sexta-feira, 3 de agosto de 2012

CONFERÊNCIAS EPISCOPAIS DE ÁFRICA ANALISAM EM LUANDA APLICAÇÃO DA EXORTAÇÃO PÓS SINODAL "AFRICAE MUNUS"


Luanda-Encontro anual dos Coordenadores de Justiça e Paz do Simpósio das conferências Episcopais da África e Madagáscar analisa em Luanda a aplicação da exortação pós sinodal “Africae Munus”.

O conclave foi aberto quarta-feira passada, 1/8, pelo Vice-Presidente do SCEAM, Dom Gabriel Mbilingi.O evento realiza-se no mês de eleições em Angola. O Prelado fez eco à disparidade na distribuição da riqueza no país, frisando que exclui “ boa parte dos cidadãos”.

 “Se olhardes para nossa Luanda não deixarão de ver aquilo que é o grande fosso entre desenvolvimento e pobreza em Angola” – deplorou.

Dom Gabriel Mbilingi evocou ainda o importante papel que a Igreja desempenha na formação cívica dos cidadãos, de modo a contribuírem, cada um, segundo o seu Estado.

Neste âmbito, o Vice-presidente da SCEAM pediu a contribuição dos sacerdotes, consagrados, consagradas e leigos, para que Angola seja um país onde as condições de vida sejam garantidas para conferir dignidade à vida.

O certame acontece no momento em que Angola celebra os dez anos da paz.

Momento certo para os coordenadores de Justiça e Paz falarem sobre a boa governação e consolidação da paz, de modo particular no continente berço da humanidade (África).

Durante a sua estadia em Luanda, os participantes ao conclave terão a ocasião de fazer experiência directa, daquilo que os dez anos de paz produziram em termos de desenvolvimento e relançamento do futuro da economia de Angola.

Para a concretização deste desiderato, a agenda do certame prevé visitas aos vários locais de interesse económico e social na cidade e bairros periféricos da capital angolana.

Espera-se que o encontro produza conclusões ou estratégias que permitam actuar no campo social, pastoral, na construção da paz em África e promoção da boa governação, Direitos Humanos, paz nos corações, bem-estar, desenvolovimento e reconciliação nas nações que integram o Sceam.

Recorde-se que, a SCEAM integra as seguintes regiões ecclesiais de África: IMBISA, AMECEA, ACEAC, CERAO-RECOA, ACERAC, AHCE e CEDOI-MADAGASCAR.

Fundo do Brics Impulsionará Reformas no Sistema Financeiro Internacional, Diz Diretor Brasileiro no FMI

São Paulo - O diretor executivo do Brasil e de mais oito países no Fundo Monetário Internacional (FMI), Paulo Nogueira, disse, terça-feira (31 de Agosto), que a criação de um fundo conjunto dos países do grupo do Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) poderá estimular reformas no sistema financeiro internacional.

"Se isso vier a se concretizar, significa criar um caminho próprio para esses cinco países, o que coloca o sistema sob pressão para refletir melhor a realidade do mundo contemporâneo".

Nogueira participou de seminário na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) sobre a agenda internacional do Brics promovido pela Fundação Alexandre Gusmão (Funag), vinculada ao Ministério das Relações Exteriores.

O anúncio da proposta de se criar um fundo de reservas dos cinco países emergentes foi feito em Junho durante reunião preparatória para o encontro do G20, ocorrido em Los Cabos, no México.

Para o diretor, no entanto, essa medida não significa uma ameaça aos mecanismos de financiamento atuais, como o Banco Mundial e o FMI. "Não me preocupa nada o esvaziamento dessas entidades, porque são burocracias muito sólidas. O que essas iniciativas do Brics podem ajudar é mover essas instituições no sentido de uma transformação".

Ele citou como exemplo da necessidade de mudança a eleição para presidente e diretor-geral das instituições. "Na sucessão recente do presidente do Banco Mundial viu-se isso. Prevaleceu a regra absurdamente anacrônica de que o cargo de presidente do banco é reservado a um norte-americano, assim como o de diretor-geral do FMI a um europeu".

