terça-feira, 25 de março de 2014

Rússia Fora de G8: Não é Uma Granda Trazédia, Diz Kremlim

Holanda-Os líderes do G7 e da União Europeia (UE) decidiram segunda-feira última, na Holanda, não participar em mais encontros com a Rússia, no formato G8, até que o Kremlin “mude de rumo” em relação à Ucrânia.
 
Os responsáveis dos sete países mais industrializados do mundo e da UE surgiram muito sorridentes no seu encontro, aparentemente indiferentes à ameaça que o fracasso em garantir a integridade territorial da Ucrânia representa para o Tratado de Não-Proliferação nuclear e para a paz no mundo.
 
Moscovo não vê um grande problema na exclusão do G8. Segundo Serguei Lavrov, “o G8 é um clube informal. Ninguém entrega uma carta de membro e, por definição, ninguém pode correr com ninguém. Se os nossos parceiros ocidentais acham que este formato está gasto, que assim seja. Não estamos agarrados a este formato e não vemos uma grande tragédia se o G8 não se reunir. Podemos até fazer uma espécie de experiência: Esperar um ano, um ano e meio e ver como sobrevivemos sem ele”, pareceu ironizar o chefe da diplomacia russa.
 
À margem da Cimeira sobre Segurança Nuclear, em Haia, Moscovo e Kiev tiveram também, segunda-feira passada, a primeira reunião ao mais alto nível diplomático desde o início da crise na Ucrânia.
 
Segundo James Franey, “em 2009, foi o Presidente norte-americano que disse querer um novo começo nas relações com a Rússia. Agora, o mesmo homem, Barack Obama, conduziu as conversas para suspender a Rússia do G8. Uma nova Guerra Fria? Talvez não. Mas enquanto Washington tem falado do reforço da segurança na Ásia, é claro que as fronteiras da Europa se tornaram, de novo, no epicentro da geopolítica global”.

Primeiro Encontro Oficial Ucrânia-Rússia

Ucrânia -O chefe da diplomacia russa, Sergei Lavrov, encontrou-se  segunda-feira última com o seu homólogo ucraniano Andrii Dechtchitsa, pela primeira vez desde a crise diplomática provocada pela incursão russa na Crimeia.
 
O encontro teve lugar à margem da cimeira sobre segurança nuclear a decorrer em Haia. O ministro ucraniano sublinhou que o seu país não vai desistir da Crimeia:
 
“Acreditamos numa coexistência pacífica, mas a Ucrânia não desiste da Crimeia. Continuaremos a desenvolver esforços em conversas bilaterais e junto da comunidade internacional, para que a Crimeia regresse à Ucrânia”
 
A Ucrânia decidiu apresentar à Assembleia Geral das Nações Unidas um projecto de resolução que invalidaria o referendo de anexação da Crimeia à Federação Russa.
 
O texto, tornado público na segunda-feira passada, inspira-se no projecto de resolução que a Rússia bloqueou no Conselho de Segurança, usando do direito de veto.
 
O documento declara que o referendo de 16 de Março, que abriu caminho à anexação da península, “não é válido e não pode servir de base a uma alteração do estatuto da República Autónoma da Crimeia ou da cidade de Sebastopol”.
 
Entretanto, as tropas ucranianas começam a abandonar a Crimeia, depois de as forças russas terem conseguido tomar de assalto as bases militares da região.
 
Não foi, porém, dado a todos voltar – um militar disse que o comandante ficou para trás, pois foi raptado:
“Durante o último mês, todos nós e principalmente o nosso comandante, que infelizmente continua retido na Crimeia, estivemos encurralados numa enorme tensão. Agora espero que possamos finalmente descontrair”.
 
Os soldados deixam a Crimeia com as suas famílias, Kiev aposta agora na diplomacia.

segunda-feira, 24 de março de 2014

Portugal: Estado ganha com apoios à banca

Portugal-O Governo é acusado de proteger os interesses do sistema financeiro em geral e da banca em particular, crítica suportada na linha de capitalização de 12 mil milhões criada no âmbito do acordo com a ‘troika'.
 
