Tudo indica que hoje, em Nova Iorque, às 15 horas de Lisboa, António Guterres será aclamado secretário-geral das Nações Unidas. Nunca um português terá chegado tão longe. Nunca nenhum terá tido, nos últimos séculos, tamanha influência no mundo. Guterres era, provavelmente, o mais bem preparado de todos.
Apesar de todas as dúvidas que o atormentaram enquanto foi primeiro-ministro de Portugal. Mesmo que a sua eleição para secretário-geral das Nações Unidas tenha sido discutida até cortar a meta. Ontem, depois de ter dominado as cinco votações anteriores para o mais alto cargo da Organização das Nações Unidas, recebeu 13 votos favoráveis dos 15 membros do Conselho de Segurança. Com o novo processo de eleição, que pugna pela transparência, ninguém votou pelo desencorajamento. Apenas dois membros escolheram a indecisão. Pelo contrário, a mais temida adversária, Kristalina Georgieva, que surgiu à última hora e se apresentava como a maior rival pelos apoios que poderia obter, foi inapelavelmente batida, com oito votos de desencorajamento. António Guterres ganhou e hoje, na derradeira votação, será o único candidato. O português chegará à liderança das Nações Unidas por aclamação. Uma vitória cristalina, como descreve o “Público”. O que falta para Guterres ser secretário-geral da ONU? O Conselho de Segurança da ONU deu uma indicação clara, durante a sexta votação que ontem teve lugar, sobre quem deve ser o novo secretário-geral e então suceder a Ban-Ki Moon a partir de 1 de janeiro de 2017. Porém, cabe à Assembleia Geral, tomar a decisão final, por maioria simples, hoje, às 15 horas. Vitali Churkin, embaixador da Rússia, o país que atualmente preside ao Conselho de Segurança, anunciou ontem publicamente esperar “que seja indicado por aclamação”. Representando os 15 membros do Conselho de Segurança, acrescentou: “Desejamos ao senhor Guterres que tudo corra bem no desempenho das funções como secretário geral das Nações Unidas, nos próximos cinco anos.” O novo secretário-geral da ONU será eleito pela Assembleia Geral, depois desta recomendação do Conselho de Segurança da ONU. Necessita de uma maioria simples dos 193 países para que a decisão seja ratificada, numa votação que acontece à porta fechada. Também compete à Assembleia Geral estabelecer a duração do mandato, que tradicionalmente é de cinco anos. Do Técnico para o Mundo António Manuel de Oliveira Guterres nasceu em Lisboa em 1949. Terminou a licenciatura em Engenharia Electrotécnica em 1971, sendo considerado um dos melhores alunos de sempre do Técnico, a mais reputada escola de engenharia portuguesa. Entrou para o PS em 1973 e já secretário-geral ganhou as eleições legislativas de 1995. Presidiu a dois governos, sendo primeiro-ministro entre 1995 e 2001. Depois de uma derrota do PS nas eleições autárquicas, demitiu-se do cargo, para evitar o “pântano político”, cedendo o lugar a Durão Barroso. Barroso também abandonaria também o cargo para ser presidente da Comissão Europeia. Em 2005, António Guterres seria nomeado Alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados, cargo em que se manteve até 2015. A sua candidatura à presidência da República, em 2016, seria ventilada inúmeras vezes. Ao não se concretizar, abriu o caminho à vitória de Marcelo Rebelo de Sousa. Como ele chegou lá O novo processo de eleição do secretário-geral das Nações Unidas pretendia-se transparente mas foi perturbado pela candidatura, na passada semana, por proposta da Alemanha, de Kristalina Georgieva, comissária europeia do Orçamento e Recursos Humanos. A candidatura de Guterres teria começado há mais de dois anos, quando um diplomata norueguês terá indagado da disponibilidade do português para ocupar o cargo. A candidatura só seria formalizada mais tarde mas desde o passado mês de julho, António Guterres venceu claramente todas as seis eleições entre os membros do Conselho de Segurança, eliminando sucessivamente os candidatos patrocinados por Jean Claude Juncker, atual presidente da Comissão Europeia, ou pela chanceler Angela Merkel. As dúvidas quanto ao sentido de voto da Rússia, um dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança, dissolveram-se ontem, 5 de outubro. Um resultado que se apresenta como uma clara vitória da diplomacia portuguesa. FRASES “António Guterres era e é, claramente, o melhor para o cargo. Pelas suas qualidades pessoais, pelo seu currículo na própria ONU, pela capacidade de visão e de equação dos principais problemas universais”. Marcelo Rebelo de Sousa, presidente de Portugal “Foi um grande trabalho da nossa diplomacia, um grande esforço que todos temos feito, todos os órgãos de soberania, todos os partidos”. António Costa, primeiro-ministro de Portugal “António Guterres tem a capacidade de estabelecer pontes. Ele vai ser um secretário-geral que representa a voz das Nações Unidas como tal, de todas as nações, de todos os 193 países que fazem parte das Nações Unidas”, Augusto Santos Silva, ministro dos Negócios Estrangeiros “Triunfou uma forma participada, contra manobras de última hora”, Jorge Sampaio, presidente de Portugal “Que a sua sensatez e o respeito que a sua voz inspira no mundo possam fazer a diferença”. Cavaco Silva, presidente de Portugal “É histórico para Portugal, é a primeira vez que um português terá este lugar tão relevante”. Passos Coelho, líder do PSD As Nações Unidas mostraram-se imunes a “manobras mais ou menos estranhas”. Catarina Martins, líder do BE Uma vitória pessoal e da diplomacia portuguesa que “honra muito Portugal”. Assunção Cristas, líder do CDS É necessário contrariar a “linha de instrumentalização” da ONU. Ângelo Alves, dirigente do PCP “Uma boa notícia para a ONU e para Espanha”. Mariano Rajoy, primeiro-ministro de Espanha “Um bom amigo, um homem de visão, coração e ação. A cooperação entre a União Europeia e as Nações Unidas vai tornar-se mais forte”. Federica Mogherini, Alta Representante da União Europeia para os Negócios Estrangeiros e Política de Segurança Visto de fora A imprensa internacional destaca a capacidade de diálogo de António Guterres, o facto de se ter imposto aos candidatos femininos ou a surpreendente união do Conselho de Segurança das Nações Unidas. O editorial do “New York Times”, “uma nova voz para um mundo complicado”, começa logo por dizer que Guterres é “uma excelente escolha para suceder a Ban-Ki Moon”. O “Observador” fez um apanhado do que foi dito “lá fora”. O “DN” recolhe vários depoimentos que contestam a provável eleição de um homem, quando seria expectável a nomeação de uma mulher enquanto secretária-geral da ONU. O “Economist” saúda Guterres até porque considera os dois mandatos de Ban-Ki Moon um “flop” mas cita o seu antecessor: “um homem de princípios mas também um pragmático”. A BBC pergunta (e responde): “quem é António Guterres?” Os trabalhos de Guterres Enquanto todo o país e (grande parte do) mundo rejubilam com a vitória de guerra, já se apontam alguns dos desafios que o novo secretário-geral das Nações Unidas terá de enfrentar. A guerra na Síria, a questão dos refugiados, a desigualdade, a Coreia do Norte ou a Rússia são apenas uma parte dos problemas com que Guterres se irá defrontar. O “Diário de Notícias” já descobriu dez. Vencidos
Se Guterres é o grande vencedor, Kristalina Georgieva e Angela Merkel são os maiores perdedores desta eleição. A chanceler defendeu, à última hora e com o apoio de países como a Hungria a candidatura Kristalina. Ambas perderam e o seu futuro parece cada vez mais comprometido. Georgieva terá que abandonar o seu cargo de comissária europeia?
