quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Guiné-Bissau: Governo de Transição em Silêncio Sobre Possível Surto de Cólerara

Bissau - O Governo de Transição, através do Ministério de Saúde e Assuntos Sociais, decidiu manter-se em silêncio acerca dos casos de cólera que, nos últimos dias, têm assolado o país.
 
O facto foi confidenciado em exclusivo à PNN por alguns técnicos da saúde pública guineense ligados ao Hospital Nacional Simão Mendes (HNSM), a maior unidade hospitalar do país.

«Todos nós sabemos que existem casos de cólera no país mas não foram declarados publicamente para o conhecimento geral», disse a fonte.

Uma das enfermeiras descreveu-nos que, neste momento, as pessoas doentes com casos de cólera são atendidas na unidade da Quarta Enfermaria do HNSM, contudo não confirmou que se tenham registado casos de óbitos entre as pessoas atingidas com a doença.

Em recentes declarações à PNN, Umaro Bá, director-geral de Prevenção e Promoção da Saúde, disse que está em vigor um plano de contingência elaborado, desde 2008, e desmentiu a existência da doença.

«Enviámos amostras retiradas dos doentes para o laboratório, sendo a única entidade que pode confirmar clinicamente a existência de casos de cólera», disse ele.

Nesta entrevista, o responsável informou que a situação de livre circulação de pessoas e bens ao nível da sub-região está na origem do aparecimento da doença.

Por outro lado, Umaro Bá afirmou que não se pode falar em surtos de cólera, uma vez que a enfermidade não se encontra na sua fase elevada.

A Guiné-Bissau é frequentemente assolada por esta epidemia, quase em todas as épocas de chuva, provocando mortes imediatas às pessoas, com destaque para as crianças.

Presidente da Guiné-Bissau Prepara Assembleia Geral da ONU

 

O presidente interino guineense, Serifo Nhamadjo, deslocou-se terça-feira para Abdijan, Costa do Marfim, para se avistar com Alassane Ouattara, chefe de Estado marfinense e líder da CEDEAO. Nhamadjo deve participar em Nova Iorque nos trabalhos da Assembleia geral da ONU.

Para se tentar por cobro ao isolamento internacional do país as autoridades de Bissau procuram conseguir voz no concerto das nações.

A Assembleia Geral das Nações Unidas, a decorrer nos próximos dias terá, por isso, uma relevância acrescida.

Serifo Nhamdajo, de acordo com uma nota divulgada no passado dia 14, pretende representar a Guiné-Bissau ao mais alto nível na 67a Assembleia Geral e alega ter sido convidado por Johhnie Carson, secretário de Estado adjunto norte-americano para os assuntos africanos.

Uma deslocação prevista para de 26 de Setembro a 1 de Outubro.Ora Raimundo Pereira, presidente interino deposto, já se encontra em Nova Iorque, cidade aonde se deve deslocar também nos próximos dias Carlos Gomes Júnior, primeiro-ministro derrubado pelo golpe de Estado com a intenção de participarem nesse mesmo fórum.

Carlos Gomes Júnior que formalizou, entretanto, a sua candidatura para a liderança do PAIGC (Partido africano para a indpendência da Guiné e Cabo Verde) com congresso agendado para Janeiro de 2013 em Cacheu, norte da Guiné-Bissau, deve deslocar-se ainda esta semana a Addis Abeba, capital etíope e sede da União Africana, antes de rumar a Nova Iorque.

Serifo Nhmadadjo, presidente interino guineense, em declarações recolhidas em Bissau por Aliu Candé, em serviço especial para a RFI, explicou as razões que o levaram antes à Costa do Marfim para encontros com chefe de Estado marfinense.

Guiné-Bissau: UEMOA Apoia Agricultura e Pescas com 600 mil euros

Bissau- A União Económica e Monetária Oeste Africana (UEMOA) vai apoiar a Guiné-Bissau com 393 milhões de francos CFA (600 mil euros) nos domínios da agricultura e pescas, de acordo com três protocolos assinados em Bissau.
 
Os documentos foram assinados no âmbito de uma visita de um dia à Guiné-Bissau do presidente da comissão da UEMOA, Cheikhe Hadjibou Soumaré, que os rubricou com o ministro das Finanças do governo de transição, Abubacar Demba Dahaba.
 
Os documentos assinados incidem sobre o apoio a campanhas nacionais de vacinação contra a doença do carbúnculo (que afeta especialmente os animais herbívoros mas que pode atingir também o ser humano) e contra a doença de Newcastle (que afeta as aves), e no reforço da colheita de dados estatísticos sobre pesca artesanal e continental.


quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Domingos Simões Pereira Admite Candidatar-se a Presidente do PAIGC



Secretário - executivo da CPLP
Ex-Secretário - executivo da CPLP

Lisboa - O guineense Domingos Simões Pereira, secretário-executivo cessante da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), admitiu segunda -feira, em Lisboa, candidatar-se à liderança do PAIGC, mas sem apontar datas.

