quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Grandes Empresas Europeias Agarram-se Firme ao Seu Dinheiro

Empresas Europeias-A tradição já não é o que era. Para investir não recorrem aos bancos, mas também não usam capitais próprios. As empresas europeias estão a amealhar todo o dinheiro que podem e no último ano as suas reservas aumentaram perto de 50 mil milhões de euros, apesar de a economia na região estar a dar alguns sinais de recuperação.

"Guardar o dinheiro em vez de o investir é uma mudança radical desde a crise económico-financeira e é um comportamento que parece ter vindo para ficar", disse Chris Gentle, responsável da Deloitte em Londres para a Europa, Médio Oriente e África, ao "Financial Times".

Segundo o jornal britânico, que fundamenta o artigo num estudo da consultora, as empresas cotadas na Europa, Médio Oriente e África têm nos seus balanços quase um bilião em cash, quando antes da crise, em 2007, tinham perto de 700 mil milhões.

Nos últimos doze meses, as cerca de 1200 companhias listadas nos principais índices da Europa, Médio Oriente e África acrescentaram mais 47 mil milhões de euros aos seus balanços.

"As empresas aumentaram claramente a média dos seus fundos próprios", disse Gareth Williams, economista chefe da Standard & Poor's, citado pelo "Financial Times". "Alguma coisa de estrutural aconteceu. Se as condições mudarem e voltarem a ficar complicadas, os bancos não estarão lá como têm estado historicamente para apoiar a liquidez financeira das empresas."

endividamento:  esta situação reflecte também a flexibilização de condições para empresas do mercado de obrigações, onde os custos dos empréstimos atingiram mínimos históricos e grandes empresas europeias puderem aceder a financiamentos baratos. Estas companhias estão também entres as mais endividadas.

Uma parte significativa dos balanços das empresas está concentrada em apenas algumas áreas de negócios. Mais de um terço no sector da manufactura.

A questão da dívida sugere que os negócios europeus continuam pouco dispostos a financiar os seus investimentos com recurso a capitais próprios - este é, aliás, um dos grandes problemas do sector empresarial português e faz parte de uma das mais recentes chamadas de atenção dos relatórios da troika.

Segundo a Deloitte, escreve o "Financial Times", 59% das 271 empresas contactadas directamente que planeiam investir para crescer no próximo ano, apenas um terço pretende fazê--lo com recurso a capitais próprios.

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Rússia Olha para Angola para Compensar Sanções do Ocidente

Rússia-A Rússia olha para Angola como uma das formas de compensar as sanções aplicadas pelo Ocidente devido à intervenção na Ucrânia, e Angola pretende capitalizar a liquidez russa para equilibrar o orçamento deficitário, escreve a Economist Intelligence Unit (EIU).

De acordo com a unidade de análise económica da revista britânica The Economist, o empréstimo de 1,5 mil milhões de dólares feito pelo banco russo VTB Capital, "um dos maiores créditos isolados que Angola recebeu nos últimos anos, é um indicador não só da solidez das relações entre os dois países, mas também do impacto que as receitas petrolíferas abaixo do previsto estão a ter nas contas de Angola".

Na nota de análise distribuída aos investidores, os peritos da EIU lembram que este valor é maior que a totalidade do acordo assinado com o Fundo Monetário Internacional em 2009 para fazer face à falta de liquidez que se seguiu à queda dos preços do petróleo nessa altura.

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

União Europeia Preocupada com Falta de Fiscalização da Pesca na Guiné-Bissau

Bruxelas-Bruxelas manifestou preocupação com a falta de fiscalização de atividade de pesca na Zona Económica Exclusiva da Guiné-Bissau, um facto reconhecido pelo secretário de Estado das Pescas, Ildefonso de Barros.
 
A União Europeia é uma das principais parceiras no sector das pescas da Guiné-Bissau e esta semana enviou uma equipa técnica para avaliar as medidas em curso para a fiscalização no sector.
 
De forma ainda preliminar a missão, chefiada por Louize Hill, da direção-geral do Mar na Comissão Europeia, concluiu que a fiscalização é deficitária.
 
