terça-feira, 8 de outubro de 2013

Três Países Africanos Tornam-se Doadores do Fundo Africano de Desenvolvimento

Paris - O grupo de países doadores do Fundo Africano de Desenvolvimento (FAD) acaba de conquistar outros três integrantes provenientes da própria África. São eles: Angola, Egito e Líbia.
 
A África do Sul era o único país africano doador do FAD e um dos três guichés do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), responsável por emprestar dinheiro com taxas concessionais aos países africanos de baixo rendimento.
 
A adesão das três nações foi formalizada no final do mês de Setembro, durante a 13ª reconstituição do FAD, em Paris. Na ocasião, foram anunciadas contribuições na casa dos US$ 7,3 bilhões.
 
Entre os objetivos do FAD estão a integração econômica, o desenvolvimento do setor privado, condições de igualdade de gênero e ações que melhorem as condições econômicas do continente.

Guiné-Bissau: Eleito Líder do Partido da Convergência Democrática


Guiné-Bissau-O advogado e empresário Vicente Fernandes foi eleito domingo, presidente do Partido da Convergência Democrática (PCD) da Guiné-Bissau durante a terceira convenção nacional da organização.
 No encontro realizado na cidade de Gabú (leste do país), Vicente Fernandes prometeu desenvolver um programa de Governo que refunde o Estado guineense, que promova a justiça social, a juventude e os quadros profissionais.
 
O novo líder defendeu uma "terceira via" no cenário político, dominado pelo Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) e o Partido da Renovação Social (PRS).  Vicente Fernandes admitiu ainda juntar-se a uma "ampla coligação" de partidos que comunguem dos mesmos ideais que o PCD.
 
A convenção nacional que decorreu durante o fim-de-semana em Gabú reuniu cerca de 350 delegados do partido também conhecido por "baguera" (abelha, em crioulo), formado por jovens quadros guineenses depois da abertura do país ao multipartidarismo, nos anos 90.
 
O presidente eleito, empresário do setor da água mineral, era o único candidato à sucessão de Vítor Mandinha, antigo ministro das Finanças, líder do PCD desde a fundação, em 1991.  O Partido da Convergência Democrática nunca ganhou eleições na Guiné-Bissau, nas quais sempre participou.
 
Vítor Mandinga é o único deputado do PCD na Assembleia Nacional Popular, embora representando a coligação formada com a Frente Democrática (FD), liderada pelo seu irmão, Jorge Mandinga.

Partido no Poder na Guiné-Conacri Lidera Resultados Provisórios das Legislativas

Guiné-Conacri-O partido no poder na Guiné-Conacri segue à frente no escrutínio parcial provisório das eleições legislativas de 28 de Setembro, cuja anulação foi pedida pela oposição, segundo resultados divulgados no domingo à noite.

Os dados divulgados pela Comissão Nacional Eleitoral Independente apontam o Movimento do Povo Guineense, com 16 eleitos, à frente do escrutínio que teve por objetivo a eleição uninominal de 38 deputados, sendo os restantes 76 atribuídos proporcionalmente.
 
Uma semana após o escrutínio, a comissão eleitoral e os peritos internacionais que apoiam o processo eleitoral na Guiné-Conacri continuam a recusar fazer qualquer projeção sobre o resultado final das legislativas, as primeiras em mais de 10 anos.
 
Contudo, o partido no poder reivindica a vitória desde sexta-feira, assegurando ter a maioria garantida no futuro parlamento. Dos 31 lugares já atribuídos, o principal partido da oposição, a União das Forças Democráticas da Guiné conquistou 12, a União das Forças Republicanas dois e a União para o Progresso da Guiné um, segundo a informação disponível no site da comissão eleitoral.
 
Estes três partidos reclamaram já a anulação do escrutínio invocando fraudes maciças e ameaçando apelar a manifestações caso a sua pretensão seja rejeitada, o que aumenta os receios de uma explosão de violência no país.
 
Desde o início do ano, meia centena de pessoas morreu em incidentes relacionados com o processo eleitoral.
 
A lentidão na publicação dos resultados das eleições fez aumentar a tensão entre os partidos, tanto mais que as circunscrições cujos resultados ainda não foram divulgados podem ser cruciais para o equilíbrio político na futura assembleia.
 
O objetivo destas eleições é sair da transição iniciada em Dezembro de 2008, após a morte de Lansana Conté, Presidente do país durante quase 24 anos.
 
Após dois anos de transição caótica, sob domínio militar, o opositor histórico Alpha Condé tornou-se, em finais de 2010, o primeiro Presidente eleito democraticamente neste país de 11 milhões de habitantes, com uma história marcada pela violência política, militar e étnica desde a independência de França em 1958.
 
