sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Economias Africanas Registam Crescimento Sólido


Continuado interesse dos investidores em África e o fluxo de investimento directo estrangeiro é indicador dos avanços no continente



África-As economias africanas registam um crescimento sólido, não obstante a desaceleração mundial, afirma o Banco Mundial (BM) no seu relatório, divulgado no início deste mês.

Os dados do BM apontam para a necessidade de os países utilizarem a riqueza proveniente do petróleo, gás e minérios de forma sensata. A par disso, prevê um crescimento da África subsariana, em 2012, de 4,8 por cento, mantendo-se, em termos gerais, inalterado em relação à taxa de crescimento de 4,9 por cento registada em 2011 e, em larga medida, a par dos objectivos, apesar da instabilidade na economia mundial.

Excluindo a África do Sul, a maior economia do continente, o relatório refere que a previsão de crescimento na África subsariana deve ascender aos seis por cento. As exportações africanas recuperaram de maneira notável no primeiro trimestre de 2012, registando um crescimento a um ritmo de 32 por cento, um aumento de referência, comparativamente aos 11 por cento registados no primeiro trimestre de 2011.

Os países africanos não têm sido imunes às recentes condições de volatilidade do mercado, resultante da crise da Europa, tal como ao abrandamento do crescimento de algumas das maiores economias em desenvolvimento, em particular a chinesa, país que continua a ser um mercado importante para os exportadores de recursos minerais africanos.
 
Os preços, sistematicamente elevados, das matérias-primas e o forte crescimento das exportações nos países que fizeram descobertas minerais nos últimos anos, fomentaram a actividade económica e prevê-se que suportem o crescimento económico em África até ao fim de 2012.   

O vice-presidente do Banco Mundial para a África, Makhtar Diop, afirmou que um terço dos países africanos vai ter um crescimento igual ou superior a seis por cento, sendo que alguns registam um crescimento mais rápido e outros estimulados por novas exportações de recursos minerais, como o minério de ferro na Serra Leoa e urânio e petróleo no Níger, e por outros factores, como a consolidação da paz na Costa do Marfim, tal como por países com um forte crescimento, como a Etiópia.
 
“O forte e continuado interesse dos investidores em África é um indicador importante dos avanços neste continente, com 31 mil milhões de dólares em fluxos de investimento directo estrangeiro previstos para o ano corrente, não obstante as difíceis condições mundiais ”, sublinhou Makhatar Diop. 

Com a economia mundial ainda numa situação de fragilidade, o “Africa’s Pulse” adverte que as elevadas taxas de crescimento em África podem ainda ser vulneráveis à deterioração das condições do mercado na Zona Euro, além de as recentes subidas nos preços de alimentos e grãos serem motivo de preocupação.

O Verão inaudito, quente e seco nos Estados Unidos, Rússia e Europa de Leste teve como consequência produções reduzidas de milho e trigo em todo o mundo. A região africana do Sahel está já a sofrer com os preços mais elevados dos alimentos, com elevadas taxas de subnutrição e com a recorrência da crise e insegurança.

 
De igual modo, os enxames de gafanhotos do deserto e o actual conflito no Sahel também contribuem para a insegurança alimentar na região. Países como o Mali e o Níger estão já a sofrer as consequências das infestações de gafanhotos, sendo possível que o enxame se desloque para os países vizinhos como a Mauritânia e o Chade. Isto reduz a capacidade das famílias de encontrar alimentos suficientes numa região que já é assolada pelos efeitos de secas e conflitos.

Recursos minerais aumentam


O último número do “Africa’s Pulse”, citado pelo Banco Mundial, diz que as novas descobertas de petróleo e gás e de outros recursos minerais em países africanos, vão gerar uma vaga de riqueza significativa em recursos minerais na região e a relevância económica de recursos naturais deve continuar a médio prazo em diversos produtores estabelecidos de petróleo e minerais, graças ao stock substancial de riqueza de recursos naturais e às perspectivas da continuação da alta do preço das matérias-primas.
 