Expectativas

Durante o seminário, o diretor do FMI falou ainda sobre as expectativas do fundo sobre a economia brasileira. Ele estima que os próximos 18 meses serão de recuperação para o Brasil, devendo crescer a uma taxa de 4% a 4,5%. "Esse cenário é plausível porque o governo adotou diversas medidas de estímulo, cujo efeito deve se fazer sentir, sobretudo, no terceiro, quarto trimestres de 2012".

Nogueira acredita que essas projeções somente seriam alteradas com um cenário "catastrófico na zona do euro", como o aprofundamento da recessão ou com a saída de algum país. Na avaliação do diretor, outra situação externa que poderia interferir na estimativa de crescimento no Brasil é um crescimento inferior da China e Índia.

"A China tem crescido 10% ao ano, a Índia em torno de 8%. Muito abaixo disso o cenário se modifica. Sobretudo no caso da China, porque o Brasil tem relações comerciais bastante intensas". As informações são da ABr.

Malawi e Tanzânia Reabrem Disputa Fronteiriça por Petróleo

Maputo - O ministro malawiano  de Energia e Minas, Cassim Chilumpa, rejeitou o aviso da Tanzania, segundo o qual o Malawi e as companhias  estrangeiras envolvidas na pesquisa de petróleo e gás natural  na parte leste do Lago Niassa devem parar imediatamente com a prospecção até a resolução das disputas fronteiriças que opõem os dois países, informa quinta-feira passada (2 de Agosto) a Rádio Moçambique.

Em Outubro de 2011, o Malawi concedeu à empresa  britânica Surestream Petroleum uma licença para a pesquisa  de petróleo e gás natural no Lago Niassa, nos blocos dois e três, o que corresponde a uma área combinada de vinte mil quilómetros quadrados, em águas disputadas.

Neste momento, aquela empresa está a conduzir os estudos de impacto ambiental, para depois iniciar com a prospecção dos hidrocarbonetos.

No último fim-de-semana, o ministro tanzaniano dos Negócios Estrangeiros e cooperação internacional, Bernard Membe advertiu ao Malawi para parar imediatamente com as pesquisas com vista a abrir caminho para as negociações tendentes à solução da crise  fronteiriça em torno do Lago Niassa, considerado o terceiro maior da África.

O ministro tanzaniano reivindicou ainda que algumas aeronaves,  supostamente pertencentes às companhias envolvidas na pesquisa de hidrocarbonetos estão a sobrevoar ilegalmente o espaço aéreo nacional, o que representa uma ameaça à segurança e soberania da Tanzania.

No entanto, o ministro malawiano da Energia, Cassim Chilumpa disse que a exigência da Tanzania é inaceitável e declarou que o Malawi vai prosseguir com as pesquisas, porque a prospecção está a acontecer dentro das fronteiras legais.

Chilumpa disse ainda que as  fronteiras entre o Malawi e a Tanzania em torno do Lago Niassa foram estipuladas através de um Tratado assinado entre a Alemanha e a Grã-Bretanha em 1890 e também reafirmadas pela então Organização da Unidade Africana em 1963.

Malawi e Tanzânia estão envolvidos há cinquenta anos em disputas fronteiriças em torno do Lago Niassa, partilhado pelos  dois países e também por Moçambique.

Os governos dos dois países reuniram-se na última semana em torno deste caso, mas a reunião terminou num impasse. O próximo encontro deverá acontecer ainda este mês. As informações são da Rádio Moçambique.

Economia da Guiné-Bissau Está entrar em Colapso - Hillary Clinton

Hillary Clinton em visita à África
Hillary Clinton em visita à África

Dakar - A secretária de Estado dos EUA afirmou quarta-feira última que o Senegal prova que a democracia pode "florescer em África", enquanto a vizinha Guiné-Bissau permanece instável politicamente, com a economia "a colapsar" e o tráfico de droga a crescer.    

