segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Guiné-Bissau: Serviços da APGB paralisados

Bissau - Os serviço da Administração dos Portos da Guiné-Bissau (APGB), único porto comercial no país, encontram-se paralisados desde as primeiras horas desta sexta-feira, 16 de Agosto, um caso que tem vindo a se arrastar desde o final do dia anterior.
 
Em causa está a exoneração do Director-geral da instituição, Augusto Cabi, pelo Ministro de Transportes e Ministro do Estado, Orlando Mendes Veigas, que não foi aprovada por alguns funcionários da APGB.

Helder Gomes disse desconhecer a situação. Contudo, admite que este caso esteja relacionado com a guerra interna entre os militantes do Partido de Renovação Social, que é responsável pela pasta dos Transportes.

«Estamos em busca de soluções entre as partes para que os serviços voltem a funcionar normalmente», disse Gomes.

De passagem pelo local, a PNN encontrou várias pessoas sentadas junto às instalações da Direcção-geral da APGB, na sua totalidade fechadas pelos trabalhadores que reclamam a continuidade de Augusto Cabi como responsável máximo da instituição.

Entretanto, uma fonte próxima de Augusto Cabi denunciou à PNN que este teria sido alvo de assassinato, esta madrugada, junto à sua residência em Bissau. «Houve uma tentativa de assassinato na casa dele esta madrugada. Um grupo de pessoas com máscaras e armadas foram à procura dele», disse a fonte.

A disputa sobre a posse do Director-geral da APGB mereceu  quinta-feira passada, 15 de Agosto, comentários no discurso preferido por Antonio Indjai, Chefe do Estado- Maior General das Forças Armadas, durante a cerimónia de abertura da 1ª Conferência Nacional de Segurança e Serviço de Informação Militar, classificando o assunto como ambição pelo dinheiro.

Augusto Cabi foi indicado pelo Comando Militar para se ocupar destas funções poucos dias depois do golpe de Estado do dia 12 de Abril 2012.

Sobre este assunto, os economistas prevêem uma grande perda para o tesouro público, considerando que afecta negativamente, do ponto de vista económico, os trabalhos da Direcção-geral das Alfandegas da Guiné-Bissau.

União Africana Pede Contenção no Egito

 (AL-WATAN NEWSPAPER / AFP)
Egipto-"A presidente da Comissão da União Africana (UA), Nkosazana Dlamini-Zuma, pediu sábado passado em Lilongüe contenção ante os violentos protestos no Egito.
 
"Peço a todas as partes que atuem com a máxima contenção e que iniciem diálogo", disse durante uma reunião de líderes do sul da África na capital do Malauí. "É necessário que a UA peça uma reunião sobre a paz e a segurança no Egito", disse.
 
O ministro alemão das Relações Exteriores e seu colega do Catar - principal apoio da Irmandade Muçulmana -, condenaram sábado em Berlim a escalada da violência no Egito e também defenderam o diálogo.
 
"Estamos comovidos pela violência contínua e brutal no Egito", disse o chefe da diplomacia alemã, Guido Westerwelle, durante uma entrevista com o colega do Catar, Khalid bin Mohamed Al-Atiyah".

Um Terço das Mulheres do Quênia Foi ou Será Vítima de Estupro

Quênia-"Ser mulher no Quênia significa ter mais de 30% de possibilidade de sofrer algum tipo de abuso sexual durante a infância e adolescência, uma estatística assustadora que bate frontalmente com o pouco apoio recebido pelas vítimas. De acordo com um estudo realizado pelo governo do Quênia, em parceria com a ONU, um terço das menores quenianas terá sido o objeto de alguma violência sexual antes de completar 18 anos.

Este número é bem conhecido pelo Centro de Atendimento às Vítimas de Violência Sexual que a ONG Médicos Sem Fronteiras (MSF) opera no bairro de periferia de Kibera, em Nairóbi, uma das maiores cidades da África.Estima-se que em torno de 25% das pessoas que buscam ajuda são meninas menores de 12 anos.

Zaina Ahamed, queniana de 46 anos e uma das responsáveis pelo programa da MSF, conta que as menores são estupradas ou agredidas por pessoas de seu círculo, como vizinhos, conhecidos, membros da família, e até mesmo seus pais.

"Aos menores temos que dar ainda mais apoio que o normal, porque às vezes os estupradores são os próprios pais, e por isso temos que ter certeza que seu núcleo familiar é seguro", explica Zaina na porta do centro, que fica em uma das caóticas e empoeiradas ruas de Kibera.

Zaina diz ser muito comum serem os pais os violentadores, os vizinhos, e que normalmente a comunidade costuma ficar contra a vítima, a quem culpam por mentir ou criar uma má reputação para o bairro. "As vítimas vêm aqui porque não recebem nenhum tipo de apoio da comunidade. É preciso ser muito forte para sobreviver a um caso assim", ressalta.

