segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Guiné-Bissau: Procurador-Geral da República Exonerado do Cargo

Bissau – Segundo a agência Lusa, o Presidente de Transição, Serifo Nhamadjo, destituiu o Procurador-Geral da República, Edmundo Mendes, nomeando Abdú Mané para o seu lugar.
A medida foi comunicada por decreto, o qual não justifica as razões que levaram o Presidente a nomear um novo Procurador-Geral da República.

No documento, Serifo Nhamadjo diz ter reunido com o Governo antes de tomar a decisão de destituir o jurista, que estava no cargo desde 2011.

Edmundo Mendes foi nomeado pelo falecido Presidente Malam Bacai Sanhá.

Tropas da Guiné-Bissau Integram Forças da CEDEAO que Vão Para Mali

Bissau- As forças armadas da Guiné-Bissau vão integrar o contingente da CEDEAO que deverá deslocar-se ao Mali para combater a rebelião no Norte deste país. Este anúncio foi feito pelo ministro dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação Internacional, Faustino Fudut Imbali em entrevista ao jornal O democrata cuja primeira edição foi publicada no último fim-de-semana. Fudut Imbali acrescentou que as forças da Guiné-Bissau vão integrar um contingente chefiado pelo Senegal.

“O nosso desejo era de ter um batalhão de tropas guineenses, mas dadas as circunstâncias internas e falta de meios, as nossas forças armadas vão integrar o contingente do Senegal para formarmos um comando único liderado pelo Senegal”, disse. O chefe da diplomacia precisou que está em preparação o envio dos efectivos militares guineense para o Mali “para libertar parte do território maliano anexado”.

Ainda nessa entrevista ao O Democrata, Faustino Imbali explicou as razões das exonerações de embaixadores ocorridas recentemente abrangendo seis representações diplomáticas.“Chamamos alguns embaixadores para lhes dar novas orientações. Alguns não compareceram, por isso foram mandados regressar ao país e substituídos”, justificou. Três embaixadas na Europa -Bélgica, França e Portugal, duas em Africa-Guiné-Conacri e Senegal e a representação permanente nas Nações Unidas foram atingidas pelas exonerações.

ONU Está Pronta a Apoiar Guiné-Bissau

Bissau-O Representante do Secretário-geral da ONU na Guiné-Bissau, Joseph Moutaboba afirmou quinta-feira última que as Nações Unidas estão pronta a apoiar a Guiné-Bissau para a resolução dos desafios e estabilização do país.
 
“Quero assegurar-vos que a organização das nações unidas estão pronta, em estreita colaboração com outros parceiros internacionais, a seguir e apoiar a Guiné-Bissau e o seu povo nos seus esforços rumo à Paz, Estabilidade e Desenvolvimento”, frisou.
 
O representante falava aos jornalistas na sede da organização em Bissau sobre as suas ultimas consultas relativas à Guiné-Bissau, efectuadas durante a Cimeira da União Africana em Addis Abeba e a Sessão do Conselho de Segurança das Nações Unidas sobre a Guiné-Bissau.
 
Mutaboba que em Junho passado promoveu sessões de consultas envolvendo actores nacionais, disse ser necessário, um diálogo inclusivo para a criação de um ambiente propício no interesse da Guiné-Bissau.Neste sentido, o Representante do Secretário-geral da ONU no país adiantou que terá encontros com parceiros internacionais da Guiné-Bissau.
 
"Gostaria de informar-vos que nos próximos dias iniciarei uma nova ronda de consultas envolvendo a União Africana (UA), CPLP, CEDEAO e posteriormente participarei na próxima sessão do Conselho de Segurança e outras consultas sobre a Guiné-Bissau à margem da Assembleia Geral, a ter lugar no próximo mês” de Setembro, completou.

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Organização Regional Anuncia Apoios Financeiros

Mapa da Guiné-Bissau
Mapa da Guiné-Bissau
Bissau - A União Económica e Monetária Oeste-Africana (UEMOA) vai desbloquear verbas para o financiamento de vários projectos de desenvolvimento na Guiné-Bissau, disse quarta-feira um responsável da organização, citado pela Lusa.


O anúncio dos apoios foi feito pelo guineense Ibraima Dieme, Comissário da UEMOA para o Desenvolvimento rural, recursos naturais e do ambiente, que se encontra em visita a Bissau.

"O meu departamento está relacionado com o mundo rural, pecuária, petróleo, minas, segurança alimentar, mudanças climáticas, pesca, água e saneamento. No quadro do nosso programa de investimento 2012/2014, vários projectos foram financiados pela Comissão da UEMOA para a Guiné-Bissau e outros vão ser financiados", disse Dieme, em conferência de imprensa.

O responsável, que falou aos jornalistas na sequência de uma audiência com o ministro das Finanças do Governo de transição guineense, Abubacar Dahaba, disse que a UEMOA quer informações sobre o andamento dos projectos, mas também estabelecer mecanismos para o desbloqueamento de fundos para outros programas.

