quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Guiné-Bissau: Falta de Verbas Compromete Trabalhos Cartográficos

Bissau - A insuficiência de verbas está a pôr em causa a conclusão dos trabalhos de levantamento cartográfico nas regiões de Cacheu e Biombo, no norte do país, e no Sector Autónomo de Bissau.

Segundo o secretário Executivo da Comissão Nacional de Eleições (CNE) António Sedja Mam, citado pela RDN, até neste momento o montante indicado pelo Governo está a ser desbloqueado a conta-gotas.

«De entre os 34 milhões de F.cfa que o Governo deveria colocar à disposição da equipa de trabalho, apenas 30 milhões foram disponibilizados, faltando os restantes 4 milhões. Se continuarmos nesta periodicidade os trabalhos já iniciados na região de Biombo podem parar», alertou António Sedja Mam.

Perante esta realidade, o responsável da CNE avisou que, desta forma, as eleições gerais do próximo ano podem estar comprometidas, tendo alertado o Governo, em particular o Ministério das Finanças, no sentido de assumir com as suas responsabilidades na colocação de fundos para andamentos dos trabalhos.

Neste sentido, António Sedja Mam disse que a responsabilidade de realização de eleições é colectiva e exige de todos esforços conjuntos para que o acto eleitoral tenha lugar no período indicado.

«Neste momento, o único caminho para sairmos da situação em que nos encontramos são as eleições», informou.

Através dos trabalhos de levantamento cartográfico é que a CNE vai proceder à marcação das mesas da Assembleia de Voto e ao início dos trabalhos de recenseamento eleitoral.

Guiné-Bissau: Deputado do PRS Assassinado

Bissau - O deputado do Partido da Renovação Social (PRS), Domingos da Silva, eleito na legislatura anterior, foi morto este fim-de-semana, na cidade de Bafatá, leste da Guiné-Bissau.

Domingos da Silva não suportou os ferimentos feitos por uma arma branca, de que foi alvo por parte do Fernando Npaka, que acusa a vítima de manter uma relação com a sua esposa.

Contactado pela PNN, Alberto Abubacar Sidibe, Comissário da Policia de Ordem Pública para a Província leste da Guiné-Bissau, a alegada relação amorosa entre deputado e a esposa de Npaka terá ocorrido há vários anos, tendo o casal chegado a separar-se.

«Segundo informações que nos forneceram, o casal estava separado e o marido encontrava-se a trabalhar numa empresa de desminagem na zona norte. Quando voltou para Bafatá mandou chamar o rival aproveitando a escuridão para o atingir com facadas», referiu o Comissário.

Neste sentido, o responsável pela segurança pública nas regiões leste da Guiné-Bissau, informou que o suspeito se encontra detido pelas autoridades regionais de Bafatá, aguardando instrução de processo-crime.

Até à data da sua morte, Domingos da Silva exercia o cargo de professor na região de Bafatá, enquanto Fernando Npaka era militar na reserva e integrava uma equipa desminagem na região de Cacheu.

Guiné-Bissau: Combate à Sida, Malária e Tuberculose em Perigo


Guiné-Bissau-O combate e tratamento da Sida, Malária e Tuberculose está praticamente parado na Guiné-Bissau e os hospitais vivem "situações dramáticas", porque o Fundo Mundial criou entraves ao financiamento, disse segunda-feira em Bissau um responsável do sector.

A informação foi dada à agência Lusa por Carlos Ribeiro, presidente da Comissão de Coordenação Multissectorial (CCM), mecanismo criado no âmbito do Fundo Mundial e que se destina a envolver a sociedade civil, privados, o governo e doadores na gestão criteriosa dos dinheiros do Fundo. A Comissão está reunida segunda-feira em Bissau.

De acordo com o responsável, a luta contra o VIH-Sida, a Tuberculose e Malária está "praticamente nas mãos" do Fundo Mundial, que agora está a criar entraves ao financiamento devido ao golpe de Estado ocorrido no país a 12 de Abril passado.

