segunda-feira, 19 de maio de 2014

Mulher Presidente Tem Mais Risco de Demissão do que Homem

No centro da mesa, presidente do Sindmetal, Macapá
Investigação-– Executivas do topo da hierarquia das empresas que se segurem no cargo. Pesquisa recente da Strategy& com 2,5 mil maiores empresas de capital aberto do mundo aponta que as chances de demissão são maiores para as presidentes do que para os presidentes. A conclusão parte da análise das movimentações de presidentes nos últimos dez anos. Enquanto quase 40% das mulheres foram demitidas do comando de empresas, no mesmo período, apenas 27% dos presidentes homens receberam “bilhete azul” (ou seja, perderam o posto).
 
O coautor do estudo, Per-Ola Karlsson, disse em entrevista ao Financial Times que a busca por mais mulheres em postos de comando – alavancada por pressões culturais e políticas - leva empresas, muitas vezes, a escolhas ousadas que podem não funcionar.
 
Conselhos de administração maioritariamente masculinos em sua composição também contribuem para este cenário porque tornam árido o ambiente de trabalho para as presidentes de empresa, segundo também afirmou Karlsson ao Financial Times.
 
Maioria masculina no conselho pode, em alguns casos, se traduzir em menos apoio à presidente, segundo Karlsson apurou ao longo de conversas que teve com mulheres que ocupam postos de comando.
 
Pesquisa da Bain &Co. confirma em números o que Karlsson diz ter ouvido de executivas.  Segundo este estudo, 41% das mulheres em cargos de gestão apontam a diferença de estilos entre os gêneros como o principal entrave para suas carrreiras. Some-se a isso ao facto de 88% afirmarem que os chefes são mais propensos a promover ou indicar profissionais com um estilo semelhante ao deles mesmos e o cenário desfavorável à mulher ganha ainda mais força. 
 
Aliás, os conselhos de administração continuam sendo um “calcanhar de Aquiles” da paridade de gênero entre os executivos. No Brasil, por exemplo, apenas 7,7% das posições em conselhos são de mulheres, segundo estudo do Catalyst.org. Na Noruega, elas estão em 40,9% das cadeiras dos conselhos. 

OCDE: Crescimento de África Regressa aos Níveis pré-crise em 2015

África-As economias do continente africano cresceram, em média, 4% no ano passado, devendo acelerar para os 5 a 6% no próximo ano, regressando assim aos níveis anteriores à crise financeira de 2009, escreve a OCDE.
 
"As perspetivas macro-económicas de África continuam favoráveis. Em 2013, África manteve uma taxa de crescimento média de 4%, o que compara com os 3% da economia global e sublinha a resiliência do continente aos ventos globais e regionais", escreve a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) no relatório sobre as Perspetivas Económicas Africanas (African Economic Outlook - AEO, no original em inglês), divulgado em Paris.
 
O crescimento, no entanto, não é uniforme, e varia não só entre países, mas também entre regiões: excluindo a África do Sul, o crescimento da África subsariana, onde se incluem os países lusófonos, foi de 6,1% no ano passado e deverá chegar aos 6,8% este ano, apesar das dificuldades que subsistem no que diz respeito ao desenvolvimento das condições humanas.
 
"As condições de desenvolvimento humano em África estão a melhorar, no geral, mas há um número de países que continuam atrasados. A pobreza está gradualmente a diminuir, enquanto a Educação e a Saúde estão a melhorar, mas lamentavelmente, a exclusão persiste, resultando num acesso desigual às oportunidades económicas e sociais, o que mina os esforços para melhorar as condições de vida dos africanos e interfere com os direitos humanos", consideram os peritos da OCDE.
 
Com um dossiê especial sobre a cadeia de valor global, e como o continente pode aproveitar as mais-valias introduzidas na exportação de produtos, nomeadamente matérias-primas, o relatório da OCDE afirma ainda que "desde 2010, África tem testemunhado um número crescente de eleições livres e justas", e acrescenta que "a tendência deve continuar", lembrando que "cerca de 600 milhões de africanos devem eleger em 2014 e 2015 os seus líderes".

sexta-feira, 16 de maio de 2014

Regulação Financeira Chega aos Fatos dos Banqueiros de Wall Street

EUA-Os banqueiros norte-americanos praticavam uma espécie de contrabando para comprar fatos londrinos de alta costura. A regalia está a terminar, porque as autoridades aduaneiras melhoraram o sistema de controlo, noticia o "Financial Times".
 
