quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Fundo Mundial Para a Natureza alerta para Crimes Ambientais na África Austral

Maputo - A directora do Fundo Mundial para a Natureza (WWF) em Moçambique, Anabela Rodrigues, considerou   quarta-feira última  que as redes criminosas que actuam sobre recursos ambientais ameaçam a indústria do Turismo e segurança dos Estados na África Austral.   
 
Numa nota enviada à Lusa, a WWF refere que Moçambique perdeu, entre 2009 e 2012, mais de 2500 elefantes, a maioria dos quais mortos pelos caçadores furtivos dentro de áreas de conservação, nomeadamente em Niassa e Cabo Delgado, onde "pelo menos três elefantes são mortos diariamente".  
 
Citada no comunicado, Anabela Rodrigues afirmou que "a par da ameaça directa à flora e fauna moçambicana, as redes criminosas que operam impunes na região da África Austral também ameaçam a segurança nacional destes Estados, o que afecta sobremaneira a indústria do Turismo na região".  
 
A intensificação de respostas para estancar os crimes ambientais, em particular a caça furtiva do elefante e rinoceronte, foi uma das recomendações feitas num encontro de capacitação de técnicos de diversos ministérios, organizado pela Rede de Monitoria de Comércio de Espécies Protegidas (TRAFFIC), Direcção Nacional de Terras e Florestas e WWF de Moçambique.  
 
O chefe do departamento de Fauna Bravia no Ministério da Agricultura, Marcelino Foloma, disse que "Moçambique reconhece as ameaças económicas e à segurança resultantes das redes criminosas transfronteiriças que desenvolvem estas actividades", pelo que "o país está comprometido a encontrar soluções para estes problemas".  
 
 A formação de técnicos dos ministérios da Agricultura, Turismo, Finanças, Interior, Ambiente e da Direcção Nacional das Alfândegas pretende estabelecer mecanismos formais de partilha de informação sobre a caça e comércio ilegal de produtos de fauna e flora, bem como tomar medidas para o fortalecimento da actual legislação.  
 
Nos últimos meses, vários moçambicanos têm sido acusados de caça furtiva no Parque Nacional do Limpopo e no Kruger Park, na África do Sul. Fonte: Angolapress


Libertados Polícias Cabo-verdianos Detidos na Guiné-Bissau

Praia-A Ministra da Administração Interna cabo-verdiana revelou terça-feira passada que os dois polícias detidos na Guiné-Bissau chegariam ontem (quarta-feira) ao país.

Os dois agentes policiais, que estavam detidos desde 12 de Julho na Guiné-Bissau, «estão bem de saúde», disse a governante.

Numa curta declaração à imprensa, Marisa Morais explicou que os polícias se encontravam num hotel em Bissau na companhia do embaixador de Cabo Verde em Dakar, Francisco Veiga, e que regressariam na quarta-feira, num voo da Air Senegal. Fonte: TVi 24

Antigo Director-geral da CPLP Anuncia Candidatura à Presidência

Lisboa - O antigo director-geral da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), Hélder Vaz, indicou  quarta-feira à Lusa que vai candidatar-se à presidência da Guiné-Bissau e promete fazer "tudo diferente" para que o país se possa tornar na "Suíça de África".  
 
"Acredito numa Guiné-Bissau positiva, com a excelência dos seus recursos humanos e recursos naturais ainda por explorar", disse Hélder Vaz à agência Lusa.  
 
Neste sentido, o responsável disse acreditar que a Guiné-Bissau pode "vir a tornar-se na 'Suíça de África', afirmar-se pela diferença e ser um país especial. Tudo depende dos seus filhos".  
 
Hélder Vaz referiu que a sua candidatura é "supra-partidária" e quando questionado sobre o que pode fazer pelo seu país, disse: Vou fazer tudo diferente".  
 
"A minha vida é o espelho daquilo que posso fazer de diferente", disse, explicando que a diferença é que não pretende "ir buscar votos às etnias", mas sim juntá-las em torno da sua candidatura por acreditar que representa "a pluralidade dos guineenses".  
 