OUTRAS NOTÍCIAS
FMI diz que as coisas vão piorar. Num relatório ontem publicado, o FMI diz que Portugal não irá cumprir as metas orçamentais em 2017. Que este ano não ficará abaixo dos 3%. E que em 2021 terá o pior défice em toda a zona euro. Marcelo pediu “princípios” aos políticos portugueses. O Presidente da República, durante o seu discurso do 5 de Outubro, pediu aos políticos portugueses que dessem o exemplo. Até porque, há “casos a mais de princípios vividos a menos”. Vem aí o Orçamento do Estado para 2017. Rosa Pedroso Lima, Helena Pereira e Adriano Nobre desenharam por isso um guia, em 18 pontos, para sabermos o que mais nos irá acontecer. Saiba aqui o que está em causa e os impostos que podem recair sobre o vinho. Novo Banco resolvido até final deste mês? A intenção do Banco de Portugal é fechar a venda do Novo Banco, que poderá ir para os chineses do Minsheng Bank, até ao fim de outubro. A data é, porém, flexível e tem sido constantemente adiada. Mais de 15 mil na inauguração do MAAT. O novo museu da Fundação EDP foi visitado, entre as 12h e as 19h, por mais de 15 mil pessoas. O afluxo foi tanto que obrigou, por razões de segurança, ao fecho da passagem pedonal que liga aquela área à beira-rio ao Museu dos Coches. Donald Trump cai nas sondagens. Várias sondagens publicadas nos últimos dias também como certa uma derrapagem na campanha eleitoral do candidato republicano. Nas vésperas do segundo debate, a acontecer na madrugada de domingo para segunda-feira, os republicanos vêem-se na eminência de perder estados como a Pensilvânia, Florida e Carolina do Norte sendo obrigados a rever a sua estratégia.
O QUE ANDO A LER
“Para mim, comemos todos a mesma maçã. Adão, Eva, o rebelde Jesus, em toda a sua glória, e Satanás fazem todos parte do plano de Deus para fazer de nós homens e mulheres, para nos oferecer as dádivas preciosas da terra, da sujidade, do suor, do sangue, do sexo, do pecado, da bondade, da liberdade, do cativeiro, do amor, do medo, da vida e da morte… da nossa humanidade e de um mundo só nosso”.
Poderia ter sido António Guterres a escrever estas palavras, logo que fez parte da Juventude Católica durante a sua juventude ou mesmo já muito depois disso. Mas não. Elas saíram da pena de alguém de um rocker marcado por uma educação católica. Alguém que também está habituado aos grandes palcos deste mundo. Chama-se Bruce Springsteen e acaba de publicar a sua autobiografia, “Born To Run”. O volume, com mais de 560 páginas, já conheceu tradução para português (Elsinore) e é um relato em tom confessional do percurso de um músico americano de Nova Jérsia capaz de atrair dezenas de milhar de espectadores aos seus concertos como se provou ainda este ano, no Rock in Rio.
A sua canção mais representativa é, muito provavelmente, a que dá título ao livro e onde canta “trumps like us, baby we were born to run”. Já o livro, que só agora comecei a ler, acaba assim: “o caminho está livre: acelero a fundo e a velocidade regressa a casa nos meus braços”.
Parabéns António Guterres.
Tenha um bom dia! |
"É escusado. Não posso ter outro partido senão da liberdade" Miguel Torga "Há uma disciplina que faz hoje maior falta: é a cultura geral" Diogo Freitas do Amaral " Se a politica é a arte do possível, então cabe os lideres políticos, a tarefa de tornar o possível a realidade" Kofi Annan " O importante não é nunca cairmos, é sermos sempre capazes de nos levantar por muitas vezes que nos derrubem" Nélson Mandela
quinta-feira, 6 de outubro de 2016
António Guterres, um português no topo do mundo
quarta-feira, 18 de maio de 2016
Deixem-se de tretas, força nas canetas que os maiores são....os bancos portugueses
São 23. Sabem chutar uma bola. E dizem que são magníficos. Só falta provar que conseguem ganhar o Euro 2016. E deixem-se de tretas, como cantava Herman José, força nas canetas que o maior é Portugal.
Pode ver aqui quem são os eleitos por Fernando Santos, que acabou por trocar Tiago por Renato Sanches. Ele lá deve saber porquê. Custa-me a crer que o selecionador tenha cedido aos grandes interesses financeiros que movem o futebol. Mas se hoje só se fala de futebol, ontem foi o dia da banca. E mais uma vez pelas piores razões. Parece que existe uma frente unida em defesa da banca nacional. Uma verdadeira seleção nacional. Não querendo ser desmancha-prazeres, noutras alturas em que tal aconteceu, por exemplo em 2011, o resultado não foi nada famoso. E para perceber o que está a passar-se é preciso recuar quatros anos. Quando os amigos Teixeira dos Santos e Carlos Costa fizeram as contas ao dinheiro necessário para o programa de resgate colocaram 12 mil milhões para recapitalizar a banca. Na altura foi excluída a necessidade de um programa que fizesse uma injeção de capital à cabeça nos bancos portugueses tal como aconteceu na Irlanda por exemplo. Portugal, dizia-se, não tinha os mesmos problemas na banca que tinham outros países. Pois não… Quatro anos depois, esses países resolveram os problemas dos seus bancos, e nós por cá, continuamos a lutar para não ter de pagar mais alguns. O governador do Banco de Portugal veio ontem defender mais uma vez a criação de um banco mau para limpar os ativos dos bancos do crédito mal parado. Mas para que isso aconteça é preciso que exista uma isenção da política de ajudas públicas. Bruxelas tem de ajudar. Uma medida que assentaria como uma luva à Caixa Geral de Depósitos. Este deve ter sido um dos assuntos no menu do almoço entre António Costa e a responsável pela supervisão europeia, Danièle Nouy. O primeiro ministro acabou por mais tarde pedir que os bancos e os reguladores se entendam para resolver o problema do mal parado. Na mesma conferência organizada pela Associação Portuguesa de Bancos e pela TVI, António Costa defendeu ainda que a venda do Novo Banco tem de ser a mais competitiva possível e excluiu descontos para os bancos que já estão a pagar o ex-BES através do Fundo de Resolução. Mas onde começa e onde acaba a responsabilidade de um Governo se meter na vida dos bancos? Isso vai depender da cor do partido do Governo, mas acima de tudo depende da vontade de quem lidera o banco de o querer ou permitir. Quando se anda por aqui há bem mais de uma década, temos a sorte de já termos visto o suficiente para sabermos que o Governo varia entre salvador e bicho papão. Conforme o interesse momentâneo do banqueiro. Fernando Ulrich revoltou-se ontem com o anterior Governo e Presidente da República por nada terem feito para defender os interesses do BPI em Angola. “Zero absoluto” foram as palavras usadas para atacar quem nada fez para defender a permanência do BFA no mercado angolano. Parece-me óbvio que qualquer governo deve defender os interesses nacionais no estrangeiro. Mas não foi este, nem o anterior governo, que criaram o problema Angola. Quem o fez foram as autoridades angolanas. Fica bem a Fernando Ulrich dizer que o governador do Banco de Angola elogia o BFA, mas seria muito melhor se a supervisão funcionasse de facto naquele mercado de forma a ser equiparada com a europeia. Se isso acontecesse, o BPI não teria qualquer problema naquele mercado. Entretanto a administração do BPI considerou a OPA lançada pelo Caixa Bank como oportuna mas não deixou de dizer que o preço é baixo ao avaliar as ações do banco 38% acima do preço oferecido pelos espanhóis. |
OUTRAS NOTÍCIAS
Confesso que cada vez percebo menos sobre a questão das 35 horas. No mesmo dia o primeiro-ministro diz que as 35 horas serão aplicadas a 1 de Julho para todos os trabalhadores em funções públicas e que não há uma aplicação faseada. Horas mais tarde Mário Centeno diz que a medida das 35 horas “abrange apenas uma parte dos trabalhadores em funções públicas", pois existem algumas classes profissionais que "têm horários de trabalho próprios". E ainda que poderá haver casos em que será preciso criar uma norma transitória. Será que António fala com o Mário?
