quarta-feira, 16 de outubro de 2019

Governo de António Costa e Outros Assuntos da Actualidade

Bom dia, hoje é quarta-feira, 16 de Outubro, já temos o elenco do novo governo, o XXII da democracia. Enquanto isso, lá por fora, as negociações no Brexit têm novidades. Esta é a sua newsletter matinal. Venha daí comigo.

Ao fim de quatro anos a governar o país, António Costa engordou. Pelo menos, engordou o governo. O novo elenco de ministros que vai tomar posse algures na próxima semana vai ser tão só o maior desde 1976. Sim, desde há 43 anos que não havia um governo tão grande. São 19 ministros, mais o primeiro-ministro (e ainda os secretários de Estado Adjunto e da Presidência do Conselho de Ministros, que têm ambos assento nas reuniões semanais do Conselho de Ministros).

O anterior governo de Costa contava com 17 ministros. Acima desse só o de Santana Lopes, em 2004, com 18.

Mas um governo é pior ou melhor por ter mais ou menos ministros? Não, de todo. Claro que fazer o maior governo dos últimos 43 anos não é propriamente um sinal de grande esforço de contenção ou exemplo de um Estado mais enxuto, mas não é por um executivo ser maior ou mais pequeno que vai governar os destinos do país de forma mais ajuizada.

De qualquer forma, este parece-me um sinal menos positivo à partida.

No campo oposto, claramente positivo é o facto do novo leque de ministros ser na história da nossa já não tão jovem democracia aquele que mais mulheres tem. São oito ao todo. Bravo! Estamos cada vez mais longe do tempo do I Governo, em que a política era um exclusivo de senhores engravatados. Oito mulher, onze homens.


Ontem, eram 18.28 quando António Costa chegava a Belém para a audiência semanal com o Presidente da República, antecipada de forma a que o primeiro-ministro vá para o Conselho Europeu que tem de decidir a solução para o Brexit.

Por essa altura, já nas redacções se sabia que na pasta que levava na mão António Costa tinha o novo Governo. Às 19.00 já a audiência terminara e eram conhecidos todos os nomes.

Veja a lista completa de ministros do XXII Governo Constitucional:

Primeiro-Ministro: António Costa
Ministro de Estado, da Economia e da Transição Digital: Pedro Siza Vieira
Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros: Augusto Santos Silva
Ministra de Estado e da Presidência: Mariana Vieira da Silva
Ministro de Estado e das Finanças: Mário Centeno
Ministro da Defesa Nacional: João Gomes Cravinho
Ministro da Administração Interna: Eduardo Cabrita
Ministra da Justiça: Francisca Van Dunen
Ministra da Modernização do Estado e da Administração Pública: Alexandra Leitão
Ministro do Planeamento: Nelson Souza
Ministra da Cultura: Graça Fonseca
Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior: Manuel Heitor
Ministro da Educação: Tiago Brandão Rodrigues
Ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social: Ana Mendes Godinho
Ministra da Saúde: Marta Temido
Ministro do Ambiente e da Ação Climática: João Pedro Matos Fernandes
Ministro das Infraestruturas e da Habitação: Pedro Nuno Santos
Ministra da Coesão Territorial: Ana Abrunhosa
Ministra da Agricultura: Maria do Céu Albuquerque
Ministro do Mar: Ricardo Serrão Santos
Secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares: Duarte Cordeiro
Secretário de Estado Adjunto do primeiro-ministro: Tiago Antunes
Secretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros: André Moz Caldas


Já os decorou a todos? Vá, pode dar uma segunda leitura. E se ainda assim não fixar o nome do ministro do Planeamento, não se atormente. Ele já faz parte do governo há um ano mas ainda ninguém deu por isso.

Governo conta com cinco novos ministros, dois deles em estreia total.
O primeiro nome que é uma estreia total em termos de governo é o de Ana Abrunhosa, que até aqui liderava a CCDR do centro e teve como missão a recuperação e reconstrução de muitas das zonas mais afectadas pelos incêndios florestais dos últimos anos. E para a nova ministra, uma nova pasta, a da Coesão Territorial.

A segunda estreia absoluta é Ricardo Serrão Santos, ex-eurodeputado, e que vai para a pasta do Mar, até agora nas mãos de Ana Paula Vitorino.


Já houve primeiros-ministros que tinham como política evitar a promoção de secretários de Estado a ministro, para evitar o fomentar de invejas e jogos menos claros dentro dos próprios governos. Costa manifestamente não é adepto dessa linha.

Neste novo Governo, promove três secretários de Estado a ministro. E nos três casos, todos de mulheres, com mudança de Ministério.
Alexandra Leitão, a enérgica secretária de Estado da Educação, que não raras vezes roubou protagonismo ao seu ministro, agora vai tutelar a Administração Pública. Como aqui se afirma, passa de um negociador duro, mário Nogueira, para outro não mais meigo, Mário Centeno.