"Sou militante de um grande partido na Guiné-Bissau, termino as minhas funções [de secretário-executivo da CPLP] e coloco-me à disposição do meu povo e do partido para aquilo que eles entenderem ser o melhor espaço para o meu contributo", disse Simões Pereira ao ser questionado pelos jornalistas sobre se poderá candidatar-se a presidente do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC).


Domingos Simões Pereira falava à margem de uma homenagem que lhe foi prestada, na sede da CPLP, pela Associação de Estudantes da Guiné-Bissau em Lisboa.

Quanto ao seu futuro político, considerando que em Janeiro de 2013 vai realizar-se um congresso do PAIGC, Simões Pereira reconheceu que há "colegas, amigos, gente do partido e de fora do partido que comungam do sentimento" de que pode vir a assumir "algo de importante" no seu país.

"Tenho defendido que fazer política tem que ser um bocado mais do que disputar o poder. Temos que ter um projecto de sociedade. E eu estou a desafiar os colegas que acreditam em mim e os jovens que dizem que eu represento esse futuro e essa esperança a trabalharmos num projecto de sociedade, que nos garanta que quando chegar o momento teremos soluções. E se formos capazes de o fazer, então sim, eu irei assumir esse desafio", disse.

O Presidente da República de transição da Guiné-Bissau anunciou que representará o país na 67.ª Assembleia-Geral das Nações Unidas, que se realiza este mês, em Nova Iorque.

Serifo Nhamadjo anunciou também que é um dos convidados de honra da Administração norte-americana para participar numa recepção que será oferecida nesta circunstância a mais de 100 personalidades.

Questionado sobre se isso representa um reconhecimento tácito pela ONU e pela comunidade internacional das autoridades de transição da Guiné-Bissau, que assumiram o poder na sequência do golpe de Estado de 12 de Abril, Simões Pereira disse que essa avaliação cabe às Nações Unidas.

"O que acontecer terá a sua explicação e as pessoas certas saberão dá-la", observou.

Apesar de ser "contra golpes de Estado", Simões Pereira frisou que "todos os guineenses devem ser parte da solução, que tem de ser a mais inclusiva possível".

Simões Pereira disse que vai acompanhar o novo secretário executivo da CPLP, o moçambicano Murade Murargy, a Nova Iorque, "na perspectiva de o introduzir em determinados meandros" da participação da CPLP durante a Assembleia-Geral das Nações Unidas.

Quanto à homenagem que lhe foi prestada pelos estudantes guineenses, Simões Pereira admitiu que foi "muito sentida e muito sincera".

Durante a cerimónia usaram da palavra vários estudantes guineenses, que realçaram que Simões Pereira exerceu as funções de secretário-executivo da CPLP com "competência, dignidade e generosidade", ajudando-os com os seus "ensinamentos".

Simões Pereira, nascido em 1963 e engenheiro civil e industrial, desempenhou o cargo de secretário-executivo da CPLP entre Julho de 2008 e Julho de 2012.

A CPLP é composta por Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.

Ban Ki-moon Critica "Falta de Progressos" Para Repor Constitucionalidade

Guiné-Bissau-O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, está "preocupado" com a "falta de progressos na reposição total da ordem constitucional" na Guiné-Bissau, dificultada pelas divergências em relação ao governo saído do golpe de Estado de Abril.

A posição consta do relatório do secretário-geral ao Conselho de Segurança, a que a Lusa teve acesso, sobre a situação no país na sequência do golpe de Estado, e esteve em cima da mesa dos países-membros na terça-feira última, num "briefing" do Subsecretário-geral para os Assuntos Políticos, Jeffrey Feltman, sobre a Guiné-Bissau.
 
A "falta de progressos", segundo Ban Ki-moon, "está a ser aprofundada pelas divisões entre atores nacionais e parceiros internacionais sobre a legitimidade do atual governo de transição"."Entretanto, as necessidades humanitárias e socio-económicas da população continuam a crescer", adianta.
 
Ban Ki-moon apela ainda ao governo de transição que "redobre esforços" para que seja retomado o funcionamento da Assembleia Nacional, que está a contribuir para a "paralisia" do país e, em particular, para atrasos do processo eleitoral.
 
"Estou preocupado com o surgimento de dúvidas sobre o compromisso do governo de transição realizar eleições dentro do prazo de transição alocado", sublinha.
 
O secretário-geral saúda a disponibilidade do maior partido do país, PAIGC, para negociar com as autoridades de transição, tendo em vista um processo eleitoral que seja "credível e transparente".
Aos militares, apela a que respeitem o Estado de Direito e as eleições democráticas.
 
O secretário geral pede ao governo de transição que trabalhe com todos os partidos políticos e sociedade civil guineense, tendo em vista um plano consensual que trace "claramente" um caminho para a "reposição total" da ordem constitucional.
 
Ban Ki-moon refere-se aos desentendimentos públicos entre a Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), que vem trabalhando com o governo de transição, e a CPLP, que se recusa a reconhecê-lo, que está a contribuir para a "estagnação da crise política".
 