Um tema que está a dividir PS do Bloco e do PCP. Nenhum deles deve ter ficado contente com o Conselho de Finanças Públicas. Teodora Cardoso voltou a chumbar as contas do Governo, desta vez as que fazem parte do Programa de Estabilidade e Crescimento. É que os números das exportações e do investimento continuam sem ser explicados pelo Ministério das Finanças. O "I" noticia que Bruxelas está a aumentar a pressão sobre Portugal. Hoje a Comissão Europeia vai analisar as contas dos vários países e espera-se um puxão de orelhas a Portugal. Deverão ser apresentadas novas recomendações para que o Governo corrija as contas. O Governo anunciou ontem que não vai abrir novas turmas em metade dos colégios com contrato de associação. O mesmo foi comunicado à Associação de Estabelecimentos do Ensino Privado pela secretária de estado-adjunta da Educação, Alexandra Leitão. A decisão torna inviáveis metade dos 79 colégios com contrato de associação defende o setor. O Público escreve hoje que no total serão 370 turmas que deixarão de ser financiadas. Após dois meses de investigação, a Polícia Judiciária deteve ontem sete suspeitos dos crimes de sequestro qualificado e homicídio, entre outros crimes, de João Paulo Fernandes, o empresário de Braga sequestrado no passado dia 11 de março na presença da filha de oito anos. Dos sete detidos, três são advogados, e um deles vice-presidente do PDR, e quatro são empresários. A Ordem dos Médicos entregou ontem na Assembleia da República uma petição que reuniu mais de 15 mil assinaturas, para que os pais com filhos até aos 3 anos tenham uma redução de duas horas no horário de trabalho. Também a petição para proibir o uso, venda e distribuição do pesticida glifosato já reuniu as 15 mil assinaturas necessárias para ir a discussão na Assembleia da República. É daqueles murros no estômago que ainda apanhamos apesar dos horrores que a guerra no médio oriente e suas consequências nos foram habituando. Dos campos de refugiados vem a notícia do crescente número de meninas que são entregues pelos pais para casarem a troco de cerca de 3.500 euros. O incêndio que já é considerado o maior desastre natural da história do Canadá continua sem controlo, ameaçando agora quatro campos de exploração de petróleo. O Museu que não se vê, é o tema da exposição temporária que se inaugura hoje no Museu de Arte Antiga. Nela poderemos ver muitas peças de arte da coleção deste museu que nunca foram mostradas. Até ao próximo dia 25 de Setembro, sendo que hoje a entrada é gratuita, tal como no próximo sábado, entre as 18:00 e a meia-noite, em que se celebra a Noite dos Museus. Há uma nova esperança para o tratamento de depressão profunda e que estará numa substância alucinogénica existente num tipo de cogumelos que eram consumidos pelos astecas. Também no combate aos vírus, surge nova esperança, pois foi criada uma nova molécula capaz de os destruir. E se o twitter deixasse de contabilizar fotografias e links externos no limite de 140 carateres de cada publicação? Talvez isso venha a acontecer em breve como noticia a agência Bloomberg. Atualmente já é comum procurarmos no facebook, no linkedin e no google o nome de alguém que acabámos de conhecer, mas num futuro próximo talvez seja difícil resistir à tentação de fotografarmos as pessoas que vamos conhecendo para obtermos informações através da FindFace, a nova app russa que ameaça acabar ainda um pouco mais com a privacidade. O QUE DIZEM OS NÚMEROS
5 mil milhões. É o valor, em dólares, movimentado pelas redes de tráfico de pessoas na Europa no ano passado.
4%. É quanto caiu a coleta de impostos pela Câmara de Nova Iorque provenientes da hotelaria. Tudo por causa do Airbnb. 19 milhões. É o valor, em euros, que a BBC pretende poupar com o encerramento de várias secções do seu sítio na internet como comida, viagens e notícias locais. A notícia criou um movimento contra o fim do site de receitas que num só dia recolheu 120 mil assinaturas. A empresa está a reconsiderar a proposta. 60 cêntimos. É o valor da flutuação do preço da cerveja salgada galega Mustache, que é feita com água do mar das Rias Baixas e cujo preço varia de acordo com as marés. É uma espécie de jogo de bolsa para quem decide comprar a dita cerveja. 100.000. O número de órbitas ao nosso planeta que a Estação Espacial Internacional acaba de ultrapassar. Tudo feito a uma velocidade de 28 mil quilómetros por hora. O QUE EU ANDO A LER
As viagens dão sempre a oportunidade para ler aqueles clássicos que ficaram presos ao pó do armário. Vernon Sullivan não lhe deve dizer nada. Pseudónimo literário usado para escrever autenticas paródias criminais. Obras onde Boris Vian usava toda a sua imaginação para urdir uma crítica feroz à sociedade através de um humor único. Isto tudo embrulhado numa espécie de James Bond encontra a equipa CSI nos anos 40.
“Morte aos feios”, no original “Et on tuera tous les affreux” é um livro polémico, como quase toda a obra de Boris Vian se tivermos em conta que foi publicado em 1948. As referências sexuais e a crítica à sociedade americana da costa leste estão espalhadas por toda a obra. |
A Europa cada vez menos (mais?) parecida consigo
Dezoito anos de prisão para o “capitão” e seis para o seu “ajudante”. O tribunal de Catania (Sicília, Itália) proferiu ontem esta sentença aos responsáveis pelo até agora considerado maior desastre relacionado com migração, no qual morreram 700 pessoas em… quantos minutos? O navio naufragou ao largo da Líbia em 18 de abril de 2015. Segundo o testemunho de um dos apenas 28 sobreviventes, seguiam 950 pessoas a bordo quando o navio adornou e se afundou. O tunisino Mohamed Ali Malek, de 27 anos e o sírio Mahmud Bikhit, de 25, foram detidos de imediato pela polícia italiana, porém negam até hoje qualquer responsabilidade. Insistem que eram “refugiados” sujeitos à receita combinada de perigo+negócio que alegadamente aplicaram. São acusados de homicídio negligente e facilitação ao tráfico de seres humanos, como pode aqui ler no site do jornal La Repubblica. Se não fosse proveitoso, o Centro Europeu contra o Tráfico de Migrantes não concluiria que as redes de tráfico humano na Europa geraram entre 4,4 mil milhões e 5,3 mil milhões de euros no ano passado.
O julgamento de ontem do tribunal daquela cidade siciliana diz respeito a um dos três naufrágios que, combinados, fizeram 1244 mortes no Mediterrâneo. Só em abril do ano passado. Foram estes naufrágios mais a imagem da criança síria Alan Al-Kurdi afogada na Turquia que desencadearam a onda de solidariedade (e ação) da sociedade civil europeia que gritou “welcome refugees!” em desafio à morosidade das deliberações de Bruxelas. Em meses, o encerramento de uma série de fronteiras na Europa mudou a face da União tal como a conhecíamos e praticávamos há 30 anos, talvez sem darmos por isso. Afastamo-nos de tal maneira dos desígnios da Europa sem fronteiras desenhadas em Schengen, que a Comissão Europeia redigiu um “Roadmap back to Schengen”. O documento, que pode consultar aqui, data de março de 2016 e teria sido impensável há apenas seis meses. 22 dos 28 Estados europeus ainda acreditam que Schengen sobreviverá à crise de refugiados, como pode ler nesta página do Conselho Europeu das Relações Exteriores (ecfr.eu). Ao mesmo tempo, os partidos de extrema-direita europeus organizam-se e os ânimos antieuropeus em países como o Reino Unido encarniçam-se à vista de todos. O referendo ao Brexit é já a 23 de junho - encontra aqui respostas às suas perguntas - e 51% dos eleitores inquiridos dizem que vão votar para que o Reino Unido fique na União. Se assim não for, ninguém sabe… David Cameron resiste. |
OUTRAS NOTÍCIAS
Os tártaros da Crimeia assinalam hoje os horrores de 1944, quando 230 mil foram deportados para o que é hoje o Uzbequistão. Menos de metade sobreviveu. As autoridades ucranianas aproveitam a ocasião para protestar contra a anexação da península que a Rússia fez em 2014 usando cartazes onde se lê “Somos todos tártaros da Crimeia”. A cantora Jamala que venceu o Festival Eurovisão com uma canção lamentando a deportação da sua avó ganhou estatuto de heroína nacional.