O segundo caso de promoção é o de Ana Mendes Godinho. Tal como Leitão, foi cabeça de lista distrital pelo PS nas últimas legislativas. Tal como Leitão, tinha feito um trabalho muitas vezes elogiado, na pasta do Turismo. Tal como Leitão, fica com uma pasta pesada, sensível e delicada. Vai caber-lhe o Trabalho e Segurança Social, pasta deixada vaga por Vieira da Silva, que já vem desde os governos de Guterres (e que politicamente é provavelmente a maior baixa deste novo elenco).

Na pasta da Agricultura, o histórico Capoulas Santos, cujo nome quase se confunde com o Ministério quando é o PS que está no governo, é substituído por uma mulher, Maria do Céu Albuquerque, até aqui na secretaria de Estado do Desenvolvimento Regional - apenas a segunda mulher no cargo, depois de Assunção Cristas. Albuquerque chegou ao executivo rosa já neste ano de 2019, tendo antes sido durante nove anos autarca em Abrantes.

Outras notas ainda para a hierarquia do Governo, em que Siza Vieira, com a pasta da Economia, fica como número dois, e em que há quatro ministros de Estado.
Nota para a saída de Vieira da Silva, que deixa indiscutivelmente o Governo politicamente mais fraco.
Nota para a preponderância crescente do PS no executivo.
Nota para o facto de dois dos ministros mais contestados terem sido mantidos no lugar por Costa.
E nota para o facto de os Assuntos Parlamentares não terem passado a Ministério, apesar da necessidade de reforço negocial no Parlamento de um governo sem maioria.

Aqui pode ler a análise feita no site do Expresso ao novo elenco, pela pena do David Dinis.

Nas primeiras reacções aos nomes escolhidos por António Costa, já era expectável que as críticas aos ministros da Educação e da Saúde fossem das mais intensas, ou não fossem Tiago Brandão Rodrigues e Marta Temido dos governantes mais criticados do governo cessante. As críticas ontem vieram da Fenprof e da Ordem dos Médicos, nomeadamente.
Aqui fica um resumo das principais reacções surgidas aos nomes do governo.

Os próximos passos formais são: hoje são apurados os resultados dos votos da emigração e conhecidos os quatro deputados que faltam e depois a nova Assembleia da República tem de tomar posse, dando início formal a uma nova legislatura. A seguir, toma posse o primeiro-ministros e os seus ministros. Dois ou três dias depois será a vez dos secretários de Estado. E ainda uns dias depois decorre o debate do Programa de Governo, no Parlamento, findo o qual o executivo entra na plenitude das suas funções (a menos que o governo caísse com a aprovação de uma moção de rejeição).


OUTRAS NOTÍCIAS
Cá dentro,

Foram ontem conhecidas as previsões do Fundo Monetário Internacional para os próximos anos. E todos sabemos como nesta altura convém olhar para estes números, perante as nuvens de abrandamento do crescimento da economia mundial que pairam. Estas nuvens confirmam-se e também para Portugal há alguns sinais de preocupação.

O Governo já enviou para Bruxelas o esboço da proposta de Orçamento do Estado para o próximo ano.

Tensa, agitada e expectante continua a vida interna do PSD, depois da derrota nas eleições de dia 6. Rui Rio ainda não disse ao que vai e o que pretende fazer e hoje reúne a sua Comissão Política Nacional. Aqui, o editor de Política do Expresso escreve sobre o estado do partido laranja.

A procurador do chamado caso Alcochete foi castigada com uma multa de meio salário. Leia aqui porquê.

A factura da luz vai descer para muitos portugueses.

Lá fora,

Nas últimas horas, e com o tic-tac do relógio a tornar-se cada vez mais ruidoso, parecem ter surgido novidades nas intensas negociações entre a União Europeia e o governo de Boris Johnson quanto à possibilidade de ainda ser assinado um acordo entre as duas partes que evite uma saída desordenada do Reino Unido da União Europeia já no fim deste mês. Se um Brexit é péssimo, um No Deal Brexit é um cenário terrível. A luz ao fundo do túnel do que poderá ser um acordo pode passar pela colocação de uma fronteira irlandesa no mar, e não na divisória entre as duas irlandas. Algo que em tempos o governo de Theresa May rejeitou, e algo que os unionistas podem ter dificuldade em engolir. Mas com a pressão a aumentar…

Esta madrugada decorreu um (considerado) decisivo debate televisivo entre os candidatos Democratas às primárias na corrida à Casa Branca. Nota forte para o facto de Elizabeth Warren surgir agora numa posição de maior destaque, e lovo alvo de mais ataques, por oposição a Joe Biden, cuja estrelinha parece estar a perder energia.

Donald Trump veio sugerir que os mexicanos são uma ameaça terroristas maior que os islamistas radicais do Daesh.

