terça-feira, 7 de agosto de 2012

Primeiro-Ministro Deposto Disponível Para Continuar a Trabalhar


PM guineense deposto, Carlos Gomes Júnior
PM guineense deposto, Carlos Gomes Júnior

Lisboa - O Primeiro-ministro deposto da Guiné-Bissau reafirmou domingo, estar "disponível para continuar a trabalhar" pelo país, adiantando lamentar que o trabalho já feito para o seu desenvolvimento possa ser inutilizado pela situação decorrente do golpe de Estado de 12 de Abril, noticiou à Lusa.
 
"Eu estou disponível para continuar a trabalhar pelo meu país, parado é que ... A vida está parada, o governo em exercício não tem poderes legais para fazer a governação (...) eu teria muita pena que se fossem degradando todos os passos que nós já demos para o desenvolvimento do nosso país", declarou Carlos Gomes Júnior aos jornalistas à margem de um encontro da comunidade guineense em Lisboa. 
 
O também vencedor da primeira volta das eleições presidenciais indicou que regressará à Guiné-Bissau se existirem condições de segurança. 
 
"Estamos a aguardar a reunião de alto nível a ser organizada pelas Nações Unidas (a 14 de Setembro). Se for decidido e entendido que deve ir uma força multinacional para a Guiné naturalmente que estão criadas condições de segurança necessárias para isso (regressar ao país)", disse. 
 
Carlos Gomes Júnior, repetiu que a Comunidade Económica para o desenvolvimento dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) "não tem condições, nem financeiras, nem tem capacidade", para conduzir sozinha o processo de transição e criticou a possibilidade de se realizarem "eleições presidenciais de raiz". 
 
"Quem é que vai financiar uma eleição de raiz? (...) existe uma crise financeira que toda a gente conhece. (...)  O financiamento de eleições de raiz vai ser muito complicado, o que quer dizer que vai prolongar esse período de transição, o que não serve ao povo da Guiné-Bissau, não serve à nossa economia", disse, considerando que se "impõe que sejam mobilizados recursos e meios para a conclusão do processo eleitoral". 
 
A CEDEAO é a única instância internacional que apoia as actuais autoridades de transição na Guiné-Bissau. Carlos Gomes Júnior interveio no encontro promovido pelo FDDDGB - Fórum da Diáspora para o Diálogo e Desenvolvimento da Guiné-Bissau e quando subiu ao palco foi recebido aos gritos de "Cadongo amigo o povo está contigo". 
 
As cerca de duas centenas de pessoas presentes ouviram o Primeiro-ministro deposto da Guiné-Bissau declarar-se "muito sensibilizado com as manifestações de solidariedade" que tem tido desde o golpe de Estado e também recordar o trabalho que desenvolveu à frente do governo. 
 
Segundo Carlos Gomes Júnior, fez-se uma "governação de rigor", apostou-se nos cuidados básicos de saúde e conseguiu-se "uma taxa de crescimento de cinco por cento". 
 
Não faltaram as críticas à CEDEAO, que "não tem nenhuma exclusividade" para resolver os problemas na Guiné-Bissau. 
 
"Vai haver eleição e vou ser presidente guineense", declarou sob aplausos, num discurso que acabou com vivas à Guiné-Bissau e ao povo guineense. 
 
Além do Primeiro-ministro, esteve também no encontro o presidente interino afastado, Raimundo Pereira, um dos signatários como Carlos Gomes Júnior de uma carta aberta dirigida à CEDEAO e preparada pelo FDDD. 
 
O texto, resumido para os participantes no encontro, critica a mudança de posição da CEDEAO, que no início criticou o golpe de Estado, e apela aos cidadãos da África Ocidental para "denunciarem os atropelos" na Guiné-Bissau.
 
Presente esteve também o embaixador da Guiné-Bissau em Portugal, Fali Embaló, que recebeu instruções das autoridades de transição em Bissau para abandonar o cargo. 
 
Aquelas autoridades comunicaram a intenção de substituir os embaixadores do país em Portugal, França e na União Europeia, por três novos encarregados de negócios. 
 
"É um 'bluff'", considerou Carlos Gomes Júnior, referindo que as autoridades de transição não têm poder para destituir ou nomear embaixadores.
 
"O governo legítimo neste momento, eu sou o chefe do governo legítimo da Guiné-Bissau e qualquer embaixador para ser nomeado tem de ser por um decreto presidencial. Portanto, esse presidente de transição não tem poderes constitucionais para isso, é o chamado limite constitucional, ele não tem esses poderes, nem para nomear, nem para exonerar", disse. 



