segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Polícia Guineense Morreu em Angola

Guiné-Bissau-Pelo menos um dos 350 agentes da polícia da Guiné Bissau que recebeu treino em Angola acabou por morrer, segundo as autoridades daquele País.

Os mesmos que regressam no final deste mês, deviam voltar à Bissau em Julho passado.

Entretanto, fontes em Luanda próximas do contingente policial da Guiné Bissau confirmaram o óbito afirmando que este tinha adoecido.
As fontes acrescentaram que ao contrário do que é habitual o agente não foi levado para o hospital militar apesar da sua situação se ter agravado.

O agente que morreu fazia parte do contingente de 350 agentes enviados para Angola para ali serem treinados.

O grupo de policias guineenses terminou há dois meses a sua formação em Angola mas desde então tem estado á espera que as autoridades guineenses lhes digam quando vão regressar.

Na Terça-feira um porta-voz do grupo tinha lançado um apelo publico para que se resolvesse a sua situação.

Hoje o Major Pedro Goi que chefia o destacamento da Guiné Bissau disse ter recebido garantias que os polícias guineenses vão em breve regressar ao seu país.

“Vamos regressar no fim do mês,” disse o Major acrescentando que a informação lhe tinha sido dada a partir de Bissau pela hierarquia policial guineense.

A mesma fonte informou ainda que os agentes guineenses recebem apoio das autoridades angolanas em termos de alimentação e acesso a cuidados médicos. Os agentes recebem também um subsídio mensal de 100 dólares das autoridades angolanas.

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Livro Conta História da Escravidão no Estado e País

 
Brasil-Documentos que contam a história do Maranhão foram recuperados, catalogados por pesquisadores do arquivo público estadual, e vão ser lançados em livros. Nas duas obras é possível encontrar registros da história da escravidão no Estado, e da vida política, administrativa e social do Maranhão, nos períodos do Brasil colônia e do império.

Os livros já são considerados best sellers do arquivo público do estado. O "Repertório de documentos para a história da escravidão no Maranhão" é um destes. Com 591 páginas, ele levou seis anos para ficar pronto e isto só foi possível por causa dos milhares de documentos guardados no arquivo, datados séculos XVIII e XIX. A obra é uma espécie de diário de um período em que tudo girava em torno do trabalho escravo.

E de que região da África onde vieram os negros?. Guiné Bissau, Cahel, Angola... Havia o preto ladico, aqueles que já conheciam um pouco da língua e de alguns costumes. Não eram da preferência dos senhores, porque influenciava os outros a formar quilombos. Havia também os negros boçais que não tinha nenhum conhecimento eram os preferidos.

A historiadora Helena Espínola é uma das 13 pessoas que elaboraram o livro. “Ele vai indicar fontes para quem quer conhecer a história da escravidão no Estado. Não é só do escravo, mas da escravidão de modo geral, porque o escravo livre, forro, nós relatamos no livro. Pegamos toda a documentação referente a escravos, tanto os que já haviam conseguido essa liberdade, como os que ainda viviam a serviço de seus senhores e os filhos destes escravos. Então ele é bem abrangente”, disse a especialista.

Foi um período em que o negro era o centro das atenções, moeda de valor, porque como mão de obra barata, promovia o crescimento de todos os setores da economia. Mas não era respeitado como tal.
 

Os arquivos também registram passagens curiosas. Uma certa vez, 30 negros foram enviados como encomendas para a província de Pernambuco. Os responsáveis pela carga, como podia ser considerados o grupo de escravos, queriam pagar taxa baratas e não passagens, como reivindicavam os Correios. O caso foi parar num juiz de paz, que parecia trabalhar somente em função desta relação: negros e senhores.

Muitas vezes os escravos não suportavam tantos maus tratos e reagiam. “Através de fugas, do roubo, do crime. Eles assassinavam também. Nós temos vários relatos de escravos que assassinavam seu senhor”, explicou a historiadora.

O livro é um marco na história da escravidão e mostra, acima de tudo, o quanto os escravos não só no Maranhão, mas em todos os estados, contribuíram para o desenvolvimento do país. “Os escravos é que produziam. Trabalhavam na lavoura, na criação de animais, como domésticos, toda espécie de trabalho era feito pelos escravos. Tanto que a gente encontra correspondência dos senhores para o governo, pedindo mais entrada de escravos porque a lavoura estava decaindo pela falta de trabalho escravo.