A paz na Síria… foi com esperança reduzida que se reuniram ontem em Viena de Áustria os 17 do Grupo Internacional de Apoio à Síria liderados pelos chefes da diplomacia dos Estados Unidos e da Rússia, John Kerry e Sergei Lavrov. O objetivo era relançar a paz que ficou entretanto adiada apesar do acordo assinado em fevereiro. Foi acordado que haveria distribuição aérea de alimentos às áreas ocupadas, mas as fraturas ficaram evidentes quando foi impossível marcar nova data para o recomeço das negociações de paz. Estes cinco anos de matança resultaram em 47 mil mortos.
As ruas de Paris andam agitadas com os protestos contra a nova lei laboral. É a sexta proposta de alteração da lei do trabalho em pouco mais de dois meses, que conseguiu a união de sete sindicatos contra ela. Leia aqui pormenores.
Pela primeira vez, as autoridades chinesas comentaram Revolução Cultural, sobre a qual passam agora 50 anos. O jornal People’s Daily chamou-lhe “um completo erro”… no qual milhões foram executados e milhares morreram ao longo de uma década de purgas caóticas impulsionadas por Mao. Donald Trump declarou estar disposto a encontrar-se com o líder da Coreia do Norte para discutir cara a cara o programa nuclear de Pyongyang. Na campanha às presidenciais do empresário vale tudo, resta saber a reação de Kim Jong-un… Chris Ghaiter já prestou declarações, depois de o ciclo mais próximo de Prince ter mantido o silêncio até agora. Conhecido por Romeo, era o guarda-costas do músico desde 2012 e até à noite em que morreu. A CNN reporta as declarações de Chris/Romeo, que não quer que haja dúvidas: Prince não tinha nenhuma dependência de analgésicos, ninguém que lhe fazia a mala todos os dias - ele - poderia não dar por isso. Por cá, fique a saber porque é que é vital que os pais passem mais tempo com os filhos, agora que a natalidade está na ordem do dia e a discussão alterna com o debate sobre opções e tradições. Os partidos não se entendem quanto às 35 horas, leia aqui no Expresso o estado da arte. As turmas de início de ciclo não abrem em 39 colégios, o que representa uma poupança de 43% no financiamento a novas turmas. Leia aqui a opinião de Ricardo Costa sobre os contratos de associação, aqui desenvolvidos no Expresso. Manchetes de hoje: “Cortar nos colégios permite oferecer manuais escolares” escreve o DN. O Público também destaca: “Estado vai deixar de financiar 370 turmas dos colégios com contrato”. Já o i escolhe “Défice: Bruxelas aumenta pressão sobre Portugal”. O Correio da Manhã titula com o crime do empresário de Braga: “Advogados encomendam morte de empresário”. O Conselho de Finanças Públicas (CFP) tem dúvidas sobre as previsões de crescimento económico inscritas pelo Governo no Programa de Estabilidade, como aqui explica o João Silvestre. O Teatro Nacional de São Carlos tem um novo diretor artístico, Patrick Dickie. Soube-se ontem que consultor, produtor e dramaturgo britânico, até aqui programador convidado do teatro de ópera de Lisboa, que assinou a atual temporada lírica (setembro de 2015 a junho de 2016) sucede a Paolo Pinamonti. A seleção nacional já tem hino para a campanha do Europeu de 2016. A composição de Paulo Lima “pretende gerar uma onda de confiança”, como poderá verificar aqui no DN. Os 23 eleitos para França foram anunciados ontem, leia aqui. FRASES
“Todas as opções estão em aberto no Novo Banco”, António Costa, primeiro-ministro assegurando a defesa dos contribuintes
“Os bancos precisam de rever os seus modelos de negócio”, Daniéle Nouy, presidente do conselho de supervisão europeu “Posso ter cometido erros, mas não cometi crimes”, Dilma Rousseff, ex-Presidente do Brasil no seu último discurso como tal “Arrancaram-me as unhas, chicotearam-me, abriram-me as costas com lâminas e puseram sal nas feridas”, Shahbaz Taseer, paquistanês sequestrado entre 2011 e 2015 pelo Movimento Islâmico do Uzbequistão, filho do governador do estado do Punjab, Salman Taseer, assassinado por se opor à lei da blasfémia, citado num exclusivo da CNN O QUE ANDO A LER
“O Verão de 2012”, de Paulo Varela Gomes. Há 15 dias escrevi aqui que estava a lançar-me na leitura de “Era uma vez em Goa”, mas “O Verão…” interpôs-se pelo caminho e ganhou. Este texto foi publicado em 2013 e é sobre o ano anterior, o ano “terrível” para o paciente daquele narrador - que o designa por P. -, que em maio é sujeito “à mais revoltante das coincidências” daquele ano: “de repente, foi diagnosticado a P. um cancro incurável”. A maravilhosa escrita de Paulo Varela Gomes ressoa a erudição a que nos habituou enquanto “nos enche” de numerosos exemplos do modo como olhava o mundo com o sublinhado que a despedida dá. “Quando recebeu a notícia de que estava mortalmente doente, a sua fúria desvaneceu-se de repente. A descoberta da conjura do cancro, as suas arengas contra o progresso, vieram depois, no mês de agosto, quando readquiriu alguma esperança. Até então, tudo se passou como se tivesse caído um grande silêncio, como se o vento soprasse mais devagar, como se os pássaros que pousavam nos arbustos e nas árvores encostadas à sua casa tivessem firmado com ele um pacto de calma e sossego. Tudo o que não era o vórtice da doença, das suas consequências prováveis, das suas circunstâncias e pequenos acidentes, tudo ficou suspenso”. Paulo Varela Gomes teve a gentileza de colocar um narrador entre nós a e matéria da escrita. Não fica mais fácil de ler do que o texto escrito na primeira pessoa que publicou na Granta, “Morrer é mais difícil do que parece”. Na verdade, ficam ambos sujeitos ao juízo do quanto de nós, leitores, é capaz de aceitar a morte.
Por falar em morte - What’s done is done -, recomendo vivamente (passe-se a expressão) o filme Macbeth, de Justin Kurzel. Veja aqui o trailer oficial britânico e não pense que já conhece pelo menos 20 versões da peça de Shakespeare. Acredite que lhe falta ver esta, escrita por Jacob Koskoff, Todd Louiso, e Michael Lesslie! Este extraordinário Macbeth de Michael Fassbender - a crítica inglesa disse que ele nasceu para o papel - (para esta leitura que os guionistas fazem de Shakespeare) é à prova até da bala da crítica (sobranceira) do New York Times, como aqui pode ler. A Europa deveria continuar a ser isto que acontece tantas vezes no cinema e que aqui ganha contornos particulares: esta peça do mais inglês dos ingleses sobre um rei escocês é protagonizada por um alemão e uma francesa (Marion Cottilard). Kopf hoch! |
quarta-feira, 4 de maio de 2016
Marcelo está em casa
Marcelo Rebelo de Sousa está em casa. Ele gosta de Moçambique e Moçambique gosta dele. Não admira portanto que aquele tenha sido o país escolhido para destino da sua primeira visita de Estado enquanto Presidente da República. Após o primeiro dia na África Austral, prossegue uma agenda num país com alta tensão ao centro, como aqui se explica . Marcelo tem na agenda encontros com o partido no Governo, Frelimo, e com o maior partido na oposição, a Renamo. Além da palavra de ordem dada para que o investimento em Moçambique continue e aumente, espera-se que Marcelo gira com pinças a abordagem do tema instabilidade-que-se-faz-sentir no país e à qual o Governo moçambicano não reconhece mais do que estatuto de “pequenos distúrbios”. No primeiro dia da visita, ao ser inquirido pelos jornalistas sobre o assunto, o Presidente português escusou-se responder: “Não podemos falar sobre assuntos de soberania de outro país.” e lembrando ditado português que diz não convir “pôr o carro à frente dos bois”.