Os produtores de petróleo estabelecidos na região representam menos de dez por cento das reservas mundiais e da produção anual. A Nigéria, o maior produtor regional, pode continuar a fornecer a níveis equivalentes aos de 2011 por mais 41 anos, enquanto a Angola, o segundo maior produtor na região, lhe resta cerca de 21 anos aos níveis actuais de produção, até esgotarem as suas reservas conhecidas.

Dado o volume destas reservas, é provável que a dependência de recursos petrolíferos nestes países deva prosseguir a curto e médio prazo. A produção em países com novos recursos minerais, como o Gana, Moçambique, Serra Leoa e Uganda, tem também capacidade para durar por um número significativo de anos.

A quota-parte das reservas de países africanos nas reservas mundiais e na produção anual de alguns recursos minerais é significativa. Em 2010, a Guiné, por si só, foi responsável por mais de oito por cento da produção mundial total de bauxite, a Zâmbia e a República Democrática do Congo contam com uma parcela conjunta de 6,7 por cento da produção total mundial de cobre e o Gana e o Mali, em conjunto, constituem 5,8 por cento da produção total mundial de ouro.  

O economista do BM para África Shantayanan Devarajan considera que os países africanos ricos em recursos têm de tomar uma decisão consciente de investir melhor na saúde, educação, na criação de empregos e na redução da pobreza, já que isso não acontece automaticamente quando os países enriquecem. “O Gabão com um rendimento médio per capita de 10 mil dólares tem uma das taxas mais baixas de imunização infantil”, exemplificou.

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Banco Mundial Prevê Aumento da Exploração Petrolífera em África

Nova York - O Banco Mundial prevê que num futuro previsível a produção petrolífera em África atinja a média anual de 6% da produção mundial. A instituição fez o anúncio de um novo fundo para ajudar os países africanos a beneficiarem da negociação dos seus contratos de recursos naturais com empresas internacionais.
 
O órgão justifica a iniciativa com o fato de terem sido feitas "novas descobertas de petróleo, de gás e de outros minerais", que devem geram uma onda de riqueza significativa nos países.
 
O continente detém 15% das reservas mundiais de petróleo, 40% de ouro e cerca de 80% de metais de platina. Pelo facto, recursos naturais são tidos como "oportunidade importante de desenvolvimento para o continente."
 
Apesar do Banco Mundial reconhecer a "capacidade de transformação dos recursos naturais", indica a necessidade de os países negociarem com vista a obter as melhores ofertas possíveis.Segundo defende, a intenção do fundo é ajudar a "converter a riqueza de recursos naturais em crescimento inclusivo e sustentável.

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Crescimento Econômico da Namíbia Não Beneficia os Pobres, diz Relatora da ONU

Windhoek - A relatora das Nações Unidas sobre Pobreza Extrema e Direitos Humanos afirmou que a Namíbia continua sendo marcada por desigualdades 20 anos após a independência.
 
Margarida Sepúlveda fez a declaração durante o encerramento de sua primeira visita ao país, segunda-feira (8 de Outubro). Segundo ela, a pobreza namibiana tem uma "cara feminina".
 
De acordo com a relatora, as mulheres continuam sem acesso à terra, economicamente marginalizadas e mais afetadas pelo desemprego e pelo HIV/Aids, que os homens. As namibianas também são vítimas da violência de gênero e de altos índices de mortalidade materna.
 
Sepúlveda contou que os níveis de desigualdade de gênero, raça e classes entre outros são inaceitáveis. Em comunicado, ela afirmou que embora compreenda o que chamou de "legado prejudicial da colonização", o progresso ainda não está ocorrendo da forma necessária.
 
A relatora lembrou que o país, do sudoeste da África, é rico em recursos naturais e tem um Produto Interno Bruto, que o coloca na lista de nações de renda média.
 
Mas de acordo com Sepúlveda, o crescimento econômico não está beneficiando os pobres, e a Namíbia figura entre um dos países mais desiguais do mundo.
 
Para resolver os desafios que tem, Margarida Sepúlveda recomenda à Namíbia investir em capacitação institucional e promover o processo de descentralização do país.
 
A relatora viajou a várias cidades e regiões do país africano, onde se reuniu com representantes do governo e da sociedade civil.
 
