quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Obama Vs Romney: Que Consequência Para a Europa?


José Gomes André, Investigador de Filosofia Política e professor da Faculdade de Letras da
Universidade de Lisboa

Eleição na América-Segundo José Gomes André, é bastante improvável que o resultado eleitoral norte-americano tenha um impacto directo significativo na política europeia. Desde o fim da Guerra Fria que a Europa perdeu importância na agenda americana, em detrimento de regiões mais problemáticas (como o Médio Oriente) ou estrategicamente mais promissoras (o eixo Ásia Oriental-Pacífico).
 
Este realinhamento político decorre de dois factores fundamentais.Por um lado, a pacificação do teatro europeu e a consolidação da União Europeia estabilizaram o Velho Continente, tornando “dispensável” a supervisão e o envolvimento americano (salvo raras excepções).
 
Por outro lado, a emergência de novas potências (China, Índia, etc.) mereceu especial atenção do gigante americano, interessado em conquistar novos mercados, mas também em interagir politicamente com potenciais ameaças num quadro internacional que os Estados Unidos da América (EUA) têm dominado nas últimas duas décadas.
 
A crise económica que abalou os alicerces da própria União Europeia poderia alterar este quadro. Devido à importância das transacções comerciais e financeiras transatlânticas, os EUA foram obrigados a acompanhar atentamente os eventos europeus. Porém, estando também a contas com graves problemas económicos (crescimento tépido, desemprego e défice elevados, dívida descontrolada), os EUA não têm demonstrado nem disponibilidade política, nem tãopouco possuir boas ideias para solucionar esta prolongada crise.
 
Sem surpresa, as questões europeias têm portanto sido um tema ausente na campanha, não merecendo um único minuto no terceiro debate (sobre política externa) ou uma só linha nos programas de Obama e Romney.
 
A existirem consequências relevantes para a política europeia na sequência destas eleições, elas advirão por via indirecta – nomeadamente caso se verifique uma recuperação económica e financeira dos EUA (“arrastando” as principais economias europeias), ou surjam eventos internacionais com dimensões globais (por exemplo, uma nova intervenção americana no Médio Oriente, que fizesse escalar os preços do petróleo e questionasse mais uma vez as “posições europeias” em matéria de Defesa e política externa).
 
Todavia, face às interrogações que abalam a própria estrutura económica e política norte-americana, permanece uma incógnita perceber com que futuro Presidente esses ou outros acontecimentos seriam mais prováveis.

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Governo Deposto da Guiné-Bissau Pede Ajuda à ONU

Guiné-Bissau-O Governo deposto da Guiné-Bissau pelo recente golpe militar no país apelou à ONU para intervir no processo de transição política no Estado guineense.

"A Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) não tem mais condições para conduzir o processo para a busca de uma solução duradoura para a crise da Guiné-Bissau, ao se apressar nesta tentativa de impor uma solução que não é solução, mas um desastre total para o povo da Guiné-Bissau", afirmou o ministro dos Negócios Estrangeiros do Governo deposto do país, Mamadu Djaló Pires, apelando à ajuda da ONU.

Guiné-Bissau: Governo de Transição Diz Estar Preparado Contra Ameaças

Bissau – O Governo de transição, através das suas forças de defesa e segurança, disse estar preparado contra alegadas ameaças do exterior às suas autoridades.
 
Em comunicado datado de 31 de Outubro, o Executivo de transição alertou os guineenses para todos os tipos de manobras que vão surgir no futuro. Contudo, não especificou o teor das movimentações.

Dirigido a Carlos Gomes Júnior, o documento assinado por Fernando Vaz acusou o Primeiro-ministro deposto de estar a preparar um plano de recrutamento de mercenários, com a finalidade de uma acção militar de sabotagem, raptos e assassinatos selectivos no país.


Segundo Fernando Vaz, Porta-voz do Governo, a referida acção estaria a ser preparada a partir de alguns países fora da Guiné-Bissau.