O imposto cobrado pela importação dos fatos dos banqueiros norte-americanos encomendados no estrangeiro aumentou de 4% para 20% ou até 27,5%, em função dos materiais de que são feitos. A subida acontece porque as autoridades de Washington aperfeiçoaram os sistemas de controlo aduaneiro.
 
O "Financial Times" explica que os executivos dos bancos dos Estados Unidos têm o hábito de encomendar os fatos em Londres e recebê-los nos Estados Unidos "em caixas seladas dentro de contentores que contêm outros produtos", num sistema semelhante ao dos contrabando. O procedimento era o seguinte: os alfaiates de sofisticados ateliers de costura londrinos viajavam até Nova Iorque para tirar as medidas aos clientes e depois de acabado o produto em Londres, enviavam-no de volta para os Estados Unidos.
 
Os ateliers da Saville Row, a famosa avenida londrina onde se encontram as melhores lojas de alta costura do país serão as mais afectadas pelo novo controle aduaneiro dos EUA. Ateliers como o Anderson & Sheppard ganhavam cerca de 40% da sua facturação nos Estados Unidos, revela o jornal britânico.  
 
O fim desta peculiar forma de contrabando está a abrir portas a lojas de menor prestígio e de preços mais baixos, sobretudo as italianas. A crise também obrigou a alteração das escolhas de vestuário dos executivos bancários norte-americanos. Um inquérito levado a cabo pelo "Financial Times" num universo de 174 empregados do sector financeiro dos EUA, 59% dos inquiridos afirma que vestem pior agora que há cinco anos atrás.

França Aprova Medida que Permite ao Governo Bloquear Aquisições Estrangeiras

França
França-Financial Times" diz que a medida é definida no país como "arma nuclear". Direito de veto já estava previsto na legislação, mas alarga-se agora a outras áreas. Surge numa altura em que a França discute as duas propostas para a aquisição do ramo energético da Alstom.
 
O governo francês aprovou na quarta-feira, 14 de Maio, um decreto que lhe confere novos poderes na possibilidade de bloquear aquisições de empresas do país por estrangeiros. A medida foi já publicada no Diário Oficial da República Francesa quinta-feira última, 15 de Maio.
 
"A opção que fizemos, com o primeiro-ministro [Manuel Valls], é uma escolha de patriotismo económico. É uma medida de protecção dos interesses estratégicos de França", alinhando posições públicas e privadas, afirmou o ministro da Economia francês Arnaud Montebourg.
 
A medida surge numa altura em que o debate político em França se centra na eventual compra da Alstom pela General Electrics, após uma proposta da 12 mil milhões de euros. A concurso pela unidade de energia da empresa francesa está também a Siemens. O "Le Monde" diz mesmo que a aprovação do decreto foi acelerada pelo negócio em questão.
 
"A Alstom enquadra-se no âmbito deste decreto, tal como outras empresas estratégicas", rematou Montebourg, citado pelo "Financial Times". O ministro da economia francês já tinha assumido publicamente a sua posição crítica quanto à proposta da General Electrics no negócio, mostrando-se mais favorável à proposta da Siemens.
 
Montebourg estará mesmo a trabalhar directamente com a empresa alemã numa nova proposta que visará a criação de sinergias nas operações dos segmentos de transportes e energias das duas empresas, refere a publicação norte-americana.
 
O novo decreto alarga uma medida já existente na legislação francesa desde Dezembro de 2005 para o ramo da defesa e segurança, explica o "Le Monde". São agora mais cinco os sectores abrangidos por este direito de veto do executivo liderado por Manuel Valls: energia, água, telecomunicações, transporte e saúde.
 
A medida, que entra em vigor 24 horas após a sua publicação, será todavia "aplicada de forma selectiva e proporcional, tendo em conta os méritos de cada situação", ressalvou Arnaud Montebourg.
 
