quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Washington a Postos para a Intervenção Militar na Síria

Síria-"Face à cada vez mais provável ação militar dos Estados Unidos na Síria nos próximos dias, dezenas de cidadãos russos decidiram abandonar Damasco, regressando a Moscovo num avião do ministério de Emergências.
 
Mesmo se a Casa Branca e o Departamento de Estado norte-americano disseram que Barack Obama “ainda não tomou uma decisão”, o vice-presidente Joe Biden endureceu o tom, responsabilizando pela primeira vez de forma directa o regime sírio pelo uso de armas químicas.
 
O número dois da Casa Branca explicou que “seguindo instruções do presidente”, a administração “tem estado em contacto próximo com os homólogos estrangeiros”. Biden acrescentou que ele e Obama acreditam que “os que usam armas químicas contra homens, mulheres e crianças indefesas devem ser responsabilizados”.
 
O secretário da Defesa disse que os Estados Unidos já “posicionaram os elementos necessários para responder à opção escolhida pelo presidente”.
 
Responsáveis da administração disseram que a intervenção será limitada a uma campanha de alguns dias, a partir dos navios de guerra estacionados ao largo da Síria.
 
O analista Michael Robin diz que “se houver a informação necessária, será visada a unidade que usou armas químicas. Se apenas for um ataque pontual e simbólico, talvez sejam visados palácios. Mas se forem visados sistemas de defesa antiaérea e bases militares, será um indício de que poderá haver muitos mais, se a situação o exigir”.
 
O objetivo da operação não será, segundo responsáveis norte-americanos, alterar o equilíbrio de forças entre Damasco e os rebeldes, mas dissuadir o regime de Bashar al-Assad de um novo recurso a armas químicas.
 
O ministro sírio dos Negócios Estrangeiros afirmou que “se houver uma agressão, só existem duas possibilidades: render-se ou defender-se com todos os meios possíveis (…) que é a melhor alternativa”.
 
O auto-denominado Exército Eletrónico Sírio, que apoia o regime, já respondeu preventivamente. O grupo de piratas informáticos estará por trás dos ataques de ontem contra o Twitter e os sites de jornais norte-americanos, como o New York Times".

Tunísia: O Governo Classiva Ansar al-Sharia de "Organização terrorrista" e Acusa os Salafistas de Assassinato de Opositores Politicos

Tunísia- "O governo tunisino acusou o movimento salafista Ansar al-Sharia de ligações à Al-Qaida e de estar por trás dos assassinatos de duas figuras da oposição e de vários elementos das forças de segurança.
 
O primeiro-ministro Ali Larayedh explicou que o grupo islamita radical, até agora tolerado, foi oficialmente inscrito na lista de “organizações terroristas”.
 
Chokri Belaid, líder do Movimento dos Patriotas Democratas – principal formação da oposição – foi abatido a tiro em Fevereiro.
 
A 25 de Julho, era assassinado de forma semelhante o opositor Mohamed Brahim. Desde a sua morte, a oposição laica reclama a demissão do governo dominado pela formação islamita Ennahda, acusado de laxismo no combate contra elementos “jihadistas” que semeiam a insegurança na Tunísia.
 
No sábado, milhares de tunisinos saíram à rua na capital para exigir a queda do executivo, que tenta tudo para negociar uma saída da crise política e institucional que se arrasta desde a revolução que derrubou Ben Ali em 2011".

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Kerry Diz que o Uso de Armas quimicas na Síria é Incontestável

Estados Unidos-Os Estados Unidos consideram que existem provas “incontestáveis” do uso de armas químicas na Síria. A afirmação foi feita pelo secretário de Estado, John Kerry, que acusou o regime sírio de tentar esconder o incidente da semana passada na periferia de Damasco.
 
Num tom duro, o chefe da diplomacia norte-americana afirmou que “o massacre indiscriminado de civis, mulheres, crianças e inocentes, com recurso a armas químicas é uma obscenidade moral. É imperdoável e, apesar das desculpas e equívocos que alguns fabricaram, é incontestável”.
 
As declarações de Kerry poderão ser uma forma de preparar o terreno para uma ação militar dos Estados Unidos, contestada pela Rússia, aliada do regime de Bashar al-Assad.
 
O ministro russo dos Negócios Estrangeiros acusa Washington de querer agir sem provas, contornando o Conselho de Segurança da ONU.
 