“Há uma falta de controlo da pesca nas águas nacionais (da Guiné-Bissau), a União Europeia nas conversações que tem com as autoridades, fez uma avaliação onde constatou que há muito trabalho para fazer”, destacou Louize Hill.
 
O secretário de Estado das Pescas da Guiné-Bissau, Ildefonso de Barros também reconheceu que nos últimos anos, sobretudo durante o período em que o país foi dirigido por um Governo de transição, a fiscalização praticamente deixou de existir.
 
O responsável admitiu que a Guiné-Bissau quase deixou de ter a sua frota de controlo da actividade de pesca ilegal, não regulamentada ou pesca não declarada.
 
“A missão veio avaliar, no fundo, todo o nosso sistema de controlo e fiscalização da actividade de pesca, os registos dos navios, a forma como controlamos a emissão de licenças e o esforço de pesca na nossa ZEE”, notou Ildefonso de Barros.
 
O relatório final sobre a avaliação da União Europeia deve ser conhecido após o regresso da equipa, mas Louize Hill destacou que já foram transmitidas “algumas recomendações” às autoridades guineenses sobre o que é preciso corrigir.
 
Medidas devem ser tomadas ao nível da emissão de licenças, retoma da fiscalização, registo de navios e ainda no domínio da legislação do setcor, disse o secretário de Estado das Pescas guineense.
 
Totalizando mais de 60 navios, a União Europeia (Espanha, França, Grécia, Itália e Portugal) tem um acordo de pesca com a Guiné-Bissau em vigor desde 1980, mas na sequência do golpe de Estado militar de Abril de 2012 os barcos europeus deixaram de pescar nas águas guineenses.
 
O secretário de Estado das Pescas disse acreditar que brevemente os navios europeus voltaram a pescar na ZEE guineense.

Livro Sugere que Sékou Touré Mandou Matar Amílcar Cabral

A Morte de Amílcar Cabral-O investigador e professor universitário cabo-verdiano Daniel Santos lança sexta-feira, na Cidade da Praia, o livro "Amílcar Cabral - Um Novo Olhar", defendendo que Sékou Touré, antigo presidente da Guiné-Conacri, terá sido o "provável mandante" do assassinato.


"O livro veio confirmar que os portugueses nada têm a ver com a morte de Amílcar Cabral. Pelos dados que reúnem, tudo se encaminha para que tenha sido Sékou Touré, antigo presidente da Guiné-Conacri, o mais provável mandante do crime", revelou Daniel dos Santos, indicando que a obra será apresentada pelo antigo ministro das Infra-estruturas de Transportes cabo-verdiano, Armindo Ferreira.
 
O investigador recordou que no dia em que o "pai" das independências da Guiné-Bissau e de Cabo Verde foi assassinado, Sékou Touré preparou um jantar no seu gabinete para os "40 cabecilhas" que estiveram envolvidos na morte de Cabral, a 20 de Janeiro de 1973, em Conacri.
 
"As pessoas já estão identificadas. Só falta oficializar quem mandou matar Amílcar Cabral", prosseguiu o investigador cabo-verdiano, dizendo que a obra, de 600 páginas e sem prefácio, serve para "reavivar a memória" e fazer uma "rotura" de tudo o que já se escreveu sobre Cabral.
 
A morte de Cabral nunca foi devidamente esclarecida, havendo dúvidas sobre os mandantes do crime que o vitimou, reinando também o silêncio dos antigos companheiros no Partido Africano de Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), cuja sede durante a luta de libertação (1963/74) estava precisamente em Conacri.
 
Vários livros já deram pistas sobre o contexto que levou à morte de Cabral, como os do jornalista e investigador português José Pedro Castanheira, do historiador guineense Julião Soares Sousa, dos escritores são-tomense Tomás Medeiros e angolano António Tomás, mas todos são inconclusivos sobre um envolvimento de Portugal ou do PAIGC.
 
Sabe-se apenas que o autor dos disparos que o vitimaram foi Inocêncio Kani, guerrilheiro do PAIGC entretanto falecido, alegadamente a mando de outro alto dirigente do então movimento independentista, Morno Touré, em conluio com Mamadou Ndjai, chefe da guarda de Cabral.
 