Situação semelhante vive o Reino Unido, com a discussão da possível fusão entre Pfizer e AstraZeneca. Tal como em França, os responsáveis políticos estão a acompanhar o desenvolvimento das negociações. Nos últimos dois dias, estiveram marcadas audições no Ministério Público britânico para os vários actores envolvidos – governo, oposição, cientistas e executivos de ambas as empresas.

quinta-feira, 15 de maio de 2014

Lula bate duro no Financial Times e na Economist


Lula-Ex-presidente critica postura da "mídia econômica do Reino Unido": "Quanto mais distante, mais erram. Não posso entender como classificam de frágil uma economia com reservas de US$ 338 bilhões e com pleno emprego. Gostaria que fossem estudar economia antes de repetirem previsões que não se concretizam"

Em homenagem da Associação de Diários do Interior (ADI), o ex-presidente Lula criticou os jornais de grande circulação e a "mídia econômica do Reino Unido", em referência ao jornal "Financial Times" e a revista "The Economist". Publicações tem atacado a gestão da presidente Dilma Rousseff.

Banco Mundial: 700 Milhões de Mulheres são Vítimas de Violência no Mundo


Banco Mundial-Mais de 700 milhões de mulheres são vítimas de violência de gênero no mundo, especialmente no sul da Ásia e da África, informa um relatório do Banco Mundial (BM) divulgado quarta-feira última.
 
"A violência baseada no gênero é uma epidemia global, que afecta as mulheres em todas as regiões do mundo", garante a instituição, destacando, contudo, "avanços sem precedentes" ao longo dos últimos anos.
 
Segundo o informe, pelo menos uma a cada duas mulheres mulheres (43%) no sul da Ásia (Índia, Paquistão e outros) sofreu violência física, ou sexual por parte de seu cônjuge durante sua vida.
 
Na África Subsaariana e no Oriente Médio, a proporção é de 40% e diminui para 33%, na América do Sul, e para 30%, na região Ásia-Pacífico, segundo o documento, que não publica dados sobre a Europa. Na América do Norte, esse percentual chega a 21%.
 
De acordo com o BM, um grande número de mulheres jovens no mundo têm um "controle limitado" sobre seu corpo, como acontece em relação à sexualidade e à anticoncepção, por exemplo.
 
Se a "tendência actual se mantiver", mais de 142 milhões delas estarão casadas antes de completar 18 anos, já na próxima década, acrescenta o texto.
 
Referindo-se a um grupo mais específico de 33 países em desenvolvimento, o informe indica que 41% das mulheres garantem que não se atreveriam a pedir ao parceiro para usar preservativo.
 
Em relação ao mundo da política, o BM diz que as mulheres estão "claramente sub-representadas" e aponta que elas representam apenas 22% dos parlamentares e 5% dos prefeitos do mundo.
 
"Se o mundo quiser acabar com a extrema pobreza e garantir que a prosperidade seja compartilhada, é necessária uma participação plena e efetiva das mulheres", advertiu o presidente do organismo, Jim Yong Kim, citado no relatório.

Impostos: Moçambique Lesado em 1,69 mil milhões por Facturação Ilícita

Moçambique-A estimativa da organização norte-americana reporta-se ao período entre 2002 e 2010 e refere-se a uma prática denominada de "misinvoicing", que consiste em sub ou sobre-facturar  as mercadorias importadas e exportadas de um determinado país, e que terá lesado o Estado moçambicano em pelo menos 1,22 mil milhões de euros.
 
Financiado pelo Governo dinamarquês, o estudo "Hiding in Plain Sight" procura apontar as potenciais perdas de receitas do Gana, Quénia, Moçambique Tanzânia e Uganda devido a esta forma de evasão fiscal, estimadas em mais de 44,3 mil ME, entre os anos de 2002 e 2011.
 
Ainda que os contornos deste crime fiscal não estejam completamente esclarecidos, sabe-se que é recorrente no continente africano, devido à fraca capacidade de controlo aduaneiro de muitos dos seus países, embora a sua concretização seja possível pela conivência com o sistema de empresas ocidentais, segundo algumas investigações que têm sido desenvolvidas.
 
Reconhecendo que as perdas fiscais de Moçambique são bastante menores do que as dos outros países analisados, os autores do estudo recomendam, no entanto, ao Governo moçambicano que adote rapidamente mais medidas de controlo e de transparência financeira, atendendo ao crescimento do sector de exploração de recursos naturais, que o país está a conhecer.