Em terras moçambicanas, Marcelo desdramatiza as previsões da Comissão Europeia sobre a evolução da economia portuguesa e elogia o défice de 2,7%. “A questão é que aquilo que Marcelo considera "uma boa notícia" fica bastante aquém do que o Executivo havia prometido à Comissão (um défice de 2,2%) e igualmente aquém daquilo que é exigido pelas autoridades europeias. Onde o Presidente da República vê "um ponto bom", pois quer um lado quer outro "acham que fica abaixo dos 3%", para Bruxelas é mau, porque significa uma consolidação orçamental quase nula e não cumpre a regra de redução do défice estrutural em pelo menos 0,5.”, escreve o Filipe Santos Costa.
Quanto ao acordo ortográfico, a reabertura do dossiê proposta por Marcelo Rebelo de Sousa ficará para depois. As regras encontram-se em vigor e assim se manterão, declarou ontem o ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva. Isto quer dizer que “o Governo vai serenamente esperar pelos desenvolvimentos”.
Em terras moçambicanas, Marcelo desdramatiza as previsões da Comissão Europeia sobre a evolução da economia portuguesa e elogia o défice de 2,7%. “A questão é que aquilo que Marcelo considera "uma boa notícia" fica bastante aquém do que o Executivo havia prometido à Comissão (um défice de 2,2%) e igualmente aquém daquilo que é exigido pelas autoridades europeias. Onde o Presidente da República vê "um ponto bom", pois quer um lado quer outro "acham que fica abaixo dos 3%", para Bruxelas é mau, porque significa uma consolidação orçamental quase nula e não cumpre a regra de redução do défice estrutural em pelo menos 0,5.”, escreve o Filipe Santos Costa.
Quanto ao acordo ortográfico, a reabertura do dossiê proposta por Marcelo Rebelo de Sousa ficará para depois. As regras encontram-se em vigor e assim se manterão, declarou ontem o ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva. Isto quer dizer que “o Governo vai serenamente esperar pelos desenvolvimentos”.
quarta-feira, 27 de abril de 2016
Estado tem milhões em offshores. Violência por uma casa de Kebab adentro. Marcelo está mesmo a mudar isto? E algo estranho acontece
Boa tarde,
O Estado tem 148 milhões de euros em paraísos fiscais, €131 milhões na ilha de Jersey e €17 milhões na Jordânia. Pelo menos é o que dizem os dados mais recentes (vão até junho do ano passado) do FMI sobre as aplicações financeiros dos governos, documentação essa que o João Silvestre analisou. Acrescente-se que estas duas regiões fazem parte da lista 'negra' das Finanças.
Uma das notícias que se tornaram mais virais nesta terça-feira foi sobre o que se passou na manhã de segunda-feira no Cais do Sodré, quando um grupo de 15 jovens invadiu um restaurante, cujo dono aparece num vídeo a lutar com os 15 invasores. O Hugo Franco e a Joana Pereira Bastos explicam não só como a violência entrou às 7h3O da manhã por uma loja de kebab adentro como é o lado oculto da noite lisboeta.
Neste 25 de Abril, a esquerda aplaudiu um Presidente de direita, que disse haver espaço de convergência entre PS e PSD e que fez um discurso considerado “abrilista” por Manuel Alegre O que está a acontecer? Este 25 de Abril mudou mesmo alguma coisa? No seu artigo, a Helena Pereira responde a estas interrogações.
No sábado há clássico de futebol no estádio do Dragão, onde o FC Porto recebe o Sporting. A este propósito, a Mariana Cabral foi perguntar a um pentacampeão, Chainho, como se lida com a falta de vitórias num clube habituado a ganhar (o FC Porto já não poder sair do 3º lugar, mas ainda pode mexer com a luta pelo título, se vencer). E Chainho tem a solução: flores. É ler o artigo da Mariana, o primeiro de um conjunto de quatro que o Expresso vai publicar ao longo desta semana a propósito do clássico.
Expresso desta segunda-feira não só dá novidades sobre o caso TAP (a assinatura do acordo que permite ao Estado recuperar 50% da empresa foi adiada) como revelamos e analisamos o memorando de entendimento que o Governo não divulgou publicamente, um trabalho da Margarida Fiúza e do Pedro Santos Guerreiro.
Ainda nesta edição, publicamos um vídeo sobre um dos casos de que a Sic falou ontem no seu novo programa, “E se Fosse Consigo”. Tem seis minutos e 36 segundos, mas o que se vê e ouve é tão veemente, tão sincero, tão duro, tão violento e tão cru que não se dá por eles.
Nas dicas de poupança, o Pedro Andersson dá conselhos sobre seguros que os bancos associam à concessão de empréstimos pessoais (não, não é obrigatório!). Na tecnologia, o Carlos Magno explica que resolução precisamos (ou não) para os vários ecrãs, das televisões aos telemóveis, e que o “último grito” nesta matéria, o 4 K, não é a melhor opção na maior parte dos casos. E no espaço ocupado geralmente pelo Henrique Monteiro (que está esta semana de férias) algo estranho acontece: é este o nome da série de artigos baseados em algumas das histórias que a jornalista Lia Pereira tem ouvido nos transportes públicos e que se tornaram muito populares no Facebook. São conversas que podem ser banais mas ajudam a fazer um retrato de Portugal e da(s) vida(s) dos portugueses.
Na opinião, o Ricardo Costa analisa “O regresso do semipresidencialismo”, o Daniel Oliveira escreve sobre “Quando o incompetente quer ser fiscal” e o Henrique Raposo explica porque é que “Os millennials ressuscitam 1914”.
Boas leituras e um bom resto de dia, mesmo que não tenha um ecrã 4 k para ver que algo estranho acontece
O Estado tem 148 milhões de euros em paraísos fiscais, €131 milhões na ilha de Jersey e €17 milhões na Jordânia. Pelo menos é o que dizem os dados mais recentes (vão até junho do ano passado) do FMI sobre as aplicações financeiros dos governos, documentação essa que o João Silvestre analisou. Acrescente-se que estas duas regiões fazem parte da lista 'negra' das Finanças.
Uma das notícias que se tornaram mais virais nesta terça-feira foi sobre o que se passou na manhã de segunda-feira no Cais do Sodré, quando um grupo de 15 jovens invadiu um restaurante, cujo dono aparece num vídeo a lutar com os 15 invasores. O Hugo Franco e a Joana Pereira Bastos explicam não só como a violência entrou às 7h3O da manhã por uma loja de kebab adentro como é o lado oculto da noite lisboeta.
Neste 25 de Abril, a esquerda aplaudiu um Presidente de direita, que disse haver espaço de convergência entre PS e PSD e que fez um discurso considerado “abrilista” por Manuel Alegre O que está a acontecer? Este 25 de Abril mudou mesmo alguma coisa? No seu artigo, a Helena Pereira responde a estas interrogações.
No sábado há clássico de futebol no estádio do Dragão, onde o FC Porto recebe o Sporting. A este propósito, a Mariana Cabral foi perguntar a um pentacampeão, Chainho, como se lida com a falta de vitórias num clube habituado a ganhar (o FC Porto já não poder sair do 3º lugar, mas ainda pode mexer com a luta pelo título, se vencer). E Chainho tem a solução: flores. É ler o artigo da Mariana, o primeiro de um conjunto de quatro que o Expresso vai publicar ao longo desta semana a propósito do clássico.
Expresso desta segunda-feira não só dá novidades sobre o caso TAP (a assinatura do acordo que permite ao Estado recuperar 50% da empresa foi adiada) como revelamos e analisamos o memorando de entendimento que o Governo não divulgou publicamente, um trabalho da Margarida Fiúza e do Pedro Santos Guerreiro.
Ainda nesta edição, publicamos um vídeo sobre um dos casos de que a Sic falou ontem no seu novo programa, “E se Fosse Consigo”. Tem seis minutos e 36 segundos, mas o que se vê e ouve é tão veemente, tão sincero, tão duro, tão violento e tão cru que não se dá por eles.