A história destes quase três anos já é suficientemente reveladora da importância do apoio à banca, que impediu que o País fosse mesmo abaixo, mas não só: o Estado está mesmo a fazer um bom negócio. É claro que no momento em que há cortes de apoios sociais ou aumentos de impostos, a ideia de apoiar o sistema financeiro está longe de ser pacífica.
 
Porque a banca também tem responsabilidades no estado de endividamento a que o País chegou, porque os casos de polícia que voltaram a ser notícia, agora, por causa das prescrições, permitem as generalizações fáceis e demagógicas, porque a profissão de banqueiro passou a ser a mais mal-afamada do mundo.
 
Por tudo isto, quando o Governo anterior negociou a linha de 12 mil milhões para recapitalizar o sistema financeiro, foi pelo caminho mais difícil, mas as condições desses empréstimos, na verdade, são leoninas e acabam até por beneficiar os contribuintes. Além da retórica política, há essa coisa dos números, e a sua análise: o BPI fez um anúncio de página inteira que está a sair na imprensa no qual revela que o Estado já cerca de 94 milhões de euros com o empréstimo de 1.500 milhões que fez ao banco.
 
Ulrich explica que o BPI já reembolsou 1.080 milhões de euros do total, o que custou ao banco 154 milhões de euros de juros com as CoCo (um tipo de obrigações) e, como o Estado financiou-se, para esta linha, a uma taxa média de 3,3%, registou uma margem de 5,25 pontos, ou seja, 93 milhões de euros. O BPI, como o BCP, não querem reembolsar o empréstimo do Estado tão cedo quanto o possível apenas por causa dos juros, a prestação de contas e a partilha de poder com a ministra das Finanças são dispensáveis, mas o custo deste empréstimo é brutal, afecta a capacidade de concessão de crédito e, claro, os resultados dos bancos.

África: CONTINENTE COM MAIS DE DOIS MIL MILHÕES DE PESSOAS

África-O continente africano continua a ser o que regista um maior índice de crescimento populacional, fruto da inexistência de profundas preocupações relacionadas com uma situação que começa a ganhar contornos preocupantes por afectar todas as actuais estruturas criadas para proporcionar bem-estar às populações.
Em 2050 calcula-se que vão existir mais de 2.2 mil milhões de africanos, o que diz bem do elevado índice de fertilidade e de natalidade registada a nível de todo o continente, embora haja algumas poucas excepções.

De acordo com um estudo do Banco Mundial que teve em linha de conta estudos efectuados em países de diferentes regiões de África assiste-se, na generalidade, a um continuado aumento do número de filhos por casal, embora os números e as percentagens variem de forma bastante acentuada.

Dados de 2011 revelam que em todo o mundo cada mulher tem em média dois filhos. No caso concreto da região subsahariana de África as estatísticas indicam que cada mulher tinha nessa mesma altura uma média de cinco filhos.

Até aqui nada de substancialmente novo, uma vez que essa diferença mostra a tendência que já se esperava de ser o continente africano aquele que apresenta uma maior taxa de crescimento populacional quando comparado com o que se passa em todo o mundo.

Porém, o que é novo é a verificação de que essa taxa de crescimento populacional ameaça tornar-se num factor promotor de um desenvolvimento desigual entre países do mesmo continente.

Países como o Níger e o Sudão, por exemplo, apresentam taxas de fertilidade substancialmente altas enquanto no Gana e na Tanzânia se assiste a uma drástica diminuição na média de nascimentos.

Uma das consequências desse facto assenta na necessidade do gradual aumento da idade de reforma nos países com um índice de fertilidade baixo, fruto do envelhecimento da população, enquanto os outros renovarão a sua força de trabalho e terão maiores possibilidades de ter um desenvolvimento mais acelerado e sustentado.Calcula-se que em 1970 existiam cerca de 360 milhões de africanos e que até 2050 esse número sobe para 2.2 mil milhões, cerca de um quarto do total da população de todo o mundo.