"Estou aqui para passar em revista o estado dos projectos. Projectos no domínio da água, construção de furos e depósitos de cereais, projectos no sector da produção da fruta, no sector fitossanitário, pesca artesanal, recuperação de campos de cultivo.Queremos pôr na mesa esses projectos e ver as modalidades para o desbloqueamento de fundos para os mesmos", destacou Ibraima Dieme.

Este antigo secretário de Estado do Plano da Guiné-Bissau avançou os números de verbas já disponibilizadas pela sua organização ou em vias de serem entregues às autoridades guineenses.

De acordo com o Comissário da UEMOA, brevemente a organização irá disponibilizar cerca de mil milhões de francos CFA para o apoio ao programa de reforma do sector militar guineense, entre outros apoios financeiros.

A pecuária também irá receber o apoio da UEMOA, com a organização a comprar cerca de 300 mil doses de vacina para os animais.

Questionado sobre se os apoios financeiros deverão chegar mesmo tendo em conta que a Guiné-Bissau tem quotas em atraso, o Comissário da UEMOA diz que essa situação não irá ser problema.

"São pequenos problemas administrativos mas que vão ser regularizados", notou Dieme, negando quaisquer problemas no relacionamento entre a sua instituição e a Guiné-Bissau.

 Para o ministro das Finanças do Governo de transição, o anúncio de apoios feito por Ibraima Dieme "vem reforçar" a confiança do país nas organizações e que não abandonaram a Guiné-Bissau, nomeadamente a UEMOA a CEDEAO (Comunidade Económica para o desenvolvimento dos Estados da África do Oeste) e a Nigéria.

A Guiné-Bissau tem um Governo e um presidente de transição que gerem o país desde o golpe de Estado militar de 12 de Abril passado, mas, tirando as entidades citadas pelo ministro das Finanças, a comunidade internacional não reconhece as novas autoridades.

Estudo Alerta Para Envelhecimento Rápido da População Africana


PARIS — Embora sua população ainda seja jovem, a África terá que enfrentar o envelhecimento rápido, um processo que seria mais rápido do que nos países desenvolvidos e que trará desafios no campo do atendimento a pessoas idosas, adverte um estudo publicado nesta quinta-feira.
 
Hoje em dia os menores de 15 anos representam 40% da população na África (atualmente com cerca de um bilhão de habitantes) contra 27% no conjunto da população mundial, reforça este estudo do Instituto Nacional de Estudos Demográficos (INED), instituto de pesquisa francês.
 
Mas nos próximos 40 anos, a proporção de pessoas com 60 anos ou mais (5,5% em 2010) deverá "dobrar em vários países africanos se a fertilidade continuar diminuindo no ritmo atual", acrescentou o estudo. O INED revela que "este envelhecimento demográfico ocorrerá a uma velocidade maior nos países desenvolvidos".
 
Assim, o número de pessoas idosas deverá quadruplicar na África entre 2010 e 2050 e passar de 56 a 215 milhões, ou seja, quase tanto quanto na Europa (241 milhões). O continente africano contaria, então, com 22,5 milhões de pessoas com 80 anos ou mais, ou seja, cinco vezes mais do que hoje.
 
Entre os desafios que trará este envelhecimento, o INED revela que "menos de 10% das pessoas idosas podem aspirar a uma pensão de aposentadoria" na África, principalmente funcionários ou empregados de grandes empresas privadas.O Instituto destaca, ainda, que em matéria de saúde, "a grande maioria das pessoas idosas carece de cobertura social".
 
Embora no geral os idosos africanos possam contar com sua "rede familiar" para satisfazer suas necessidades, o estudo dá destaque a que "grandes mudanças sociais e econômicas se apreciam em escala continental e têm repercussões nas organizações familiares".
 
Especialmente, "as jovens gerações buscam se emancipar da tutela dos mais velhos" e "o status social" dos idosos se "valoriza menos do que antes".
 
"A diminuição dos recursos territoriais" leva também ao abandono da cidade, onde "os alojamentos são menores e mais caros". O aumento de mulheres que trabalham, com diploma e estudos mudam também o modo de vida e contribuem para diminuir o apoio aos mais velhos.
 
Portanto, os países africanos precisam realizar "políticas públicas adaptadas" (seguridade social, aposentadoria...) para fazer frente ao desafio do envelhecimento, concluiu o INED.

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

União Africana Saúda Contributo de Meles Para Promoção da Paz

Bandeira da União Africana
Bandeira da União Africana

Addis Abeba - O presidente cessante da Comissão da União Africana (UA), Jean Ping, saudou  terça-feira "a contribuição para a promoção da paz" do falecido Primeiro-ministro etíope Meles Zenawi, recordando o envio de tropas etíopes nas missões em vários países africanos como a Somália.

"A Comissão vai lembrar-se do Primeiro-ministro etíope, Meles Zenawi, pela sua excepcional contribuição para a realização dos objectivos da UA e a promoção dos interesses de África", indica num comunicado a organização panafricana, com sede em Addis Abeba.

