quinta-feira, 17 de abril de 2014

Risco da Recessão na Rússia



Rússia-A economia russa desacelera e as autoridades já não escondem a preocupação. No primeiro trimestre, o PIB contraiu 0,5% face aos três meses precedentes. É a primeira desaceleração desde a crise de 2009. Em termos anuais, o crescimento foi de 0,8%.
 
A crise na Ucrânia exacerbou os problemas internos, tais como a ausência de reformas, a elevada corrupção, a falta de investimento em infra-estruturas e os elevados custos dos Jogos Olímpicos. E o rublo sofreu uma forte desvalorização.
 
Os números foram anunciados pelo ministro russo da Economia. No parlamento, Alexei Ulyukayev defendeu: “Aos fatores internos, juntaram-se incertezas nos mercados financeiros, importantes fugas de capitais e reticências dos investidores em tomar decisões, tendo em conta a situação internacional, que se deteriorou nos últimos meses”.
 
Na semana passada, o Kremlin baixou a previsão de crescimento de 2,5% para uma fasquia entre 0,5% e 1,1%. E o FMI cortou a estimativa de 2014 em seis décimas para 1,3%. O cenário pode ainda agravar-se com eventual reforço de sanções europeias e norte-americanas.
 
Entre Janeiro e Março, o fluxo de capitais da Rússia atingiu cerca de 45 mil milhões de euros, tanto como o valor perdido no conjunto de 2013. Os analistas evocam o risco de recessão este ano, apesar dos elevados preços do gás e do petróleo, que são a base das exportações do país.

Eleições na Guiné-Gissau: JOSÉ Mário Vaz e Nuno Gomes Nabian na Segunda Volta



Guiné-Bissau-JOSÉ Mário Vaz, candidato do PAIGC, e Nuno Nabian, candidato independente, vão disputar a segunda volta das eleições presidenciais na Guiné-Bissau, anunciou a Comissão Nacional de Eleições (CNE). Nas eleições legislativas, o partido africano para a independência da Guiné e cabo verde (PAIGC) venceu, conquistando a maioria absoluta, com 55 dos 102 lugares da assembleia nacional popular.
 
Os resultados provisórios foram anunciados ao início da noite por Augusto Mendes, presidente da comissão nacional de eleições (CNE), numa cerimónia num hotel de Bissau sob um forte dispositivo de segurança, com homens armados a guardar todo recinto.
 
O acto eleitoral decorreu no domingo e estão ainda por apurar os votos da diáspora, correspondentes a 22.312 eleitores, que elegem dois deputados - dados que segundo Augusto Mendes serão divulgados dentro de 48 horas. A segunda volta das eleições presidenciais está marcada para 18 de Maio.
 
O presidente da CNE divulgou os seguintes resultados provisórios das Eleições Presidenciais:
 
José Mário vaz, PAIGC: 252.269 votos - 40,98%
 
Nuno Gomes Nabian, Independente: 154.784 votos - 25,14%
 
Paulo Gomes, Independente: 60.783 votos - 9,87%
 
Abel Incada, PRS: 43.293 votos - 7,03%
 
Iaia Djaló, PND: 28.068 votos - 4,56%
 
Ibraima Sori Djaló, PRN: 19.209 votos - 3,12%
 
Afonso Té, PRID: 18.398 votos - 2,99%
 
Hélder Vaz, RGB: 8.516 votos - 1,38%
 
Domingos Quadé, Independente: 8.432 votos - 1,37%
 
Aregado Mantenque, PT: 7.105 votos - 1,15%
 
Luís Nancassa, Independente: 6.815 votos - 1,11%
 
Jorge Malú, Independente: 5.946 votos - 0,97%
 
Cirilo Rodrigues, PS-GB: 2.036 votos, 0,33%
 
Total de votos: 615.654
 
Com base nestes dados e no total de eleitores recenseados (775.508), a taxa de participação foi de 79,38 por cento.
 
Augusto Mendes divulgou também o número de mandatos conquistados por cada partido na Assembleia Nacional popular:
 
PAIGC - Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde - 55 deputados
PRS - Partido da Renovação Social - 41 deputados
PCD - Partido da Convergência Democrática - 2 deputados
PND - Partido da Nova Democracia - 1 deputado
UM - União para a Mudança - 1 deputado
 
Na declaração, o Presidente da CNE acrescentou que o povo guineense "fez história e deu um sinal claro de um novo envolvimento, activo e participativo" nos destinos da nação.



 

Lucros da Google Desiludem


Google-A Google anunciou perto de 3500 milhões de dólares de benefício (lucro) líquido entre Janeiro e Março, mais 3% do que no mesmo período do ano passado. No entanto, os resultados ficaram aquém das expectativas dos analistas e as ações da empresa californiana registaram perdas da ordem dos 6% na bolsa de Nova Iorque.