O caso mais marcante para Zaina é o de uma menina de 12 anos que foi estuprada por um vizinho. "A menina demorou uma semana em contar à família que tinha sido violentada pelo vizinho. Quando a irmã foi enfrentar o estuprador, ele negou veementemente, mas uma hora depois se suicidou", contou.

Longe de receber o apoio do resto das pessoas da comunidade, a menina foi acusada de ser a responsável pela morte do morador. "Tal foi o assédio para ela, que teve que se mudar", relata Zina, com a naturalidade de quem viu centenas de casos similares.

Mas não são só as meninas que contam com uma rede de apoio praticamente inexistente. As mulheres, já adultas, também sofrem a mesma rejeição. Segundo Ahamed, muitas mulheres que contam ao marido terem sido estupradas são expulsas de seus lares ou acusadas de serem mentirosas. "Muitos homens acusam suas esposas de mentirosas, de dizer que foram agredidas sexualmente quando na realidade se tratava de relação consentida", declara a funcionária da MSF.

A causa do estigma e da rejeição que vem com a violência sexual, a pouca confiança que os quenianos têm em sua polícia e em seu sistema judiciário, fazem com que a maioria dos estupros nem sequer sejam denunciados, apesar da legislação impor penas duras aos estupradores.

Helen Achieng49 anos que mora em Kibera, denunciou às autoridades ter sido violentada, mas sem resultado. Ela vive nesta cidade há mais de 18 anos, depois da morte de seu marido, que, Helen suspeita ter morrido de Aids.

Infectada pelo vírus, Helen foi estuprada numa noite quando voltava com um grupo de amigos de um acto para arrecadar dinheiro para o funeral de uma amiga. A caminho de casa ela encontrou um grupo de homens armados que a levaram, junto com outra amiga, a uma floresta. Ali foi violentada por quatro homens diferentes durante mais de três horas.

Os estupradores nunca foram detidos nem processados, apesar de Helen ter buscado ajuda no centro da MSF e denunciado a violência. Além da incompetência das autoridades, Helen está cansada do pouco apoio e compreensão que recebeu dos vizinhos com quem conviveu por duas décadas.

"Os vizinhos que sabem do estupro dizem muitas coisas estúpidas. Alguns perguntam porque andava pela rua, que talvez estivesse procurando pelo que me aconteceu", explica com amargura. "Dizem que mudei, que fiquei sombria, que estou com o pavio curto e que estou mais magra", acrescenta.

Até seu filho mais velho pediu que não denunciasse os estupradores, que não continuasse investigando a identidade de seus agressores, como se assim fosse possível esquecer aquela noite. Aconteceu e ponto. Agora é preciso esquecer, dizia meu filho".

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Menina obrigada a se casar é resgatada na Guiné-Bissau


Guiné-Bissau-"A menina de 19 anos que tinha sido sujeita a um casamento forçado no sul da Guiné-Bissau foi resgatada na terça-feira passada pela Polícia Judiciária, informou à agência Lusa o presidente da Liga Guineense para os Direitos Humanos.


 A vítima estaria a ser obrigada pela família e pelo suposto marido a permanecer na aldeia de Dajabadá-Porto, onde nasceu e a 27 de Julho se consumou o matrimónio, alegadamente combinado por uma tia, explicou Luís Vaz Martins, dirigente da Liga, organização que denunciou o caso.
 
Agentes da Polícia Judiciária deslocaram-se à aldeia na terça-feira com a missão de libertar a menina, mas só depois da detenção da tia é que esta revelou onde ela estava.
 
A jovem foi depois conduzida pela PJ para o centro de acolhimento da Associação dos Amigos da Criança, em Bissau, onde se encontra, enquanto a tia está sob custódia da PJ, referiu Luís Vaz Martins.
 
Para aquele responsável, "deu-se um passo importante no cumprimento da lei", mas, ainda assim, entende que "todos os envolvidos neste processo devem ser trazidos à justiça".
 
Para além da tia, os restantes implicados serão o marido imposto e um irmão mais velho que terá atraído a rapariga para a aldeia com um falso convite para férias.
 
Luís Vaz Martins entende que "a pressão popular" foi determinante para a resolução do caso e garante que a liga vai continuar a mobilizar a opinião pública para que se acabe definitivamente com o casamento forçado na Guiné-Bissau".

Chefe do Estado-Maior das Forças Armadas da Guiné Bissau Diz que Não se Demite

Guiné-Bissau-"No decurso de uma reunião dos serviços secretos militares e civis em Bissau, o chefe do Estado-Maior da Guiné-Bissau, general António Indjai, teceu algumas considerações sobre a situação política no seu país, noticia a rádio francesa RFI
 
O responsável militar guineense acusou os dirigentes políticos locais de não amarem a sua pátria e de se preocuparem antes com o seu  bem-estar.
 
