terça-feira, 24 de setembro de 2013

Alemanha: " Angela Merkel Mais Forte e Mais Dependente"


Alemanha-A chanceler Angela Merkel conseguiu uma vitória histórica. O partido da União Cristã Democrata e os seus aliados bávaros obtiveram o melhor resultado desde a reunificação da Alemanha, em 1990. É um triunfo pessoal de Merkel. 
 
Esta vitória não foi coroada por uma maioria absoluta. A derrota dos liberais, parceiros históricos da CDU, deixa a chanceler numa situação paradoxal. Merkel está mais forte do que nunca, mas também mais dependente:
 
"Para a chanceler, foi um grande triunfo pessoal, mas as próximas semanas podem ser difíceis, pois o possível parceiro de coligação, o SPD, tem más recordações da última grande coligação, de modo que vai negociar com mão de ferro".
 
No domingo à noite, o candidato do SPD, Peer Steinbrück, reconheceu que os resultados eram insuficientes, mas não esperou muito para salientar a fragilidade de Merkel: "A bola está no campo de Merkel é a chanceler que deve procurar uma maioria".
 
Steinbruck também estabeleceu regras mínimas para negociar com Merkel. Nada de joguinhos nem negociações estratégicas: "o SPD sabe o que quer para as pessoas, sabe o que quer para a política europeia e para a política externa do país. O que queremos para a Alemanha são políticas que sejam socialmente justas e economicamente razoáveis. Estes são os nossos valores, a base de tudo".
 
Antigo ministro das Finanças da Grande Coligação, entre 2005 e 2009, Steinbruck está, desta vez, mais inclinado para a esquerda, nomeadamente quando defende a necessidade de impôr um salário mínimo na Alemanha, o que, até agora, nunca foi criado.
 
Mas o SPD também pode exigir a pasta das Finanças, o que equivale a Merkel ter de prescindir de Wolfgang Schäuble, o respeitado ministro das Finanças do governo cessante.
 
O triunfo pessoal da chanceler é o que ressalta agora, mas o resultado da eleição é o espelho da campanha eleitoral da CDU, totalmente focalizada na sua pessoa e, claramente, não em questões políticas…
 
Evitar as temáticas é uma velha estratégia de campanha, mas o que importa são outras coisas. Os fatores importantes são os clássicos: "a boa situação da economia e a dificuldade de fazer campanha a partir dos pontos de vista da oposição. Isto foi o factor principal, comparado com outros casos na Europa, por exemplo, os níveis de desemprego na Alemanha.
 
As pessoas não sentem a crise, as pessoas sentem-se bem e não têm vontade de mudar. Este é o primeiro ponto. O segundo é que a chanceler é vista -mesmo pelas pessoas que não gostam dela – como alguém que não se tem saído mal e que merece confiança. Este sentimento que ela criou faz as pessoas sentirem-se bem e ela incarna esse sentimento.
 
A chanceler abriu o flanco e criou vulnerabilidades sobre a política europeia. Por um lado, porque quando se pensa de uma forma clássica na economia liberal, a maior parte do que foi acordado para ultrapassar a crise e aquilo que foi maioritariamente aprovado na Alemanha é o inferno. Isso é o que os economistas liberais clássicos não gostam e não aprovam. Este é um dos seus pontos fracos, o outro é que, ela própria, durante a batalha contra a crise, foi afirmando que queria uma maior integração económica e agora diz que não quer nem a união política que, supostamente deveria seguir. Agora ela criou uma nova clivagem entre o que é economicamente necessário, mas politicamente não praticável. Isto é um ponto de fragilidade para a Europa e, a longo prazo, também para o partido de Merkel.

 Angela Merkel ganhou a eleição praticamente sozinha, mas não pode governar só. Precisa de uma coligação e o mais provável é uma grande coligação CDU/SPD. Mas em que condições vão os dois partidos iniciar as negociações?