"Temos de nos reconciliar enquanto povo, de ter a capacidade de perdoar os infractores para que vitimas e perpetradores possam reconciliar-se na sua humanidade e acabem com os sentimentos de vingança. Temos de ser capazes de trabalhar em conjunto, de desenvolver um plano colectivo que some vontades e atenue as diferenças", escreveu o candidato na "1ª Mensagem aos Guineenses e Amigos da Guiné-Bissau", que serviu para lançar a sua candidatura.  
 
Hélder Vaz, de 54 anos, disse que é apoiado por "um conjunto de personalidades que pretendem mudar a Guiné-Bissau" e justifica assim a escolha do nome da candidatura: Aliança Patriótica para a Salvação da Guiné-Bissau.  
  O candidato defendeu ainda que "chegou a altura de o poder político assumir o seu papel e da estrutura militar assumir o seu", considerando que "o papel dos militares é defender a Pátria das agressões externas". 
 
"Precisamos de dignificar a vida dos antigos combatentes e dar condições aos militares no activo e na reserva para prosseguirem a sua vida com dignidade social e com oportunidades económicas para que possam ter escolha nas suas opções de vida e de futuro", disse, defendendo que os militares devem ser isentos "de influências e manipulações políticas".  
 
A Guiné-Bissau tem um historial de vários golpes de Estado nos últimos anos, tendo o último, a 12 de Abril de 2012, afastado do poder o então primeiro-ministro, Carlos Gomes Júnior, que também anunciou na terça-feira à Lusa a sua intenção de concorrer à presidência.  
 
Assumindo-se como "o rosto daqueles que acreditam no projecto político de Amílcar Cabral", de quem disse ser um "humilde e modesto continuador", Hélder Vaz estabeleceu como prioridade para o país a educação.  
 
No entanto, pretende também, com a ajuda dos parceiros da Guiné-Bissau, "criar uma estratégia nacional de combate ao crime organizado, nomeadamente ao crime transnacional, movendo um combate cerrado e sem tréguas ao narcotráfico".   
 
A candidatura de Hélder Vaz às presidenciais de 24 de Novembro próximo é a quarta a ser conhecida, depois de Carlos Gomes Júnior e Tcherno Djaló, antigo ministro da Educação da Guiné-Bissau. Nascido em Bissau, licenciado em filosofia e mestre em administração e gestão pública, Hélder Vaz foi deputado no parlamento da Guiné-Bissau (1994 -2004) e ministro da Economia e do Desenvolvimento Regional (2000-2001) no primeiro Governo de Coligação, constituído no seguimento da crise político-militar na Guiné-Bissau. 
 
Entre 1999 e 2004 foi presidente da RGB-MB (Resistência da Guiné-Bissau - Movimento Bafatá), tendo sido Secretário-Geral do mesmo partido entre 1991-1996
 
Após a extinção do RGB e uma derrota nas eleições legislativas de 2004, às quais se candidatou numa grande coligação de partidos da oposição, Hélder Vaz abandonou a política activa e regressou a Portugal.  
 
De 2004 a 2007 esteve ligado à UCCLA (União das Cidades Capitais Luso-Afro-Américo-Asiáticas) e, antes disso, fora consultor de várias entidades, nomeadamente do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, da USAID, do TIPS (Trade and Investment Project Support) e do Grupo Águas de Portugal. 
 
Assumiu o cargo de primeiro director-geral da CPLP a 31 de Janeiro de 2008, em que se manteve até ao último dia 18. Fonte: Angop África 
 

quarta-feira, 31 de julho de 2013

Confronto Étnico na Guiné Deixa Quase 100 Mortos

Guiné-Conacry-Ao menos 95 pessoas morreram nos últimos três dias em confrontos entre duas etnias no sudeste da Guiné-Conacry, informou quarta-feira passada o governo, que deteve mais de 130 suspeitos pelos incidentes.
 
"Segundo o último boletim, há ao menos 95 mortos e mais de 100 feridos" no conflito entre as comunidades guerze e konianke na selva da Guiné-Conacry, declarou o porta-voz do governo, Albert Damantang Camara.
 
Os guerza - majoritários na região - e os konianke já se enfrentaram entre 15 e 17 de Julho, primeiro em Koule e depois em N'Zerekore e Beyla, distantes uma dezena de quilômetros.
 