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Guiné-Bissau:37 Crianças Não Conseguem Regressar a Casa

Guiné-Bissau-Roberto Metcha, que lidera uma comissão criada pelos pais e encarregados de educação das crianças, para tentar encontrar formas de as trazer de volta, contou à Lusa que os jovens, com idades entre 10 e 15 anos, foram levados por um "agente de futebol" para um torneio na Costa do Marfim que terminou há mais de duas semanas.

"Estamos preocupadíssimos com as nossas crianças. Eu tenho lá o meu filho de dez anos. Eu e mais outros pais estamos a tentar ver a partir de Bissau, junto das nossas autoridades, com instituições que tratam de questões das crianças e com pessoas de boa vontade, como fazer regressar as nossas crianças da Costa do Marfim", disse Metcha.

Segundo a mesma fonte, os rapazes foram levados para Abidjan mediante o pagamento de 350 mil francos CFA (534 euros) para custear o transporte, a alimentação e a estada (embora nem todos os pais tenham dado essa quantia).

"Acontece que as crianças acabaram por viajar de carro até a Costa do Marfim e agora não conseguem regressar, porque o senhor que as levou para lá diz que não tem dinheiro para custear a viagem", afirmou Roberto Metcha, pedindo a intervenção da secretaria de Estado da Juventude, Cultura e Desporto.

"Os rapazes estão a passar um mau bocado. Os que tiveram a sorte de os pais lhes enviarem dinheiro permaneceram no hotel, os outros estão a dormir num quarto numa esteira. Foi o que me disse o meu filho", explicou Roberto Metcha, cuja comissão a que preside será recebida na quinta-feira pelo diretor-geral dos Desporto.

Cientistas Africanos Descobrem Fármaco Promissor Contra Malária





Resultados preliminares


Brasil-Cientistas da Universidade da Cidade do Cabo, na África do Sul, anunciaram o desenvolvimento de um novo fármaco para combater a malária.O composto, conhecido como MMV390048, pertence à classe das aminopiridinas.O fármaco mostrou-se promissor no combate aos cinco tipos conhecidos da doença com um único comprimido, tomado uma só vez.

Testes realizados em animais mostram que o microrganismo causador da malária, o protozoário Plasmodium, desapareceu do organismo após uma só dose do produto.E o medicamento ainda impede que o mosquito Anopheles transmita o mal depois de picar um indivíduo malária infectado.

Erradicação da malária

Os cientistas sul-africanos comemoram o feito: é a primeira vez que uma pesquisa feita na África por pesquisadores locais chega a resultados tão concretos.Kelly Chibale e seus colegas tiveram financiamento da Medicines for Malaria Venture (MMV), uma organização com sede na Suíça.Segundo os pesquisadores, com a nova tecnologia, eles esperam que, em duas ou três décadas, possa ser possível erradicar a malária em todo o mundo.

A série das aminopiridinas foi inicialmente identificada por cientistas da Universidade de Griffith, na Austrália, também dentro dos esforços da MMV para rastrear cerca de 6 milhões de compostos com possibilidade de ação contra a malária.Os primeiros testes clínicos com o novo fármaco estão agendados para 2013.

Rastros da malária

Em 2010, a Organização Mundial da Saúde, órgão ligado a ONU, registrou 216 milhões de casos em todo o mundo.A malária causa, entre outras coisas, febre, mal-estar, fortes calafrios e anemia. Sem o tratamento adequado, que deve ter início logo após aparecerem os primeiros sintomas, a doença pode levar à morte.

No ano passado, cerca de 1 milhão de pessoas morreram de malária no mundo - 890 mil só na África Subsaariana. No Brasil, 97% dos casos ocorrem na Amazônia. As principais vítimas são as crianças. As autoridades de saúde estimam que, no Continente Africano, uma criança morra a cada quarenta e cinco segundos por causa da malária.

 

Guiné-Bissau: Domingos Simões Pereira Candidata-se à Presidência do PAIGC

Bissau - Domingos Simões Pereira, ex-secretário Executivo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), vai candidatar-se à Presidência do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC).
 
A informação foi avançada à PNN por uma fonte de grupo de dirigentes e militantes do partido, que apoiam Domingos Simões Pereira.