Condé, chefe do Movimento do Povo Guineense, bateu na segunda volta das eleições Cellou Dalein Diallo, chefe da União das Forças Democráticas da Guiné, que se tornou o seu principal opositor.
 
As legislativas deveriam ter lugar nos seis meses a seguir à investidura do novo Chefe de Estado, em Dezembro de 2010, mas foram sucessivamente adiadas, com acusações de manipulação dos ficheiros eleitorais e com a comissão eleitoral a ser contestada.
 
Primeiro exportador mundial de bauxite, a Guiné-Conacri possui jazidas de ferro, ouro, diamante e petróleo, mas apesar dos recursos naturais a grande maioria dos seus habitantes vive abaixo do limiar da pobreza, segundo as Nações Unidas.
 

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Treze Militares e Guardas Nacionais Suspeitos da Morte de Chinês na Guiné-Bissau - PGR

 
Os 13 detidos estão em Gabú, no leste do país, em cujo tribunal regional vão hoje ser ouvidos por dois magistrados, referiu.
 
"O processo está sob a alçada do Ministério Público, que vai requerer ao juiz a prisão preventiva dos suspeitos para que se possam aprofundar as investigações sobre o que se passou", acrescentou Abdu Mané.
 
Questionado sobre o facto de indícios de um homicídio recaírem sobre elementos das forças de segurança, o Procurador-Geral da República referiu apenas que "infelizmente" é essa a situação.
 
Um cidadão chinês foi baleado e faleceu a 25 de Setembro no Hospitalar Militar de Bissau, depois de alegadamente ter sido abordado por um grupo de desconhecidos no leste do país. A vítima foi transportada pela esposa para o hospital e acabaria por falecer.
 
De acordo com o relato da esposa, citada na altura pelo diretor clínico da unidade de saúde, o homem fazia parte de um grupo de madeireiros que actua em Masanco.

Política de Imigração Restritiva da UE Agrava Situação de Refugiados Africanos

África-Guerras e pobreza levam população a deixar área do Chifre da África, de onde saíram as vítimas do naufrágio em Lampedusa. E quando a Europa fecha a porta, abre uma janela para traficantes de pessoas, alerta activista.
 
A tragédia dos migrantes africanos na costa da Itália, nas proximidades da ilha de Lampedusa, pode ter custado até 300 vidas. Isso constitui um ápice na crise dos refugiados na região do Mediterrâneo e provoca consternação e apreensão.
 
Entretanto, a crise em si não é novidade. Grande parte das vítimas do naufrágio vem da Eritreia e da Somália, na região do Chifre da África, e já há anos os habitantes da região empreendem essa perigosa viagem até a Europa.
 
O padre eritreu Abba Musse dirige a organização para refugiados Agency Abesha, em Roma. Muitos chamam a ditadura na Eritreia de "a Coreia do chifre da África", menciona, para dar uma ideia do desespero de seus compatriotas.

África em tormento

O regime do presidente Isayas Afewerki não concede qualquer tipo de liberdade a seu povo, nem de imprensa, nem de religião, nem de reunião. ONGs humanitárias como a Anistia Internacional acusam Afewerki de prender arbitrariamente seus opositores políticos, além de outras violações sistemáticas dos direitos humanos.

Militantes da Al Shabaab treinam na capital de Somália, Mogadíscio

Enquanto na Eritreia são as ações de um ditador brutal a obrigar os cidadãos a fugir, arriscando a própria vida, na Somália, a ameaça é a insegurança generalizada. Após longos anos de guerra civil, desde 2012 o país tem novamente um presidente eleito. No entanto, a milícia fundamentalista islâmica Al Shabaab continua espalhando o terror por grandes áreas do país.

"A consequência da longa guerra são também problemas sociais e econômicos", explica Musse. "Muitos não têm trabalho nem meios de subsistência." A isso, acrescente-se a mudança climática global, que agravou o clima seco da região.

Desespero explorado

Antes de iniciar a viagem pelo mar, grande parte dos refugiados vai parar na Líbia. Falando a Musse, alguns deles revelaram que também naquele país foram perseguidos e discriminados, devido à cor escura da pele ou, em parte, devido à fé cristã. Por isso, os migrantes não podem nem querem permanecer em solo líbio.
 
"Ao chegar ao Mediterrâneo, a maioria deles perdeu todos os bens", relata Michael Hippler, da organização católica Misereor.
 
Portanto, precisam ganhar dinheiro para pagar os traficantes que os levarão à Europa. "Como a população local conhece os apuros dos refugiados, muitos deles são, ainda por cima, explorados."