Depois de na semana passada Donald Trump ter anunciado o fim das missões militares norte-americanas na zona leste da Turquia, abrindo caminho à intervenção militar das forças de Erdogan sobre os curdos no nordeste da Síria, e tornando a zona num caldeirão ainda mais explosivo, agora os EUA fazem saber que o vice-presidente Mike Pence vai à Turquia para tentar negociar um cessar-fogo para o conflito.

Ainda sobre este tema, vale a pena ler o texto da New Yorker, cujo título diz praticamente tudo: a política síria de Trump é um desastre

O filho de Joe Biden já veio admitir que errou ao aceitar cargos numa empresa ucraniana (os Biden estão sob fogo no caso que deu origem ao pedido de destituição de… Trump)

Esta terça-feira os protestos populares na Catalunha, depois do Supremo Tribunal espanhol ter condenado doze dirigentes regionais independentistas a pesadas penas de prisão, não abrandaram em termos de adesão e força, embora tenham sido menos violentos que os registados na véspera.
Com a Espanha, além disso, em campanha eleitoral, o líder da oposição veio pedir a Sanchez que ative a lei de segurança nacional.
Em Portugal também se protestou contra as penas de prisão aos líderes catalães.

Aqui deixo-lhe ainda um texto sobre Harold Bloom, o maior crítico literário do planeta e um dos grandes intelectuais, que acaba de morrer.

Afinal, parece que a queda de um prédio em Fortaleza, Brasil, não terá feito quaisquer vítimas mortais, ao contrário do inicialmente noticiado.


DESPORTO

Lembra-se há uns dias da história do atleta guineense que nos Mundiais de Atletismo foi ajudar um colega que se lesionou a terminar a prova? Pois, ele vive em Portugal e nós fomos falar com ele e nesta reportagem contamos a sua história.

Cristiano Ronaldo já chegou aos 700 golos e você tem de ver este vídeo que preparo.

Destaque para o surf, desporto em que os olhos do planeta estão nos próximos dias centrados em Peniche, que acolhe a prova masculina e feminina do circuito mundial. Nos homens, Portugal tem três nomes em prova: Frederico Morais, Vasco Ribeiro e Miguel Blanco.

O favoritismo nos homens vai para os brasileiros, que têm dominado a prova nos últimos anos. Nas senhoras, Carissa Moore é a mais forte candidata à vitória no mundial, que será a sua quarta caso aconteça.
No futebol, na madrugada de quarta para quinta-feira Jorge Jesus leva o seu Flamengo para mais uma jornada do Brasileirão. A propósito de Jesus, não perca a Revista do Expresso do próximo sábado. E mais não digo

As duas coreias tiveram um histórico embate entre equipas nacionais de futebol. Mas o encontro foi uma espécie de partida-fantasma, sem ninguém a assistir, a relatar ou a filmar ou a fotografar.

Depois do seu feito no último fim de semana, ao tornar-se o primeiro a baixar das duas horas numa maratona, Eliud Kipchoge já veio falar e defender-se de algumas das críticas surgidas. “Sou um ser humano, não um automóvel”.


terça-feira, 15 de outubro de 2019

Independência de Catalunha: a sentença de Supremo Tribunal de Justiça


Na monarquia espanhola não parece haver espaço para a república da Catalunha. O Supremo Tribunal acolheu a acusação de “sedição” e condenou a penas entre os nove e os treze anos de prisão e perda de direitos políticos a nove dos doze dirigentes independentistas catalães. Em simultâneo foi reativado o mandato de captura europeu contra o ex-presidente da Generalitat, Jordi Puigdemont.


Pedro Sánchez, Primeiro-Ministro espanhol, tinha a faculdade de proclamar um indulto, mas a pressão exercida pela direita e pela extrema-direita (que antes mesmo do julgamento já o acusava de pretender indultar os presos, o que pressuponha que os considerava culpados antes de serem julgados), inibiu uma decisão que poderia amenizar as consequências de uma das mais graves crises institucionais alguma vez enfrentadas por Espanha desde a proclamação da Constituição de 1978, abrir espaço para um novo tipo de diálogo e fazer impor o primado da política após a plenária dos juízes do Supremo. Para que não ficassem dúvidas sobre o seu compromisso, Sanchez anunciou o “absoluto cumprimento da sentença”.



Apesar de, como o reconhece o El País num editorial de total apoio à condenação dos dirigentes catalães, ser “evidente que a aplicação do Código Penal por parte do Supremo Tribunal não resolverá a crise constitucional provocada por uma estratégia que é sem dúvida política, mesmo se assente na ilegalidade”.


Em algumas áreas de opinião espalha-se a convicção de que os catalães saem humilhados de uma sentença histórica através da qual a sociedade espanhola no seu todo vê serem postas em causa questões muito sérias sobre a liberdade de expressão, de reunião e de manifestação. Se nos anos glamorosas de 1980, da movida espanhola saía a expressão “Madrid me mata”, este pode vir a transformar-se num tempo de chumbo em que, com tantas e tão complexas feridas abertas, poderá caber a ideia de que “Madrid se mata”. É mais uma das incógnitas para o futuro.


