segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Estudantes Guineenses Partiram da Rússia para Bissau


Moscovo - Os 22 estudantes finalistas guineenses que se viram obrigados a ocupar a embaixada do seu país na capital russa para exigirem do Governo de Bissau o bilhete de regresso deixaram sábado a capital russa.

"Nem quero acreditar. Acabámos de resolver todos os problemas burocráticos na sexta-feira ao fim da tarde e viemos para o aeroporto de madrugada, para prevenir qualquer imprevisto", declarou à Lusa Carfa Mané, porta-voz dos finalistas.
 
"Eu e os meus colegas estamos muito emocionados, pois receávamos que este problema se prolongasse por mais tempo", acrescentou.
 
Os finalistas guineenses ocuparam o apartamento da Embaixada da Guiné-Bissau em Moscovo no dia 17 de Agosto e só o abandonaram na madrugada  rumo ao Aeroporto Sheremietevo.
 
"Queremos agradecer a todas as pessoas que nos ajudaram neste momento difícil para nós, os russos e portugueses que nos deram alimentos, dinheiro, para nos aguentarmos durante mais de um mês na embaixada", disse Carfa Mané.
 
"E esperemos que estas aventuras deixem de acontecer. Este ano, conseguimos receber o bilhete de regresso mais depressa do que no ano anterior. Esperemos que os outros estudantes tenham mais sorte do que nós", concluiu.
 
O Governo da Guiné-Bissau continua a enviar anualmente dezenas de jovens para estudarem em várias cidades russas, onde acabam abandonados à sua sorte.
 
A bolsa de estudo paga mensalmente pelas autoridades russas, cerca de 25 euros, torna muito difícil a vida dos estudantes, que não recebem praticamente apoio nenhum da parte de Bissau.

Cortes na Ajuda ao Desenvolvimento Ameaçam Metas do Milênio, Alerta ONU

ONU-Relatório das Nações Unidas aponta que, em todo o mundo, contribuição para o desenvolvimento caiu 3% no ano passado – reflexo da crise econômica. Exportações europeias estariam prejudicando agricultura de países pobres.

Algumas das Metas de Desenvolvimento do Milênio com vista a cortar pela metade a pobreza no mundo serão alcançadas já em 2015, segundo constatou relatório das Nações Unidas divulgado no contexto da 67ª Assembleia Geral da ONU, que se iniciará na próxima terça-feira (25/09) em Nova York.

O documento aponta que houve avanços, por exemplo, na igualdade de direitos entre os gêneros e no acesso à educação básica.Mas devido à crise econômica e financeira, muitos países reduziram no ano passado sua contribuição ao desenvolvimento, entre eles Grécia, Espanha, Áustria e Bélgica. Os fluxos globais de ajuda diminuíram 3% em 2011, o que significa 167 biliões de dolares a menos do que o prometido foram pagos pelos países doadores.
 
Ao comentar o relatório, o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, apelou à comunidade internacional para que não deixasse enfraquecer a luta contra a pobreza. Pela primeira vez em muitos anos, a ajuda ao desenvolvimento diminuiu, isso poderia pôr em risco diversos avanços, disse Ban Ki-moon.
 
 poderia pagar maisAlemanha
 
Acesso a cuidados médicos para mães e gestantes melhorou.O Ministério alemão da Cooperação Econômica (BMZ, na sigla em alemão) comentou que Berlim reage contra essa tendência. "O orçamento do BMZ para 2013 chegou até mesmo a aumentar em 670 milhões, para 6,42 biliões de euros, o que torna a Alemanha o segundo maior país doador [depois dos EUA] na cooperação econômica bilateral em todo o mundo, e isso apesar de uma grave crise financeira e econômica", afirmou o ministério à Deutsche Welle.

Em termos relativos, a Alemanha está, no entanto, apenas na média europeia: 0,4% do Produto Interno Bruto (PIB) do país foram destinados em 2011 para a ajuda ao desenvolvimento. "Em comparação com sua força econômica, a Alemanha faz claramente muito pouco", criticou Stefan Kreischer, assessor de política do desenvolvimento da ONG Ação Agrária Alemã, em entrevista à DW.

Ele apontou para o crescimento econômico estável de 3% no ano passado, apesar da crise. "O governo sempre reitera que tem o objetivo de elevar a ajuda ao desenvolvimento para 0,7% do PIB até 2015, mas não vislumbramos como isso pode ser alcançado", acresceu.

