segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Mutilação Genital Ainda Afeta Metade das Mulheres da Guiné-Bissau

Excisão genital é muito comum em África, apesar de todos os alertas e tentativas de abolição da sua prática
Excisão genital é muito comum em África, apesar de todos os alertas e tentativas de abolição da sua prática
 
Guiné-Bissau-A mutilação genital feminina afeta 50% das mulheres na Guiné-Bissau, um ano depois de aprovada uma lei que a proíbe, alertou  em Bissau o ministro da Saúde do Governo de transição, Agostinho Cá.
 
"Não é admissível que a cultura seja utilizada como justificação para o sofrimento de parte da população", disse o ministro na abertura da "Conferência Islâmica para o abandono da mutilação genital feminina", que durante dois dias junta em Bissau especialistas sobre a prática, muito comum especialmente em África.
 
Domingas Gomes, presidente de uma organização não-governamental (Sini Mira Nassique) que há mais anos luta contra a prática da excisão na Guiné-Bissau, concorda com o número apresentado pelo ministro, exponenciado pela presença de populações de países vizinhos.
 
Num inquérito feito pela ONG no ano passado resultou que 44,5% das mulheres guineenses eram mutiladas, mas neste momento Domingas Gomes acha que o valor atual pode ser de 50%, "por causa de pessoas dos países vizinhos que estão a excisar as suas crianças às escondidas".

 

Excisões feitas às escondidas


Também presidente do projeto DJINOPI (Djintis nô pintcha, que em português quer dizer "Pessoal, vamos em frente"), que junta organizações que lutam contra a excisão genital feminina e que é apoiada pelo WFD (Weltfriedensdienst, Serviço Comunitário para a paz mundial, de origem alemã), Domingas Gomes garante: apesar da lei que a proíbe, a excisão continua a ser feita na Guiné-Bissau.
 
"Sabemos que não há aquele número de barracas (para praticar a excisão) como antes, mas continuam a fazer a excisão feminina às escondidas", e agora "de forma muito mais perigosa" porque sem controlo, disse a responsável, considerando que a lei (de setembro de 2011) é importante mas que o "trabalho essencial" é a sensibilização das comunidades.
 
"Se têm conhecimentos vão deixar de fazer mas por causa da lei não estão a cumprir. Só com a lei vão continuar a fazer aquilo que querem, porque mutilar uma criança no seu quarto ninguém vai saber. O pilar mais forte é consciencializar", adverte.
 
Por isso, a responsável considera ser importante trabalhar com os líderes religiosos, que "são pessoas credíveis nas suas comunidades". E esse é o objetivo da conferência realizada em Bissau, apoiada pelo DJINOPI mas também pela TARGET, outra organização não-governamental alemã que luta contra a mutilação, pelas Nações Unidas e pelo Conselho Superior dos Assuntos Islâmicos da Guiné-Bissau.
 
No evento vão participar, ao longo de dois dias, nomes como Mohamed Shama, professor de estudos islâmicos no Egito, Mahamadou Diallo, presidente da Associação Maliana para a Paz e Saúde, Muhamadou Sanuwo, imã gambiano, ou Ousmane Sow, da Rede Islâmica e da População, do Senegal.
 
Pela TARGET-Direitos Humanos estão Tarafa Baghajati (consultor) e o próprio presidente da organização, Ruediger Nehberg. E também Tcherno Embaló, presidente do Conselho Superior dos Assuntos Islâmicos na Guiné-Bissau, e Malam Djassi, vice-presidente do Comité Nacional para o Abandono das Práticas Nefastas contra a Mulher e a Criança.

 

 

Prática transversal a todas as etnias


Do trabalho que produzirem em dois dias espera-se que saia uma declaração (fatwa), anunciada na próxima sexta-feira numa das mesquitas de Bissau.
 