Serguei Lavrov defende que “mesmo pondo de lado o aspeto legal e moral, uma intervenção externa, não aprovada pela comunidade internacional, terá como consequência concreta o risco de piorar a situação no país”.
 
Em entrevista a um jornal russo, o presidente sírio voltou a desmentir o uso de armas químicas e disse que uma eventual intervenção militar norte-americana será um falhanço.
 
No terreno, a equipa de inspetores das Nações Unidas concluiu o primeiro dia de investigações no local do suposto ataque com armas químicas. A missão da ONU foi visada por franco-atiradores, numa ação que não fez feridos e que o regime atribuiu, sem surpresas, aos rebeldes sírios.

Bancos Centrais Pedem Prudência na Criação de Banco Africano

Balaclava - A Assembleia Anual da Associação dos Bancos Centrais de África (ABCA) terminou os seus trabalhos sábado passado, no norte das ilhas Maurícias, com um apelo à União Africana (UA) para ter prudência na criação do banco central africano e da moeda única do continente. 
 
"Esta mensagem será transmitida à UA pelo seu comissário para os Assuntos Económicos,  presente nesta reunião anual", revelaram alguns participantes no termo da reunião. 
 
As deliberações do encontro incidiram sobre a instauração de um instituto monetário africano e a importância da inclusão financeira em África para tornar os serviços financeiros mais acessíveis à população.
 
Durante a reunião, as ilhas Maurícias assumiram a presidência da associação sucedendo assim à Argélia. Mais de 20 governadores e governadores adjuntos de bancos centrais africanos participaram nesta reunião anual.

Desenvolvimento: Banco Africano Retoma Projectos na Guiné-Bissau

Guiné-Bissau-O Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) anunciou que vai retomar parcialmente os projectos financeiros na Guiné-Bissau que estavam suspensos desde o golpe de Estado militar de 12 de Abril de 2012.
 
O anúncio foi feito por Toussaint Houeninvo, líder da comitiva do
BAD que se reuniu com o primeiro-ministro de transição, Rui de Barros, em Bissau.
 
No final do encontro, aquele responsável referiu que o banco não vai apoiar «novos projetos», mas que «será retomada a discussão sobre os que já estavam em curso», nomeadamente, os investimentos no porto de Bissau e num dos hospitais da capital.
 
«A boa nova é que, para os projetos existentes, o diálogo foi retomado», referiu Toussaint Houeninvo, esclarecendo que não há verbas em discussão.
 
«Não estamos a falar de doações», sublinhou, mas sim da "retoma" de discussões sobre projetos.
 
Depois do encontro os, técnicos do BAD vão deslocar-se a Bissau para avaliar no terreno qual o ponto de situação dos investimentos apoiados pelo banco e avaliar a respetiva evolução com todos os parceiros, desde as autoridades locais até aos fornecedores de cada projeto.
 
Para além da reunião com o primeiro-ministro de transição, a comitiva tem encontro marcado com a comissão que está a preparar um plano de emergência para a Guiné-Bissau em vários setores.
 
Questionado sobre a importância que o BAD atribui à realização de eleições gerais para continuar com as operações, o líder da comitiva do BAD disse esperar que o escrutínio se realize a 24 de novembro.
 
"Desejamos que as eleições se realizem" na data marcada, referiu, compromisso que disse ter sido reafirmado pelas autoridades de Bissau.
 
Seja como for, Toussaint Houeninvo considerou que «há progressos: há um Governo inclusivo, há esforços", e referiu que a retoma parcial de actividades do BAD na Guiné-Bissau reflete sobretudo uma "preocupação social»
 
«O BAD está ao lado da população da Guiné-Bissau» realçou. O Banco Africano de Desenvolvimento é uma organização multinacional que tem por missão fomentar o desenvolvimento no continente africano.

Ex-governante Carmelita Pires Candidata-se à Presidência do PUSD


Bissau - A antiga ministra da Justiça guineense, Carmelita Pires, anunciou quarta-feira passada, em Bissau, a sua candidatura à liderança do Partido Unido Social Democrático (PUSD). 
 
"Vamos lançar já a candidatura que depois irá concorrer ao nosso congresso e eu estou a candidatar-me à presidência do partido", adiantou terça-feira Carmelita Pires  em Lisboa. 
 