Daniel Santos recordou que o livro lhe ocorreu em 2001, quando começou a pensar em escrever uma dissertação de mestrado, que veio a coincidir com Amílcar Cabral e tinha como título "A Questão Colonial - O Contributo de Amílcar Cabral".
 
"Quando fui defender a minha dissertação de mestrado, dei conta que havia a necessidade de se fazer um livro como este, porque todo o debate que se centrou durante a arguição da tese foi sobre a vida de Amílcar Cabral. Houve a necessidade de se aprofundar mais", indicou, dizendo, porém, que o livro, escrito há dois anos, tem pouco a ver com a dissertação de mestrado.
 
Segundo Daniel Santos, a obra é diferente de tudo o que já se escreveu sobre Cabral e, em termos de metodologia, faz uma "rotura completa", uma vez que se afasta do "individualismo metodológico" para se centrar no "pluralismo metodológico", ou seja, cruza várias fontes, deixando o público tirar as suas próprias conclusões.
 
Para o investigador, que reivindicou ser o primeiro cabo-verdiano a escrever um livro sobre Amílcar Cabral, a obra servirá também para promover um "debate cívico, franco, pedagógico, académico, muito humilde e sem amarras" sobre Cabral, sem perder de vista o contexto em que viveu e se moveu.
 
"Valeu a pena fazer esta caminhada e apresentar aos cabo-verdianos, partidos políticos, investigadores, jornalistas e professores um livro que não foi feito a pensar em agradar a este ou aquele, mas que seja útil a quem o leia", mostrou.
 
Para o autor, Amílcar Cabral continua uma "figura marcante e emblemática" na história da Guiné-Bissau e de Cabo Verde, uma pessoa com "defeitos e virtudes", defendendo ser necessário colocá-lo "no lugar que conquistou por mérito próprio".
 
O investigador cabo-verdiano diz que tem "muitas coisas na gaveta" e que já escreveu 90% de outro livro sobre a história das ideias políticas do fundador do Partido Africano para a Independência de Guiné e Cabo Verde (PAIGC).
 
Daniel dos Santos, 57 anos, nasceu na Cidade da Praia, é jornalista - não está em exercício -, politólogo e professor nas universidades Lusófona de Lisboa, Jean Piaget e Instituto Superior de Ciências Jurídicas e Sociais (ISCJS), as duas últimas em Cabo Verde.

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Amnistia Internacional Alerta Para Limpeza Étnica no Iraque

Iraque-A Amnistia Internacional alerta que o grupo armado do “Estado Islâmico” está a proceder a uma limpeza étnica no norte do Iraque.
 
De acordo com um relatório da organização, publicado terça-feira, estão a verificar-se vários crimes de guerra na região, como execuções em massa de membros de minorias étnicas e religiosas.
 
A situação humanitária no Iraque preocupa a comunidade internacional. O Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas vai enviar uma missão ao país para investigar as violações cometidas pelo Estado Islâmico do Iraque e do Levante e, identificar os responsáveis ​​pelos crimes, com vista a levá-los à justiça.
 
“As actividades terroristas do Estado Islâmico são inaceitáveis à luz dos direitos humanos internacionais e da lei humanitária internacional”, afirma o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon.
 
Mais de 1 400 pessoas foram mortas e mais de 1 300 feridas em combates e outros incidentes violentos em Agosto no Iraque. Um balanço feito pela missão da ONU em Bagdade (UNAMI).
 
Combatentes do Estado Islâmico tomaram o controlo de vastas zonas no norte do pais, fazendo recuar as forças curdas e forçando milhares de pessoas a fugir. Os “jihadistas’” raptaram e recrutaram, ainda, crianças como combatentes.

NATO Vai Criar Força de Reação Rápida Com 4.000 Soldados


Rússia Amedronta os Ocidentais--Milhares de soldados prontos a entrar em ação sempre que necessário, através de ar, mar e forças especiais em terra. A nova força de reação rápida foi anunciada pelo secretário-geral da NATO, segunda-feira última, em Bruxelas, e reflete a preocupação da Organização do Tratado do Atlântico Norte em reagir com rapidez em caso de ameaça súbita.
 