Economias Africanas Continuam a Crescer


Angola-Enquanto a zona do euro e os Estados Unidos sofrem para encontrar um meio para estimular o crescimento económico, alguns países de África devem encerrar o ano com expansão acima de seis por cento, apontam estimativas do Fundo Monetário Internacional (FMI).

O  FMI  considera “favoráveis” as perspectivas da economia angolana em 2012, apesar do recente declínio dos preços do petróleo, a principal fonte das receitas orçamentais, no mercado internacional.

“O ritmo da actividade económica deve acelerar, com um crescimento global próximo dos sete por cento, como resultado da produção de petróleo. Os sectores da energia, transportes e construção são susceptíveis de beneficiar numa escala gradual de programas de investimento público”, assinala a avaliação do FMI.

A instituição alerta para o facto de a produção agrícola e de alimentos poder ver os preços afectados pelos efeitos da seca da última época agrícola.
 
Em 2012, África deve ter um crescimento de seis por cento e nos próximos cinco anos, as economias da República Democrática do Congo, Etiópia, Gana, Moçambique, Nigéria, Tanzânia e Zâmbia devem crescer a uma média de 7,2 por cento ao ano.

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

ONU Incentiva Mulheres a Interessarem-se Pela Política

Mapa da Guiné-Bissau
Mapa da Guiné-Bissau

Bissau - O Gabinete Integrado das Nações Unidas para a Consolidação da Paz na Guiné-Bissau (UNIOGBIS) está a promover uma acção de sensibilização e capacitação destinada às mulheres guineenses para que se interessem mais pela política. 
 
A acção de formação junta 35 mulheres provenientes de partidos políticos mas com pouca visibilidade, sindicalistas, activistas dos direitos humanos, promotores de organizações não-governamentais (ONG) e jornalistas e decorre até meados deste mês.  
 
A escritora e antiga ministra da Educação guineense, Odete Semedo, uma das responsáveis da formação, disse à Agência Lusa que a ideia é "dar instrumentos e incentivos" às mulheres para que possam "um dia apresentarem-se aos cargos electivos". 
 
"Há potencialidades naquele grupo. São mulheres com formação, mas escondidas nas suas instituições ou nos seus partidos. Com ajuda da UNIOGBIS chamamos essas mulheres a entenderem que são potenciais governantes deste país", notou Odete Semedo. 
 
Para a antiga ministra e directora de gabinete do Presidente interino deposto no golpe de Estado de 12 de Abril último, Raimundo Pereira, as próprias leis da Guiné-Bissau "colocam a mulher em quinto ou sexto plano". 
 
"Na mente dos homens que têm estado a dirigir este país a mulher não é prioridade. A mulher só aparece nos comícios, quando é para se fazer bons discursos, mas quando é de facto para se pôr a mão na massa a mulher é esquecida", defendeu a escritora, dando o exemplo da composição de listas eleitorais dos partidos. 
 
"Quando é para se fazer as listas eleitorais a mulher nunca aparece como cabeça de lista. Aparece sempre como suplente ou então se aparece é nos círculos onde tenha pouca probabilidade de ser eleita", disse Odete Semedo. 
 
A portuguesa Sara Negrão, conselheira do Género na UNIOGBIS tem a mesma opinião: "Existem muito poucas mulheres que participam, de forma activa na vida política. Uma coisa é participar numa campanha, outra coisa é participar de forma activa nos partidos, na tomada de decisão nacional", notou a responsável da ONU. 
 
Tanto Odete Semedo como Sara Negrão, as duas animadoras da formação, entendem que fixando as quotas era possível inverter a tendência da exclusão da mulher guineense nos órgãos de decisão. 



Monumento de Nelson Mandela é Inaugurado na África do Sul

Foto: DivulgaçãoFoto: Divulgação




















Africa do sul-Na cidade de Howick, no leste da África do Sul, foi inaugurado sábado passado um monumento dedicado a Nelson Mandela. A cerimônia de abertura chamou muito a atenção e teve a presença, inclusive, do presidente Jacob Zuma.

O local onde fica a escultura de 50 hastes de metal, simbolizando uma prisão, foi o mesmo onde o líder foi preso há 50 anos durante a luta contra o regime de segregação do Apartheid.

"Devemos encorajar as gerações futuras a visitar este local, pois os que o visitarem encontrarão aqui inspiração", exaltou Zuma.