 No início de uma viagem de onze dias ao continente africano, Hillary Clinton visitou um centro de saúde e discursou na universidade Cheikh Anta, em Dakar (capital senegalesa), após um encontro, à porta fechada, com o Presidente Macky Sall, que venceu as eleições de Março, afastando Abdoulaye Wade, no poder há doze anos e que procurava um terceiro mandato.   

"Os americanos admiram o Senegal como um dos poucos países de África do Oeste que nunca teve golpes militares", disse Clinton, num discurso proferido na universidade. Mas a estabilidade do Senegal não tem florescido da mesma forma nos seus vizinhos mais próximos, Guiné-Bissau e Mali.
   
Na Guiné-Bissau, onde nenhum presidente eleito levou o mandato até ao fim, a economia "está a colapsar" e o tráfico de droga a crescer, lamentou Clinton.   

Já o Mali, após uma era de estabilidade democrática, foi abalado por um golpe de Estado em Março, vivendo uma situação indefinida desde então, acrescentou.   

"As velhas formas de governar já não são aceitáveis. É tempo de os líderes aceitarem ser responsabilizados, tratarem os seus
povos com dignidade, respeitarem os seus direitos e proporcionarem oportunidades económicas", defendeu a secretária de Estado, alertando: "Se não o fizerem, está na altura de saírem".  

Elogiando a reposição da ordem constitucional em países africanos como o Níger e a Guiné-Conakry, ambos afectados anteriormente por golpes de Estado, Clinton salientou, porém, que a democracia ainda está ameaçada em demasiados países.  

Hillary Clinton, que esteve de visita ao Senegal pela primeira vez em 1997, efectua um périplo em África no quadro da estratégia do Presidente Barack Obama para o continente: promover o desenvolvimento; apoiar o crescimento, o comércio e o investimento; patrocinar a paz e a segurança; e fortalecer as instituições democráticas.   

Clinton deixará Dakar na quinta-feira, em direcção à mais nova nação do mundo, o Sudão do Sul, que festejou no dia 09 de Julho o seu primeiro ano de independência.    

A seguir visitará o Uganda, apesar da presença do vírus Ébola na capital do país, Kampala. O Quénia, a Somália, o Malawi, África do Sul e o Ghana também constam desta digressão  de Clinton por África.

África Precisa Cumprir Promessa Democrática, Diz Hillary Clinton


A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, discursa ao lado do presidente do Senegal, Macky Sall, no palácio presidencial de Dakar

Dakar-A secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, chegou a África quarta-feira última a retomar o compromisso com a democracia, declarando que as "velhas formas de governar" não podem mais funcionar em um continente que apresenta um crescimento econômico saudável e cidadãos cada vez mais capacitados.

Hillary iniciava uma visita a sete países da África e elogiou seus anfitriões no Senegal por superarem as tensões para realizar as eleições em Março, nas quais o presidente Macky Sall derrotou Abdoulaye Wade. A eleição reforçou as credenciais do país como uma das democracias mais estáveis do continente. Mas ela disse que a democracia na África muitas vezes fica para trás, apesar de décadas de progresso econômico.

"Ainda há muitos africanos vivendo sob domínio de governantes autocráticos que se importam mais em manter o seu poder do que promover o bem-estar de seus cidadãos", disse Hillary em um discurso na Universidade de Cheikh Anta Diop, de Dacar, observando que os golpes e regimes longos reduziram a contagem de democracias eleitorais totais no continente de 24 em 2005 para 19 em 2012.

"As velhas formas de governo não são mais aceitáveis. É hora de os líderes aceitarem a responsabilidade, tratar seu povo com dignidade, respeitar os seus direitos, e entregar oportunidades econômicas. E se eles não vão (fazer isso), então é hora de eles saírem", afirmou ela.

A ordem constitucional foi restaurada no Níger e na Guiné após golpes recentes, enquanto Benin, Cabo Verde, Libéria, Nigéria, Zâmbia e Togo realizaram eleições confiáveis no ano passado. Mas Hillary alertou que são preocupantes os caminhos adotados pelo Mali e Guiné-Bissau, afirmando que o último corria o risco de se tornar "dependente" de traficantes de drogas da América Latina.

