obama.
 
Para a Rússia a decisão é “totalmente inaceitável” e “ultrajante”. Moscovo promete responder com medidas “dolorosas”. Vladimir Putin, que está de visita ao Brasil, não deixou de comentar as novas sanções:
 
“No que diz respeito a estas medidas, como eu já disse, como sempre elas vão ter um efeito boomerang e, não há dúvidas que, nesta situação, elas mataram as relações entre a Rússia e os Estados Unidos”.
 
Também a União Europeia acordou novas sanções mas não foi tão longe. Reunidos em Bruxelas, os Chefes de Estado e de Governo dos 28 acordaram, entre outras coisas, acabar com o apoio financeiro das instituições europeias a projectos russos.

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Banco dos Brics Pode Ser Veículo para Ampliar Influência da China no Mundo

Brics -Analistas ouvidos pela BBC Brasil acreditam que a criação de um banco de desenvolvimento pelos Brics (grupo formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) e de um fundo de socorro para países com problemas de liquidez financeira podem ser um veículo para expansão da influência chinesa no mundo.

Essas duas iniciativas serão anunciadas durante a reunião de cúpula dos Brics que começou terça-feira passada em Fortaleza. O banco deve contar com um capital inicial de U$ 50 bilhões, US$ 10 bilhões vindos de cada país membro. Por outro lado, a China, detentora da maior reserva cambial do mundo, seria o principal financiador do fundo de socorro, contribuindo com U$ 41 bilhões do total de U$ 100 bilhões previstos.
 
"A influência vai ser muito forte. A China vai contribuir com mais dinheiro que os outros países. Ainda há a questão do yuan, que pode ser adotado como moeda oficial (das instituições)", afirma Michael Wong, professor de finanças da City University of Hong Kong.

Para Lok-sang Hon, membro do conselho executivo da Associação Econômica de Hong Kong e investigador da Lingnan University, a China "quer contribuir significativamente para esse projecto, cuja importância não é apenas econômica. Financeiramente está em uma posição melhor".
 

Anti-dólar

Na última semana, o vice-ministro chinês das Relações Exteriores, Li Baodong, afirmou que o "momento é propício" para a criação do novo banco, que será um "marco no atcual sistema monetário internacional, dominado pelos Estados Unidos e pela Europa".

Trata-se de uma referência ao facto de que o banco poderia ser uma alternativa ao Banco Mundial, uma organização tradicionalmente dirigida por um representante americano, enquanto que o Fundo Monetário Internacional (FMI) tradicionalmente é controlado por um representante europeu.

O presidente do Banco Mundial, o sul-coreano-americano Jim Yong Kim, também se mostrou favorável a iniciativa de criação do banco dos Brics, que não considera como uma "ameaça", mas como um aliado na "batalha contra a pobreza" e no "estímulo ao crescimento".

"O tamanho do investimento não é tão grande comparado com investimentos feitos na China. Mas esse é apenas o capital inicial. O banco vai atrair outros depósitos e crescer dez vezes ou vinte vezes, se tornando forte e constituindo uma saída para a China e para outras economias", prevê Wong. No futuro, outras nações como México, Turquia, Nigéria e Indonésia também poderão se tornar parceiras do projeto.

A China é o maior credor dos Estados Unidos e o governo chinês já demonstrou interesse em diversificar as aplicações de suas reservas, diluindo a concentração actual em títulos americanos, considerada por Pequim excessiva, o que torna o país mais vulnerável a oscilações na economia americana.

"Na perspectiva chinesa, esse será um importante passo para transformar o yuan em moeda institucional. A China tem forte interesse em diversificar riscos, investimentos estrangeiros e a moeda em que são realizados. Ela é o maior credor dos Estados Unidos, mas quando há tensão entre os dois países, isso afecta Pequim".

Para Wong, uma das maneiras de diversificar os investimentos seria contribuir com o FMI, o Banco de Desenvolvimento da Ásia (ADB) ou o Banco Mundial, mas essas organizações sofrem grande influência americana. Enquanto outro rival, o Japão, exerce grande pressão sobre o banco asiático.

Acordo rublo-yuan

O novo banco deverá apoiar projectos de infra-estrutura e desenvolvimento nos países membros e em outras economias emergentes. "Isso quer dizer que eles não precisam mais do apoio dos Estados Unidos e da Europa".

Diante do bloqueio das reformas do FMI, a nova organização aparece como uma resposta à demanda dos Brics, que somam um quinto do PIB global e 40% da população mundial, de representatividade dentro do cenário financeiro.

A nova instituição deve estar operacional até 2016. As transações vão ocorrer através da permuta de divisas entre os bancos centrais dos Brics. O mecanismo pode reagir rapidamente a saída de capitais e pretende facilitar o comércio, ignorando o dólar.

De acordo com Lok-sang Hon, os interesses comuns entre Rússia e China e o peso dessas duas economias vão impulsionar o projecto. Um acordo paralelo rublo-yuan vem sendo discutido nas últimas semanas pelo Banco Popular da China e o Kremlin.