 É psicologicamente muito interessante que isto aconteça neste momento. A CDU está numa posição de força, mas na verdade está a suplicar apoio porque precisa de mais alguém para constituir uma maioria. O SPD vai tentar negociar o melhor possível. O SPD tem um óptimo instrumento no Bundesrat, que está solidamente nas mãos dos sociais democratas e através do qual pode complicar a vida da chanceler. Mas provavelmente o SPD não vai ter capacidade de resistência e aceita a grande coligação”.

 Muitos europeus, especialmente no sul da Europa esperam que nesta coligação o SPD consiga levar a Alemanha a posições mais flexíveis com respeito à crise que, peça menos programas de austeridade.

 Poderão alcançar qualquer coisa mas, em princípio, a posição alemã não vai mudar. Não nos podemos esquecer que a chanceler não está sozinha nas suas posições. Salvo algumas exceções esta posição é comum em toda a Alemanha. O SPD não tem alternativas revolucionárias na bagagem e a chanceler não está sozinha nas suas posições sobre a Europa. Ela tem aliados poderosos na União, como os holandeses e os austríacos, a maioria dos escandinavos e também os polacos. Isto nunca foi apenas o espetáculo Merkel: "a questão da austeridade e etc., sempre teve consenso no norte da Europa. O princípio de nós damo-nos vos garantias, mas em troca vocês têm que fazer reformas. Isto não vai mudar".

Moçambique é um dos Países de Topo Exportadores de Cereais na África

Moçambique está no Top 5 dos países exportadores de cereais na África

Exportação de cereais em África-Moçambique exporta em média anual cerca de 62 mil toneladas de cereais para o mercado externo, o que coloca o país no grupo de cinco maiores exportadores deste produto em África.

Zâmbia, Uganda, Tanzânia e Quénia são os restantes países africanos deste grupo, segundo o estudo divulgado na capital moçambicana Maputo.
 
De modo geral, estima-se que África exporta anualmente perto de 3,6 milhões de toneladas por 14 países africanos tidos como maiores produtores de cereais do continente.
 
Segundo uma outra notícia de Moçambique, o governo deste país encomendou a uma empresa na França a construção de 30 navios com um custo de 300 milhões de euros. A encomenda engloba 24 traineiras, três barcos-patrulha de 32 metros e outros três de 42 metros.
 
O Instituto Nacional de Apoio às Pequenas e Médias Empresas de Angola assinou dois protocolos com o Governo Regional dos Açores visando o apoio à formação dos quadros para a produção de bovinos de leite no Planalto do Uíge, em Angola.
 
Os protocolos estão a reactivar um sector de economia que era sempre importante na província de Uíge bem conhecida essencialmente pela produção agrícola.
 
António Assis, presidente do Instituto Nacional de Apoio às Pequenas e Médias Empresas de Angola, disse que os protocolos dão corpo "a uma relação de irmandade que já vem de há muito tempo", destacando "a grande experiência que os açorianos têm em matéria de produção de leite".
 
No mês de Outubro o parlamento cabo-verdiano deverá pronunciar-se sobre a proposta da nova lei de nacionalidade. A nova lei prevê que, conforme a proposta, os estrangeiros nascidos em Cabo-Verde poderão adquirir a nacionalidade e os descendentes de cabo-verdianos nascidos na diáspora poderão ser registados nos consulados para adquirirem a nacionalidade cabo-verdiana.
 
De acordo com Jorge Tolentino, porta-voz do Conselho de ministros e ministro da Defesa Nacional, o executivo cabo-verdiano na sua política da nacionalidade leva em consideração o facto de Cabo-Verde ser uma nação de emigrantes.
 
Uma outra situação acautelada por esta lei tem que ver com a possibilidade de aquisição de nacionalidade por opção, aquele que sendo filho de estrangeiros, todavia tenha nascido em Cabo-Verde e os seus pais residam legalmente em Cabo Verde, há pelo menos 5 anos.
 
E aqui é importante referir que a nova lei passa a funcionar com o conceito de residência legal em vez do conceito até agora utilizado de residência habitual.
 
As eleições na Guiné-Bissau marcadas para o mês de Novembro próximo continuam a dominar a actualidade politica neste país na África Ocidental. Para convencer a comunidade internacional dar apoio ao processo eleitoral, inclusive o apoio financeiro, o primeiro-ministro de Transição Rui de Barros começou um périplo por vários países africanos.
 