A viagem de Hillary pela África, sua quarta como secretária de Estado dos EUA, visa reforçar a mensagem de Washington de que mercados abertos e democracias constitucionais proporcionam o alicerce mais firme para o futuro de África, disseram autoridades norte-americanas.

Ela também espera promover os Estados Unidos como uma alternativa à influência econômica e política da China, que vem crescendo rapidamente à medida que o governo chinês agressivamente corteja países africanos para ganhar acesso aos recursos madeireiros, minerais e de petróleo do continente.

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Guiné-Bissau: Veteranos do PAIGC "Juntaram-se a Arruaceiros Para Denegrir" o Partido - PM Deposto


Lisboa, 01 Agosto - O primeiro-ministro deposto da Guiné-Bissau disse ontem em Lisboa que os veteranos do seu partido que o acusaram de ter "encabeçado um regime despótico" de se terem juntado a arruaceiros para denegrir a imagem do PAIGC.

"Esses combatentes deviam ser o exemplo para esse grande projeto [de tornar a Guiné-Bissau um país viável] e não juntar-se com arruaceiros para tentar denegrir a imagem do nosso grande partido", disse Carlos Gomes Júnior aos jornalistas à saída de uma reunião em Lisboa com o presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso.

As acusações dos veteranos do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde foram inscritas numa carta aberta em que criticam a postura da Internacional Socialista ao convidar o primeiro-ministro do Governo deposto, Carlos Gomes Júnior, para a sua última reunião realizada em Cabo Verde.

Gomes Júnior Defende Força da ONU na Guiné-Bissau


Lisboa-O primeiro-ministro deposto da Guiné-Bissau voltou ontem a defender o envio para o país de uma força multinacional «sob o chapéu das Nações Unidas» para evitar as «barbaridades» cometidas pela Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO).

De acordo com a Lusa, Carlos Gomes Júnior falava aos jornalistas à saída de um encontro com o presidente da Comissão Europeia, em Lisboa, durante o qual agradeceu a posição de Durão Barroso e da União Europeia sobre a crise na Guiné-Bissau.

A reunião surge dias depois de Durão Barroso ter exigido o respeito pela ordem constitucional e afirmado, na abertura da IX conferência da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), a 20 de Julho em Maputo, que a União Europeia não tolerará mais golpes na Guiné-Bissau.

«A UE é um parceiro muito importante para a Guiné-Bissau. Temos de mantê-lo informado e trocar opiniões», disse o primeiro-ministro deposto, que saiu da reunião acompanhado do ministro dos Negócios Estrangeiros do Governo deposto no golpe de Estado de 12 de Abril, Mamadu Djaló Pires, e do embaixador da Guiné-Bissau em Portugal, Fali Embaló.

Questionado sobre qual a mensagem de Durão Barroso na reunião de ontem, Carlos Gomes Júnior disse que o presidente da Comissão Europeia «tem recomendado o diálogo das partes para tentar arranjar uma solução, mas condenando sempre o golpe».

O primeiro-ministro deposto recordou ter proposto em Maio ao Conselho de Segurança da ONU uma reunião de alto nível com o objetivo de enviar uma força multinacional para a Guiné-Bissau, «sob o chapéu das Nações Unidas» para acabar com «as barbaridades que [a CEDEAO] está a fazer na Guiné-Bissau».
Carlos Gomes Júnior referia-se ao envio, por parte da organização regional, de «um pequeno ministro da Nigéria para impor [à Guiné-Bissau] um presidente de transição«: «Isso não é lógico e não tem espaço na Constituição da Guiné-Bissau».

Para o responsável, a CEDEAO «não se pode arrogar sozinha a resolver o problema da Guiné-Bissau», já que há outros organismos, como a União Africana e a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) que «têm uma palavra a dizer para, conjuntamente, tentar arranjar uma solução».

A Guiné-Bissau tem um Governo e um Presidente de transição, mas a maioria da comunidade internacional não reconhece as atuais autoridades saídas do golpe.

A CEDEAO é a única instância internacional que apoia as atuais autoridades de transição.

O presidente e o primeiro-ministro depostos estão em Portugal.