Para este efeito, o antigo responsável máximo da CPLP encontra-se na Guiné-Bissau desde a passada semana, onde se deslocou ao interior do país, nomeadamente às regiões de Quinara, Cacheu, Oio, Bafatá e Gabu, com a finalidade de auscultar opiniões junto dos militantes do PAIGC nestas localidades, relativamente à sua candidatura e possível liderança da maior formação política da Guiné-Bissau.

De acordo com a nossa fonte, há uma vontade expressa de apoio das intenções de Domingos Simões Pereira, uma vez à frente do partido, que esteve no poder até ao golpe de Estado de 12 de Abril.


Para esta corrida, Domingos Simões Pereira conta com o apoio dos «veteranos do PAIGC», a União Democrática das Mulheres (UDEMU), uma estrutura da classe feminina no interior do partido, assim como a participação nos quadros do PAIGC.

A PNN soube que, a par da corrida do antigo secretário Executivo da CPLP, alguns militantes desta força política já manifestaram os seus interesses em se candidatarem, como é o caso de Braima Camará, Cipriano Cassamá e Soares Sambu.

Guiné-Bissau: Primeiro-ministro de Transição Assume Controlo do SIS

Bissau - O Primeiro-ministro de Transição, Rui Barros, assumiu o controlo da Direcção-geral de Serviço de Informação de Segurança (DG SIS) da Guiné-Bissau.
 
O actual Director-geral desta instituição, Serifo Mane, já efectuou despachos conjuntos com o Chefe do Executivo de Transição, há mais de dois meses.

Este facto foi confirmado à PNN por uma fonte da DG SIS.Contudo, Serifo Mane tinha sido nomeado e empossado pelo actual ministro do Interior, que se ocupava hierarquicamente dessa instituição.

A medida não tinha entrado em vigor, apesar de a lei ter sido aprovada pela Assembleia Nacional Popular, promulgada a 22 de Junho de 2010 pelo então Presidente da República Malam Bacai Sanhá e publicada no Boletim Oficial Número 25.

Com as novas regras, compete ao DG SIS, de entre outras atribuições, informar o Primeiro-ministro acerca do resultado das suas actividades, assim como elaborar estudos e preparar documentos de acordo com as suas orientações.

No que diz respeito às competências do Presidente da República, cabe-lhe nomear e exonerar sob proposta do Governo.Agora Conselho de Segurança Nacional é integrado pelo Primeiro-ministro, o Procurador-geral da República e o Director-geral de Serviço de Informação de Segurança.

A DG SIS é composta por um Director-geral e dois Directores-adjuntos que são igualmente responsáveis pelo serviço de Inteligência Interna e Externa, nomeados e exonerados pelo Primeiro-ministro, sob proposta do Director-geral, o que não foi o caso da actual direcção do SIS.

De referir que a implementação na prática destas novas directrizes era um dos conflitos com o então Presidente da República, sobre quem controla quem.

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

A libertação da América Latina e o Papel de Hugo Chávez


Brasília – O presidente Hugo Chávez (Venezuela), posa para a foto oficial que formaliza a incorporação da Venezuela no Mercosul
Dizia ele, profeticamente, “que a um plano obedece o nosso inimigo: enganar-nos, dispensar-nos, dividir-nos, afogar-nos. Por isso, nós obedecemos a outro plano: ensinar a nós mesmos com todo o vigor, apertar-nos, juntar-nos, desbaratá-los, finalmente fazer a nossa pátria livre. Plano contra plano”.
 
O sonho de Martí e Bolívar ainda está presente no ideário dos povos latino-americanos e, em pleno século 21, começa a tornar-se uma realidade palpável. O exemplo vem da terra do próprio Bolívar, a Venezuela. O predestinado a ajudar no cumprimento dessa tarefa junto ao povo latino-americano chama-se Hugo Chávez.
 
O atual presidente, democraticamente eleito na Venezuela, exerce o segundo mandato e enfrenta uma oposição ferrenha não só em seu país, mas em todo o mundo. Por que motivo Hugo Chávez incomodaria tanto, se os cidadãos venezuelanos legitimamente insistem em elegê-lo como presidente? Qual o interesse das principais potências econômicas do mundo em um país mediano, no norte da América do Sul, dentre quase duzentos países no planeta?Petróleo e transformações sociais
 
Atualmente, um aspecto central para a análise do processo de transformação do país é o papel da PDVSA (Petróleos de Venezuela S.A.) para a sociedade. A Venezuela é um dos países com a maior reserva petrolífera do planeta. Após a entrada de Chávez na presidência, o Estado venezuelano modificou a gestão e o direcionamento dos faturamentos da empresa. Os royalties do petróleo passam a ser investidos desde a área da saúde à habitação em benefício do povo. Socializa-se, de fato, o capital adquirido no mercado internacional de petróleo, baixando consideravelmente a taxa da pobreza no país.
 