O chefe do executivo guineense fez-se acompanhar por José Ramos-Horta, representante do Secretário-Geral da ONU na Guiné-Bissau. Ao falar da perspetiva das eleições na Guiné-Bissau, o antigo presidente de Timor Leste e Prémio Nobel da Paz, Ramos-Horta declarou:
 
"Condições políticas existem, condições em termos de recenseamento são muito atrasadas, porque na Guiné-Bissau para tomar decisões leva sempre muito tempo. Em outros países algumas decisões levam 24 horas, na Guiné-Bissau as vezes leva 24 meses para tomar uma decisão por razões de política. Muitos partidos, muitas opiniões"… "Temos aqui um Governo de Transição que não tem muito poder, tem que ouvir, tem que consultar" … "Devido a essas demoras e o facto de o orçamento das eleições ser muito elevado é difícil convencer os países ricos, como os da União Europeia, para financiarem as eleições. Mas estamos a fazer o esforço"!
 
Palavras do José Ramos-Horta, antigo presidente de Timor Leste e atualmente representante do Secretário-Geral da ONU na Guiné-Bissau.

 

 

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Maior Feiticeiro da África Diz que já Ajudou Espiritualmente Mais de 1700 Pastores

Wikileaks da África-Criado em 2011, o Sahara TV é um canal televisivo totalmente online. Considerado inovador para a realidade do continente africano, é chamado de o “Wikileaks da África”, por suas matérias reveladoras.
 
Seu programa sobre religião tradicional africana, que foi ao ar, reacendeu uma antiga polêmica. Por que os cristãos de muitas nações africanas continuam recorrendo à magia negra e os deuses de seus antepassados? O foco da discussão foi centrado nas declarações de Nana Kwaku Bonsam. Considerado o maior feiticeiro da África Ocidental, ele recentemente passou um ano nos Estados Unidos, onde começou um projeto para modernizar os ensinamentos da religião tradicional africana, passando a divulgá-los pela internet para qualquer pessoa interessada.
 
Seu projeto foi mostrado em uma longa matéria no jornal New York Times, onde voltou a repetir uma de suas declarações bombásticas: mais de 1700 pastores já o procuraram buscando “ajuda espiritual”. Como conciliar isso com o ensinamento bíblico? Afinal, seu apelido “Bonsam”, significa literalmente “demônio” na língua Twi.
 
Em Gana, seu país natal, Nana Kwaku, 39 anos, é uma celebridade. Casado pela terceira vez, já tem 14 filhos (nove deles são adotados). Coordena um verdadeiro império religioso, formado por uma rede de templos e uma escola de feiticeiros, além de casas, carros e uma fazenda de gado em seu nome. Ele aparece regularmente em programas televisivos em seu país e vários de seus eventos reúnem uma multidão de pessoas que procuram pela “benção”. Já fez suas cerimônias em vários países do mundo, especialmente onde há imigrantes ganeses.
 
Kwaku Bonsam afirma ser capaz de resolver qualquer tipo de problema, desde maldições até os mais graves problemas de saúde. Atualmente, dedica-se para modernizar a religião tradicional, opondo-se abertamente aos pastores e missionários cristãos. Desde 1992, quando a nova constituição de Gana foi aprovada oferecendo maior liberdade religiosa, começou uma verdadeira guerra espiritual no país. Pastores, especialmente os pentecostais, passaram a usar televisão, rádio e Internet para criticar quem usa os rituais tradicionais, classificando-os como feitiçaria e adoração ao diabo.
 
A maioria dos feiticeiros de Gana preferiu não reagir. Mas Bonsam se tornou uma espécie de “porta voz” dos sacerdotes fetichistas, como são chamados. Seu nome de nascimento é Stephen Osei Mensah e era membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia, na pequena aldeia de Afrancho. Sua vida mudou após um acidente em 1992, quando tinha 19 anos. Certa noite, voltava para casa segurando uma lanterna quando acidentalmente passou sobre um encanamento de gás defeituoso. A eletricidade da lanterna foi suficiente para provocar uma explosão que queimou a maior parte do seu corpo.
 