A onda de violência na Guiné-Conacry teve início no dia 14 de Julho, em Kule (40 km ao norte de N'Zerekore), onde três jovens konianke foram torturados por guardas de um posto de gasolina por suspeita de roubo.
 
Horas após o incidente, dois dos jovens torturados morreram devido aos ferimentos, o que gerou uma espiral de violência entre as comunidades konianke e guerze, segundo a polícia. Fonte: Terra ofertas

terça-feira, 30 de julho de 2013

Na Guiné-Bissau Falta uma Política de Protecção da Infância (Entrevista com o Representante do UNICEF no País )


Guiné-Bissau-A Guiné-Bissau continua a figurar na lista dos países com as mais altas taxas de mortalidade infantil. Problemas como a falta de acesso à educação, à saúde e a medidas de proteção da criança de forma geral, estão na ordem do dia. O índice de mortalidade infanti é dos mais altos do mundo; as mulheres, sobretudo no interior do país, continuam a morrer de parto em grande número; os hospitais e/ou centros de saúde situam-se longe das populações e há falta de tratamento adequado.
 
O tráfico de crianças assim como a mutilação genital feminina e matrimonios precoces, são outros problemas recorrentes no país... Além disso, a instabilidade políticas tem dificuldato ulteriormente a alocação de fundos para a implementação de políticas e ações que visam melhorar a vida da infância guineense. O orçamento para os sectores sociais, (educação, saúde...) ficam muito aquém das grandes necessidades do país.

Elementos que o representante do UNICEF (Fundo das Nações Unidas para a Infância) na Guiné-Bissau, Aboubacar Sultan, põe em realce nesta ampla entrevista realizada em Bissau pela  correspondente, Indira Correia Baldé... 

Se desejar ouvir a entrevista por partes, siga em baixo:

1) Situação geral da infancia na Guiné-Bissau...

2) Calcula-se que cerca de 50% da população guineense seja formada de crianças e adolescentes. A taxa de mortalidade infantil é 156 por cada mil e das crianças que nascem nem sequer 30% chega a ser imediatamente regista. Além disso, existem diversos tipos de disparidades que acabam por afectar a infância... 3) Para além da elevada taxa de mortalidade infantil há também a questão da educação que deixa a desejar tanto do ponto de vista quantitativo como qualitativo... 4) Outro elemento que o representante do UNICEF põe em relevo é uma série de actitudes e comportamentos que desembocam numa violação sistemática dos direitos da criança... 5) Perante esta dificil situação da infância, que medidas toma o UNICEF no país? O representante Aboubacar Sultan elucida os três eixos de acção: ajudar a corrigir a situação para levar à normalidade; prestar serviços que o Estado não consegue garantir; estar pronta para entrar em acção em casos de emergência...  Fonte: Rádio Vaticano

Activista da Guiné-Bissau Contesta Relatório da Unicef

Guiné-Bissau-A ativista de luta contra a mutilação genital feminina (MGF) na Guiné-Bissau Domingas Gomes rejeitou quarta-feira passada, os dados do último relatório da Unicef que diz que a excisão tem aumentado no país.


 
"Se calhar até podem ser dados dos anos anteriores, mas hoje a situação que temos no terreno é muito melhor. Não é verdade que a excisão esteja aumentar ou que há resistência em certas comunidades para o abandono da prática", defendeu Domingas Gomes em declarações à agência Lusa.
 
De acordo com o último relatório da Unicef sobre a prevalência da mutilação genital feminina, contrariamente a vários países do mundo onde o fenômeno está a diminuir, na Guiné-Bissau a excisão tem aumentado.
 
No relatório, publicado em Nova York, lê-se que a percentagem de mulheres que apoiam a mutilação genital feminina tem diminuído na maioria dos países com taxas moderadas desta prática, exceto a Guiné-Bissau, onde também aumentou o número de meninas mutiladas antes dos cinco anos. 
 