«Face a estas manobras irresponsáveis e de incitamento ao ódio, o Governo de transição avisa todos os cidadãos no sentido de se absterem de actos terroristas, caso contrário serão firmemente punidos pois o Estado agirá de forma implacável», lê-se no documento.

O Porta-voz do Governo anunciou aos cidadãos estrangeiros que a
Segurança já foi reforçada em todo território nacional.

O documento informa ainda que Carlos Gomes Júnior tem um «comportamento racista» e que incita sublevação popular na Guiné-Bissau.
Bandeira do Mali
Bandeira do Mali


Bamako - O ex-chefe de Estado interino da Guiné - Conakry, o general Sékouba Konaté, está em Bamako, no âmbito da sua missão de alto representante da União Africana (UA) para o Mali, encarregue de conduzir a operacionalização da força africana de alerta, informou a PANA .

Segundo a Pana, que cita fontes seguras em Bamako, a missão de Sékouba Konaté, que dirigiu a transição na Guiné - Conakry, é de contribuir para a reconsquista das regiões do Norte do Mali, ocupadas há sete meses por grupos islamitas armados e por rebeldes tuaregues.

O general Konaté deveria participar domingo em Bamako numa reunião de peritos militares malianos, da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), da União Africana (UA), das Nações Unidas (ONU), de França, da Alemanha, do Canadá e da Argélia sobre a intervenção militar no norte do Mali.

Em concertação com o Ministério maliano da Defesa e Antigos Combatentes, vai finalizar os aspectos militares e de segurança do conceito estratégico que a UA conta submeter este mês ao Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), na pespectiva duma intervenção nas zonas ocupadas do Mali, que cobrem dois terços do território.

O antigo Presidente do Burundi, Pierre Buyoya, foi igualmente nomeado alto representante da União Africana para o Mali e o Sahel a 25 de Outubro último.

Moçambique Com Taxa Mais Baixa de Inflação na África Austral

Moçambique-Moçambique é o único país da África Austral com baixa taxa de inflação de 1,2% registada em Setembro de 2012, segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI), cuja missão da sua sede, em Washington, Estados Unidos da América (EUA), acaba de visitar o país.Segundo esta instituição financeira internacional, ela passou de 16,6%, nos finais de 2010, para 1,2%, em Setembro último, situação que é reflexo dos efeitos de um firme aperto da política monetária, em 2011, preços de alimentos importados mais baixos do que o esperado e estabilidade dos preços administrados.
 
O FMI sublinha ainda que as exportações e o investimento directo estrangeiro têm permanecido fortes, levando a altos níveis de investimento e ao fortalecimento adicional das reservas internacionais, em 2012, realçando em seguida que a instituição “saúda o cometimento renovado” das autoridades moçambicanas na prossecução de políticas económicas prudentes, no âmbito do programa apoiado pelo FMI.

Regulamentos

Por outro lado, a missão do FMI que acaba de visitar Moçambique recomenda ao Governo para se preparar para “significativos desafios macroeconómicos e de regulamentação” associados às futuras receitas de recursos minerais, especialmente, do carvão e do gás natural.
 
Ela renovou o apoio do FMI a Moçambique em termos de assessoria de políticas económicas e fortalecimento da capacidade técnica e institucional das autoridades governamentais moçambicanas para análise e gestão económica e exortou o Governo a aumentar a produção e a produtividade agrícola, promover a criação de emprego generalizado e apoiar o desenvolvimento humano e social, através da expansão e implementação determinada do sistema de protecção social básica.
 
A missão do Fundo Monetário Internacional esteve em Moçambique de 17 a 31 de Outubro de 2012 para efectuar a quinta avaliação no âmbito do Instrumento de Apoio à Política Económica (PSI), que é o programa de monitoramento económico de três anos que foi aprovado inicialmente em Junho de 2010.
 
As discussões sobre as políticas económicas foram realizadas com os ministro das Finanças, Manuel Chang, da Planificação e Desenvolvimento, Aiuba Cuereneia, e com o governador do Banco de Moçambique, Ernesto Gouveia Gove, entre outros ministros sectoriais e altos funcionários do Governo, para além de se ter reunido também com representantes da Assembleia da República, do sector privado, parceiros externos de ajuda ao desenvolvimento e da sociedade civil moçambicana.
 