Após se recuperar, ele afirma ter recebido seus poderes sobrenaturais após o “presente mágico”, que recebeu de um homem. Era um fetiche, feito com pelos trançados da cauda de um cavalo, que lhe permitiriam ajudar outras pessoas. A partir de então disse ter recebido visita dos deuses dos seus antepassados e começou a fazer “consultas” na sala da casa de sua mãe. Sua fama se espalhou e logo ele construiu um santuário na cidade. Foi nessa época que assumiu o apelido “Bonsam” dizendo ser uma resposta às contínuas acusações de fazer a “obra do demônio”, como afirmavam os pastores.
 
Em Gana, 71% dos 25 milhões de habitantes se identificam como cristãos, enquanto apenas 5% dizem seguir a religião tradicional, indica o Censo de 2010. Contudo, Kwabena Asamoah-Gyadu, professor do Cristianismo Africano no Trinity Theological Seminary, de Acra, capital de Gana, disse que esses números não correspondem à verdade, pois a maioria das pessoas tem vergonha de admitirem que recorrem regularmente à feitiçaria.
 
Durante sua estada em Nova York, Nana Kwaku Bonsam fez várias cirurgias plásticas para tentar melhorar a aparência de seu rosto, ainda coberto pelas cicatrizes do acidente de 20 anos atrás. Aproveitou para recrutar pessoas que o ajudam a montar e divulgar, com o auxílio das redes sociais, uma espécie de “consultório virtual”, onde as pessoas podem ser aconselhadas por ele por escrito ou em conferências via Skype.
 
Sobre as críticas dos pastores, ele é enfático “Diga para as pessoas lerem Jeremias 23:16.” A passagem bíblica adverte: “Não ouçam o que os profetas estão profetizando para vocês; eles os enchem de falsas esperanças”. Também dispara “Ouça como eles pregam em suas igrejas… Por que eles andam de carro importado enquanto alguns membros da igreja passam fome? A própria Bíblia diz que todos nós devemos vender nossos pertences e partilhar com os pobres e necessitados. Alguns pastores hoje em dia estão praticamente sendo adorados pelos membros da igreja, enquanto o próprio Jesus era um pessoa humilde”.
 
Bonsam afirma estar farto de ser atacado publicamente por muitas pessoas que o procuraram em segredo. Segundo ele, já “ajudou” mais de 1700 pastores africanos com feitiços para que suas igrejas crescessem. Em 2 de Abril de 2008, em um famoso episódio que chamou a atenção da mídia em Gana, Nana Kwaku invadiu a igreja de Collins Agyei Yeboah, um conhecido pastor pentecostal da cidade de Kato. Acompanhado por policiais e repórteres, ele acusou o pastor de pedir ajuda dos deuses, mas não pagar pelo serviço. Yeboah foi constrangido diante dos fieis a devolver um ídolo que lhe fora dado pelo feiticeiro. No vídeo gravado na ocasião, é possível ver o pastor se defendendo, mas acaba sendo levado pela polícia. Aparece dizendo que realmente tinha consultado Bonsam, mas nunca recebeu os poderes que lhe foram prometidos. No final, acaba devolvendo o ídolo.

Eleições Alemães Torna-se Pré- canpanha do Partido Anti-euro para Eleições Europeias

Alemanha-"Um novo movimento anti-euro, criado na primavera deste ano surpreende e fez tremer os partidos tradicionais.
A Alternativa para a Alemanha (AfD) obteve 4,7% dos votos, muito perto dos 5% necessários para entrar no parlamento.
 
Os responsáveis pelo partido, que defendem que a moeda única é a responsável pela crise da Europa, acreditam que este é um momento importante para o país. Bernd Lucke, um dos líderes do AfD, garantiu que “os partidos já perceberam que não podem fazer tudo, nem tudo é permitido. Agora sabem que existe oposição no seio da sociedade. Vai haver oposição se os partidos estiverem convencidos que podem fazer tudo.”
 