A antiga ministra da Justiça da Guiné-Bissau explicou que o anúncio da sua candidatura foi oficializado na quarta-feira última na sede do PUSD, na capital guineense, e que essa candidatura será levada ao congresso do PUSD, que vai ter lugar "na primeira semana de Setembro". 
 
"Espero com esta candidatura conseguir reestruturar e reorganizar o meu partido porque estamos na iminência de mais um processo eleitoral", afirmou Carmelita Pires, referindo-se às eleições gerais marcadas para 24 de Novembro pelas autoridades de transição guineenses. 
 
"Estou convencida de que vou conseguir fazer com que o PSUD volte a entrar na vida política guineense e aspire mais do que ser uma terceira força", acrescentou.

Para antiga ministra da Justiça, o que distingue o PSUD dos "partidos ditos maioritários" na Guiné-Bissau é que "nunca efectivamente teve totalmente as rédeas da governação do país". 
 
O PSUD "é um partido que tem um projecto de sociedade, um partido inserido na realidade guineense que certamente irá medir forças políticas com os outros partidos maioritários -- e que poderá fazer a diferença e contribuir seriamente para a mudança na Guiné-Bissau", frisou a responsável.

Carmelita Pires defendeu que "a primeira questão que tem de ser resolvida" na Guiné-Bissau é a "questão da estabilidade definitiva do país". 
 
"Uma estabilidade do ponto de vista das instituições democráticas e da normalização da vida política. Isso é o ponto número um", sustentou.
 
Outras "questões principais" têm a ver com a "questão da reforma da classe política, porque a classe política também é responsável pela situação do país, e a reforma das Forças Armadas", disse Carmelita Pires, deixando  mais detalhes sobre a sua candidatura e as prioridades e objectivos do partido. 
 
Depois do golpe de Estado de 12 de Abril de 2012, quando os militares afastaram os dirigentes eleitos, estabeleceu-se um período de transição de um ano que foi prorrogado até ao final deste ano.
 
O Presidente da República de transição, Serifo Nhamadjo, e o primeiro-ministro de transição, Rui Duarte de Barros, têm reafirmado a vontade de realizar eleições gerais a 24 de Novembro com método de recenseamento manual de eleitores.

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Guiné-Bissau Recebe Ajuda Alimentar do Senegal

África, fome
Guiné-Bissau-A Guiné-Bissau recebeu quarta-feira passada do Senegal ajuda alimentar e agrícola num valor superior a 300 milhões de francos CFA (cerca de 460 mil euros), disse uma fonte governamental.

O apoio é constituído por diversos produtos agrícolas, tais como sementes de alimentos, alfaias e adubos, e foi entregue ao ministro do governo de transição guineense com a pasta da agricultura, Nicolau Santos, na povoação de Kolda, no Senegal.
 
O auxílio surge em resposta ao pedido de ajuda internacional lançado pela Guiné-Bissau devido aos fracos rendimentos obtidos pela população rural na campanha de caju, que é uma das principais fontes de receita do país.
 
Devido à "má campanha" deste ano, os camponeses tiveram que comer as sementes que iriam usar na lavoura, ou seja, há risco de "penúria alimentar", referiu o ministro de transição ao justificar o apelo à ajuda internacional.
 
Os produtos hoje recebidos vão ser conduzidos para Bafatá, no centro da Guiné-Bissau, e dali serão distribuídos por todo o país, acrescentou.
 
É a segunda vez que o Senegal responde com ajuda agrícola de grande dimensão à Guiné-Bissau, depois de em 2005 ter encaminhado técnicos e meios de combate a uma praga de gafanhotos que afectou o país lusófono.
 
Devido à crise deste ano, também o embaixador da China em Bissau, Wang Hua, anunciou no início de Agosto a entrega de "uma ajuda directa em cereais", num montante a definir entre os dois países.
 
Rui Fonseca, encarregado da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO) em Bissau, disse na segunda-feira que a situação de carência alimentar severa está a aumentar no país e já deve afectar pelo menos 260 mil pessoas.
 
A situação vai ser detalhada num "inquérito aprofundado de avaliação da segurança alimentar em situação de emergência", cuja equipa de inquiridores, constituída por cerca de 30 pessoas, começaram a receber formação na capital do país. 

O inquérito vai decorrer em todo o país entre 26 de Agosto e 7 de Setembro, numa organização conjunta da FAO, do Programa Alimentar Mundial (PAM) e da Plan-International Guiné-Bissau, organização de apoio às crianças.