Em 2010 existiam em todo o continente cerca de 411 milhões de jovens até aos 14 anos e prevê-se que em 2050 esse número ultrapasse os 800 milhões, o que obriga os diferentes governos a esforços redobrados para poderem responder ao desafio de educar e formar tantas pessoas.

Estes dados, porém, estão já ultrapassados pelo facto de a quase generalidade dos países da região a sul do Sahara estarem a “afectar” as previsões estabelecidas em 1970 apresentando índices de fertilidade bastante superiores.

Grandes cidades como Lagos, com os seus 40 milhões de habitantes, vão tornar-se quase ingovernáveis, visto a Nigéria ser dos países africanos com uma mais elevada taxa de natalidade.

Contrariamente ao que sucedeu no continente asiático onde os países adoptaram medidas restritivas ao aumento desenfreado do índice de natalidade, em África continua a prevalecer a ideia de que o nascimento de um filho é sinal de abastança e de garantia da continuidade das famílias. Mas nem todos pensam assim.

No Uganda e na Tanzânia, por exemplo, os respectivos governos promoveram intensas campanhas de sensibilização da população criando incentivos para casais que não tenham mais de dois filhos e financiou a distribuição gratuita de contraceptivos.Tudo isto com a introdução de disciplinas escolares sobre a educação sexual.Serão estes dois países as duas grandes excepções em relação à região subsahariana do continente africano o que se revela manifestamente insuficiente para travar a tendência de um desmesurado crescimento populacional. Por esta razão há países que começam já a traçar planos no sentido de promover o desenvolvimento habitacional como forma de responder e antecipar as necessidades das populações vindouras. De acordo com dados de 2010, Lagos é a cidade mais populosa de África com 40 milhões de habitantes, seguida de Kinshasa, 30 milhões, Cairo, 22 milhões, Dar es Salaam, 20 milhões, e Luanda com cerca de 12 milhões.

Fora do continente africano este problema está a ser encarado com muita seriedade pois temem um aumento muito substancial do número de emigrantes com os inerentes problemas sociais que isso representa face aos desafios internos com que o Ocidente e a Ásia se debatem.

Por essa razão o Banco Mundial colocou como prioridade o financiamento de campanhas desenvolvidas pelos países africanos interessados em arranjar meios de travar o crescimento acelerado e, sobretudo, não programado do número de nascimentos.Para esse programa, que segundo responsáveis da organização abrange mulheres entre os 15 e os 49 anos de idade, vai ser disponibilizada uma verba anual de 1.5 mil milhões de dólares para a distribuição gratuita de meios anti-concepcionais e para a instalação de postos para consultas de planeamento familiar.  Um grupo de peritos dessa organização planeia seguir o exemplo do que foi feito em países como a Coreia do Sul, México e Bangladesh, onde conseguiram que cerca de 60 por cento das mulheres e 30 por cento dos homens tenham acesso gratuito a modernos contraceptivos. Actualmente apenas 20 por cento das mulheres africanas usa habitualmente um método contraceptivo, enquanto nos homens essa media ronda insignificantes três por cento.

sexta-feira, 21 de março de 2014

Angola: Crescimento Económico de 5,3% Angola

Angola-Num comunicado divulgado em Washington, o FMI manifesta-se ainda preocupado com o regresso de Angola ao défice orçamental e defende o fim dos subsídios dos combustíveis, substituindo-os por "transferências dirigidas para os setores mais vulneráveis".
 
Os 8,8% de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) previstos pelo governo angolano constam do Orçamento Geral do Estado aprovado pelo parlamento.
 
Ainda do lado das preocupações e das críticas, o FMI prevê que, dada a baixa execução orçamental em 2013, o PIB nesse ano seja de 4,1%, inferior aos 5,1% antecipados pelo governo.
 
A falta de satisfação dos compromissos internos, designadamente os pagamentos dos atrasados internos em 2010 e os pagamentos previstos em 2011 constituem "um desapontamento" para o FMI, que destaca o regime jurídico angolano como um dos fatores que ajudaram àquela situação.
 