Desde logo porque na sociedade espanhola há quem veja a sentença como uma vitória das “pombas”, para completo desagrado e revolta dos “falcões”. Não por acaso, nos sectores mais ligados à direita radical, a que o jornal “El Mundo” dá voz, expressa-se um total desagrado por uma sentença que, não apenas deixa cair a acusação mais grave – o crime de rebelião – como permite que os presos tenham acesso desde já a alguns direitos.


A violência saiu à rua mal foi conhecida a sentença, tornada pública em plena campanha eleitoral espanhola. Numa réplica do que tem sucedido em Hong Kong, com milhares de pessoas a manifestarem-se, o aeroporto de Barcelona depressa se transformou no centro dos protestos, com mais de cem voos cancelados.


O Futebol Clube de Barcelona, uma das grandes instituições catalãs, publicou no seu sítio oficial um comunicado intitulado “A prisão não é solução”, no qual, para lá de expressar toda a sua solidariedade para com “as famílias dos que estão privados de liberdade”, refere que, na senda da sua histórica posição de defesa da liberdade de expressão e do direito a decidir, sustenta que “a resolução do conflito que vive a Catalunha passa, exclusivamente, pelo diálogo político”.


O tema continuará na agenda nos próximos tempos e novas ações de protesto estão programadas, até porque, como assinala o jornal El Público, há pelo menos dez incógnitas que ficam agora no ar resultantes deste processo. Para nenhuma delas há respostas fáceis, com milhares e milhares de catalães disponíveis para manifestarem a sua indignação por uma sentença que, é assinalado em alguns meios, aplica, em média, penas mais pesadas aos independentistas catalães do que aos autores do golpe de Estado desencadeado em 23 de fevereiro de 1981 por militares franquistas.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

As imagens que não queríamos ver

Há imagens que gostaríamos de nunca ter visto. Um homem de pistola em riste ao lado de um corpo que jaz inanimado ao seu lado. Um camião transformado em arma, mais uma vez, e usado contra quem tranquilamente fazia compras de Natal. É esse o objetivo do terrorismo. Causar o pânico, medo e insegurança.

Um camião rasgou um mercado de Natal em Berlim arrastando para a morte 12 pessoas e deixando 48 feridas. As imagens e vídeos do local são impressionantes. Acontecimentos que trouxeram da pior forma as recordações do dia 14 julho em Nice quando da mesma forma 84 perderam a vida.

Eis o que se sabe até ao momento sobre os acontecimentos de Berlim. A polícia acredita que se trata de um atentado terrorista já que o camião irrompeu deliberadamente pelo mercado. Na cabine do veículo seguiam duas pessoas. Uma, de nacionalidade polaca, morreu e a outra que se pôs em fuga foi rapidamente capturada. Desconhece-se a identidade da mesma, apenas que não é o condutor habitual. A empresa polaca dona do camião tinha perdido o contacto com o mesmo, que seguia de Itália para a Polónia, por volta das 16 horas, quatro horas antes do ataque. É esperada uma conferência de imprensa das autoridades alemãs às 13 horas locais.

Horas antes o embaixador russo em Ancara tinha sido morto a tiro enquanto discursava na inauguração de uma exposição de fotografia. O assassino foi identificado como sendo um polícia turco que estava tranquilamente no local atrás de Andrei Karlov momentos antes do ataque. As imagens são chocantes (atenção que o vídeo contém cenas de grande violência). O atacante gritou “Deus é grande!” (Allahu Akbar, em árabe), disparando em seguida oito tiros nas costas do embaixador. De seguida disse perante as câmaras de televisão que continuavam a gravar. “Não esqueçam Alepo, não esqueçam a Síria. Só quando as nossas cidades estiverem seguras é que vocês também estarão. Só a morte me pode levar daqui. Todos os envolvidos neste sofrimento serão punidos”. Acabou morto pelas autoridades turcas.

Este atentado levou a comparações com o assassinato do arquiduque Francisco Ferrnando em 1914. Ainda mais porque as relações, normalmente amistosas, entre a Rússia e a Turquia já estavam muito tensas por causa da guerra na Síria, quando há cerca de um ano um avião russo foi abatido pela Turquia na fronteira com a Síria. Mas Putin e Erdogan vieram conter qualquer possível impacto do atentado nas relações entre os dois países. O líder russo afirmou que “o crime que foi cometido é, sem dúvida, uma provocação destinada a perturbar a normalização das relações russo-turcas e o processo de paz na Síria”, garantido que a única resposta possível e a intensificação da luta conta o terrorismo.

Erdogan falou de imediato com Putin sobre os acontecimentos garantindo que a conversa resultou num compromisso de que a “nossa cooperação e solidariedade na luta contra o terrorismo deve ser ainda mais forte”. A reunião entre os ministros da Defesa e Negócios Estrangeiros da Rússia, Turquia e Irão que estava agendada para discutir a questão síria irá manter-se, reforçando os sinais de tranquilidade entre os dois países.