Discreto nos útimos tempos, o general Indjai, que após a prisão pelos EUA do almirante Bubo Na Tchuto, foi igualmente acusado pela justiça dos Estados Unidos de estar envolvido no narcotráfico, declarou que só abandonará as suas actuais funções se for exonerado por um futuro presidente-eleito.
 
Indjai é contestado por vários círculos políticos da Guiné-Bissau e tido pela comunidade internacional como um entrave à reforma das Forças Armadas do seu país.
 
Sem ter feito uma alusão específica à Bubo Na Tchuto, o general Indjai afirmou que ele não é indivíduo para se  deixar capturar, preferindo antes matar-se.
 
Segundo o correspondente da RFI em Bissau, Mussá Baldé, o general criticou também as autoridades guineenses por terem permitido a saída do país de dois agentes da polícia cabo-verdiana que tinham sido acusados de espionagem.
 
António Indjai disse ainda que o ex-primeiro-ministro Carlos Gomes Júnior, deposto pelos militares em Abril de 2012 e que pretende regressar nos próximos dias ao país, poderá fazê-lo porque é um cidadão guineense, mas que terá que tratar da sua própria segurança pessoal".

Merkel Tenta Brincar Mas é Obrigada a Levantar a Voz

Alemanha-Está na rua a campanha eleitoral pelo lugar de Chanceler da Alemanha, cujas eleições estão marcadas para 22 de Setembro. A cinco semanas da ida às urnas, a ainda dona do lugar, Angela Merkel, parece apostada em suavizar a imagem fria que lhe apontam. Uma das brochuras de campanha revela imagens e informações da vida privada da Chanceler como a paixão por jardinagem e sopa de batata além de alguns dos segredos por trás do alegado êxito do seu casamento.
 
Quarta-feira última, Merkel tentou mesmo brincar no discurso que proferiu na vila rural de Seligenstadt, no coração da Alemanha, citando um dos pontos mais curiosos da agenda eleitoral dos rivais Verdes: o corte do consumo de carne pelo menos durante um dia da semana. A candidata pelo partido CDU, os conservadores cristãos democratas, foi, porém, obrigada a falar bem alto devido aos ruidosos apitos que cerca de 50 jovens apoiantes do SPD, a segunda força política da Alemanha, lhe dirigiram.
 
Foi com a voz bem projetada, e a habitual cara de poucos amigos a
ofuscar o humor do discurso, que Angela Merkel lançou o não muito bem conseguido desafio aos presentes no comício de Seligenstadt: “Têm de decidir, agora, se é mais importante para vocês e para a vossa vida que alguém vos diga para não comerem carne à quinta-feira ou se o mais importante é que tenhamos tido sucesso nestes últimos oito anos, enquanto fui chanceler, e não haver mais de cinco milhões de desempregados [na Alemanha], mas sim, menos de três milhões.”
 
A plateia ouviu Merkel e aplaudiu de forma entusiasta a candidata dos conservadores, e grande favorita à reeleição. O grupo rival afecto aos sociais democratas não baixou, porém, os protestos e, dos apitos, passaram aos gritos “Merkel, fora!”
 
Também já em campanha, os Verdes partem para esta campanha com apenas 13 por cento de preferências nas sondagens contra os mais de 41 por cento da CDU, da actual chanceler. E a expetativa de subir nas sondagens não é grande. Para além da curiosa proposta de redução no consumo de carne, os Verdes defendem também um pouco popular aumento de impostos para as classes alemãs com mais posses.
 
O SPD, por fim, assume-se uma vez mais como a principal oposição à candidatura da actual Chanceler. Os sociais democratas seguem com 26 por cento nas sondagens, mas a fraca  popularidade de Peer Steinbruck, o candidato escolhido pelo SPD, revela-se uma ameaça para o partido nas eleições de 22 de Setembro.
 Fonte: Euronews

Tiros de Caçadeiras para Dispersar Manifestantes no Bahrein

Bahrein -Pequenos mas inúmeros protestos marcaram o Bahrein quarta-feira passada com a polícia a recorrer a gás lacrimogéneo e tiros de caçadeira para dispersar os manifestantes. Os protestos foram organizados pela internet por activistas e membros da oposição que dizem exigir mais democracia num país de maioria xiita, governado por monarcas sunitas.
 
Registaram-se mais de 60 protestos em 40 locais, um novo capítulo em dois anos e meio de distúrbios político-sociais.
 
De acordo com o Centro do Bahrein para os Direitos Humanos dez pessoas ficaram feridas, vítimas de inalação excessiva de gás lacrimogéneo ou tiros de caçadeira. Segundo a oposição, duas pessoas estão em estado grave.