Atualmente, somente a Suécia, Noruega, Luxemburgo e a Dinamarca atingiram a meta de 0,7%. Para Arne Molfenter, do centro de informação da ONU para a Europa, sem os grandes protagonistas mundiais Japão, EUA, e outros, não será possível alcançar por completo as Metas do Milênio.
 
Pouco progresso, grandes desafios

No entanto, o relatório da ONU também constatou que as metas globais de acesso à água potável e à educação básica para meninas foram alcançadas. No ano 2000, as Nações Unidas adotaram oito metas nas áreas de saúde, educação, abastecimento de água, direitos iguais para mulheres e desenvolvimento sustentável, a fim de reduzir pela metade a pobreza mundial até 2015.

Comércio justo e acesso de mercado são essencias para atingir Metas do Milênio, diz Molfenter.De acordo com o levantamento, houve claras melhoras no acesso a medicamentos e vacinas. Mas, ainda assim, medicamentos em países em desenvolvimento são cinco vezes mais caros em relação à renda da população do que a média internacional. Mas o dinheiro não é o único fator decisivo, disse Stephan Kreischer da Ação Agrária Alemã. "A luta contra a fome, ou seja, a Meta do Milênio que é particularmente importante para a Ação Agrária Alemã, também não seria alcançada, mesmo sem os cortes, até 2015".

Isso se deve a uma política não coordenada, explicou Kreischer. Como exemplo, ele mencionou as subvenções agrícolas da União Europeia (UE): "Produzem-se grandes excedentes que, se forem exportados, prejudicam a agricultura nos países mais pobres. Eles são mais baratos do que os produtos locais, como na África. Isso destrói os meios de vida dos agricultores".
 
Políticas coordenadas

O Ministério alemão da Cooperação Econômica explicou à DW que o governo em Berlim se engaja "em abolir, em nível europeu, as subvenções agrícolas, porque elas são prejudiciais ao desenvolvimento da agricultura em nossos países parceiros." Tal exigência faz parte de um programa de dez pontos do BMZ destinado ao desenvolvimento rural e à segurança alimentar.

Mas enquanto a produção agrícola na UE continuar a ser subsidiada, nada irá mudar em relação às exportações baratas, como, por exemplo, partes congeladas de frango para a África, explicou Kreischer. "É preciso exigir do governo alemão e das nações industrializadas que reavaliem suas políticas de forma a não prejudicarem os projetos de ajuda ao desenvolvimento e a implantação dos direitos humanos e das Metas de Desenvolvimento do Milênio", afirmou.

Segundo Arne Molfenter, "também é importante um sistema de comércio justo. Os países em desenvolvimento precisam de um acesso justo de mercado. E outros cortes da dívida são necessários". Para o funcionário da ONU, esses três pontos podem vir a garantir que as Metas do Milênio ainda possam vir a ser alcançadas.
 

África Fornece a Mão-de-obra Barata que Desenvolve os Países Ocidentais

As economias dos países desenvolvidos estão confrontadas com o envelhecimento das suas populações e vão cada vez mais contratar quadros africanos para continuar a desenvolver-se, declarou o director-geral da Câmara de Comércio e Indústria da África do Sul.

África do Sul-As economias dos países desenvolvidos estão confrontadas com o envelhecimento das suas populações e vão cada vez mais contratar quadros africanos para continuar a desenvolver-se, declarou o director-geral da Câmara de Comércio e Indústria da África do Sul, Neren Rau, no 37º Congresso Internacional das Pequenas Empresas em Joanesburgo.

“A África está bem posicionada e pode potencialmente fornecer mão-de-obra ao resto do Mundo. Enquanto as economias do Mundo desenvolvido estão confrontadas com um envelhecimento das suas populações, daqui a meados do século elas visarão cada vez mais a África para as competências de que necessitam para continuar a desenvolver-se”, disse Neren Rau.

“Mas, se a África deseja estar à altura do desafio e fornecer com êxito mão-de-obra ao Mundo, devemos fazer a nossa introspecção crítica para saber se formamos actualmente uma mão-de-obra apropriada e que convém ao resto do Mundo, que estará à altura da tarefa”, acrescentou.

Segundo ele, os países africanos devem igualmente examinar se os suas leis do trabalho local criam uma mão-de-obra adaptável ou se elas são muito paternalistas e tornam difícil a adaptação e a flexibilidade da força de trabalho do continente em outros ambientes.

