quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Presidentes Elogiam Fase do Mercosul Com Venezuela

Brasil-Os presidentes da Venezuela, Hugo Chávez, da Argentina, Cristina Kirchner, e do Uruguai, José Mujica, assim como a presidente Dilma Rousseff, fizeram questão de citar o Paraguai, na declaração que fizeram à imprensa no Palácio do Planalto na terça-feira última, e classificaram como "momento histórico" a entrada da Venezuela no Mercosul.
A presidente da Argentina, em sua fala, pediu "o fim dos paraísos fiscais" e afirmou que a crise financeira internacional se iniciou nos centros financeiros e paraísos fiscais.
Depois do discurso de Dilma Rousseff, foi a vez de Hugo Chávez, que aproveitou para responder a críticas de que a Venezuela vive em uma ditadura. "A Venezuela, apesar de chamarem de ditadura, hoje vive um processo democrático muito maduro", disse ele, ao salientar que no país estão sendo consolidadas novas instituições.

"A Venezuela é o único país do mundo onde a Constituição foi aprovada pelo voto popular", declarou.
Chávez falou ainda da importância da integração da região e lembrou que seu país passou por golpe de Estado, sabotagem e bloqueio econômico e aí veio a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva, que "marcou uma mudança de rumo" no continente. Ele citou a importância também das eleições de Tabaré Vasques e Nestor Kirchner, na região.

Após agradecer o apoio dos outros países à entrada do país ao bloco, Chávez disse que "fazia tempo" que a Venezuela deveria ter ingressado. "Hoje entramos em um novo período de aceleração e mudanças profundas na história", declarou, ao classificar esta "oportunidade como a melhor dos últimos 200 anos do país".

E emendou: "Tinha de ser agora, (a entrada da Venezuela)", fazendo referência indireta às eleições próximas em seu país, ao lembrar que o episódio "coincide com novo momento político constitucional que se inicia daqui a pouco na Venezuela". Segundo o presidente Chávez, os críticos ao ingresso da Venezuela ao Mercosul são os mesmos que aplaudiam a criação da Alca (Área de Livre Comércio das Américas), proposta pelos Estados Unidos no início dos anos 2000, mas que não entrou em vigor.

Depois foi a vez de José Mujica. De acordo com o presidente uruguaio, "estamos acostumados que, quando o mundo rico entra em crise, pobre de nós". E completou: "mas parece que estamos indo bastante bem", citando como exemplo o fato de que muitos que emigraram para a Europa estão voltando. "Nunca na história da América Latina tivemos uma oportunidade como esta", acrescentou.

Mujica defendeu ainda a integração da região. "Buscamos uma política de integração como nunca tivemos. Temos de ser conscientes que é agora ou nunca. O desafio é enorme."
A última a falar foi Cristina Kirchner, dizendo que hoje era um dia histórico e recordou que muita gente não acreditava no Mercosul.

"Os ricos não precisam de sócios ou amigos, precisam de servidores ou escravos." Ela lembrou ainda a observação feita pela presidente Dilma em seu discurso, de que a entrada da Venezuela impõe ao Mercosul uma "nova etapa", com a soma de um PIB de US$ 3 trilhões entre os países, o que representa 83% do PIB da América do Sul.

Segundo Cristina, o bloco, agora com a Venezuela, "se tornou a quinta economia do mundo" e passa a falar da crise internacional e criticar os países ricos, pedindo o fim dos paraísos fiscais, onde teria sido o berço da crise.

"A crise se iniciou nos centros financeiros e paraísos fiscais", desabafou Cristina, que se queixou também da atitude dos países europeus que estariam "colocando preço nas commodities, como se essa fosse a origem da crise internacional".

"O mundo não está assim por causa do milho, da soja e do trigo", desabafou ela, acrescentando que o Mercosul, com a autoridade dos maiores produtores de alimentos do mundo, tem capacidade de prover a segurança alimentar.

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Chefe Muçulmano no Norte Para Negociar Com Islamitas

Mapa do Mali
Mapa do Mali


Bamako - O presidente do Alto conselho islâmico do Mali (HCIM), Mahmoud Dicko, encontrava-se segunda-feira em Gao, no norte do Mali, para negociar com os grupos islâmicos armados que operam há quatro meses nesta região.

O presidente do Alto conselho islâmico, Mahmoud Dicko, chegou domingo a Gao para engajar as negociações com os grupos que estão no terreno para que o Estado maliano retome o controlo de todo o país", declarou um membro da caravana Dicko. "Iremos nos encontrar com os nossos irmãos malianos. Se eles são muçulmanos como nós, não há razões para que não encontremos uma solução", acrescentou.

Outras fontes contactadas em Gao pela AFP confirmaram a presença da delegação do HCIM liderada por Mahmoud Dicko.

Dicko deverá especialmente discutir "vários dias" com Iyad Ag Ghaly, líder do movimento islamita Ansar Dine (Defensores do Islão), que sempre afirmou que o seu interlocutor no Mali é o Alto conselho islâmico, segundo as mesmas fontes.