Presidente da Eritreia, Isayas Afewerki, reprime a população
 
Com frequência se ouve o apelo à Europa para que não deixe as ondas de refugiados sequer se formarem, ajudando antes os cidadãos em seus próprios países. "Uma ideia bem-intencionada, porém quase impossível de aplicar no caso da Eritreia e da Somália", pondera Hippler.
 
O novo governo somali em Mogadíscio não é forte o suficiente para defender sua soberania sem ajuda internacional. No entanto, as tropas internacionais na África esbarram por vezes na rejeição da população. E, seja como for, a história tem provado que intervenções militares trazem poucas melhoras. Na Eritreia, tam pouco há muitos meios para influenciar as condições políticas a partir do exterior.
 
É complicada a cooperação para o desenvolvimento com a repressiva Eritreia e a instável Somália. Segundo o funcionário da Misereor, isso leva a Alemanha e outros países doadores a se engajarem mais intensamente em regiões onde encontram melhores condições e parceiros mais confiáveis, como Etiópia ou Quênia.

"Europa faz o jogo dos traficantes"

"Quando a ajuda in loco fracassa, as potências ocidentais deveriam encontrar formas alternativas de apoio", sugere Hippler. "A Alemanha e a Europa precisam de reestudar  as suas leis de imigração."

Refugiados são também explorados durante a passagem pela Líbia

A atcitude puramente defensiva contra os refugiados prejudica a recuperação na área do Chifre da África de uma outra forma, já que "as transferências bancárias dos emigrantes no Canadá, Estados Unidos e Europa são, actualmente, a maior fonte de receita para a Somália". Africanos que se integrem na Alemanha também poderiam apoiar seus parentes na terra natal.
 
A comissária europeia para Assuntos Internos, Cecilia Malmström, pronunciou-se na quinta-feira por um maior empenho em coibir a ação dos traficantes, que exploram a necessidade dos refugiados. "No entanto, a política restritiva de imigração da Europa faz justamente o jogo desses criminosos", critica o padre Abba Musse.
 
Em vez de tentar bloquear todas as suas fronteiras, os países-membros deveriam abrir as portas aos necessitados de asilo, permitindo-lhes imigrar de forma legal. "Quando a Europa cerra suas portas, os traficantes abrem uma janela para os refugiados", sintetiza o diretor da ONG Agency Abesha.

República Centro Africana: " Ainda temos Esperença de Viver Junto e em Paz"

Rebels in the Central African Republic. CC License-BY-2.0
República Centro Africana-À medida que o conflito entre os rebeldes de Sékéla e o exército nacional da República Centro Africana se torna mais alarmante, a tensão aumenta na cidade de Bossangoa. Moradores temem que o conflito possa acabar em um conflito aberta entre as comunidades cristã e muçulmana. Alguns ainda acreditam na paz, como o líder muçulmano da mesquita do centro da cidade:
 
C’est notre pays, nous sommes aussi natifs. Mais nos frères chrétiens nous prennent toujours pour des étrangers. Ils nous assimilent à leur malheur et nous ne comprenons pas. Nous demandons aussi la paix..
 
"Este é o nosso país, nascemos aqui. Porém, nossos irmãos cristãos ainda nos enxergam como estranhos. Acreditam que somos a causa de suas misérias e não conseguimos entender porquê. Nós também queremos a paz…"
 
A crise humanitária no país piora a cada dia. Hippolyte Donossio relata que 150 pessoas foram mortas e milhares de casas foram queimadas por rebeldes durante o fim de semana (nos dias 21 e 22 de Setembro).

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Naufrágio de Barco de Imigrantes é uma Vergonha, Afirma o Papa

Vaticano-O papa Francisco chamou de "vergonha" o naufrágio da quinta-feira passada que matou pelo menos 92 imigrantes procedentes da África e pediu a todos os fiéis que rezem por eles e por todos os refugiados do mundo.
 
"Tenho que mencionar as numerosas vítimas deste enésimo naufrágio. A palavra que me vem à mente é vergonha. É uma vergonha", disse em um discurso no Vaticano, interrompido pelos aplausos dos membros do Conselho Pontifício para a Justiça e a Paz.
 
"Roguemos a Deus por aqueles que perderam a vida, homens, mulheres, crianças. Oremos pelas famílias e por todos os refugiados", disse.
 
"Apenas a colaboração determinada pode evitar tragédias como esta", completou o chefe da Igreja Católica.
 
Poucas horas depois da tragédia, o papa escreveu para pedir as orações de todos os católicos do mundo.