A UNICEF estima que a excisão genital (corte do clitóris) é uma prática que atinge 45% das guineenses entre os 7 e os 12 anos. A excisão pratica-se essencialmente pela comunidade islâmica, mas também por alguns grupos animistas.
 
Na Guiné-Bissau a prática é mais frequente na zona leste, nas regiões de Bafatá e Gabu. Também se pratica nas regiões de Oio e Cacheu (norte), Quinara, Tombali (sul) e Bolama-Bijagós. É transversal praticamente a todas as etnias.
 

Crise Promove um Êxodo de Mais de 100 Mil Europeus para a América Latina

Êxodo dos europeus para América Latina-Um estudo publicado pela Organização Internacional de Migrações (OIM) revela que 107 mil europeus deixaram o Velho Continente entre 2008 e 2009, no auge da crise, em busca de empregos na América Latina. O principal destino desses europeus foi o Brasil.
 
Muitos vieram com um propósito bastante claro: encontrar um trabalho e ajudar a familia que ficou na Europa. Em 2010, imigrantes europeus trabalhando na América Latina enviaram quase US$ 5 bilhões de volta a seus países de origem, em remessas, uma prática que até pouco tempo caracterizava a presença dos latino-americanos na Europa: trabalhar, economizar e mandar dinheiro de volta para a família que ficou no Brasil, Equador ou Bolívia.
 
No mesmo período, latino-americanos que vivem na Europa enviaram de volta a seus países de origem cerca de US$ 7,2 bilhões. Mas o fluxo de latino-americanos chegando à Europa despencou. Em 2006, antes da crise, 400 mil desembarcaram nos países europeus. Em 2009, esse número caiu pela metade.
 
Vivendo sua pior crise desde a Segunda Guerra Mundial, a Europa pena para criar postos de trabalho e vê salários despencar. Os espanhóis lideraram o êxodo no auge da crise, com 47,7 mil deles oficialmente deixando o país em busca de novas oportunidades na América Latina.
 
O perfil desses novos imigrantes é também bastante diferente do que se conhecia tradicionalmente no fluxo de trabalhadores. Grande parte dos 100 mil europeus eram portugueses e espanhóis, solteiros e com nível universitário completo.
 
A entidade promoveu o levantamento até o final de 2009, ano que registrou a maior queda no PIB mundial em mais de 60 anos. Mas os próprios autores admitem que o volume de imigrantes europeus continuou a aumentar entre 2010 e 2012, principalmente diante da taxa recorde de desemprego em Portugal, Grécia, Espanha e Itália.

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Portugal Defende Governo que Inclua PAIGC e Regresso de Gomes Júnior



Nova Iorque - Portugal defendeu terça-feira na Assembleia Geral da ONU que a solução da crise na Guiné-Bissau passa pela nomeação de um governo que inclua o PAIGC, partido maioritário, e o regresso do Primeiro-ministro deposto, Gomes Júnior.

Falando na conclusão do debate da Assembleia Geral da ONU, o embaixador português, Moraes Cabral, identificou a Guiné-Bissau como um dos pontos preocupantes no panorama global, depois de em Abril ter sido "interrompido um processo eleitoral democrático, violando os princípios defendidos pela ONU", como foi reconhecido pelo Conselho de Segurança.

O restauro da ordem constitucional no país, afirmou, "requer a nomeação de um governo inclusivo, com o PAIGC, partido que tem a maioria dos lugares na Assembleia Nacional", disse o diplomata.

Outras condições são "o regresso dos líderes legítimos", o Primeiro-ministro Gomes Júnior e o presidente interino deposto Raimundo Pereira, "sem restrições aos seus direitos civis e políticos e organização de eleições livres e credíveis", adiantou.
"É inconcebível que, no século XXI, líderes africanos democraticamente eleitos sejam depostos pela força e obrigados a viver fora do seu país", disse o diplomata português.