Reconhecendo a "melhoria contínua do défice primário não petrolífero", o FMI destaca a importância da mobilização de recursos internos, especialmente a receita não petrolífera, e advertiu contra o "aumento permanente" nos gastos do governo, não acompanhados do alargamento da base fiscal não petrolífera, para evitar a acumulação de dívidas.
 
Por outro lado, o comunicado do FMI destaca como positivo três aspetos: manutenção da taxa de inflação num dígito, aumento das reservas de divisas e estabilidade da taxa de câmbio.
 
Relativamente ao Fundo Soberano de Angola (FSDA), o FMI saudou a sua criação, mas defendeu a "necessidade de clarificar os seus objetivos", integrando-os numa "estratégia mais ampla de gestão de ativos e passivos", e garantindo "uma responsabilização efetiva e transparente".
 
O FSDA, no valor de 5 mil milhões de dólares (3,6 mil milhões de euros), foi criado em outubro de 2012 para investir domesticamente e no exterior do país os recursos gerados pelas exportações de petróleo em infra-estruturas e outros projetos tendentes a diversificar a economia angolana, fortemente dependente dos hidrocarbonetos.
 
O presidente do Conselho de Administração do FSDA é José Filomeno dos Santos, o filho mais velho do Presidente angolano José Eduardo dos Santos.

Rússia:Anexação da Crimeia Fica Hoje Concluida

Rússia-A Duma, câmara baixa do parlamento russo, aprovou quinta-feira última o tratado de anexação da Crimeia.
Só um deputado votou contra este texto, que passa esta sexta-feira pela câmara alta do parlamento, completando assim o processo de aprovação.
Do ponto de vista russo, cumpre-se a legalidade. De acordo com o documento, a república da Crimeia torna-se parte integrante da federação russa, após um período de transição que termina a 1 de Janeiro de 2015.
A tensão é enorme na linha de fronteira entre os dois países. Uma unidade do exército ucraniano consolidou posições a cerca de 50 quilómetros da fronteira com a Rússia.
Na Crimeia, as tropas russas apoderaram-se, esta quinta-feira, de três navios de guerra ucranianos na base de Sebastopol.

O Mecanismo de Resolução, a Europa e a União Bancária

Europa-O Parlamento Europeu e os Estados-membros da União fizeram ontem um ‘forcing' para chegarem a acordo sobre o mecanismo único de resolução, para resgatar bancos em dificuldades.
 
O mecanismo só será verdadeiramente comum a partir de 2024. Até lá existe um período de transição, durante o qual os bancos irão contribuir para um fundo de resgate que deverá perfazer o total de 55 mil milhões de euros. Este é o segundo pilar da união bancária.
 
Os outros dois são: o mecanismo único de supervisão, já acordado, e o fundo de garantia de depósitos comum. Os líderes europeus parecem satisfeitos com os dois primeiros pilares e, para já, limitam-se a determinar as condições em que o fundo de resgate deve operar em cada país. Acredita-se que, com os dois pilares já acordados, é possível reforçar a robustez do sistema bancário europeu e inspirar confiança aos investidores na zona euro.
 
A conclusão deste processo antes das eleições de 25 de Maio é entendida como uma vitória para os membros actuais da Comissão e do Parlamento Europeu, mas também o é para a zona euro como um todo. O certo é que, a partir do final deste ano, o Banco Central Europeu vai ter, finalmente, poderes de vigilância directa e de actuação sobre os bancos da zona euro e de outros países que adiram à união bancária. Ainda assim, existem críticas em relação à dimensão do fundo de resgate, uma vez que os 55 mil milhões de euros são considerados insuficientes para fazer face a uma crise generalizada do sistema bancário europeu, como a que acabámos de atravessar.
 
A criação e operacionalização da união bancária é considerada essencial para desligar as crises bancárias das crises de dívidas soberanas. Por isso, este é, sem sombra de dúvida, um passo importante para o aprofundamento da União Europeia e a defesa do euro enquanto moeda única europeia.