É por intermédio do HCIM que Iyad Ag Ghaly negociou a libertação, em Abril, de 160 soldados malianos feitos prisioneiros no início da ofensiva lançada no Norte em Janeiro pela rebelião touareg do Movimento nacional de libertação de Azawad (MNLA) e grupos islamitas armados.

Estes grupos, Ansar Dine e Movimento para a união e a jihad na África do Oeste (MUJAO), aliados à Al-Qaeda no Maghreb islâmico (Aqmi), retiraram seguidamente o MNLA da região que ocupam totalmente desde finais de Março e onde começaram a aplicar a charia (lei islâmica) que querem impôr em todo o Mali.

Contrariamente ao MNLA, os grupos islamitas não reclamam a independência do norte do Mali.

Guineenses no Estrangeiro Reúnem-se no Domingo em Lisboa Para Discutir Situação Política

Jovens guineenses erguem a sua bandeira
Jovens guineenses erguem a sua bandeira

Lisboa - A comunidade guineense em Portugal promove no domingo, em Lisboa, um encontro para debater a situação na Guiné-Bissau após o golpe militar de 12 de Abril, iniciativa que, segundo a organização, contará com a presença dos governantes depostos, anunciou a Lusa.

No encontro, que se realiza na Aula Magna, participam ainda elementos da Frenagolpe (coligação de partidos e organizações sociais que contestam o golpe de Estado), disse à agência Lusa José Alage Baldé, coordenador do recém-criado Fórum da Diáspora para o Diálogo e Desenvolvimento da Guiné-Bissau.

"O nosso objectivo é congregar toda a comunidade na diáspora para, através do diálogo, sermos interlocutores na resolução dos diferentes e sucessivos problemas que vão assolando a nossa terra.Como elementos da Frenagolpe estão em Portugal, resolvemos promover um encontro com a comunidade guineense para falarmos com eles", explicou José Baldé.

Considerando que por "estarem no terreno", os elementos da Frenagolpe são os "interlocutores por excelência" para responder às perguntas da comunidade, José Baldé defendeu a oportunidade da realização deste encontro, para o qual foram convidados elementos das comunidades guineenses de França, Espanha,Bélgica, Luxemburgo, Alemanha, Inglaterra e Cabo Verde.

"Temos ideias comuns e queremos paz e democracia para a Guiné-Bissau, por isso o nosso objectivo fundamental é, através do diálogo, conseguir a paz para a Guiné-Bissau", sublinhou.

José Baldé disse ainda que o Presidente interino, Raimundo Pereira, e o primeiro-ministro e vencedor da primeira volta das eleições presidenciais, Carlos Gomes Júnior, afastados do poder pelo golpe militar de 12 de Abril, já confirmaram a presença no encontro.

"Estamos a tentar dialogar e entender melhor o que aconteceu", disse José Baldé, adiantando que não foi endereçado nenhum convite às autoridades actualmente no poder na Guiné-Bissau devido "a dificuldades em saber com quem conversar".

A Guiné-Bissau tem um Governo e um Presidente de transição, mas a maioria da comunidade internacional não reconhece as atuais autoridades saídas do golpe.

A CEDEAO (Comunidade Económica para o desenvolvimento dos Estados da África Ocidental) é a única instância internacional que apoia as actuais autoridades de transição.O Presidente e o primeiro-ministro depostos estão em Portugal.

O Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) indica no seu relatório estatístico de 2010 que no país residem legalmente 19.817 cidadãos guineenses, mas fontes da comunidade estimam que vivam em Portugal entre 35 mil a 40 mil guineenses.

Conselho de Segurança da ONU Apoia Cronograma de Eleições Definido Pela Guiné-Bissau

Nova York-O Conselho de Segurança da ONU emitiu uma declaração à imprensa (30 de Julho) na qual diz apoiar o cronograma de eleição presidencial e parlamentar definido pela Guiné-Bissau.
 
O presidente rotativo deste mês do Conselho de Segurança e embaixador colombiano na ONU, Nestor Osório, declarou que o Conselho de Segurança reitera a exigência de recuperação total da ordem constitucional e política na Guiné-Bissau, bem como a participação de todas as facções políticas e civis do diálogo sincero. O objetivo deve ser uma integração na transição e abrangência para toda a população do país.

O documento salienta ainda que os esforços da comunidade internacional são extremamente importante para a solução da crise guineense. O Conselho de Segurança apelou pela participação ativa do secretário geral da ONU neste processo e a confirmação de seu papel na coordenação de organizações internacionais e parceiros regionais.

Clinton Visita País Durante Viagem de 11 Dias a África

Estados Unidos-Clinton segue terça-feira para o Senegal antes de visitar o mais novo país do mundo, no decorrer de uma viagem que a levará também ao Uganda, Quénia, Malaui e África do Sul, adiantou a porta-voz do Departamento de Estado Victoria Nuland.