Nelson Mandela, de 94 anos, é considerado o mais importante líder africano. Além de ter presidido o país entre 1994 e 1999, ele ganhou o Prêmio Nobel da Paz em 1993.

Congoleses Votam Domingo na Segunda Volta de Legis

Brazzaville - O presidente da Comissão Nacional Eleitoral do Congo (CONEL), Henri Bouka, apelou aos seus compatriotas para se deslocarem em massa às urnas ontem (domingo) para a segunda volta das eleições legislativas.

Os que ainda não receberam os seus cartões de eleitor e que se inscreveram nos cadernos eleitorais foram igualmente chamados a votar com o seu bilhete de identidade. O escrutínio de domingo vai envolver 70 circunscrições eleitorais.

A primeira volta das eleições legislativas no Congo, realizada a 15 de Julho último, foi ganha pelo Partido Congolês do Trabalho (PCT, no poder) e pelos seus aliados com 64 assentos contra um para o primeiro partido da oposição, a União Pan-africana para a Democracia Social (UPADS), enquanto um único candidato independente foi eleito.

Esta primeira volta foi marcada por uma fraca taxa de participação estimada pelo Observatório Congolês dos Direitos Humanos (OCDH) em 15 porcento.

Do seu lado, os observadores da União Africana (UA) e da Comunidade Económica dos Estados da África Central (CEEAC) notaram várias insuficiências na organização deste escrutínio legislativo. Desde 2002, a Assembleia Nacional do Congo é dominada pelo PCT.

Exigem Volta à Normalidade na Guiné Bissau


Exigem volta à normalidade na Guiné Bissau
Praia, 2 Agosto-O Comitê Africano da Internacional Socialista exigiu a rápida volta à normalidade constitucional na Guiné Bissau, onde a cúpula militar protagonizou um golpe de estado em Abril.

A demanda foi realizada na terça-feira passada na capital numa reunião do Comitê para a África, à qual assistiu meia centena de delegados, entre eles o deposto primeiro-ministro Carlos Gomes Junior.

Durante o encontro foram condenadas as asonadas castrenses do 22 de Março em Malí e o 12 de Abril na Guiné Bissau, ao reafirmar-se "a tolerância zero para as aventuras golpistas" no continente.

O presidente da Internacional Socialista, o chileno Luis Ayala, destacou em conferência de imprensa a unanimidade atingida nas análises sobre a crise financeira, os conflitos, a construção dos Estados de direitos ou déficit democrático na África.

Tanor Dieng, presidente do Comitê para o continente, mostrou-se a favor da posição assumida pela família socialista africana, ao defender também o regresso à constitucionalidade da Guiné Bissau dantes da data do golpe militar.

Os delegados expressaram seu apoio aos esforços das Nações Unidas na solução do conflito de Sahara Ocidental, apelaram a mais democracia para a Guiné Equatorial, Camerún e o Chade, além de lamentar a fome em Somalia.

As conclusões apresentadas nos últimos dois dias de trabalho serão remetidas agora ao XXIV Congresso da Internacional Socialista, com sede pela primeira vez no continente (Suráfrica) entre o 31 de Agosto e o 1 de setembro.Assistiram também delegações de Marrocos e a República Árabe Saharaui Democrática.

FMI Pede Cortes nas Despesas Públicas

Mapa do Botswana
Mapa do Botswana

Gaberone - O Fundo Monetário Internacional (FMI) apelou quinta-feira passada o Botswana a tomar as medidas mais audazes para reduzir o orçamento da função pública.
   


"Estas medidas implicam uma organização mais racional de altura e da estrutura do governo, um reforço da ligação entre salário e a performance, bem como uma revisão da escala salarial", preconizou o FMI após a sua consulta anual com o Botswana.

"Essa não é a primeira vez que o FMI pede ao Botswana - país da África austral próspero de dois milhões de habitantes - para reduzir os salários do Estado, que são muitas vezes considerados como muito elevados. 

O FMI notou igualmente que a economia mundial frágil poderá relançar o ritmo da recuperação, no Botswana, o maior produtor mundial de diamantes.

A economia, que repousa antes de tudo sobre as gemas de diamantes, esta bruscamente destruída com a baixa da procura devido à crise económica mundial de 2008.

O FMI constatou que a recuperação económica no país foi uma das melhores dos países com rendimento médio, apesar de um enfraquecimento do crescimento económico em 2011.

No início do ano, o ministro das Finanças, Kenneth Matambo, anteviu um crescimento de 4,4 % para 2012, prevendo que o país poderia rever as suas previsões caso as exportações de diamantes não melhorassem.