O presidente deposto da Guiné-Bissau encontrou-se sábado nas Nações Unidas com o seu sucessor, nomeado após o golpe militar de Abril, iniciando um processo de diálogo entre ambas as partes.

Segundo afirmou à Lusa o embaixador guineense junto da ONU, João Soares da Gama, foi um "primeiro encontro de criação de confiança, um mero encontro simbólico", para "demonstrar que de facto há boa vontade de todas as partes no sentido de se enveredar por via negocial para solução da crise na Guiné".

Foi o culminar de uma semana diplomática intensa na ONU, em que na sexta-feira, após queixa da CEDEAO, o presidente deposto Raimundo Pereira viu suspensa a sua intervenção no debate da Assembleia Geral, quando já estava inscrito e dentro do plenário.

Num cenário de contínua dificuldade de entendimento entre CPLP e CEDEAO, com uma organização a reconhecer o governo deposto e a outra o governo "de facto" nomeado após o golpe, Portugal está empenhado em trabalhar "com todas as partes interessadas", disse Moraes Cabral.

Perante a necessidade de "tolerância zero" em situações como a da Guiné-Bissau, a União Africana, tem um papel "cada vez mais relevante", em coordenação com a ONU, para promover a paz e segurança no continente africano, adiantou.

Também no último dia do debate, Angola apelou na Assembleia Geral da ONU à "real inclusão de todos os actores" da Guiné-Bissau na procura de uma solução "inclusiva e duradoura" para a crise no país, palco de um golpe militar em Abril.

Portugal salientou ainda outras crises em África, como a do Sahel, particularmente no Mali, que demonstra o "crescimento exponencial do terrorismo, com laços crescentes ao crime organizado, drogas e outros tráficos ilícitos".

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Guiné-Bissau: CPLP e União Europeia «Financiam projectos» do Governo de Transição

Bissau - Artur Sanha, Presidente da Câmara Municipal de Bissau, revelou que, tanto a União Europeia (UE) como a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), já anunciaram acordos de princípios com a finalidade de prestar apoios financeiros ao Governo de Transição, no poder desde golpe de Estado de 12 de Abril.O Presidente da Autarquia de Bissau não avançou nenhum dos países que manifestou esta intenção.

O ex-secretário-geral do Partido da Renovação Social (PRS) falou quarta-feira, 27 de Setembro, em exclusivo à PNN, e sublinhou que a Transição em curso na Guiné-Bissau veio para ficar.

«Que todos saibam que, seja a UE ou a CPLP, existem acordos com o país, pelo que é necessário esquecer condenações ou intervenções, que não nos vão ajudar em nada», disse Artur Sanha.

Interrogado sobre os moldes como estes acordos vão ser implementados após o golpe, Artur Sanha explicou que os referidos documentos são multi-sectoriais, no que diz respeito à concessão de créditos financeiros, projectos de desenvolvimento de diferentes sectores, na segurança alimentar, agricultura e pescas e pistas rurais.

«São ainda os acordos por parte da BAD, BOAD isto tudo adicionado a solicitações que são feitas por empresários estrangeiros de diferentes tipos. Trata-se de um conjunto de projectos, incluindo a construção de 80 casas pré-fabricadas, que dentro de 60 dias deverão iniciar os trabalhos», revelou Artur Sanha.

A nível da Câmara Municipal de Bissau, O Presidente revelou que está em curso o projecto de construção do matadouro na capital guineense, e anunciou acabar com as práticas de venda ao ar livre de pão e construções clandestinas.
A ideia da construção de mercados nos diferentes bairros da capital e também a suspensão de licenças de concessão de terrenos e de construção de casas foram, entre outros, aspectos abordados durante a entrevista com Artur Sanha.

O Presidente da Câmara falou à PNN no âmbito da tomada de posse de novo Director da Polícia da Câmara Municipal de Bissau.