O Sudão do Sul completou no passado dia 09 de Julho o seu primeiro aniversário como nação independente, tendo o Presidente, Salva Kiir, lamentado que ao país falte ainda a independência económica.

O primeiro ano de independência foi marcado por graves tensões com o Sudão, que além do conflito petrolífero, degeneraram em confrontos armados fronteiriços entre Março e Maio.

Confrontos Étnicos Deixam 18 Mortos e Milhares de Desalojados na Etiópia


Etiópia-Pelo menos 18 pessoas foram mortas em combates violentos entre duas comunidades por causa de terras no sul da Etiópia e 20.000 refugiados fugiram para o Quénia, disse a Sociedade da Cruz Vermelha do Quénia (KRCS) nesta segunda-feira.

O confronto eclodiu na quinta-feira passada por causa de uma disputa sobre a decisão do governo etíope de assentar a comunidade Garri em terras que a comunidade Borana alega ser sua, explicou a KRCS em um comunicado em seu site.

Milhares de refugiados, segregados por etnia, estão acampados em escolas e em uma mesquita em torno da cidade queniana de Moyale.

Outros estão a receber abrigo de moradores locais quenianos. "A maioria das famílias está no frio, a céu aberto, com seus filhos por falta de abrigo", disse a KRCS. "A situação humanitária é terrível tendo em mente que os efeitos da seca no Chifre da África sobre as populações nas áreas de conflito também estão sendo sentidos", acrescentou.

As comunidades Garri e Borana envolvem as fronteiras do Quénia e da Etiópia. A vida no norte árido do Quênia é precária, com milhões de pessoas ainda dependentes de ajuda alimentar após uma seca severa em 2011.

Comunidades pastoris fortemente armadas regularmente brigam por água, terra e gado nas fronteiras remotas. Alguns refugiados começaram a voltar para a Etiópia nesta segunda-feira depois que o governo federal da Etiópia interveio nas áreas atingidas pelo confronto, disse Abbas Gullet, secretário-geral da KRCS, à AlertNet.

"As forças de segurança federais estão tomando o controle da situação de segurança das autoridades de segurança regionais e eles estão procurando uma solução amigável para as disputas", contou Gullet.

Pelo menos 12 pessoas ficaram feridas, mas elas relutam em procurar ajuda médica em instalações que pertenceriam a comunidades rivais, explicou a KRCS.

"As lesões relatadas incluem ferimentos por arma, fraturas, hemorragias, e hemorragia interna", disse.

A equipe de socorristas da filial da KRCS em Moyale está esperando por mais mortes para chegar à fronteira com o Quénia a partir do interior da Etiópia, onde a luta está ocorrendo, afirmou a KRCS.

terça-feira, 31 de julho de 2012

Combate à Violência Contra Mulheres e Crianças


Bandeira da Guiné-Bissau
Bandeira da Guiné-Bissau


Bissau - As autoridades da Guiné-Bissau preparam um combate intenso ao aumento da violência contra as crianças e mulheres guineenses, disse à Lusa a presidente do Instituto da Mulher e Criança (IMC). 

Maria Mendes Sanhá afirmou que, nos últimos tempos, o país tem sido fustigado "quase diariamente" com denúncias de "situações graves de violência doméstica ou sexual" contra mulheres ou crianças. 

"Todos os dias recebemos denúncias de agressões físicas de mulheres em Bissau, diria mesmo em todas as regiões do país. A violência doméstica aumenta a um ritmo assustador", alertou Maria Mendes Sanhá. 

A presidente do Instituto da Mulher e Criança, dependente do Governo, diz que a violência doméstica não é um fenómeno novo na Guiné-Bissau, mas "agora há mais denúncias". 

"Dantes uma mulher era violentada e ninguém dizia nada. Era um tabu na sociedade. Uma criança era vítima de abuso sexual, também o caso era abafado. Mas hoje não. Há mais denúncias e os órgãos de comunicação social têm tido um papel preponderante na mudança da mentalidade", afirmou Maria Sanhá. 

A responsável do IMC diz também que o trabalho da polícia judiciária tem dado frutos uma vez que, perante qualquer denúncia, a polícia actua de forma rápida e o suspeito é logo conduzido à justiça. 

"Temos um acordo com o Ministério da Justiça, que tutela a Policia Judiciaria, sobre esta matéria. Em qualquer denúncia a Policia intervêm e a pessoa é conduzida ao julgamento", sublinhou Maria Sanhá. 


A presidente do IMC quer ainda mais acções de sensibilização nas rádios e de prevenção juntamente com a Policia de Ordem Pública. 

"Vamos assinar brevemente um acordo com o Ministério do Interior (que tutela a Policia de Ordem Pública) para o reforço de patrulhamento nas ruas e avenidas de Bissau", disse Maria Sanhá, ao falar da resposta que a sua instituição preconiza para o aumento de casos de agressões e roubos que as mulheres têm sido vítimas nos últimos tempos por parte de grupos de jovens delinquentes.