O relatório da visita à Namíbia deve ser entregue ao Conselho de Direitos Humanos da ONU em Junho de 2013.

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Hugo Chávez Vence Eleições

Chávez foi reeleito para novo mandato
 
Venezuela-Hugo Chávez venceu as eleições de domingo e vai governar a Venezuela por mais seis anos. “Comprometo-me convosco a ser melhor Presidente do que tenho sido nestes anos”, afirmou Chávez, emocionado, para milhares de simpatizantes reunidos no Palácio de Miraflores.

Chávez, 58 anos e no poder desde 1999, foi reeleito com 54,66 por cento dos votos, o que representa 7,7 milhões de eleitores, contra 44,73 por cento (6,3 milhões de eleitores) para o ex-governador Henrique Capriles Radonski, informou o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) após a contagem de 94 por cento das urnas.
 
A participação foi de 80,94 por cento do eleitorado.Graças às suas reformas políticas, Hugo Chávez foi reeleito em 2000 e 2006, quando derrotou Manuel Rosales com 62 por cento dos votos contra 37 por cento, após um golpe contra ele (2002) e uma greve do petróleo (2003).

Ao reeleger Chávez, a Venezuela escolheu o caminho da continuidade, de que desponta a consolidação de programas sociais para as classes populares financiados com o dinheiro do petróleo.

“Quero incluir todos e todas, associando os sectores da oposição”, completou o governante, que defendeu a “unidade nacional”, num discurso ao lado da família. As secções eleitorais fecharam as portas às 18h00 locais, ao final de uma votação sem maiores incidentes, mas a eleição prosseguiu por algumas horas onde havia filas. Os venezuelanos votaram com um sistema 100 por cento informatizado de urnas electrónicas.
 
Chávez votou no bairro 23 de Janeiro, conhecido bastião da esquerda em Caracas, acompanhado por personalidades da esquerda e prometeu “reconhecer os resultados” da eleição, na qual conquistou o seu quarto mandato consecutivo. O presidente estava acompanhado de personalidades da esquerda, como a ex-senadora colombiana Piedad Córdoba, a prémio Nobel da Paz e dirigente indígena Rigoberta Menchú, o nicaraguense Miguel D’Escoto, ex-presidente da Assembleia-Geral das Nações Unidas, a senadora uruguaia Lucía Topolansky e o actor norte-americano Danny Glover.
 
Capriles votou durante a tarde em Las Mercedes, na região de Caracas, afirmando que “a vontade do povo seria respeitada”. O general Wilmer Barrientos, encarregado dos 139 mil militares mobilizados no país, não relatou qualquer anormalidade. Chávez, a quem foi diagnosticado um cancro em 2011, do qual afirma ter sido curado, pediu a Deus “vida e saúde para continuar a servir ao povo venezuelano”.

Governo Filipino e Rebeldes Islâmicos Firmam Acordo de Paz Histórico

Presidente Benigno Aquino diz que acordo é sobre "ultrapassar preconceitos"
Presidente Benigno Aquino diz que acordo é sobre "ultrapassar preconceitos"
                                                           

Filipina-O Governo filipino alcançou um acordo com o principal grupo islâmico rebelde que põe fim ao conflito de quatro décadas em que morreram mais de 120 mil pessoas e abre a porta a uma recuperação política e económica no Sul do país.

Este acordo dá azo à criação de uma nova região autónoma nas Filipinas antes de 2016, ano em que termina o mandato do Presidente Benigno Aquino, dando àquela área de população maioritariamente muçulmana – num país de população maioritariamente católica – maiores poderes políticos e mais vasto controlo dos recursos naturais locais.

O grupo rebelde Frente Moro de Libertação Islâmica bertação já revelou estar “satisfeito” com os termos deste mapa para a pacificação, que será formalmente assinado com o Governo no próximo dia 15 em Manila. As negociações decorreram na Malásia.

“Este acordo de enquadramento geral é sobre ultrapassarmos os nossos preconceitos. É sobre pôr de lado a desconfiança e a miopia que têm gorado os esforços [de paz] feitos no passado”, frisou Aquino, num discurso transmitido pelas televisões.