O Fundo Mundial "não quer dizer abertamente que estão a suspender os apoios porque houve um golpe de Estado e que os países que o financiam não estão dispostos a colaborar com um governo que não reconhecem", diz só que quer assegurar-se de que há menos riscos no uso dos recursos, disse Carlos Ribeiro à Lusa.

O Fundo Mundial foi criado em 2002 e é uma organização internacional que junta dinheiro para distribuir por 150 países, apoiando-os na luta contra as três doenças. Os Estados Unidos e a União Europeia são dos principais financiadores do Fundo.

Para tentar "mostrar que o golpe de Estado não deve ser razão para se suspender a luta contra as três doenças" reuniu-se esta segunda-feira a CCM. "A nossa preocupação é a de que as condicionantes que são postas acabam por tornar praticamente como suspensa a disponibilidade de dinheiro para a continuação da luta", alerta Carlos Ribeiro.

Em causa estão apoios na ordem dos 60 a 70 milhões de dólares (47 a 55 milhões de euros), segundo Carlos Ribeiro, que pergunta: "eles dizem que não querem pôr em causa o tratamento de doentes, mas se não pagam salários como é que os medicamentos vão ser distribuídos?".

No Hospital de Cumura (arredores de Bissau) a "situação é dramática", garante o responsável, acrescentando que sem pagamentos de salários as pessoas que foram capacitadas pelo Fundo vão-se embora, "sem falar nas mortes, na suspensão de medicação e criação de resistências".

Carlos Ribeiro salienta que antes do golpe de Estado já havia atrasos no financiamento do Fundo, que agora foram agravados porque a instituição invocou "a política de salvaguarda adicional", um agravamento das condicionantes para que o apoio seja disponibilizado.

Para Carlos Ribeiro, tratou-se "de uma questão política e tem a ver com o golpe de Estado.

Mulheres Acusadas de Bruxaria São Obrigadas a Viver em Campos de Refugiados(Cerca de mil mulheres vivem em seis campos de bruxarias em Gana)

Mulheres acusadas de bruxaria são obrigadas a viver em campos de refugiados 
Mulheres acusadas de bruxaria são obrigadas a viver em campos de refugiados

Gana-Samata Abdulai, aos 82 anos, foi forçada a abandonar o seu povoado para viver no campo de Kukuo. O destino desta mulher idosa mudou após um de seus irmãos acusá-la de ser a bruxa responsável pela morte de sua filha, supostamente por causa de uma maldição lançada por Abdulai.

Hoje ela é mais uma moradora dos “campos de bruxas” de Gana, mas essa tradição é um costume em várias partes da África, onde são colocadas as pessoas acusadas de fazer uso de magia negra.

Um desses campos é Kukuo, que reúne cerca de mil mulheres vivendo em barracos cheios de goteiras, sem acesso a eletricidade, esgoto ou água encanada. Para apanhar água, as “bruxas” do local precisam andar cerca de 5 km diariamente até um rio.

A vida da viúva Abdulai era bem diferente quando ela vivia no vilarejo de Bulli, distante dali a cerca de 40 km. Ela vendia roupas de segunda mão e cuidava de suas netas gêmeas, enquanto sua filha trabalhava nas plantações de algodão.

Um relatório divulgado recentemente pela ONG ActionAid afirma que mais de 70% das moradoras do campo de Kukuo foram acusadas de feitiçaria e expulsas de suas aldeias. Após a morte dos seus maridos elas não tinham ninguém para protegê-las. Porém, muitos acreditam que as acusações de bruxaria são, na verdade, uma forma disfarçada de a família ficar com os bens da viúva.

“Os campos são uma manifestação dramática da condição da mulher em Gana”, afirma Dzodzi Tsikata, professor da Universidade de Gana. ”Essas idosas viram presas fáceis quando deixam de ser úteis à sociedade.”

Para o Songtaba, um grupo que luta pelos direitos das mulheres, as mulheres de opinião forte rapidamente se tornam vítimas de acusações de feitiçaria. “A expectativa cultural é que as mulheres sejam submissas, então, quando elas começam a dar muitas opiniões ou serem bem-sucedidas em seu ramo, passam a ser acusadas de estar possuídas por maus espíritos”, explica o acadêmico.