Estes acontecimentos são tão bárbaros que quase passou despercebido o ataque a um centro islâmico da cidade suíça de Zurique. O tiroteio ocorreu no interior da mesquita quando um indivíduo, não identificado, entrou no edifício disparou várias vezes sobre quem estava a rezar, deixando três feridos. As autoridades ainda estão à procura do suspeito, que fugiu depois dos disparos.

É oficial. Trump vai ser o novo Presidente. Alguns ainda tinham esperança que um número suficiente de delegados do colégio eleitoral mudasse de posição. Como seria de esperar, isso não aconteceu. Eis Donald, o 45º presidente dos Estados Unidos. A sua reação foi imediata, via Twitter: “We did it! Thank you to all of my great supporters, we just officially won the election (despite all of the distorted and inaccurate media)”.

Hillary teve mais 2,9 milhões de votos mas a forma como está desenhado o sistema eleitoral deu a vitória a Trump que recolheu 306 votos no colégio eleitoral - mais 36 do que os 270 necessários. É a segunda vez em 16 anos que tal acontece. O próprio sistema está agora sob ataque cerrado. Segundo as mais recentes sondagens cerca de 70% da população americana defende uma eleição do Presidente por voto popular direto. E o New York Times defende em editorial que está na hora de acabar com o colégio eleitoral.
 
OUTRAS NOTÍCIAS
Governo diz €557 já. E promete €600 de salário mínimo até ao fim de 2019. Patrões dizem talvez €540 mas com contrapartidas. Em troca querem uma redução de 1% da Taxa Social Única que é encargo das empresas. Resultado ao intervalo: zero-zero. Na quinta-feira há nova ronda de negociações entre Governo, sindicatos e patronato para tentar chegar a um acordo em sede de Concertação Social.

António Costa abraçado a Ricardo Ângelo. Primeiro ministro agradece ao presidente da Associação de Indignados e Enganados do Papel Comercial. A imagem não podia ser mais reveladora da cumplicidade e obscura em relação ao conteúdo. O acordo para ressarcir os lesados do Grupo Espírito Santo foi assinado ontem mas nada foi dito sobre a solução encontrada. Nem houve direito a perguntas por parte dos jornalistas.

Costa garante que a mesma não terá custo para os contribuintes mas não explica como. Aqui ficam as perguntas a que ele não quer responder: Quem paga aos lesados? Quem dá garantias sobre o dinheiro usado para cobrir as perdas? Como é que vai garantir que a mesma solução não terá de ser aplicada a todos os futuros lesados de qualquer empresa que não pague as suas dívidas? Se no futuro o que for recuperado do processo de insolvência não for suficiente para cobrir o que for dado agora aos lesados, quem paga a conta? A solução terá impacto no défice?

Como ele não responde, foram avançadas algumas respostas, as possíveis. E uma conclusão. Minha. Esta solução é um adiantamento aos lesados por conta do que o GES lhes deve. Daqui a alguns anos, quando tudo estiver resolvido nos tribunais, a massa falida não vai chegar para pagar o que foi dado aos lesados e os contribuintes entram com o resto. Nessa altura muito provavelmente Costa já não será primeiro-ministro. Tudo feito à revelia do Estado de direito, tratando da mesma forma quem investiu €50 mil ou €5 milhões, quem foi engando e quem sabia perfeitamente onde estava a colocar o seu dinheiro.

O Governo vai obrigar os hospitais públicos a recorrer sempre em primeiro lugar ao Instituto Português do Sangue (IPST) para adquirirem plasma e derivados do sangue. A notícia, que faz manchete do Público, surge no seguimento da investigação à Octapharma que levou à detenção do presidente desta empresa que domina o mercado do sangue em Portugal. O despacho do ministério da Saúde que visa regulamentar este mercado vai no entanto levar algum tempo a produzir efeitos já que o IPST não tem condições para fazer o tratamento de todo o sangue dos doadores nacionais.

Assunção Cristas diz que não volta atrás no apoio a Rui Moreira no Porto. “Não vemos nenhuma razão para nos afastarmos desse caminho que já foi decidido em março”. Essa hipótese tinha sido avançada por Luís Marques Mendes segundo o qual um apoio do PSD à candidatura da líder centrista em Lisboa poderia implicar retirar o apoio a Rui Moreira na Invicta.

Bloco e PCP querem uniformizar os calendários escolares fazendo coincidir início, interrupções e fim do ano letivo desde o pré-escolar ao ensino básico.

Não 'à queima do gato' e 'tiro ao pombo'. A proposta é do PAN que quer abolir estas práticas através de uma alteração à lei que regulamenta a proteção dos animais.