Nas dicas de poupança, o Pedro Andersson dá conselhos sobre seguros que os bancos associam à concessão de empréstimos pessoais (não, não é obrigatório!). Na tecnologia, o Carlos Magno explica que resolução precisamos (ou não) para os vários ecrãs, das televisões aos telemóveis, e que o “último grito” nesta matéria, o 4 K, não é a melhor opção na maior parte dos casos. E no espaço ocupado geralmente pelo Henrique Monteiro (que está esta semana de férias) algo estranho acontece: é este o nome da série de artigos baseados em algumas das histórias que a jornalista Lia Pereira tem ouvido nos transportes públicos e que se tornaram muito populares no Facebook. São conversas que podem ser banais mas ajudam a fazer um retrato de Portugal e da(s) vida(s) dos portugueses.
Na opinião, o Ricardo Costa analisa “O regresso do semipresidencialismo”, o Daniel Oliveira escreve sobre “Quando o incompetente quer ser fiscal” e o Henrique Raposo explica porque é que “Os millennials ressuscitam 1914”.
Boas leituras e um bom resto de dia, mesmo que não tenha um ecrã 4 k para ver que algo estranho acontece
sexta-feira, 15 de abril de 2016
O maior inimigo do Governo é o próprio Governo
Já se sabe: a realidade ultrapassa a ficção. E quase nunca é o que dizemos dela, pelo menos quando nos propomos prever o que vai acontecer. As aparências iludem. E por isso talvez sejam tão importantes em tantas ocasiões.
Ainda há um par de semanas se discutia o que iria derrubar se este governo. Se cairia devido à pressão de Bruxelas. Se seria a própria geringonça a desmanchar-se. Se seria o Presidente Marcelo, lá mais para diante, a deitar abaixo António Costa. Se Passos, ou outro alguém no PSD, recuperava o ímpeto oposicionista. Ora bem, esta semana mostrou que muito provavelmente o maior inimigo do Governo de Portugal está dentro do próprio executivo. Serão os próprios ministros capazes de destruir o que o seu líder tão diligentemente construiu depois das eleições de 4 de outubro? O PSD ataca o ministro das Finanças no caso Banif, acusando-o de ter mentido na comissão de inquérito. Está na primeira página do jornal “i” de hoje e é manchete do “Jornal de Negócios”. Terá Mário Centeno escondido que recomendou a venda do banco português ao Santander? Deputados do PSD pedem o seu regresso à comissão, de maneira a esclarecer o sucedido. Mas é por aí que a geringonça estremece? Uma acusação que parece surtir tanto efeito quanto o contra-ataque do Governo relativamente ao Governador do Banco de Portugal: foi Carlos Costas quem pediu ao Banco Central Europeu restrições à liquidez do Banif, lê-se na manchete do “Público”. O Expresso revelou ontem a minuta da reunião do Conselho de Governadores do BCE que prova isso mesmo. Mas será por aí? Pela via presidencial é que o Governo não cai. Aviso aos incautos: o Expresso e a SIC publicam hoje uma sondagem, a primeira em que é avaliada a popularidade do Presidente da República, em que este bate todos os recordes das últimas temporadas. Mais de 50% de saldo positivo chegam e sobram para afastar Marcelo dessas quezílias. Dentro da geringonça, apesar da situação económica estar a piorar e das previsões em baixa do FMI, da Universidade Católico e do próprio Governo, o povo é sereno. O ministro da Finanças “já avisou os parceiros parlamentares que é preciso prudência no desenho do Programa de Estabilidade que levará a Bruxelas ainda neste mês”, conta o “Diário de Notícias” logo na primeira página. Bruxelas certamente que agradece. O que mexe então com este Governo? As páginas do Facebook dos seus membros e o que eles aí escrevem para os seus amigos. Os amigos, claro, também contam. João Soares, ministro da Cultura foi ontem substituído por Luís Filipe de Castro Mendes. Demitiu-se depois de ter metaforicamente prometido bofetadas a dois dos seus críticos. O país não suportou a ousadia e o primeiro-ministro despachou o assunto em grande velocidade. Mas hoje há nova controvérsia na pasta da cultura. O “Jornal de Notícias” escreve em parangonas que Castro Mendes não é Embaixador de pleno direito. O tribunal ter-lhe-á retirado a mais alta categoria da diplomacia depois de assim ser nomeado durante um dos governos de Sócrates. As redes sociais não carecem de mediação. A mensagem vai direta ao consumidor final. João Wengorovius Meneses, ex-secretário de Estado do Desporto e da Juventude, também usou nos últimos dias a ferramenta de Mark Zuckerberg para dizer que se ia embora, “em profundo desacordo com o Sr Ministro da Educação”. Colaborador do antigo executivo camarário lisboeta, foi ontem substituído por João Paulo Rebelo, que já esteve na Movijovem durantes os Governos Sócrates onde se envolveu em controvérsias. A Movijovem terá sido uma das razões do afastamento entre o Miniustro da Educação Tiago Brandão Rodigues e João Wengorovius Meneses. Rebelo também tomou ontem posse, tal como Miguel Honrado, novo secretário de Estado da Cultura, na mesma sessão que conduziu o poeta e diplomata Castro Mendes ao cargo de ministro da Cultura. Mas não contou com a presença do seu antecessor, ao contrário do que sucedeu com o novo ministro da Cultura. O primeiro-ministro António Costa também tem página pessoal no Facebook, mas à cautela não escreve lá nada há quase dois meses. Mas continua a falar com os amigos. O facto de ter informalmente empossado Diogo Lacerda Machado no cargo de “facilitador” (ou “doer”, em inglês) deste Governo tem gerado mais controvérsia do que a resolução de alguns bancos. O “Observador” tem enumerado essas ligações perigosas entre o PM e Lacerda Machado. Até porque o inimigo está sempre em casa. António Galamba, segurista, já lembrou que Lacerda Machado também já esteve presente na compra de helicópteros Kamov quando o atual primeiro-ministro era ministro da Administração Interna. A esse propósito, o Bloco de Esquerda, que não quer perder a áurea de zelar pela seriedade da res publica, vai acrescentar um artigo ao pacote de transparência que se exige a governantes de maneira a que estes consultores fiquem abrangidos pelo regime de incompatibilidades. No Facebook, que não é incompatível com o cargo de ministro defende Ricardo Costa, ou na vida real, os amigos são quase sempre o centro de tudo. Importa escolhê-los bem, até porque as aparências iludem e por isso são muitas vezes tão importantes. Escutemos Oscar Wilde: “Escolho os meus amigos pela sua boa apresentação, os meus conhecidos pelo seu bom carácter e os meus inimigos pela sua boa inteligência. Um homem não pode ser muito exigente na escolha dos seus inimigos”. |
OUTRAS NOTÍCIAS
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Micael Pereira vai continuar a publicar os resultados da investigação sobre os Panama Papers que, nos últimos meses, têm levado por diante com Rui Araújo da TVI junto do Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação.