"Não só a excisão tem diminuído como temos tido boa reação das comunidades onde a prática é mais acentuada. As comunidades têm estado a apropriar-se da ideia do abandono da prática", disse Domingas Gomes, coordenadora da Djinopi (ONG que quer dizer vamos para frente) e Sinin Mira Na Siqué (ONG que significa "Olhemos para o Futuro"), duas organizações que estão na vanguarda da luta pela mudança de mentalidades no país.
 
Domingas Gomes frisa o papel dos imãs (líderes religiosos muçulmanos) e da juventude na mudança de mentalidades rumo ao abandono da prática da excisão na Guiné-Bissau. Citou o caso do chamado Livro de Ouro, escrito por mais de 80 imãs guineenses no qual afirmam que a excisão não é uma prática prescrita no Alcorão (livro sagrado do islã). 
 
A activista desconhece o teor e as bases do relatório da Unicef, mas ainda assim afirma que a organização internacional - que diz ser parceira das ONG guineenses - devia consultá-las antes de publicar o documento.
 
"Ficamos surpreendidas com o teor deste relatório que não conhecemos, porque não fomos consultados sobre a matéria", declarou ainda Domingas Gomes, frisando os apoios dos imãs no trabalho da sensibilização para o abandono da prática. 
 
"Se são os próprios imãs que estão do nosso lado, podemos afirmar sem problemas que o fenômeno está  diminuindo no nosso país", acrescentou Gomes. Fonte Voz da Rússia

Guiné-Bissau Portugal está a perder negócios em África

Guiné-Bissau-"A Guiné-Bissau podia ser uma boa porta de entrada para o mercado da região", na África Ocidental, no âmbito da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), "e não se deve desperdiçar isso porque estamos a perder oportunidades", referiu o governante, em entrevista à agência Lusa.
 
Rui Barros considera que a cultura e a língua também deveriam merecer maior atenção por parte da CPLP, perante a francofonia crescente. "Qualquer dia, aqui, a língua portuguesa desaparece", referiu, assinalando o facto de muitos quadros guineenses decidirem estudar em países francófonos fronteiriços. "A CPLP está a preocupar-se mais com política do que com questões linguísticas e culturais", acrescentou.
 
Rui Duarte de Barros destacou que existem na zona "370 milhões de potenciais consumidores", um mercado que "Portugal não está a aproveitar".
 
Em contrapartida, apontou como bom exemplo os investimentos do Brasil, em países vizinhos, na área do biodiesel. "O Brasil está a investir e a ocupar mercado", sublinhou, ao passo que "Portugal não consegue fazer isso".
 
Para o primeiro-ministro guineense, falta uma presença portuguesa que aproveite as relações ancestrais com a ex-colónia. Na sequência do golpe de Estado de Abril de 2012 a CPLP e a Guiné-Bissau entraram em rota de colisão e as autoridades de transição guineenses admitiram mesmo, na altura, a saída da organização.
 
Com o desanuviar da tensão, o Conselho de Ministros da CPLP anunciou na última semana que vai designar um representante permanente na Guiné-Bissau para acompanhar a situação socio-política no país.
 
Na opinião de Rui Barros, a comunidade "não pode ficar à margem dos problemas da Guiné-Bissau e, é bom estar no terreno para poder compreender e julgar melhor".
 
Ainda no âmbito da política externa, Rui Barros espera que o recente episódio da detenção de dois polícias cabo-verdianos na Guiné-Bissau possa ser resolvido sem problemas entre os dois países.
 
Dois agentes foram impedidos de sair do país depois de uma missão de escolta de uma cidadã da Guiné-Bissau a quem fora aplicada uma pena acessória de expulsão de Cabo Verde. Para Rui Barros, houve normas de extradição que não foram cumpridas.
 
"Infelizmente são os nossos irmãos que estão a fazer isso e é muito mau porque pode criar mais problemas entre os dois países e não queremos que isso aconteça", acrescentou.
 
"As pessoas foram entregues à justiça e o assunto não está na alçada do governo neste momento", concluiu.
 
Os dois polícias vão ser acusados de crime contra a segurança interna e externa do Estado guineense e deverão ser julgados, por isso, pelo tribunal militar, disse na terça-feira passada à Lusa uma fonte judicial. Fonte: Notícias ao minuto