Os nomes para a nova administração executiva da Caixa já foram formalmente comunicados às autoridades europeias, noticia o Público. Eis a lista de nomes conhecidos até agora.
Mais gastos com a saúde, habitação e produtos alimentares. Menos com bebidas alcoólicas, tabaco, lazer, cultura, restaurantes e hotéis. Assim vai a despesa das famílias portuguesas de acordo com os dados divulgados pelo INE. Famílias com crianças gastaram, em média, 25.892 euros, mais 44% do que os agregados sem crianças dependentes. Lisboa lidera a despesa das famílias ultrapassando a média do país em 14,6%. Do lado contrário estão os Açores (-17,9%), Alentejo (-14,4%) e Madeira (-11,7%)”.

Lagarde foi julgada e condenada por negligência num caso em que uma decisão sua enquanto ministra das Finanças Lesou o estado francês em 400 milhões de euros. Apesar da condenação, nenhuma pena foi aplicada à atual diretora do Fundo Monetário Internacional. O conselho do FMI vai agora reunir para decidir se há consequências desta decisão.

FRASES
“Se alguém não paga impostos ou conduz o seu carro demasiado rápido ou causa um acidente por estar bêbedo ou o que quer que seja, isso não é responsabilidade da FIFA.” - Gianni Infantino, presidente da FIFA sobre o escândalo Football Leaks.

A situação de encerramento não é de facto reversível. A tentativa de solucionar o problema veio muito tarde e, apesar de todos os esforços, a situação tornou-se drástica.” – Luis Miguel Cintra, encenador e codiretor da Cornucópia.

Não conseguimos o milagre de endireitar a sombra da vara torta.”- António Costa sobre a solução encontrada para os lesados do GES.

O QUE CONTAM OS NÚMEROS
57 é o número de jornalistas mortos em 2016 por causas diretamente ligadas à sua profissão.

7,6%. É o aumento do índice de Preços da Habitação no terceiro trimestre, a maior subida desde 2010.

100 milhões, o número de litros de gasóleo que o parque de armazenagem da Repsol inaugurado em Sines pode conter.

15 mil. É o número estimado de condutores da Uber em França, que estão em protesto contra a subida da comissão de 20 para 25% desta plataforma sobre o seu trabalho.

4 milhões. Valor estimado para o número de ratos que vivem na cidade de Paris. Quase o dobro do número de habitantes (2,3 milhões) e que levou ao encerramento de 9 parques da cidade.

10. É o número de litografias de Joan Miró que os seus netos doaram à ONG Aldeias SOS para serem leiloadas e assim contribuírem para a construção do primeiro centro de dia desta organização em Palma de Maiorca.

10 mil vezes menos. É a poupança de energia que o novo sistema de Wi-Fi permite nas baterias dos telemóveis. O novo sistema ainda está em testes na Universidade de Washington.

O QUE EU ANDO A LER
10 mil milhões de pessoas. Esta é a população estimada para 2050. É fácil de perceber que as implicações no conjunto de seres vivos que habitam um determinado ecossistema serão enormes. Quando a população atingir os 11,5 mil milhões está estimado que pelo menos 70% de toda a terra disponível no planeta terá sido alterada para uso humano. Um impacto que se prevê brutal na energia, água potável e comida disponível. Os mais pessimistas estimam que no espaço de um século até 48% dos ambientes climáticos que conhecemos podem ter desaparecido, provocando alterações que podem levar ao colapso generalizado dos ecossistemas em que vivemos. Muitas destas alterações são vistas como maiores em ritmo e escala do que as conhecidas como estando na origem da última era glaciar ocorrida há 14 mil anos atrás.

Estes dados fazem parte de um estudo de vários autores divulgado em 2012 com o título de “Approaching a state shift in Earth’s biosphere”. Foram estas conclusões que levaram os realizadores Cyril Dion e Mélanie Laurent a se juntarem a mais 4 pessoas para filmarem o documentário ‘Amanhã’. Um filme sobre esperança. Sobre como derrotar o terrível destino que espera a humanidade se nada for feito. E a esperança começa em cada um de nós, pioneiros com a capacidade de reinventar a maneira como produzimos, vivemos e interagimos. (Este documentário passou nos cinemas este ano mas ainda o pode ver no próximo dia 28 de dezembro em Almada. Para toda a família).

Até porque ainda é possível mudar. Os mesmos autores do estudo publicaram em abril deste ano o livro “Tipping Point for Planet Earth”. Só está disponível em inglês mas não deixe de espreitar até porque ainda vamos a tempo.

Tenha uma ótima quarta-feira e um Feliz Natal.
 

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Cirilo J .Vieira: sempre acreditei que Donald Trump podia ganhar as eleições presidenciais porque, as últimas sondagens estavam dentro da margem do erro

Resultado de imagem para Donald Trump
A noite louca que deu a presidência dos Estados Unidos a Donald Trump.