Os apoiantes do partido acreditam que agora começa uma nova fase. Um desses militantes afirmava que “este é um dia positivo para a Alemanha porque foi revelado o porquê da crise da zona euro e vão ser dadas as verdadeiras respostas e a qualidade da discussão vai aumentar.” Um outro apoiante dizia também que “o Euro tornou-se anti-europeu. Significa que aquilo que era considerado cimento tornou-se explosivo para o ideal europeu.”
 
Na sede do AfD há quem chame o partido Alternativa para a Alemanha, o partido anti-euro. E há quem ache surpreendente que, especialmente na Alemanha, haja eleitores que duvidam do papel estabilizador da moeda única.
 
Dentro do partido domina a sensação de que agora começa uma nova etapa e o próximo objetivo do Alternativa para a Alemanha são as próximas eleições europeias".

Assad: "o inimigo da França e dos EUA"

Síria-"O regime sírio acusa os Estados Unidos e a França de estarem a querer combater “um inimigo imaginário”, afirmando “não estar preocupado” com uma resolução da ONU que preveja a possibilidade de um ataque contra o país.
 
As afirmações foram feitas por Bashar Al-Assad, numa entrevista ao canal público chinês CCTV, em que afirma que o principal obstáculo ao desarmamento do seu arsenal químico, continua a ser a actividade dos grupos “terroristas” no país.
 
“Não vejo qualquer problema para que consigamos cumprir o acordado, mas como disse estes terroristas que obedecem às ordens de alguns países poderiam impedir os inspetores da ONU de fazerem o seu trabalho para depois acusarem a Síria”, afirmou Assad.
 
As declarações coincidem com a oferta de Moscovo de enviar militares para proteger os inspetores no terreno. O ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Serguei Lavrov, acusou os países ocidentais de estarem a tentar utilizar o acordo para o desmantelamento de armas químicas como um pretexto para aprovar uma resolução da ONU que preveja o uso da força contra o regime sírio.
 
Se Damasco aceitou desmantelar o seu arsenal químico depois do ataque de Agosto passado na capital, já Assad sublinhou a “necessidade” de reforçar o seu armamento, para fazer face ao que chama de “ataques repetidos de Israel”.
 
Em paralelo aos esforços ocidentais para tentar convencer Rússia e China a apoiarem uma nova resolução da ONU, a oposição síria mostra-se pronta para retomar as negociações, em Genebra, sobre uma transição política no país, segundo fontes diplomáticas".

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Documentário Reclama Oficialização do Crioulo na Guiné-Bissau

 
Apesar de ser falado "por 70 a 80 por cento da população", o crioulo ainda não está totalmente normalizado e a única língua oficial da Guiné-Bissau é o português, destaca Gorka.
 
Em diversas entrevistas a figuras das artes e letras e a residentes em diferentes pontos da Guiné-Bissau, o documentário capta um desejo comum.
 
"O desejo de muita gente é que, para além do português, o crioulo seja uma língua oficial para dignificar a cultura guineense", de modo a que a identidade nacional "tenha uma expressão institucionalizada ao nível do Estado", explica o realizador.
 
"A verdadeira independência, além de política e militar, tem que ser cultural, tem que ser pela defesa e dignificação da cultura do país e pela sua partilha em igualdade com outras culturas", acrescenta.
 
Gorka acredita que, apesar dos 40 anos de existência como Estado, ainda falta à Guiné-Bissau contrapor em definitivo a lei da cidadania guineense, de 1946, na era colonial portuguesa, "segundo a qual era indígena aquele que não falava ou não escrevia em português". Embora no quadro da lei da recepção, a lei nº1/73, a lei da cidadania colonial já se encontra revogada. 
 
Pelo contrário, o documentário rodado no início do ano em vários pontos da Guiné-Bissau, encontrou poemas e músicas que mostram como o crioulo é a massa que "agrega as diferentes culturas milenares" da guiné.
 
Foi a língua que sempre serviu "para intermediar o diálogo" entre comunidades de diferentes crenças.
 