A nova região, no Sul do país, e cujo tamanho exacto ainda será determinado por referendo antes das eleições presidenciais de 2016, chamar-se-á Bangsamoro, a palavra pela qual são designados os nativos daquela zona das Filipinas. É uma escolha que “honra a luta dos nossos antepassados de Mindanao”, disse o Presidente, referindo-se à resistência feita pelos habitantes mouros daquela ilha filipina durante a ocupação espanhola.

O clima político persistentemente volátil na região pode porém trazer obstáculos à eficácia deste acordo, dado os elevados riscos de facções radicais islâmicas na região se separarem da Frente Moro de Libertação Islâmica e manterem a luta pela criação de um estado islâmico independente. A zona tem também grupos com ligações históricas à Al-Qaeda.

Novo Primeiro-ministro, Milionário Bidina Ivanichvili, Anuncia Composição do Governo


Geórgia-O milionário georgiano Bidina Ivanichvili, novo primeiro-ministro da ex-república soviética do Cáucaso e líder da coligação vencedora das legislativas de 1 de Outubro, anunciou  a composição do governo.

Ivanichvili nomeou Maia Pandjikidze, antiga embaixadora da Geórgia na Holanda, para a pasta dos Negócios Estrangeiros.Irakli Garibachvili, um aliado próximo de Ivanichvili, vai ser ministro do Interior e o antigo embaixador georgiano na ONU, Irakli Alassania, será vice-primeiro-ministro e ministro da Defesa.

A estrela do futebol georgiano Kakha Kaladze, que se lançou na política depois de se ter reformado, também vai ser vice-primeiro-ministro e ministro das Infraestruturas e do Desenvolvimento Regional.

“Isto será verdadeiramente um governo do povo”, declarou o novo primeiro-ministro na conferência de imprensa em que se anunciou a composição do governo.Segundo os últimos resultados parciais, a coligação Sonho Georgiano de Ivanichvili venceu as eleições legislativas na Geórgia e poderia dispor de 83 lugares no parlamento, contra 67 do partido no poder Movimento Nacional Unificado, do Presidente Mikheil Saakachvili.

A candidatura de Ivanichvili deverá agora ser submetida à aprovação do parlamento pelo Presidente Saakachvili, que se manterá no poder na Geórgia até ao fim do segundo mandato em 2013.

A nova ministra dos Negócios Estrangeiros anunciou que vai tentar normalizar as relações com a Rússia, que se deterioraram em 2008 depois da guerra da Ossétia do Sul.

“A novidade que há para esperar de nós é a melhoria das relações com a Rússia. É necessário para que recuperemos os territórios (das separatistas repúblicas georgianas da Abecásia e da Ossétia do Sul)”, afirmou Pandzhikidze, citada pelas agências locais.

Pandjikidze sublinhou que não mudará o rumo da integração da Geórgia na NATO e na União Europeia bem como a estreita cooperação com os Estados Unidos.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Eleições Presidenciais na Venezuela 2012

Venezuela-Os venezuelanos foram às urnas domingo, 7 de Outubro, na terceira eleição presidencial desde que Hugo Chávez chegou ao poder, em 1999. Pela primeira vez, nos 13 anos da chamada "revolução bolivariana", a oposição chega ao dia da eleição com reais chances de vitória. O ex-governador do Estado de Miranda, Henrique Capriles, teve seu crescimento registrado pela maioria dos institutos de pesquisa e luta pelo voto dos indecisos para superar Chávez.

Capriles, que venceu em Fevereiro as eleições primárias da Mesa de Unidade Democrática (MUD), apostou em uma campanha propositiva, que percorreu mais de 260 cidades da Venezuela.Chávez, em luta contra um câncer pélvico, teve sua capacidade de campanha limitada pela doença. Para driblar esse obstáculo, o líder bolivariano apostou em uma grande campanha midiática e aparições em comícios estratégicos.

Na reta final da campanha, marcada por boatos e denúncias apócrifas, Chávez liderou uma marcha desde Sabaneta de Barinas, sua cidade natal, até Caracas, onde milhares de partidários se reuniram no centro da cidade.