Qualquer comportamento fora dos padrões também pode ser interpretado como evidência posse por espíritos. “Nas comunidades tradicionais, não há compreensão real do que seja depressão ou demência”, diz o doutor Akwesi Osei, psiquiatra-chefe do serviço de saúde de Gana. Ele acredita que a maioria das mulheres desses campos apresentou algum tipo de doença mental.

O governo de Gana vê os campos como uma mancha na reputação de uma das nações mais democráticas e economicamente vibrantes da África. Por isso, no ano passado, afirmou que tomaria medidas para acabar o quanto antes com os seis existentes atualmente. Mas enviar as mulheres de volta para suas aldeias de origem agora seria uma decisão perigosa.

“Temos que trabalhar muito com as comunidades para que possam voltar sem serem linchadas ou novamente acusadas, se, por exemplo, uma vaca pula uma cerca e derruba alguma coisa”, afirmou a diretora da ActionAid em Gana,  Adwoa Kwateng-Kluvitse. Em sua opinião, isso pode levar entre 10 e 20 anos.

Por enquanto, mulheres como Samata Abdulai continuam seguindo a tradição ao chegarem nos campos. Elas precisam oferecer uma galinha como oferenda ao chefe religioso. O sacerdote idoso murmura algumas palavras e depois corta a garganta da ave.

Se a ave cair de costas, isso demonstra que a “bruxa” é inocente e está pronta para ser purificada com uma espécie de água benta. Do contrário, a “bruxa” precisa beber uma poção com efeito purificador, feita com sangue de galinha, crânio de macacos e terra.
Mas, para o ritual de exorcismo funcionar, a mulher não pode ficar doente nos próximos sete dias. Se ficar, tem de tomar a poção novamente.

Mas isso não significa que Samata pode ir para casa. Mesmo que ela seja inocente, as crenças que a condenaram a uma vida de exílio estão arraigadas tão profundamente que ela nunca conseguiria viver em segurança novamente.

"Quando você é acusada de praticar bruxaria, perde a dignidade.Sinceramente, tenho vontade de acabar com a minha vida… Fiquei confusa e temerosa, pois sabia que era inocente. Mas também sabia que, ao ser considerada uma bruxa, minha vida passou a correr perigo. Por isso, não perdi tempo, juntei as minhas coisas e fugi do povoado".

Sua maior tristeza é que nunca mais verá os netos novamente. ”Eu me preocupo com quem vai cuidar dos gêmeos”, diz ela em voz baixa. ”Eu era a única que lhes dava banho e colocava na  cama. Quem vai fazer isso agora?”, finaliza.

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Guiné-Conacri: Cerca de 30 mortos em acidente com piroga


A piroga, usada para pesca e transporte, tinha uma capacidade para cerca de 20 passageiros

PORTUGAL -Cerca de 30 pessoas morreram quando uma piroga se virou ao largo da costa da Guiné-Conacri, aumentando assim o número de vítimas do acidente que inicialmente era de oito mortos.

Continuamos as buscas sem esperança de encontrar sobreviventes, o que significa que cerca de 30 pessoas terão morrido", disse o oficial da equipa de buscas Lanfia Camara, citado pela AFP.

"É difícil e praticamente impossível que encontremos um sobrevivente na água após 15 horas. Nenhum dos passageiros vestia um colete aquando do acidente", disse.

A piroga, usada para pesca e transporte, além de ter uma capacidade para cerca de 20 passageiros, estava a ser conduzida por um piloto que fazia a sua primeira viagem nesta condição, pormenorizou ainda um polícia.

Gana, Etiópia e Madagáscar Entre Países Africanos com Monopolização de Terras

Portugal-O Gana, a Etiópia, Madagáscar, o Mali e o Sudão são os cinco países africanos mais afectados pela monopolização das terras agrícolas africanas pelos investidores estrangeiros, segundo um estudo internacional a que a PANA teve acesso, Quinta-feira (30 de Agosto).