A União Africano saúda assim "a contribuição da Etiópia, sob o governo do Primeiro-ministro Meles Zenawi, para a promoção da paz e da segurança em África", recordando o envio das tropas etíopes de manutenção da paz no Burundi, na Libéria e na região de Abyei, disputada entre o Sudão e o Sudão do Sul, no quadro das operações da UA ou da ONU.

A organização recorda igualmente o apoio da Etiópia às autoridades de Mogadíscio e no quadro da Amison (a força da UA na Somália), elogiando os seus "esforços para erradicar o terrorismo e o extremismo na Somália e abrir a via para uma paz duradoura e para a reconciliação" no país.

A UA também presta homenagem à acção de Meles no seu país, que se tornou, segundo a organização, "um dos líderes económicos do continente". O Primeiro-ministro etíope jogou "um papel importante ao abrir uma nova era de esperança e de crescimento em África", acrescentou a plataforma continental.

Meles Zenawi, poderoso entre os líderes africanos, faleceu segunda-feira à noite num hospital, em Bruxelas, aos 57 anos.

Eleita a 15 de Julho à frente da Comissão da UA, o órgão executivo da organização continental, a sul-africano Nkosazana Dlamini-Zuma, vai suceder oficialmente Jean Ping em Setembro.

Governo Diz que Dificuldade de Vender Castanha de Caju é Ultrapassável

Bandeira da Guiné-Bissau
Bandeira da Guiné-Bissau

Bissau - O porta-voz do governo de transição da Guiné-Bissau, Fernando Vaz, reconheceu terça-feira que o país tem dificuldades em escoar a castanha de caju para o mercado internacional, mas diz que é uma "situação ultrapassável", noticiou a Lusa. 

 Em declarações à agência Lusa, Fernando Vaz disse que existem neste momento cerca de 90 mil toneladas da castanha de caju (um dos principais produtos de exportações da Guiné-Bissau) nos armazéns em Bissau a aguardar escoamento.  

"É uma situação conjuntural derivada de variados factores.Pensamos que é uma situação ultrapassável. O Governo está a estudar outras alternativas", defendeu Fernando Vaz.  

A previsão feita pelo governo deposto pelo golpe de Estado de 12 de Abril passado era que o país iria exportar este ano entre 220 a 230 mil toneladas do cajú mas o executivo de transição teve de rever em baixa estes números fixando-os agora em 180 a 190 mil toneladas.  

Fernando Vaz explicou que a retracção normal da actividade económica (normal neste período do ano na Guiné-Bissau) associada à falta de liquidez nos bancos comerciais são algumas das justificações para a dificuldade no escoamento do caju da Guiné-Bissau.   

"Os bancos emprestaram dinheiro aos operadores económicos e muitos ainda não conseguiram vender o cajú  e logo não conseguem pagar o crédito que fizeram, o que faz com que os bancos estejam sem liquidez para continuar a injectar capital no mercado", disse o porta-voz do governo de transição, assinalando ser "regra de ouro" do BCEAO (Banco Central dos Estados da África Ocidental) a recuperação do crédito antes de novos empréstimos.  

A juntar a tudo isso, notou Fernando Vaz, está ainda o facto de a Índia, principal comprador mundial do cajú em bruto, não estar a comprar o produto como nos anos anteriores.
 

"Há um excesso mundial da produção e esse facto não afecta apenas o cajú da Guiné-Bissau. Muitos países produtores também estão com dificuldades para vender o seu cajú para a Índia. É preciso arranjar outros compradores. É isso que o Governo está a fazer", afirmou Fernando Vaz que é também ministro da Presidência do Conselho de Ministros.  

Fernando Vaz referiu que além do aumento da produção mundial, no caso da Guiné-Bissau, os operadores económicos "colocaram a fasquia alta" em termos dos preços de venda internacional.
 

“No ano passado, por exemplo, houve contratos de venda por 1.400 dólares por tonelada. Este ano, os preços caíram para 800 dólares e muitos operadores que já tinham feito os contratos pensando em grandes margens, com base nos preços dos anos anteriores, não conseguem vender", observou.  

“Há uma luz no fundo do túnel. Até próxima quarta-feira o Governo terá uma alternativa", disse o porta-voz do Governo, sem especificar a que comprador se referia, embora admita serem outros mercados que não a Índia.  

"Há ofertas para a compra do nosso cajú por contratos de 1.200 dólares por tonelada", disse Fernando Vaz, frisando que esta possibilidade irá ajudar a escoar o cajú que ainda se encontra nos armazéns em Bissau.  

"Alguns compradores indianos perante esta possibilidade já estão a oferecer contratos por 1050 dólares por tonelada", notou o porta-voz do Governo guineense, pedindo calma aos operadores económicos do sector do caju.   

De acordo com o presidente do Comissão Nacional do Cajú, André Nanque, a Guiné-Bissau exportou 174 mil toneladas de cajú, em 2011, o que foi um recorde, e fez entrar nos cofres públicos 226 milhões de dólares.