quinta-feira, 27 de março de 2014

Visita de Presidente Chinês a França Vale Acordos de 18 Milhões de Euros


França -A visita oficial do presidente Chinês Xi Jinping a França por ocasião dos 50 anos de relações diplomáticas entre os dois países já rendeu contratos económicos no valor de 18 mil milhões de euros.
 
Depois de Lyon, o chefe de Estado chinês viajou até Paris onde se encontrou com o homólogo francês François Hollande, no segundo de três dias de visita.
 
18 mil milhões de euros em contratos significam emprego, crescimentos e perspectiva de crescimento para os próximos anos”, declarou o presidente francês, François Hollande.
 
“A China e a França são duas nações com influência global. Decidimos reforçar a nossa cooperação nos assuntos internacionais e propor ideias e soluções para estabelecer uma nova ordem política internacional que seja mais justa e equilibrada”, afirmou o chefe de Estado chinês, Xi Jinping.
 
Agricultura, energia e transportes foram as principais áreas dos acordos, em particular no que diz respeito à venda de aviões Airbus e a entrada do fabricante chinês de automóveis DongFeng no capital da gaulesa PSA Peugeot Citroën.

quarta-feira, 26 de março de 2014

Portugal: Uma Execução Orçamental Suportada pelos Contribuintes



Portugal-Os últimos dados da execução orçamental continuam a dar boas notícias ao Governo. De acordo com a síntese divulgada ontem pela Direcção Geral do Orçamento, as receitas fiscais chegaram ao final de Fevereiro com bons resultados:
Subiram 6,2%, para 7,2 mil milhões de euros, acima dos próprios objectivos traçados no Orçamento do Estado para este ano.
Os maiores contribuintes para este aumento? Um deles foi o IRS que, só em dois meses, rendeu ao Estado 2,3 mil milhões de euros (mais 17,7%) e o IVA, que somou 2,9 mil milhões de euros. E estes são apenas alguns dos indicadores.
Podem avançar-se muitas explicações para a boa performance fiscal. Como dizer que estes são os primeiros resultados das novas medidas de combate à evasão e à fraude fiscal, argumentam as Finanças. Ou que serão um sinal da melhoria das condições de mercado que permitem, por um lado, que as empresas criem mais emprego e, por outro, que gerem mais receitas.
Pode ainda ser por uma retoma de consumo que leva os portugueses a gastarem e a comprarem mais, o que dá um novo impulso à receita fiscal. Pode ser tudo isso e muito mais. Mas há uma justificação que, seguramente, está na origem desta boa performance: o colossal reforço da carga fiscal que famílias e empresas sofreram e estão a pagar. É uma factura que, a bem ou à força, está a sair directamente das carteiras dos contribuintes.

terça-feira, 25 de março de 2014

Portugal: O Perigoso Fenómeno dos Novos Pobres

Portugal-Os últimos dados sobre a pobreza em Portugal são preocupantes. É um dos efeitos mais claros da crise económica, financeira e social que afecta o país.
 
O risco da pobreza já atinge um quinto da população portuguesa. E, além disto, o fenómeno dos novo pobres chega a cerca de 500 mil famílias. São famílias que têm emprego, rendimentos, mas o que ganham não é suficiente para viverem acima do limiar da pobreza.
 
Ou seja, mesmo com emprego, precisam de ajuda. Estes fenómenos explodiram no ano passado, claramente em resultado da crise que retirou rendimentos aos portugueses. Por um lado, descidas nos salários líquidos por efeito do agravamento da carga fiscal.
 
Por outro lado, o corte generalizado nas prestações sociais - subsídio de desemprego, subsídio de doença, RSI... No passado, as prestações do Estado foram as medidas mais eficientes para retirar portugueses da pobreza. E agora? Esta é a questão difícil de responder. A fraca saúde das contas o Estado não permite que as prestações sociais voltem ao nível antes da crise.
 
Os credores vão manter a pressão para um forte controlo da despesa e uma redução do défice orçamental e da dívida pública. Portanto, resta apostar no crescimento económico, que continua a ser a melhor maneira de retirar pessoas da pobreza. Veja-se o exemplo dos países emergentes. E, além disto, reformar o Estado social para que o pouco dinheiro público chegue a quem realmente necessita.

Rússia Fora de G8: Não é Uma Granda Trazédia, Diz Kremlim

Holanda-Os líderes do G7 e da União Europeia (UE) decidiram segunda-feira última, na Holanda, não participar em mais encontros com a Rússia, no formato G8, até que o Kremlin “mude de rumo” em relação à Ucrânia.
 
Os responsáveis dos sete países mais industrializados do mundo e da UE surgiram muito sorridentes no seu encontro, aparentemente indiferentes à ameaça que o fracasso em garantir a integridade territorial da Ucrânia representa para o Tratado de Não-Proliferação nuclear e para a paz no mundo.
 