“Devemos reexaminar os nossos sistemas educativos e as competências que eles criam, para saber se eles são suficientemente competitivos para responder às normas internacionais”, disse Neren Rau

O responsável empresarial sul-africano acrescentou que “A ética profissional e os níveis de produtividade da mão-de-obra do continente estão igualmente entre as coisas que devemos explorar, para que estes países desenvolvidos percebam o valor do seu investimento quando a nossa mão-de-obra viaja para estes países, para as várias oportunidades que estarão disponíveis nas suas economias”.

“É uma oportunidade fantástica que nos espera. Se formos capazes de fornecer mão-de-obra ao resto do Mundo, isto vai ajudar-nos a ultrapassar vários dos nossos problemas domésticos, particularmente no domínio do emprego”, sublinhou Neren Rau.

O director-geral da Câmara de Comércio e Indústria da África do Sul exortou igualmente o sector privado do continente a associar-se aos governos nacionais para lançar programas de recuperação e desenvolvimento das infra-estruturas. “Segundo o Banco Mundial, a África deve gastar 93 biliões de dólares americanos anualmente nas infra-estruturas na próxima década. Mas a única maneira de alcançar este nível de investimento e este nível de desenvolvimento das infra-estruturas é estabelecer parcerias público-privadas”, disse.

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Carlos Gomes Júnior Recandidata-se a Presidente do PAIGC


Bissau - O presidente do maior partido da Guiné-Bissau, o Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), Carlos Gomes Júnior, recandidata-se ao cargo no congresso marcado para Janeiro de 2013, disse quarta-feira à Lusa fonte oficial.

Carlos Gomes Júnior, Primeiro-ministro da Guiné-Bissau até 12 de Abril, quando foi afastado por um golpe de Estado, está actualmente em Portugal, de onde enviou uma carta ao PAIGC a anunciar a candidatura, indicou a mesma fonte.

 "Apresento-me como candidato" ao 8.º congresso do PAIGC, agendado para Janeiro em Cacheu, disse Carlos Gomes Júnior na carta, onde se diz também disponível para fazer um debate público com os outros candidatos à liderança do partido.

Domingos Simões Pereira, até agora secretário executivo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) também já se mostrou disponível para concorrer à liderança e na imprensa de Bissau têm surgido outros nomes como possíveis candidatos.

Carlos Gomes Júnior diz que se candidata movido por "patriotismo cívico" e promete reformas e maior crescimento económico. E pede unidade e coerência no partido, que ainda que grande não está isento de problemas, como a indisciplina partidária e a falta de coerência, o que leva à desestabilização.

 "Enquanto presidente do partido não permitirei que o nosso glorioso e histórico Partido e os esforços e sacrifícios do povo guineense sejam conspurcados pela atitude irresponsável, anti-democrática, anti-patriótica de uns poucos aliados a interesses imediatos e alheios ao bem comum guineense", diz Carlos Gomes Júnior na carta.
 
Quarta-feira, no dia em que o PAIGC comemora 56 anos, Saturnino da Costa, vice-presidente do partido, defendeu que aqueles que violam os estatutos do PAIGC devem de ser castigados.

"Somos todos iguais perante os estatutos, e quem errou deve de ser castigado", disse na sessão que assinalou a efeméride, acrescentando que em consciência não pode aceitar que perante os erros uns sejam castigados e outros sejam "grandes senhores".

Na sequência das candidaturas às eleições presidenciais de Março passado (que não se concluíram devido ao golpe de Estado) a direcção do PAIGC instaurou processos disciplinares a alguns militantes, entre os quais Serifo Nhamadjo, actual Presidente de transição da Guiné-Bissau.

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Durão Barroso: "É Fundamental Que a Grécia se Mantenha no Euro"












Bruxelas-"Acho que é fundamental para a Grécia e para a Zona Euro que a Grécia se mantenha no euro, para que este novo programa e as novas medidas sejam adoptadas o mais rapidamente possível", disse José Manuel Durão Barroso durante uma entrevista organizada pela Euronews, em que foi questionado por cidadãos europeus sobre o estado da União Europeia (UE).

O presidente da
Comissão Europeia, que respondia a uma questão colocada por um jovem grego, afirmou que a UE está a dar "uma oportunidade à Grécia de evitar uma situação de incumprimento".