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Relatório Aponta que os Negros Ocupam Menos de 20% de Cargos de Direcção na “África do Sul”

África do Sul-A “Comissão para a Equidade no Emprego”, organismo sul-africano criado para assessorar o “Ministério do Trabalho” na implementação do “Employment Equity Act”, revelou em seu último Relatório[1] que os negros ocupam na “África do Sul” menos de 20% dos cargos de direcção, duas décadas depois do fim do Apartheid.
 
O Documento constata que existe ainda uma tendência “chocante e contraditória[1] em termos de promoção de grupos designados para ocupar cargos de alto nível. De acordo com o Relatório, os brancos ocupam 62% dos cargos de direcção, contra 19% para os negros, 8% para os índios, 5% para os mestiços e 4% para os cidadãos estrangeiros. Em relação a representação de gênero e de condição física, 79,4% dos cargos de direcção são ocupados por homens e 20,6% por mulheres. No caso dos deficientes, eles ocupam apenas 1,5% dos cargos.
 
Para a ministra do trabalho da África do Sul, Mildred Oliphant, estes resultados revelam que há ainda muito por fazer para melhorar a equidade social, bem como a equidade em matéria de emprego. A Ministra declarou: “Há ainda um longo caminho a percorrer na África do Sul para avançar. Demo-nos as mãos para que a África do Sul se torne um país próspero, pacífico, não sexista e não racial[2].

GUINÉ BISSAU - Os Bispos na Vigília das Eleições: Votar para Quem Promove o Bem Comum

Guiné-Bissau-“O voto que expressa uma maturidade política e moral dos cidadãos é um voto responsável”: é o que afirmam os Bispos da Guiné-Bissau numa mensagem publicada por ocasião das eleições presidenciais e legislativas que se realizam no domingo, 13 de Abril.

 
Na mensagem, são propostas algumas indicações para a escolha dos candidatos: “Através das eleições, o povo escolhe como seu legítimo representante um cidadão que seja: respeitoso dos direitos humanos; engajado politicamente a favorecer o interesse coletivo; humanamente sábio e moralmente honesto, capaz de diálogo e de equilíbrio”.
 

Os Bispos pedem aos políticos que respeitem as aspirações profundas do povo, traduzindo-as em programas realísticos; lançam um apelo aos militares para que defendam a pátria e a população; convidam os cidadãos a não venderem o próprio voto e pedem à comunidade internacional que continue a ajudar a Guiné-Bissau.

Brasil: Novas regras Contra Importações Desleais(de concorrência desleal)

Brasil-Governo e empresas brasileiras preparam-se para uma nova etapa em matéria de defesa comercial, dispostos a usar com maior empenho um instrumento ainda pouco conhecido no país. Mais uma vez, a China deve ser o alvo principal - embora não o único - das medidas que têm como objetivo impedir que mercadorias e matérias-primas entrem no mercado brasileiro com preços artificialmente baixos. A novidade são as chamadas "medidas compensatórias", para punir importados beneficiados por subsídios ilegais em seus países de origem. O Ministério do Desenvolvimento vai emitir, ainda neste ano, um decreto para regular o tema.
 
Essas medidas, em geral, tomam a forma de aumento de tarifas para produtos específicos, beneficiados por subsídios na origem. No fim da década de 90, o coco ralado vindo da Ásia e da África foi sujeito a tarifas de 55% como punição e proteção aos produtores brasileiros ameaçados por concorrência desleal. A China, parceiro do Brasil no grupo Brics (que reúne, além dos dois, Índia, Rússia e África do Sul) está no radar(na mira) das indústrias interessadas em obter medidas compensatórias contra a concorrência. Os chineses já são afectados por medidas compensatórias nos EUA, União Europeia, Canadá e Austrália.
 
Papel especial de impressão, sais de fosfato, manufaturados de ferro como tubos, pias de aço, células fotovoltaicas e torres de energia eólica, alguns já submetidos a elevadas taxas de importação, estão entre os produtos com taxação punitiva imposta pelos americanos contra a China. Pagam alíquotas que chegam a 374%. Os EUA são responsáveis por mais da metade das medidas compensatórias hoje aplicadas no mundo. São 32 medidas, 30 delas contra a China. O Canadá aplica contra os chineses 10 das 13 medidas que têm em vigor.
 
A China deve ser, mais uma vez, o alvo principal das medidas
 
Dos instrumentos de defesa comercial aplicados entre 1995 a 2008 pelo G-20, o grupo das economias mais influentes, apenas 6% eram de medidas compensatórias. Esse número aumentou para 9% no período entre 2008 e 2013. Há um crescimento claro no uso desse tipo de mecanismo, constata o especialista da Confederação Nacional da Indústria, Fabrizio Panzini. E a China é uma das razões dessa tendência.
 
Com o reconhecimento obrigatório da China como economia de mercado a partir de 2016, em acordo na Organização Mundial do Comércio, os países perderão facilidades que têm hoje para aplicar, sobre produtos chineses, medidas antidumping. Hoje, as investigações para constatar dumping (preço abaixo do normal) em importações chinesas podem usar como comparação preços em outros mercados.
 