Ontem, no Expresso, foi revelada bastante mais informação sobre a relação intensa entre Manuel Villarinho e a Mossack Fonseca. São dados que esclarecem as intenções do ex-presidente do Benfica (proteger os seus bens de penhora) e da própria Mossack Fonseca, particularmente empenhada em conhecer bem um cliente que esteve envolvido no caso Monte Branco e numa alegada agressão a uma stripper brasileira. Hoje, no Expresso da Meia Noite, às 23h na SIC Notícias, o tema volta a ser abordado, desta vez com a participação do diretor do Expresso, Pedro Santos Guerreiro. E amanhã, sábado, na edição semanal do Expresso, novas revelações serão feitas a partir dos documentos entretantos estudados pela equipa que em Portugal está a investigar a “maior fuga de informação de sempre”. Governo de Espanha deixa cair ministro da Indústria. Novas informações que ligam José Manuel Soria a atividades empresarias em paraísos fiscais dispararam os alarmes no governo do PP. O “El País” traz hoje na primeira página a história de como o ministro da Indústria e Turismo foi apanhado nos Panama Papers devido às ligações a uma empresa offshore em Jersey. Soria já não comparece no Conselho de Ministro que irá hoje ter lugar. Votação do impeachment de Dilma é mesmo no domingo. O Governo brasileiro recorreu ao Supremo Tribunal Federal para tentar adiar a votação de domingo, numa altura em que os seus aliados estão a desertar, mas as suas pretensões não foram atendidas. Segundo a “Folha de São Paulo”, o Supremo Tribunal também validou o processo de votação do afastamento de Dilma a acontecer no domingo: ao contrário do que era intenção do PT, ordem alfabética, foi decidido que os deputados de cada Estado votariam de Norte para Sul, de forma intercalada. John Kerry: “podíamos ter abatido os aviões russos”. O secretário de Estado norte-americano criticou vivamente o encontro militar no Mar Báltico entre um destroyer dos EUA e dois aviões de guerra da Rússia. O tal “encontro” foi descrito como um “ataque simulado” por parte da aviação russa, devido aos voos rasantes que, na terça-feira passada, dois aviões Sukhoi SU-24 fizeram ao porta-aviões Donald Cook. A agência de notícias Interfax cita um porta-voz do ministro da Defesa da Rússia que terá dito que as suas tripulações cumpriram todas as normas de segurança. Jeremyn Corbyn a favor da Europa. O líder do Partido Trabalhista britânico fez ontem o seu primeiro grande discurso a favor da manutenção do Reino Unido na União Europeia quando faltam dez semanas para o referendo que decidirá o Brexit. Corbyn junta-se a David Cameron no movimento The In Campaign, enquanto os partidários da saída, liderados por Boris Johnson, estão agrupados no Vote Leave. As sondagens, como a do What UK Thinks, dão 50% das intenções de voto a cada uma das partes. FRASES
“A tragédia da televisão portuguesa é o triunfo da telenovela” Manuel S. Fonseca ao “Jornal de Negócios”
“O candidato do CDS à Câmara de Lisboa pode ser um independente” Assunção Cristas ao jornal “i” Banco mau “tem de ser encarado com prudência”. Fernando Ulrich ao “Diário de Notícias” “Se nos mantivermos unidos e não deixarmos os Trumps deste mundo nos dividir podemos oferecer cuidados de saúde, educação, energia renovável, higiene financeira e impostos justos” Bernie Sanders no nono debate presidencial com Hillary Clinton “Derrubem as barreiras. Não apenas as barreiras económicas. Também as raciais, de género, homofóbicas, de invalidez. Estou a pedir-vos humildemente o vosso apoio. Nós não fazemos só promessas. Nós apresentamos resultados!”. Hillary Clinton no nono debate presidencial
O QUE EU ANDO A LER E A VER
“Júlio Pomar – Obra Gráfica” é o título da edição recentemente publicada pela editora Caleidoscópio onde se encontra recenseada a mais completa listagem de gravuras e serigrafias daquele artista português.
Inclui as imagens, algumas delas pela primeira vez, e muita informação além da que obviamente está disponível nestes casos. O trabalho é feito em colaboração com a Fundação Júlio Pomar e o Atelier-Museu Júlio o que garante propriedade a uma publicação que, sendo dedicada a um mestre da pintura portuguesa, é também um excelente manual de introdução ao colecionismo de gravuras e/ou serigrafias mercê dos textos incluídos. A recolha publicada é tão completa quanto possível, percorrendo com exaustão os anos de gravura (1948-1964) e da serigrafia (1974-2015). Trata-se de uma edição do maior relevo, mesmo descontado a importância de Pomar na história das artes plásticas em Portugal, quando surge uma renovada tendência pelo colecionismo, barato e mais acessível, da obra gráfica de grandes mestres. Tal sucede quando em Lisboa abriram (não tão) recentemente lojas que se dedicam à comercialização de múltiplos como é o caso de o Gabinete, de Delfim Sardo (Rua Ruben A. Leitão, 2B), e de A Pequena Galeria, de Alexandre Pomar (Avenida 24 de Julho, 4C). No mesmo movimento, começa também a ser muito facilitado o acesso a leilões não só em Portugal, onde se nota certo aquecimento do mercado, mas também internacionalmente, com a possibilidade de se licitar facilmente em qualquer parte do mundo através de sites ou apps como a Invaluable. Porém, todo o cuidado é pouco. O que parece distante não é tanto assim, desde que, mais uma vez, não nos esqueçamos de que as aparências, tal como na política, iludem. Bom fim de semana. |
terça-feira, 12 de abril de 2016
O que queremos ser quando formos grandes
O país anda com cargas elevadas de testosterona. Depois de João Soares ter ameaçado dar bofetadas em Vasco Pulido Valente e Augusto M. Seabra, agora é Nuno Morais Sarmento, pugilista nas horas vagas, que diz na Renascença que já teve vontade de dar dois murros em Manuel Maria Carrilho. Não há só testosterona, também há adrenalina. No tema das offshores.
Os “Panama Papers” ocupam as primeiras páginas dos jornais há vários dias. O Expresso publicou ontem às 18 horas documentos que demonstram a ligação de Ilídio às offshores do Panamá. O empresário, recorde-se, tinha negado no sábado qualquer relação. Já hoje, o Correio da Manhã relaciona o caso com José Sócrates, dizendo que os dinheiros suspeitos de terem circulado ilegalmente no processo Vale do Lobo tiveram como destino a ES Enterprises. A ES Enterprises, o chamado “saco azul” do Grupo Espírito Santo (a expressão original é do Público), é uma sociedade que fez pagamentos sem deixar rasto durante mais de vinte anos, como o Expresso revelou no sábado. Trata-se da empresa mais misteriosa de uma rede de mais de 300 sociedades offshores criadas no âmbito do Grupo que colapsou em 2014. (Por falar em colapso do GES, o Negócios noticia hoje que a fazenda de 20 mil hectares – isso mesmo, 20 mil hectares - de arroz e soja do GES no Brasil foi colocada à venda). Também o jornal i prossegue o desenvolvimento do caso. Hoje, foi pesquisar benefícios fiscais de 42 milhões dados pelas Finanças ao longo dos anos a empresas já identificadas como tendo tido ligações com offshores criadas pela Mossack Fonseca. “No Panamá existem quatro advogados para um médico. É tanto um sinal de riqueza como de pobreza”, escreve Fernando Sobral no Negócios, sobre estes paraísos fiscais que só o são enquanto mealheiros de fortunas discretas, secretas, ocultas – ou as três coisas. No Jornal de Notícias, Mariana Mortágua conta uma conversa de 15 minutos que teve com um anónimo que lhe contou como nos anos 80 "achava que estava a enriquecer” mas nos anos 90 percebeu que “era tudo um balão, que quando furado, esvaziaria”: um negócio têxtil que beneficiou de subsídios da CEE que estoirou quando o euro (e a globalização) trouxe uma concorrência furiosa no setor. Este homem, cuja história é relatada como exemplo, chegou a esconder quase um milhão de contos (cinco milhões de euros) em offshores. Esta conversa anónima com a deputada do Bloco de Esquerda não trouxe informação útil à investigação, mas é de muitas informações úteis que uma investigação como estas se compõe. Se não fosse uma gigantesca fuga de informação de ficheiros da Mossack Fonseca, esta investigação jornalística não seria possível. É assim em muitos dos casos nos últimos anos, em que os chamados “whistleblower” (os “assobiadores”, nome para denunciantes) recolhem e enviam informação para investigações posteriores. “Leaks” tornou-se sufixo de grandes processos destes. “Leak” quer dizer fuga – fuga de informação. Estes denunciantes arriscam muitas vezes o pescoço na recolha da informação, o que revela grande coragem em nome de um interesse coletivo superior. Este tipo de investigação é aquilo que os jornalistas quando são pequenos querem fazer quando forem grandes. Mas há outras pessoas que engrandecem quando participam nas investigações espoletando-as ou municiando-as com informações, documentos e dados aos que podem depois ser consequentes na investigação. Ontem, os jornalistas Micael Pereira (Expresso) e Rui Araújo (TVI) falaram disso no Prós e Contras, sublinhando a parceria entre estes dois órgãos portugueses na investigação mundial dos “Panama Papers”. “Mais de 240 portugueses foram apanhados com offshores no Panamá. Nem todos são criminosos. Mas muitos são mentirosos”, escreve Sérgio Figueiredo, o diretor de informação da TVI, na sua coluna semanal do Diário de Notícias. É do conjunto destas denúncias e investigações que o mundo vai melhorando, mesmo que a passos de bebé. A União Europeia já veio dizer que quer total transparência das grandes empresas quanto aos lucros e aos impostos. No Negócios, Niels Johannesen, professor e investigador na universidade de Copenhaga, afirma: "Daqui a dez anos não espero escândalos como o Panamá Papers". Porque, resume a jornalista Elisabete Miranda, “com a troca automática de informações, dentro de pouco tempo os bancos vão estar a reportar dados às autoridades fiscais de meio mundo. Será o fim do segredo bancário e de escândalos como o do Panamá”. A luz faz-se um bocadinho de cada vez todos os dias. Por todos os investigadores e pelos corajosos que recolhem informação. Por interesse público. |
OUTRAS NOTÍCIAS
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António Guterres tem hoje a sua primeira audição nas Nações Unidas na campanha para ser secretário-geral da organização. É às 20 horas de Lisboa. O sucesso é muito difícil e, como explica a Luísa Meireles, quatro mulheres podem tramar-lhe a vida. Uma é Angela Merkel. Se avançar.