Recuperação Econômica de Portugal Passa por Mercados Emergentes

António Borges durante a sessão de abertura do Fórum Empresarial do Algarve
Europa- A recuperação econômica da Europa e especialmente a de Portugal - deve passar pela atividade comercial com países emergentes. O recado foi dado a uma plateia de empresários e políticos tanto pelo embaixador do Brasil em Portugal, Mário Vilalva, quanto pelo comissário-geral para o Ano de Portugal no Brasil, Miguel Horta e Costa, celebrado em 2012, e assim como pelo consultor do governo português para privatizações, António Borges, e pelo ex-ministro brasileiro Luiz Fernando Furlan.

"Portugal tem um enorme interesse pelas empresas brasileiras, que podem entrar no país neste momento", disse Borges em referência ao atual momento de privatizações que Portugal vive. "O investimento brasileiro em Portugal tem sido notável, isso também nos dá muita confiança."

As exportações de Portugal ao Brasil cresceram 18,5% nos últimos 12 meses. No mesmo período, as exportações para a China cresceram 144%, Angola teve alta de 34% e o Marrocos, de 35%. Os dados foram apresentados sábado pelo secretário adjunto do Estado e dos Assuntos Europeus, Miguel Moraes Leitão, que ressaltou que Brasil e Portugal têm diplomacia "muito antiga" e "prioritária".

"Há soluções (para a crise europeia) e elas passam pelo setor privado", disse Furlan, que foi ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior do Brasil entre Janeiro de 2003 a Março de 2007, referindo-se à "incapacidade" do governo de atuar caso não exista o motor do setor privado. "As empresas portuguesas podem aproveitar a oportunidade de países que precisam de infra-estrutura, como os emergentes", disse Furlan ressaltando o fato positivo de criar investimentos em países que também falam português.

Para Miguel Horta e Costa, comissário-geral para o Ano de Portugal no País, as reservas de petróleo brasileiras e o crescente consumo interno formam contexto positivo da economia brasileira para investimentos portugueses.

Segundo dados apresentados pelo Instituto para a Promoção e Desenvolvimento da América Latina (IPDAL), atualmente, 22 países são considerados mercados emergentes, entre eles, os mais desenvolvidos são China, Brasil, República Checa, Índia, África do Sul e outros; já os menos desenvolvidos passam por Argentina, Colômbia, Peru, Egito, Indonésia, Malásia e outros. Os países emergentes representam 50% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial e 80% da população global vive nestes mercados. A entidade afirma ainda que o poder de compra cresce, em média, nestes países a uma taxa de 15% ao ano.

Dois Navios Coreanos Detidos pela Guiné-Bissau

Guiné-Bissau-A ausência de fiscalização das águas territoriais guineenses tem dado muito trabalho à guarda costeira da Guiné-Bissau. Uma dezena de pirogas senegalesas tiveram de ser apresadas e dois navios coreanos foram detidos.
 
Os guardas costeiros guineenses têm tido um trabalho de maior dimensão estes últimos dias.Após terem apresados uma dezena de pirogas senegalesas em Cacheu, no Norte do país, perto da fronteira com Ziguinchor, devido a questões ligadas ao tamanho das malhas das redes de pesca, eis que houve a apreensão de dois navios coreanos em Cassini no sul.
 
Muitos problemas ainda têm de ser resolvidos em relação à fiscalização das águas guineenses.

Monocle Diz que Português é nova Língua de Negócios e Poder

Lingua portuguesa-Uma das revistas mais conceituadas do mundo, a Monocle, escreve na edição deste mês que "está na hora de aprender a falar Português, porque afinal há 250 milhões de lusófonos no mundo". A publicação britânica diz que o Português é a nova língua dos negócios e do poder. Sobre Portugal, destaca Siza Vieira, a Comporta, ou a cortiça, mas também marcas e ideias inspiradoras, como a RTP África ou a de um grupo de jovens de Lamego, que criou uma plataforma na Internet para ajudar a divulgar talentos.