O músico Aliu Bari, que faleceu este ano em Lisboa, o escritor Abdulai Silai ou o cantor e escritor Ernesto Dabó, são algumas das figuras ouvidas no filme que conta com a colaboração da artista Karina Gomes.
 
O documentário deverá ter 70 minutos de duração, está em fase de montagem e prevê-se que esteja pronto a exibir em Dezembro.
 
Deverá ter como título a palavra crioula "lantanda", que significa "pegar em algo que cai, no mesmo sentido em que se apanha a água que escorre", descreve Gorka.
 
A palavra para título foi escolhida por alguns entrevistados aos quais a equipa do documentário pediu que escolhessem uma palavra ou provérbio com o qual mais se identificassem.
"
Disseram-nos que escolheram esta pelo significado e pela metáfora que representa em relação à situação atual da Guiné-Bissau", refere o realizador.
 
Gorka Gamarra, basco, é funcionário do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) na Guiné-Bissau.
 
Fazem parte da equipa do documentário outros dois bascos, três guineenses e dois portugueses, todos interessados na cultura do país em que vivem.
 
Apesar de estar prestes a ver a luz do dia numa altura em que o país celebra o 40.º aniversário, o documentário deixa de lado qualquer ambição de fazer um balanço do percurso de independência até hoje.
 
"Só tentamos compreender o que é a identidade guineense", realça o realizador. E se essa identidade ainda não está totalmente plasmada na lei e no que se ensina, "é porque é preciso dignificar e trabalhar mais sobre essa identidade", conclui.

Plano de Urgência para Guiné-Bissau Custará 24,7 Milhões de euros


Bissau - Elaborado por uma comissão estratégica, o Plano de Urgência para a Guiné-Bissau foi orçado em 24,7 milhões de euros, sendo que metade dessa quantia precisa de financiamento estrangeiro.
 
A proposta foi entregue na última semana ao Governo de transição para discussão e aprovação. Depois dessa etapa, o Plano ainda será "avaliado e auditado por um gabinete internacional".
 
O documento estipula 20 medidas para acudir as principais carências do país, de modo que as eleições gerais, marcadas para 24 de Novembro, possam ocorrer sem sobressaltos.
 
Entre as prioridades, estariam as medidas para "mitigar a ameaça de fome derivada de uma má campanha agrícola, combater a epidemia de cólera, garantir transfusão de sangue 100% segura e sanear o clima de tensão sócio laboral reinante nos sectores da educação e da saúde".
 
Medidas
 
No caso da volta à normalidade e a paz em escolas públicas, hospitais e centros sanitários, está prevista a criação de um fundo no valor de 5,8 milhões de euros, para pagar ordenados em atraso aos professores, aos médicos e aos enfermeiros.
 
Quase a mesma quantia, de 5,6 milhões de euros, será destinada a equipar os cinco blocos construídos através de um projecto do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) no Hospital Simão Mendes, "numa perspectiva de urgência humanitária".
 
Para ajudar a alimentar a população, será reservado 12 milhões de euros (metade do Plano de Urgência). As ações serão definidas após o inquérito que é realizado pelo Programa Alimentar Mundial (PAM) e pela Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO).
 
Outro montante de 297 mil euros será destinado ao combate à cólera, "evitando que a doença se alastre ao resto do país e que aumente a mortalidade devida à epidemia".
 
 
Plano de Urgência
 
O plano foi preparado por uma Comissão Nacional de Planejamento e Coordenação Estratégica, apresentada em Julho. Ela foi escolhida pelas autoridades de transição da Guiné-Bissau, em articulação com parceiros internacionais e com o apoio da ONU.
 
De acordo com a proposta elaborada pela Comissão, sua execução "é da responsabilidade do Governo, através dos departamentos competentes, em estreita colaboração com as organizações da sociedade civil, o setor privado e os parceiros de desenvolvimento".
 
Também são sugeridas diferentes reuniões regulares e grupos de acompanhamento, assim como uma gestão assegurada por terceiros, escolhidos em consenso pelo Governo de transição e parceiros de desenvolvimento.