A comissão especial da Câmara dos Deputados do Brasil aprovou esta segunda-feira o relatório que propõe a destituição da Presidente Dilma Rousseff, relata o Jornal de Notícias. O Público nota que, quando se soube o resultado da votação, “os deputados favoráveis à destituição celebraram e começaram a cantar o hino nacional”. “Não há qualquer razão política ou constitucional para o impeachment”, diz Miguel Sousa Tavares. Michel Temer parece dar como certo que vai substituir Dilma Roussef na presidência. E já treina como tal. No WhatsApp. Luís Castro Mendes, o novo ministro da Cultura, “é uma escolha que parece agradar”, escreve o Jornal de Notícias. É costume dizer que o banco só se engana a seu próprio favor. Certo? Errado. Numa história rocambolesca, ficámos a saber que o Novo Banco transferiu milhares de euros por engano para antigos clientes. Agora, como noticia o Público a recuperação não é automática. Fonte da Caixa Geral de Depósitos, de que clientes receberam o dinheiro, confirmou o erro ao Económico. Banco mau, banco mau… A ideia foi de Carlos Costa e está a ser abraçada pelo governo: um caixote do lixo para extirpar ativos tóxicos dos bancos, numa solução semelhante à da Espanha. Mas também à da Irlanda e de Itália, como compara o Público. Alguém tem de pagar, lembra o Observador. Adivinhe quem gosta da conversa? A Associação Portuguesa de Bancos, ouviu o Económico. Na Renascença, Nuno Morais Sarmento diz que o PSD tem de discutir a proposta do governo. Já o acordo para o BPI está por detalhar mas implica que o Caixabank lance uma nova OPA sobre o banco português, escreve o Económico. O Diário de Notícias conclui que cotar o BFA na Bolsa de Lisboa “é uma boa notícia”. Se ainda não decorou este nome, vai acabar por decorá-lo: Diogo Lacerda Machado, o melhor amigo de António Costa, vai ser formalmente contratado pelo Estado nos próximos dias para prestar serviços de consultoria. Foi o próprio primeiro-ministro que o revelou em entrevista ao DN/TSF, afirmando não achar “estonteante” o interesse da comunicação social neste nome. Nós explicamos: a intervenção em diversos dossiês (como o papel comercial do Novo Banco e a TAP) justificam-no. Até porque, no caso da TAP, Lacerda Machado esteve envolvido no negócio mais ruinoso de sempre para a companhia, a compra da VEM. Notícia hoje no Público. O Supremo decidiu que Sabrina de Sousa, a ex-agente da CIA que vive em Portugal, vai para Itália. Mas se quiser volta. O CDS quer premiar empresas amigas das famílias. A medida consta de um pacote de propostas sobre demografia, natalidade e família que a líder centrista Assunção Cristas apresenta esta tarde, na sede nacional do partido. E com que assinala a passagem de um mês à frente do CDS. Aqui no Expresso. Quanto tempo já perdeu hoje no trânsito? E quanto vai ainda perder? Depende da cidade onde viver. Se for em Lisboa, a média é de 35 minutos diários: cinco dias e meio por ano fechado dentro do meio de transporte. No Porto a média diária é de 27 minutos: mais de quatro dias e oito horas por ano. O relatório faz manchete do Jornal de Notícias. Já agora, saiba onde a PSP vai ter radares até ao fim do mês. Vídeo de afegãos manietados enche televisões na Bulgária. Um grupo de vigilantes foi filmado a atar mãos de três refugiados atrás das costas e a deitá-los no chão, ordenando-lhes que abandonem a Bulgária e que voltem para a Turquia. Em Espanha, o PSOE saiu das negociações para formar governo, resignando-se a um cenário de novas eleições. “Olá Europa. Sou eu, o Leicester. O quase campeão inglês”. A história contada pela Mariana Cabral no Expresso deve ser lida por quem gosta de desporto e de heróis improváveis. Faltam cinco jornadas para o fim da Liga Inglesa de futebol. “Je suis Leicester”, escreve Henrique Raposo. Souto de Moura distinguido com Prémio Carreira da Bienal Ibero-Americana, titula o Público. Foram também premiados o Atelier Aires Mateus, SAMI e Menos É Mais, com João Mendes Ribeiro. FRASES
“Os primeiros-ministros de Portugal e da Grécia assinaram uma declaração conjunta contra a austeridade na Europa. Mal comparado, é assim como o Tondela e a Académica se unirem contra a Liga de Clubes”. SA, o cartoon diário de Luís Afonso no Negócios.
“Às vezes penso que fomos longe de mais [na série House of Cards, sobre a política americana], mas depois vejo as notícias”. Kevin Spacey, ator que faz de Presidente dos Estados Unidos na série. No Público. “Se António Costa pretende limpar o crédito malparado [com um novo banco mau] da Banca, tudo bem. Desde que não exija aos portugueses nem mais um cêntimo. (…) Terão os bancos capacidade de libertar o crédito malparado - constituído sobretudo por imobiliário - que ninguém parece interessado em adquirir e substituir esse património, considerado um ativo, por dinheiro? Ninguém minimamente atento acreditará em tal possibilidade.” Paula Ferreira, no Jornal de Notícias. “O PSD e o CDS têm medo de parecer “ideológicos”. O PCP e o BE receiam passar por “irresponsáveis”. O resultado é este: um país onde não há nada para discutir. Resta-nos ouvir Mario Draghi.” Rui Ramos, no Observador. O QUE EU ANDO A LER
“que mínima gente vem por aí à volta e aperta aperta / que nem se pode respirar”. Nasceu um novo livro do homem que morreu velho. “Letra Aberta”, de Herberto Helder, que nos deixou há pouco mais de um ano, então com 84 de vida.
A edição é da Porto Editora, que sublinha que não se trata de uma edição crítica da obra inédita, mas “apenas de uma escolha realizada pela viúva do poeta”. E nós “a lê-lo, que loucura, que estrela”. O conjunto de poemas é, como o é desde “Servidões”, muito sobre a morte que se aproxima e sobre a vida que se distancia. E sobre a palavra e o nome que “rebenta na boca, digamos, como uma castanha assada”. Mas há ainda sexo, ainda amor, no fim da vida é-se o que fizemos dela e ela de nós. “e punha o sê-lo da minha boca e tu acordavas toda e ficavas tocada toda todo o tempo lá no cabo do mundo onde morávamos durante um momento” Herberto Helder é (o tempo verbal não é um lapso, muito menos um acaso), um dos maiores poetas portugueses, no “poema contínuo” que escreveu toda a vida, longe do mediatismo que acabou por ter depois de morto, isto é, depois de vivo. Se a notoriedade póstuma o tornar mais lido, então é benévola. Tenha um dia bom. Mesmo bom. “- e eu pedi ao balcão: dê-me um poema, e o empregado olhou para mim estupefacto: - isto aqui é o mundo, monsieur, aqui não se servem bebidas alcoólicas”. |
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