Moscovo não vê um grande problema na exclusão do G8. Segundo Serguei Lavrov, “o G8 é um clube informal. Ninguém entrega uma carta de membro e, por definição, ninguém pode correr com ninguém. Se os nossos parceiros ocidentais acham que este formato está gasto, que assim seja. Não estamos agarrados a este formato e não vemos uma grande tragédia se o G8 não se reunir. Podemos até fazer uma espécie de experiência: Esperar um ano, um ano e meio e ver como sobrevivemos sem ele”, pareceu ironizar o chefe da diplomacia russa.
 
À margem da Cimeira sobre Segurança Nuclear, em Haia, Moscovo e Kiev tiveram também, segunda-feira passada, a primeira reunião ao mais alto nível diplomático desde o início da crise na Ucrânia.
 
Segundo James Franey, “em 2009, foi o Presidente norte-americano que disse querer um novo começo nas relações com a Rússia. Agora, o mesmo homem, Barack Obama, conduziu as conversas para suspender a Rússia do G8. Uma nova Guerra Fria? Talvez não. Mas enquanto Washington tem falado do reforço da segurança na Ásia, é claro que as fronteiras da Europa se tornaram, de novo, no epicentro da geopolítica global”.

Primeiro Encontro Oficial Ucrânia-Rússia

Ucrânia -O chefe da diplomacia russa, Sergei Lavrov, encontrou-se  segunda-feira última com o seu homólogo ucraniano Andrii Dechtchitsa, pela primeira vez desde a crise diplomática provocada pela incursão russa na Crimeia.
 
O encontro teve lugar à margem da cimeira sobre segurança nuclear a decorrer em Haia. O ministro ucraniano sublinhou que o seu país não vai desistir da Crimeia:
 
“Acreditamos numa coexistência pacífica, mas a Ucrânia não desiste da Crimeia. Continuaremos a desenvolver esforços em conversas bilaterais e junto da comunidade internacional, para que a Crimeia regresse à Ucrânia”
 
A Ucrânia decidiu apresentar à Assembleia Geral das Nações Unidas um projecto de resolução que invalidaria o referendo de anexação da Crimeia à Federação Russa.
 
O texto, tornado público na segunda-feira passada, inspira-se no projecto de resolução que a Rússia bloqueou no Conselho de Segurança, usando do direito de veto.
 
O documento declara que o referendo de 16 de Março, que abriu caminho à anexação da península, “não é válido e não pode servir de base a uma alteração do estatuto da República Autónoma da Crimeia ou da cidade de Sebastopol”.
 
Entretanto, as tropas ucranianas começam a abandonar a Crimeia, depois de as forças russas terem conseguido tomar de assalto as bases militares da região.
 
Não foi, porém, dado a todos voltar – um militar disse que o comandante ficou para trás, pois foi raptado:
“Durante o último mês, todos nós e principalmente o nosso comandante, que infelizmente continua retido na Crimeia, estivemos encurralados numa enorme tensão. Agora espero que possamos finalmente descontrair”.
 
Os soldados deixam a Crimeia com as suas famílias, Kiev aposta agora na diplomacia.

segunda-feira, 24 de março de 2014

Portugal: Estado ganha com apoios à banca

Portugal-O Governo é acusado de proteger os interesses do sistema financeiro em geral e da banca em particular, crítica suportada na linha de capitalização de 12 mil milhões criada no âmbito do acordo com a ‘troika'.
 
A história destes quase três anos já é suficientemente reveladora da importância do apoio à banca, que impediu que o País fosse mesmo abaixo, mas não só: o Estado está mesmo a fazer um bom negócio. É claro que no momento em que há cortes de apoios sociais ou aumentos de impostos, a ideia de apoiar o sistema financeiro está longe de ser pacífica.
 
Porque a banca também tem responsabilidades no estado de endividamento a que o País chegou, porque os casos de polícia que voltaram a ser notícia, agora, por causa das prescrições, permitem as generalizações fáceis e demagógicas, porque a profissão de banqueiro passou a ser a mais mal-afamada do mundo.
 
Por tudo isto, quando o Governo anterior negociou a linha de 12 mil milhões para recapitalizar o sistema financeiro, foi pelo caminho mais difícil, mas as condições desses empréstimos, na verdade, são leoninas e acabam até por beneficiar os contribuintes. Além da retórica política, há essa coisa dos números, e a sua análise: o BPI fez um anúncio de página inteira que está a sair na imprensa no qual revela que o Estado já cerca de 94 milhões de euros com o empréstimo de 1.500 milhões que fez ao banco.
 
Ulrich explica que o BPI já reembolsou 1.080 milhões de euros do total, o que custou ao banco 154 milhões de euros de juros com as CoCo (um tipo de obrigações) e, como o Estado financiou-se, para esta linha, a uma taxa média de 3,3%, registou uma margem de 5,25 pontos, ou seja, 93 milhões de euros. O BPI, como o BCP, não querem reembolsar o empréstimo do Estado tão cedo quanto o possível apenas por causa dos juros, a prestação de contas e a partilha de poder com a ministra das Finanças são dispensáveis, mas o custo deste empréstimo é brutal, afecta a capacidade de concessão de crédito e, claro, os resultados dos bancos.