Em conferência de imprensa realizada na capital belga, Anders Fogh Rasmussen fez referência ao “comportamento agressivo” da Rússia na Ucrânia, mas também ao aumento do extremismo e da instabilidade “a sul”, devido ao avanço dos jihadistas do Estado Islâmico. “Estas crises podem irromper sem aviso próprio. Movem-se a grande velocidade. E todas afectam a nossa segurança de maneiras diferentes”, disse o secretário-geral da NATO.
 
De seguida veio a novidade.  “Vamos melhorar significativamente a capacidade de resposta da nossa Força de Reacção da NATO. Vamos desenvolver o que eu chamaria de uma ponta de lança [spearhead] de forma a enviar uma resposta com elevada prontidão, fiável e num prazo muito curto”. Em 48 horas, diz o Financial Times.
 
De acordo com o jornal britânico, a força pode ser constituída por 4.000 homens, cedidos pelos países aliados, onde Portugal se inclui. Os planos vão exigir “instalações de receção no território da NATO”, para que “esta força possa viajar leve mas atacar em força onde necessário”, disse Rasmussen”.  “Isso significa uma presença mais visível da NATO no leste durante o tempo que for preciso“, acrescentou.
 
Antecipando que a notícia possa ser mal recebida por Moscovo, o Financial Times conta que o plano foi cuidadosamente preparado pelos advogados da NATO, de modo a garantir que se cumpre o acordo assinado em 1997 entre a organização atlântica e a Rússia. O acordo proíbe que haja novos “estacionamentos permanentes de forças de combate substanciais”.
 
Mais pormenores sobre esta nova força rápida deverão ser conhecidos na próxima Cimeira da NATO, que vai acontecer no País de Gales, nesta sexta-feira, e que serve para assinalar o fim da missão de combate no Afeganistão, mas o tema dominante será a crise na Ucrânia. “As ações da Rússia contra a Ucrânia desafiaram os princípios fundamentais de uma Europa unida, livre e em paz”, pode ler-se na página da organização, criada durante a Guerra Fria.
 
Putin falou pela primeira vez, domingo último, na criação de um Estado independente no leste da Ucrânia. Durante uma entrevista a um canal russo, disse ser urgente entrar “em negociações” com os separatistas, para estabelecer a “estabilidade do leste da Ucrânia”. Segundo o ABC, o projecto de criar um Estado independente no leste da Ucrânia já tinha sido falado, à semelhança do que aconteceu na Geórgia em 2008, país com o qual a Rússia esteve em guerra cinco dias, por causa da região separatista da Ossétia do Sul.
 
De acordo com o Financial Times, Anders Fogh Rasmussen também deverá anunciar no País de Gales novos planos para estreitar relações militares com a Geórgia, o que também não agrada a Moscovo. A Geórgia quer aderir à NATO, o que permitiria à organização instalar uma base militar às portas da Rússia.

terça-feira, 2 de setembro de 2014

O Primeiro-ministro do Lesoto Refugia-se na África do Sul


Lesoto-O primeiro-ministro do Reino Africano de Lesoto, Thomas Thabane, refugiou-se na África do Sul no sábado depois que o exército desse país passa assumir o controle do poder, ocupando delegacias, estações da rádio e telefones.
 
Thabane, que em 2012 assumiu o cargo de primeiro-ministro do país Africano, disse que o golpe militar contra o governo de coligação é ilegal e confirmou que não vai renunciar.
 
Em resposta aos líderes do golpe Southern African Development Community (SADC) vai se reunir de emergência na África do Sul para avaliar a situação política no Lesotho.
 
No Reino do Lesoto tem produzido vários golpes militares desde a sua independência do Reino Unido em 1966, até 1993, quando realizou as primeiras eleições livres no reino.
 
África do Sul rejeita golpe no Lesoto
 
O governo Sul-Africano, condenou o golpe de Estado no Lesoto e apelou para uma solução pacífica. O Ministério das Relações Exteriores do Sul Africano, representado por Clayson Monyela, disse que “as ações das forças armadas do Lesotho contem o carimbo de um golpe de Estado.”