O secretário de Comércio Exterior, Daniel Godinho, confirmou ao Valor a intenção de editar até o fim do ano o decreto com as medidas compensatórias e iniciar, em breve, consultas para aperfeiçoar outro mecanismo de defesa, as salvaguardas (usadas em caso de forte onda de importações que ameacem o produtor local). Ele afirma que um dos objetivos da regulamentação é facilitar e simplificar o acesso ao mecanismo.
 
Os importadores também terão medidas que os beneficiem, adianta ele: o governo quer acabar com a exigência de que as petições e respostas dos exportadores estrangeiros sejam obrigatoriamente em português, e poderá aceitar documentos em inglês, língua franca do comércio internacional. "Temos obrigação de tornar os processos mais fáceis para todos", garante Godinho. "Vamos simplificar ao máximo."
 
A CNI e pelo menos mais 20 associações de indústria pressionam o governo para que as mudanças tragam medidas preventivas capazes de impedir importações suspeitas antes mesmo do fim das investigações. Como já acontece no caso das actuais investigações antidumping, os empresários querem a possibilidade de medidas preventivas, em caso de fortes indícios de irregularidade. Godinho indica que esse pedido deve ser atendido no novo decreto.
 
"A medida preventiva é prevista na OMC; é preciso no mínimo seis meses para adotar medida provisória e ela pode valer por até quatro meses", lembra ele. "No caso das medidas compensatórias, as regras são um pouco mais complicadas", ressalva. É necessário criar um depósito ou fiança para o importador.
 
Godinho alerta para outras dificuldades no uso das medidas compensatórias, como a complexidade na verificação dos subsídios e seus efeitos sobre o comércio de produtos determinados. Desde 2011, houve, no país, pedidos para abertura de nove investigações. Seis foram abertas e três afetam importações asiáticas e africanas de matérias-primas petroquímicas.
 
A indústria brasileira quer que o decreto traga menos exigências para abertura de investigações, em caso de sectores com grande número de empresas afectadas, onde é mais difícil verificar os efeitos das importações desleais. Quer também regras que facilitem a definição do que é subsídio punível com as medidas, explicitando, por exemplo, que o apoio conferido pelos países a suas estatais exportadoras as sujeitam a medidas compensatórias.
 
Poder aplicar medidas para compensar movimentos acentuados da taxa de câmbio faz parte dos desejos do setor privado brasileiro. Também se pede que a compensação seja calculada, como na Europa, com base na "margem cheia", o valor total da vantagem conferida pelo subsídio, e não só pela perda verificada nos competidores nacionais.
 
A modernização das medidas de defesa comercial tem elementos para agradar até os potenciais prejudicados, países estrangeiros, caso seja cumprida a promessa de mais agilidade e transparência nos processos. Ela não pode, porém, servir para abrigar anseios meramente protecionistas, que, em longo prazo, só contribuem para preservar a lamentável falta de competitividade do país.

terça-feira, 15 de abril de 2014

Eleições na Guiné Bissau: Se alguém Atacar Resultados, Sofrerá Consequências - Eurodeputada

Guiné-Bissau -A eurodeputada portuguesa Ana Gomes, que integra a missão de observação eleitoral da União Europeia na Guiné-Bissau, disse  que, se alguém colocar em causa os resultados da votação de domingo passado, sofrerá as consequências.
 
"Nenhuma força, nenhum elemento, nenhum indivíduo na Guiné-Bissau pode ter a pretensão de que o que quer que faça para pôr em causa os resultados eleitorais, não fica sem consequências", referiu.
 
Ana Gomes falava à margem da contagem de votos das eleições legislativas e presidenciais, junto a uma mesa do bairro de Tchada, em Bissau.
 
Há dois anos, as eleições presidenciais foram interrompidas devido a um golpe de estado, ocorrido entre a primeira e segunda volta. A eurodeputada não acredita que o cenário se repita, porque há maior atenção da comunidade internacional (com um número recorde de 400 observadores eleitorais no país) e há um novo contexto.
 
"Sabemos que a Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental [CEDEAO] patrocinou o golpe de 2012, durantes as últimas eleições, mas agora a CEDEAO não pode fazer isso", sublinhou Ana Gomes.
 
A CEDEAO "está claramente amarrada pelas outras organizações internacionais" e "fez uma declaração a dizer que não patrocina mais golpes de estado, portanto, não há espaço nenhum para outra solução que não seja a que resulte do voto". Ana Gomes acompanhou a votação em Bissau e nos arredores, destacando a "afluência imensa" às urnas e a "vontade de votar" dos eleitores.
 
"As pessoas estão cansadas da pobreza, do desgoverno, do retrocesso e têm esperança que isto [o voto] possa contar para mudar", destacou.
 
As urnas fecharam às 17:00, no primeiro escrutínio após o golpe de estado de 12 de Abril de 2012, com 775.508 cidadãos inscritos nos cadernos eleitorais para escolher entre 13 candidatos presidenciais e 15 partidos a concorrer para Assembleia Nacional Popular.