 
Todas as sondagens indicavam o contrário, porém o candidato republicano varreu os votos nos principais estados, mantendo a proximidade com a fronteira dos 270 pontos que lhe daria a vitória logo desde o início da madrugada. Ninguém acreditava que Hillary Clinton não ganhasse a corrida à Casa Branca e o que aconteceu foi a candidata democrata ser obrigada a reconhecer a vitória de Trump às 7h40 (de Lisboa). O New York Times estudou as oscilações do eleitorado, explica quem eles são e porque é que escolheram o candidato republicano.

“Mundo, temos um problema”, escreve Pedro Santos Guerreiro: “O sistema está tão podre, tão descontrolado e tão incapaz de se reformar que a vontade do povo americano de mudá-lo musculou o braço de quem prometeu esmurrá-lo. Não é uma derrota política, é uma derrota da política”. Leia a análise do diretor do Expresso avaliando que, “com a Casa Branca, o Senado e o Congresso, Trump pode fazer quase o que quiser”. Poderá ainda escolher um dos juízes do Supremo Tribunal. “A sua retórica é tão perturbadora e despreza tanto a verdade que prenuncia mais do que anuncia”.

Depois da reportagem que fez sobre a convenção republicana que elegeu Donald Trump como candidato republicano à Casa Branca, Daniel Oliveira chama a este momento o ponto sem retorno, como aqui pode ler. A reportagem tinha por título “Chegou o futuro triste” e aqui está ele.

Como dizia um eleitor republicano à Sky News por volta das 5h, a conquista de Trump era “a vitória do bem sobre o mal”, Clinton é “uma pessoa má” e nem deveria sequer ter tido direito a candidata-se”.

“Acabo de receber um telefonema da secretária de Estado Clinton”, declarou Trump “felicitando-nos pela nossa vitória”. “É a vez de nos unirmos. Serei o Presidente de todos os americanos e isso é muito importante para mim”, declarou o futuro 45º Presidente dos Estados Unidos.

A reação à perspetiva de vitória de Donald Trump teve repercussões imediatas em todo o mundo. A face visível disso foi a queda registada nos mercados internacionais proporcional à admissão, ao longo da noite eleitoral, de que Hillary Clinton não ganharia. Menos dois pontos percentuais nos mercados asiáticos e o Dow Jones em queda, mercados em pânico.

A primeira reação política internacional chegou aos EUA sob a forma de felicitações vindas de França. Marine Le Pen, a líder do partido de direita Frente Nacional e candidata à presidência no voto da próxima primavera, espera inspiração no comportamento dos eleitores americanos, a quem louvou a “liberdade”, confirmando assim que a política de Trump é favorável a França.

Reveja aqui o desenvolvimento do escrutínio na cobertura em direto que o Expresso fez desde as 21h de terça-feira. A noite teve os seus momentos… Quando ainda ninguém queria acreditar que poderia acontecer, às 4h40 o chefe de campanha de Donald Trump, Layne Bangerter declarava: “A voz do povo fez-se ouvir”. Trump estava então à frente com 232 votos contra os 216 Hillary Clinton. Horas mais tarde, ao agradecer a vitória à sua equipa, o próprio Donald Trump repetiu vezes sem conta a palavra “inacreditável!”.

Recorde aqui como esta campanha quebrou todas as regras das anteriores.

 

OUTRAS NOTÍCIAS
 

Uma das conclusões do segundo dia da Web Summit, cujos 50 mil participantes tiveram dificuldade em deslocar-se de metro pela cidade de Lisboa, é que vamos ter de aprender a viver sem trabalho… parece que é desta que os robôs vão levar a melhor no mercado de trabalho, escreve a Joana Madeira Pereira: “O trabalha não tem futuro”, ouch!. Robôs e cloud, porque as empresas já perceberam que o Cloud faz parte do seu futuro, disse ao Pedro Miguel Oliveira o CTO da Microsoft Mark Russinovich. Como angariar financiamento é um dos maiores desafios para a maioria dos empreendedores, os investidores só têm olhos para as empresas já com provas dadas, explica a Margarida Fiúza.

É “sem sombra de dúvida” ao Tribunal Constitucional que cabe decidir sobre o caso Caixa Geral de Depósitos, garante o homem que presidiu ao TC até julho passado, Joaquim Sousa Ribeiro. O caso é incomum, não há muitas dúvidas e o atual presidente do TC, Manuel Costa Andrade, dizia ao Expresso há uma semana que se ninguém colocar ao tribunal questões sobre se os administradores da Caixa devem ou não declarar as respetivas declarações de património, os juízes não se pronunciam. Daniel Oliveira chama ao caso “uma embrulhada complicada” como pode aqui ler.

Após a audição do ministro das Finanças, Mário Centeno, o Parlamento Europeu tomou ontem posição ao final do dia contra o congelamento de fundos comunitários para Portugal. Ficou assim suspenso o diálogo estruturado, ou seja, o processo através do qual o PE toma uma posição relativamente ao congelamento de fundos em conjunto com a Comissão Europeia. O PE decidiu também recomendar à CE que não suspenda os fundos e que caso, apesar disso, a instituição tome uma decisão nesse sentido irá reabrir então o diálogo estruturado.