Realizado conjuntamente pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), pelo Instituto Internacional para o Ambiente e Desenvolvimento (IIED) e pelo Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA), o estudo sublinha que aqueles países totalizam cerca de dois milhões 500 mil hectares cedidos a investidores estrangeiros.

O Sudão arrendou mais de um milhão 500 mil hectares de terras agrícolas, de "primeira qualidade" aos Estados Árabes do Golfo, ao Egito e à Coreia do Sul, revela o inquérito que precisa que as sessões estendem-se por um período de 99 anos.

"As aquisições fundiárias à grande escala podem privar as populações locais do acesso aos seus recursos próprios. Elas podem igualmente causar riscos ligados ao ambiente e aos Organismos Geneticamente Modificados (OGM) bem como provocar perdas de biodiversidade e conflitos sociais”, advertem os autores do documento.

Essas preocupações foram expressas também pelo Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), pela União Africana (UA) e pela Comissão Económica das Nações Unidas para África (CEA) que criaram uma iniciativa denominada "Iniciativa de Políticas de Gestão de Terras (LPI, sigla em inglês)".

Reconhecendo que os investimentos directos estrangeiros nas terras agrícolas africanas apresentam riscos, as três instituições afirmam no entanto que o continente pode aproveitar esta situação para enquadrar tais actividades.

Porém, as organizações camponesas africanas e as Organizações não Governamentais (ONG) têm uma leitura diferente desta chegada em massa dos capitais estrangeiros ao continente, afirmando que estes perigam a agricultura familiar e de subsistência em África.

Organizações Africanas Felicitam Angolanos Pelo êxito do Processo Eleitoral


Luanda -Os observadores da União Africana (UA), da Comunidade de desenvolvimento da África Austral (SADC), Comunidade dos Países de Língua Oficial Portuguesa (CPLP), Comunidade Económica dos Estados da África Central (CEEAC), que monitorizam o processo eleitoral em Angola, felicitaram  domingo os angolanos pela forma pacífica e ordeira como decorreram as eleções, de 31 de Agosto.

As felicitações, expressas numa declaração conjunta, lida pelo chefe da Missão de Observadores da UA, Pedro Pires, foi subscrita também por observadores do Fórum das Comissões Eleitorais da SADC (FCE SADC) e Conferência Internacional da Região dos Grandes Lagos (CIRGL).

Ao enaltecer a forma como decorreram às eleições gerais em Angola, afirmou que este processo contribui para consolidação da paz, segurança, estabilidade e impulsiona o processo democrático, fortalecendo, assim, os fundamentos do seu desenvolvimento económico e social, acrescenta a nota.

Segundo o documento, registaram também com agrado o entusiasmo e participação expressiva dos cidadãos neste processo, com particular destaque para a presença expressiva de jovens e mulheres nas Assembleias de Voto, evidenciando um crescente nível de consciência cívica e um compromisso firme com os destinos do país.

Por outro lado, saudaram as autoridades angolanas, em particular a Comissão Nacional Eleitoral (CNE), pela qualidade da organização do processo eleitoral e pela utilização das novas tecnologias de informação e comunicação, na intenção de aperfeiçoar o processo eleitoral, bem como pelo profissionalismo revelado pelos membros das assembleias de voto na gestão e no andamento do acto eleitoral.

Saudaram ainda os esforços envidados pelas autoridades angolanas, pelos partidos políticos e outros actores no sentido de facilitar ao povo angolano o pleno exercício do seu direito de voto.

Por outro lado, recomendaram melhorias para a credenciamento, em tempo oportuno, dos observadores nacionais e internacionais, dos delegados de lista dos partidos políticos e a facilitação do direito de voto aos angolanos da diáspora.

Apelaram à todos os actores políticos nacionais para que mantenham o sentido de responsabilidade pela aceitação dos resultados decorrentes das urnas e em caso de litígio fazerem recursos exclusivamente às vias e meios previstos pelas leis e regulamentos, em vigor.

Reiteraram ainda o compromisso de acompanhar o povo angolano no seu esforço árduo para a consolidação e o aperfeiçoamento da sua jovem democracia.