"A harmonização de posições destas duas organizações, que são grandes parceiros da Guiné-Bissau, é de importância soberana", e a missão conjunta CEDEAO-ONU foi um "primeiro passo" para ajudar a ultrapassar as divergências, adianta.
 
O relatório trimestral tem como objetivo também monitorizar o cumprimento das sanções decretadas pelo Conselho de Segurança na resolução 2048, de 18 de Maio, a indivíduos responsáveis pelo golpe militar que derrubou o governo de Carlos Gomes Júnior.
 
A este respeito, a única nota é que o chefe de Estado Maior das Forças Armadas, General António Indjai, que está impedido de sair da Guiné-Bissau, esteve na Costa do Marfim e Mali, viajando através do Senegal, para participar em reuniões de militares da CEDEAO em final de Julho e meados de Agosto.O governo de transição argumentou que estas viagens integraram-se nos "esforços de paz na Guiné-Bissau e na sub-região", refere o relatório.

Oposição Guineense Organiza Marcha de Protesto

Bandeira d a Guiné - Conakry
Bandeira d a Guiné - Conakry
Conakry - Os responsáveis do colectivo dos partidos políticos para a finalização da transição e da Aliança para o Desenvolvimento e Progresso (ADP) anunciaram organizar, Quarta-feira próxima, "uma marcha pacífica" em Conakry, a capital da Guiné Conakry.

Segundo os organizadores, em encontro com a imprensa, a iniciativa tem como objectivo manifestar o seu descontentamento consecutivo à "recusa" das autoridades de convocar os eleitores para "eleições legislativas livres, transparentes, credíveis e aceitáveis", cita à agência Panapress.

O líder da União das Forças de Mudança (UFC), Aboubacar Sylla, porta-voz da ADP, sublinhou que há mais de seis meses os dois blocos interpelou a comunidade internacional sobre a necessidade de se implicar na resolução da crise política guineense.

Sylla precisou que o colectivo e a ADP, que reivindicavam dez pontos no início, acabaram por desistir de oito deles para permitir às autoridades organizar sem demora as eleições legislativas.

Os dois blocos reclamam ainda a mudança do presidente da Comissão Eleitoral Nacional Independente (CENI), Loucény Camará, que anunciou recentemente a sua demissão, e a substituição do operador técnico, Sabary Technology da África do Sul, que acusam de parcialidade.

Uma missão da Comunidade Económica para o desenvolvimento dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) encontrou-se recentemente em Conakry com os atores políticos e os responsáveis da sociedade civil para os incentivar a prosseguir o diálogo com vista a alcançar um consenso que deve permitir a organização rápida das legislativas.

Ao abrir os trabalhos de um fórum económico sexta-feira última, o Presidente Alpha Condé disse que as eleições serão organizadas em breve, todavia sem precisar a data.

Os partidos membros do colectivo para a finalização da transição e os da ADP confrontaram-se em Agosto último com as forças da ordem que os impediram de organizar uma marcha, o que causou detenções e feridos entre os militantes e os elementos das forças de segurança, dos quais cerca de 20 foram gravemente feridos.

Por seu lado, o ministro da Administração do Território e Descentralização, Alhassane Condé, notificou recentemente aos partidos políticos, durante um encontro, que mesmo se a Constituição prevê a organização de marchas elas deverão ser realizadas no respeito da lei, ressaltando que as manifestações provocam a destruição de bens públicos e privados.

Finalistas Guineenses Recebem Bilhetes de Avião, Mas Burocracia Russa Dificulta Regresso

Rússia-Os 22 finalistas guineenses receberam os bilhetes de avião para poderem regressar ao seu país no próximo sábado, mas as barreiras burocráticas russas poderão impedir a saída dos estudantes.
"Recebemos a cópia dos bilhetes e o nosso embaixador comunicou-nos que a data da partida será 22 de setembro, ou seja, no próximo sábado", declarou à Lusa Carfa Mané, porta-voz dos estudantes da Guiné-Bissau.
 
"Mas, agora, encontramo-nos nos serviços de imigração da Rússia para conseguir a autorização de saída do país, visto que já nos encontramos numa situação ilegal", acrescentou.
 
O visto de permanência na Rússia dos estudantes guineenses terminou há cerca de duas semanas e, segundo as leis russas, eles só poderão abandonar o país depois de regularizar novamente a sua situação.
 
"Foram-nos colocadas duas formas de resolver o problema. Ou pagamos uma multa por permanência ilegal no país, ou somos deportados. Ora ambas são inaceitáveis para nós", explicou Carfa Mané.
 
Segundo o finalista guineense, os estudantes nem têm dinheiro para pagar a multa, nem querem ser deportados, porque, no último caso, ficarão proibidos de entrar na Rússia nos próximos cinco anos e "alguns de nós precisarão de voltar antes por razões familiares ou académicas".
 
Segundo a lei russa, se o visto de permanência caducar na Rússia, o portador do passaporte terá de desembolsar cerca de 150 euros para sair do país."Onde é que vamos buscar esse dinheiro? Pedimos à nossa embaixada que enviasse um funcionário para resolver o problema, pois não queremos perder esta oportunidade de regressar a casa", frisou o finalista.