A região autónoma da Madeira continua à espera do dinheiro prometido por Lisboa três meses depois dos incêndios que deixaram 20 famílias sem alojamento e ainda agora a depender do acolhimento por familiares.

Mariana Mortágua distanciou-se de uma eventual candidatura à Câmara Municipal de Lisboa e emerge Ricardo Robles como o candidato natural pelo Bloco de Esquerda. A deputada e dirigente declarou que o BE “deve apostar nos autarcas que formou" para encabeçar as listas do Bloco nas eleições autárquicas que se realizam no próximo ano.

Hoje é o Dia Internacional contra o Fascismo e o Antissemitismo instituído pelo Parlamento Europeu, no âmbito da luta contra o racismo e a xenofobia na União Europeia. A data escolhida coincide com a Noite de Cristal, 9 de novembro de 1938, quando sinagogas e lojas de judeus foram incendiadas, assaltadas e saqueadas em toda a Alemanha.

FRASES

Estarei aqui para vos guiar, ajudar e unir o nosso grande país”, Donald Trump, próximo presidente dos EUA

Trump não é um conservador é um populista nacionalista”, Miguel Monjardino, Professor e comentador da SIC

O sistema constitucional nos EUA mudou muito nos últimos 15 anos, do ponto de vista executivo, favorecendo o lado da presidência”, Miguel Monjardino, Professor e comentador da SIC

O povo está a tomar o país de novo. Nós faremos o mesmo”, Geert Wilders​, líder holandês do Partido da Liberdade

O QUE ANDO A LER
Ou, o que andei “a ver”. Acabo de chegar de África zangada com “aquela visão” que por lá só encontra guerra, doença, desordem e subdesenvolvimento. Bom, são 54 países, ok? Modestamente, só percorri cinco da África Austral, o suficiente para confirmar o quanto o mundo tem a aprender com os africanos. Estas sugestões completamente ao lado das presidenciais norte-americanas reúnem (algumas) ideias e produções de (alguns) cidadãos deste continente onde todos são bem-vindos, garantiu-me um africano. Começo pelo Festival de Fotografia de Lagos (Nigéria) e pelo trabalho que desenvolveu este ano sobre a identidade africana. O site Trueafrica mostra-lhe 20 fotógrafos de que provavelmente nunca ouviu falar até 22 de novembro. Na Bélgica pode seguir Nástio Mosquito, o no-mínimo-original artista angolano que lá atuará a 23 deste mês. Por cá, consulte a agenda para estes dias do indispensável Bleza caso lhe apeteça a melhor música de dança africana (e não só) que se apresenta regularmente em Lisboa. Depois, não vá imaginar-se que não vivemos todos em simultâneo no mesmo século neste mundo global, poderá apreciar as últimas criações do Bazofo na Cova da Moura. O que é Bazofo? Bazofo é uma palavra de crioulo de Cabo Verde para descrever alguém com estilo e atitude. Mas também é uma pequena marca de roupa sustentável e ética da Cova da Moura, a maior comunidade cabo-verdiana em Portugal. Por coincidência no tal mundo global conheci o Naledi N, foi o meu guia num dia inteiro de visita ao Soweto (Joanesburgo, África do Sul) e só quando trocámos contactos fiquei a saber que é um habitué do Instagram onde promove o trabalho de um grupo de sowetans (do qual faz parte) que produz roupa de assinatura hand made (in Soweto) e invejável, como pode ver no link.

Se estiver a norte, mais propriamente no Porto, África Mostra-se já daqui a dois dias. Consulte aqui a programação. Em Lisboa tem hoje e amanhã cinema raramente exibido entre nós: AfroTela. Lisboa Africana tem estas ofertas por estes dias. E aproveito para imitar o Nicolau Santos, que aqui sugeriu há dias a retrospetiva do artista plástico angolano António Ole no Museu Gulbenkian (ex-Centro de Arte Moderna). Tem até 7 de janeiro para não perder a obra de uma figura tutelar da contemporaneidade artística daquele país.

Esticando o calendário, deixo uma sugestão para os últimos dias de 2016, 29, 30 e 31 de dezembro, num dos lugares mais incríveis do mundo: as Cataratas Victoria no Zimbabwe. Chama-se Vic Falls Carnival – Victoria Falls e promete! Eu só viajei no comboio onde o trailler da Jameson foi filmado e posso assegurar que é tudo como aparece nos 3’10’ desta fitinha . Chamam-lhe a maior “infusão cultural de talento da África Austral” e são três dias de festival com músicos do Zimbabwe, Zâmbia, África do Sul, Botswana, Moçambique e Namíbia. Há viagens em overland truck (só para dar uma ideia) a partir de Joanesburgo e os preços são muito razoáveis. Se partir de Cape Town, consulte aqui dez das melhores experiências gastronómicas que o esperam. Juro que estas duas últimas são sugestões para serem posteriormente arquivadas na categoria “inesquecível”!