África: CONTINENTE COM MAIS DE DOIS MIL MILHÕES DE PESSOAS

África-O continente africano continua a ser o que regista um maior índice de crescimento populacional, fruto da inexistência de profundas preocupações relacionadas com uma situação que começa a ganhar contornos preocupantes por afectar todas as actuais estruturas criadas para proporcionar bem-estar às populações.
Em 2050 calcula-se que vão existir mais de 2.2 mil milhões de africanos, o que diz bem do elevado índice de fertilidade e de natalidade registada a nível de todo o continente, embora haja algumas poucas excepções.

De acordo com um estudo do Banco Mundial que teve em linha de conta estudos efectuados em países de diferentes regiões de África assiste-se, na generalidade, a um continuado aumento do número de filhos por casal, embora os números e as percentagens variem de forma bastante acentuada.

Dados de 2011 revelam que em todo o mundo cada mulher tem em média dois filhos. No caso concreto da região subsahariana de África as estatísticas indicam que cada mulher tinha nessa mesma altura uma média de cinco filhos.

Até aqui nada de substancialmente novo, uma vez que essa diferença mostra a tendência que já se esperava de ser o continente africano aquele que apresenta uma maior taxa de crescimento populacional quando comparado com o que se passa em todo o mundo.

Porém, o que é novo é a verificação de que essa taxa de crescimento populacional ameaça tornar-se num factor promotor de um desenvolvimento desigual entre países do mesmo continente.

Países como o Níger e o Sudão, por exemplo, apresentam taxas de fertilidade substancialmente altas enquanto no Gana e na Tanzânia se assiste a uma drástica diminuição na média de nascimentos.

Uma das consequências desse facto assenta na necessidade do gradual aumento da idade de reforma nos países com um índice de fertilidade baixo, fruto do envelhecimento da população, enquanto os outros renovarão a sua força de trabalho e terão maiores possibilidades de ter um desenvolvimento mais acelerado e sustentado.Calcula-se que em 1970 existiam cerca de 360 milhões de africanos e que até 2050 esse número sobe para 2.2 mil milhões, cerca de um quarto do total da população de todo o mundo.

Em 2010 existiam em todo o continente cerca de 411 milhões de jovens até aos 14 anos e prevê-se que em 2050 esse número ultrapasse os 800 milhões, o que obriga os diferentes governos a esforços redobrados para poderem responder ao desafio de educar e formar tantas pessoas.

Estes dados, porém, estão já ultrapassados pelo facto de a quase generalidade dos países da região a sul do Sahara estarem a “afectar” as previsões estabelecidas em 1970 apresentando índices de fertilidade bastante superiores.

Grandes cidades como Lagos, com os seus 40 milhões de habitantes, vão tornar-se quase ingovernáveis, visto a Nigéria ser dos países africanos com uma mais elevada taxa de natalidade.

Contrariamente ao que sucedeu no continente asiático onde os países adoptaram medidas restritivas ao aumento desenfreado do índice de natalidade, em África continua a prevalecer a ideia de que o nascimento de um filho é sinal de abastança e de garantia da continuidade das famílias. Mas nem todos pensam assim.

No Uganda e na Tanzânia, por exemplo, os respectivos governos promoveram intensas campanhas de sensibilização da população criando incentivos para casais que não tenham mais de dois filhos e financiou a distribuição gratuita de contraceptivos.Tudo isto com a introdução de disciplinas escolares sobre a educação sexual.Serão estes dois países as duas grandes excepções em relação à região subsahariana do continente africano o que se revela manifestamente insuficiente para travar a tendência de um desmesurado crescimento populacional. Por esta razão há países que começam já a traçar planos no sentido de promover o desenvolvimento habitacional como forma de responder e antecipar as necessidades das populações vindouras. De acordo com dados de 2010, Lagos é a cidade mais populosa de África com 40 milhões de habitantes, seguida de Kinshasa, 30 milhões, Cairo, 22 milhões, Dar es Salaam, 20 milhões, e Luanda com cerca de 12 milhões.

Fora do continente africano este problema está a ser encarado com muita seriedade pois temem um aumento muito substancial do número de emigrantes com os inerentes problemas sociais que isso representa face aos desafios internos com que o Ocidente e a Ásia se debatem.

Por essa razão o Banco Mundial colocou como prioridade o financiamento de campanhas desenvolvidas pelos países africanos interessados em arranjar meios de travar o crescimento acelerado e, sobretudo, não programado do número de nascimentos.Para esse programa, que segundo responsáveis da organização abrange mulheres entre os 15 e os 49 anos de idade, vai ser disponibilizada uma verba anual de 1.5 mil milhões de dólares para a distribuição gratuita de meios anti-concepcionais e para a instalação de postos para consultas de planeamento familiar.  Um grupo de peritos dessa organização planeia seguir o exemplo do que foi feito em países como a Coreia do Sul, México e Bangladesh, onde conseguiram que cerca de 60 por cento das mulheres e 30 por cento dos homens tenham acesso gratuito a modernos contraceptivos. Actualmente apenas 20 por cento das mulheres africanas usa habitualmente um método contraceptivo, enquanto nos homens essa media ronda insignificantes três por cento.