Durão Barroso reconheceu que os gregos fizeram "muitos esforços" no âmbito da aplicação do programa de ajustamento financeiro, mas sublinhou a necessidade de a Grécia reforçar a sua competitividade.

O presidente do executivo comunitário afirmou ainda que a Grécia não chegou à situação de crise em que actualmente se encontra "por causa da UE, mas sim por causa de níveis de dívida insustentáveis e de défices acumulados ao longo dos anos".

Em resposta a uma questão colocada por escrito a partir do Funchal, Madeira, Durão Barroso, afirmou ainda que a actual crise não foi criada pelo euro ou pela UE, argumentando que "há países que não estão no euro e que também estão a atravessar uma crise grave no sector financeiro".

"É verdade que temos desafios específicos para o euro, porque não estávamos preparados com todos os instrumentos para poder enfrentar a situação, agora não é verdade que foi o euro que criou a crise", acrescentou.

Durão Barroso Defende União Bancária nos 27

Bruxelas-O presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, defendeu a criação de uma união bancária na União Europeia (UE), considerando ser necessário dar «um passo muito grande» para uma maior integração do bloco europeu.
 
«Penso que agora temos condições para ir mais além, as quais, francamente, não tínhamos no passado», afirmou Durão Barroso, em entrevista ao Financial Times (FT), divulgada à noite no 'site' do jornal.
 
Durão Barroso disse que «há, agora, uma visão muito mais clara entre os Estados membros sobre a necessidade de ir além em termos de integração, especialmente na zona euro».
 
No entanto, nota o FT, estas pretensões do presidente da Comissão Europeia enfrentam a oposição britânica e alemã. O Governo britânico já disse que não vai aceitar nenhuma união bancária europeia que penalize os seus contribuintes ou que coloque os bancos britânicos sob vigilância de Bruxelas.
 
Sobre os receios do Reino Unido, o presidente da Comissão Europeia considera que Londres deve poder decidir se integra ou não estes planos, desde que não os bloqueie de todo.
 
«É claro que o Reino Unido tem o direito de decidir se quer ou não dar mais passos no sentido da integração (...) Se outros países que não estão na zona euro querem juntar-se a nós, penso que o Reino Unido vai ter de aceitar», afirmou Durão Barroso.
 
No entanto, e apesar destes temores, Durão Barroso acredita ter agora um maior apoio de Londres e de Berlim quanto à necessidade de uma integração bancária reforçada na UE: «O projeto europeu sempre fez progressos passo a passo. Devemos continuar passo a passo, mas agora precisamos de um passo muito grande. Ou a Europa dá esse passo em frente ou há o risco de fragmentação».
 
Relativamente ao envelope financeiro de até 100.000 milhões de euros que a União Europeia vai conceder a Espanha para recapitalizar os bancos mais expostos ao sector imobiliário, Durão Barroso entende que prova a capacidade de actuação da UE no curto prazo.
 
«Era nosso entendimento na Comissão, como era quando falei com ele [Mariano Rajoy, primeiro-ministro espanhol] na semana passada, que o programa [de recapitalização da banca] era necessário e que era tanto do interesse de Espanha, como da zona euro tomar uma decisão», afirmou Durão Barroso.

Como Vivem os Brasileiros que Moram na África


Moçambique é um dos principais destinos de brasileiros na África

Brasil-Muita gente sabe que o o continente africano influenciou a formação histórico-social brasileira desde a época da colonização com os escravos trazidos por Portugal. Tal dimensão não sucumbiu ao longo dos anos e até hoje é forte a presença da cultura da África nos modos e costumes do Brasil. Mas com a relevância do país no cenário internacional, é como se outro movimento contrário estivesse sendo desenhado: cada vez mais brasileiros constituem vida em países do outro lado do Atlântico Sul.

Essa é a realidade que mostra a edição especial do programa Caminhos da Reportagem, da TV Brasil. A equipe viajou a Moçambique para conversar com um ex-jogador de futebol que montou uma empresa especializada em churrasquinho de picanha; encontrou personagens locais para falar sobre a influência das novelas; e viu como é a participação de militares brasileiros na organização da futura armada da Namíbia.

De Missionários a funcionários de grandes empresas, a todo ano vários brasileiros viajam para a África com o objetivo de morar.Dos 54 países que formam o continente, os de língua portuguesa são os principais destinos. Nesta primeira parte do programa, saiba como eles vivem, o que fazem e como é a relação de influência cultural do Brasil nas comunidades lusófonas.