Hoje na Venezuela, falar de processo revolucionário e de socialismo é tratar de um tema que, segundo o povo venezuelano, estão acompanhando e vivenciando no dia-a-dia. Sobretudo, a partir da introdução das missões bolivarianas.
 
Quem ousaria contestar um humilde trabalhador venezuelano sobre o potencial transformador dos mercados socialistas? Local onde são vendidos alimentos a baixo preço e de qualidade, sem agrotóxicos. Ou seja, o abastecimento é proveniente de experiências de agro-ecologia promovidas pelo Estado e acessíveis ao povo pobre, não aos grandes hipermercados. Ressaltando que as áreas de plantio, muitas vezes, são provenientes de desapropriação. Dessa forma, a Venezuela combate ao mesmo tempo três elementos fomentadores da desigualdade social na América Latina: os latifúndios, o agro-negócio e as redes monopolistas do setor de alimentos.
 
Na área habitacional, os setores ligados à especulação imobiliária são escanteados para que o direito à moradia de cada cidadão venezuelano seja garantido. A missão habitação ou “misión vivienda” tende a zerar, até 2018, o déficit habitacional na Venezuela. Todos terão direito a casa própria, além de infra-estrutura de lazer e educacional nessas áreas.
 
Tudo isso, impulsionado pelos conselhos comunais. Ou seja, a forma de que o povo seja responsável pelas mudanças de sua realidade e decida o próprio destino. Os conselhos possuem poder político e exercem a gestão direta de políticas públicas. Não se caracterizam só como estrutura consultiva, mas deliberativa, ativando a governança comunitária nos variados setores organizados, como na saúde, na economia comunal, na habitação etc.
 
A Constituição venezuelana garante o “Poder Cidadão” como um de seus poderes instituídos. Os conselhos comunais são a efetivação dessa previsão constitucional, contrariando o imaginário personalista e concentrador de poder que os meios mediáticos tradicionais passam do presidente. A tendência é uma maior autonomia e maior peso político dos conselhos comunais diante dos poderes instituídos de prefeitos ou governadores, por exemplo.É, de fato, o empoderamento do povo, indo além da mera eleição, mas por meio do exercício de uma democracia participativa pulsante.

Democracia
 
Mesmo assim, o governo Chávez ainda é taxado de ditatorial para alguns, anti-democrático para outros. Para o povo venezuelano, que reiteradamente enche as ruas com milhares de pessoas para acompanhar os comícios do presidente, que se sentem sujeitos de um processo transformador, por não aceitarem só a democracia representativa e nenhum retrocesso nos seus direitos conquistados, essa falsa imagem não se sustenta. O que incomoda os países conservadores mundo afora é o facto de a Venezuela mostrar que, politicamente, as coisas podem ser diferentes. Como diz o velho ditado, “uma ação vale mais que mil palavras”. Esse é o grande ensinamento do processo revolucionário bolivariano da Venezuela.
 
O resultado do simulacro eleitoral realizado dia 2 de Setembro de 2012 é sintomático. Mesmo a mídia conservadora latino-americana falando em empate técnico entre os candidatos, o resultado é titubeante. Dos mais de 1,6 milhão de eleitores que participaram, por volta de 86% querem a manutenção de Chávez na presidência contra os 12% para o candidato de oposição.
 
Eleger Chávez significa manter a chama de uma América Latina viva, tenaz, guerreira e unida ao redor de toda sua riqueza de pluralidades. É voltar-se para nossa construção sócio-histórica e acreditar que temos muito mais semelhanças que divergências, que na América Latina pulsa um coração único que alimenta um só corpo. Hoje, esse coração cheio de vigor e esperança da “pátria grande” chama-se Venezuela!
 
Seguindo os caminhos de Bolívar: “O que tem sido feito não é mais que o prelúdio do que se pode fazer. Estejam preparados para o combate e contem com a vitória”.
 
Gladstone Leonel da Silva Júnior é professor e doutorando em Direito pela Universidade de Brasília e militante da Consulta Popular-DF. Participou do Encontro Internacional de Jovens da Nossa América, na Venezuela, em Agosto de 2012.