A missão visitou ainda a fundição de alumínio Mozal, multinacional tida como maior exportadora em Moçambique e maior utilizadora do Porto de Maputo e foi chefiada por Doris Ross.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

União Europeia Oferece US$ 200 Milhões Para Ajudar a Somália

 
Sómalia-A União Europeia enviou 158 milhões de euros (US$ 200 milhões) para a Somália melhorar a educação, o sistema judiciário e a segurança no país, disse o novo enviado do bloco sábado, num momento em que o país localizado no Chifre da África tenta se recuperar de mais de duas décadas de conflito armado.
 
O novo programa de ajuda ocorre após a eleição realizada em Setembro. Foi escolhido um novo presidente na Somália, naquele que foi um esforço da região e da ONU para restaurar o controle do governo central e encerrar conflitos armados que mataram dezenas de milhares de pessoas.

O presidente Hassan Sheikh Mohamud, eleito na primeira votação do gênero desde que a Somália entrou em guerra civil em 1991, está enfrentando corrupção, insurgentes islâmicos e pirataria na costa do país.

"Depois de 21 anos, o governo está finalmente reconstruindo os sistemas de um Estado funcional nos níveis local, regional e central", disse à Reuters Michele Cervone d'Urso, enviado especial da UE para a Somália.

"A UE está mais comprometida em trabalhar diretamente e em parceira com os somalis. Nós vamos pedir que as agências de desenvolvimento trabalhem mais perto do governo e da sociedade civil."

Um atentado suicida na capital Mogadíscio neste sábado reforçou os desafios que o novo líder da Somália precisa encarar.

O pacote de ajuda, o maior já aprovado pela UE para a Somália, será usado para fortalecer o poder Judiciário, instituições estatais falidas, a força policial do país e o arruinado sistema educacional.

Alguns recursos serão usados para trazer de volta para a Somália profissionais que haviam saído do país, para melhorar os padrões de educação.

"Embora exista a crise econômica global, o nosso novo governo está pedindo que o mundo aumente os recursos e mude o jeito através do qual a Somália vem recebendo esses recursos nas últimas duas décadas", disse o presidente Mohamud em uma conferência de imprensa na capital, após o lançamento do programa.

"Nós pedimos aos países que tenham relação direta com a Somália", disse ele.

Apesar de estarem na retaguarda, militantes do grupo al Shabaab, ligado à Al Qaeda, ainda controlam áreas rurais no sul e no centro do país. Piratas e milícias locais também lutam por controle de pedaços do território.

Tropas Matam 30 Pessoas em Ataques Num Bastião Islâmico na Nigéria

Nigéria-As tropas nigerianas mataram a tiros pelo menos 30 pessoas durante ataques na cidade de Maiduguri, no nordeste do país e bastião da seita radical islâmica Boko Haram, afirmaram testemunhas e funcionários de um hospital, esta Sexta-feira.

Boko Haram diz querer criar um Estado islâmico na Nigéria. Os seus combatentes mataram centenas de pessoas em ataques a bomba e armados dirigidos a forças de segurança, políticos e civis desde que iniciaram as suas acções, em 2009.
 
 seita tornou-se a maior ameaça ao país, o maior produtor de energia da África. Três testemunhas disseam à Reuters que os soldados da Força de Tarefa Conjunta (JTF, em inglês) invadiram vários bairros em Maiduguri, noite da Quinta-feira, e prenderam ou mataram a tiros dezenas de jovens.
 
"Os soldados invadiram lugares com um informante que apontou para os suspeitos de terrorismo e eles só mataram alguns deles no local, outros foram levados", disse à Reuters um funcionário público que viu os ataques e que pediu para não ser identificado.
 
Ele disse ter visto mais de quarenta corpos. A Amnistia Internacional afirmou num estudo, Quinta-feira, que a JTF cometeu abusos aos direitos humanos na sua luta contra o Boko Haram, que tem ajudado a insuflar a insurgência.