terça-feira, 17 de julho de 2012

FMI Revê em Baixa Previsões Para a Economia Mundial

<p>O FMI, liderado por Christine Lagarde, revela preocupação com o que se passa na zona euro</p>
O FMI, liderado por Christine Lagarde, revela preocupação com o que se passa na zona euro
Washington-A entidade sedeada em Washington apresentou uma actualização das projecções que tinham sido divulgadas em Abril para as principais economias do planeta e passou a apontar para um crescimento mundial em 2012 de 3,5%, menos 0,1 pontos percentuais do que em Abril. De igual modo, a projecção para 2013 passou de 4,1% para 2,9%.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) está mais pessimista em relação à evolução da economia mundial durante os próximos dois anos, destacando os riscos de que a crise na zona euro possa vir a comprometer o desempenho tanto das maiores potência mundiais como dos mercados emergentes.

O fundo não divulgou novas estimativas para Portugal, mas, para a totalidade da zona euro, manteve a sua previsão para este ano de uma contracção de 0,3% e reduziu a retoma esperada para 2013 de 0,9% para 0,7%. Entre os quatro maiores países do euro (aqueles cujas previsões foram revistas), destaque para o maior pessimismo em relação a Espanha, estando agora prevista para 2013 uma contracção de 0,6%, quando em Abril se apontava para um crescimento ligeiro de 0,1%.

O FMI não esconde a sua preocupação com o que se passa na zona euro, afirmando no relatório publicado esta segunda-feira que “o risco mais imediato [para a economia mundial] é que uma acção política insuficiente ou atrasada possa conduzir a uma escalada da crise do euro”.

Nos Estados Unidos, a correcção feita às previsões deste ano e do próximo é de 0,1 pontos percentuais em cada um, com a variação prevista para o PIB a cifrar-se em 2% e 2,3%.
As economias emergentes não escapam à correcção em baixa das previsões. Para este grupo, que inclui a China e o Brasil, por exemplo, a previsão de crescimento passou de 5,7% para 5,6% em 2012 e de 6,1% para 5,9% em 2013.

Hollande: "Africanos Decidem Sobre Intervenção no Mali"


François Hollande: "Devemos mostrar solidariedade", declarou o presidente francês

Paris - O presidente da França, Francois Hollande, disse que está nas mãos dos africanos a decisão sobre como e quando intervir militarmente da ocupação islâmica no Mali.

A prioridade era "um governo real que possa assumir suas responsabilidades", disse o francês na TV no Dia da Bastilha. Depois disso, "para intervenção na estrutura da União Africana e para que a ONU se faça presente, depende dos africanos determinarem o momento", acrescentou.

"Devemos mostrar solidariedade", citou Hollande. "No Conselho de Segurança há uma resolução que capacitaria tal intervenção com o apoio da ONU".

Islâmicos ligados à Al-Qaeda aproveitaram o caos que se seguiu ao golpe militar em Março no país africano para dominar cidades centrais no norte.

O primeiro-ministro interino do Mali, Cheick Modibo Diarra, chegou em Paris na sexta-feira última para anunciar a formação de governo para o presidente interino, Dioncounda Traore, que está na França para tratamento médico.


Rebeldes de Mali Dizem Ter Abandonado Plano de Separatismo

Mali-Rebeldes liderados por membros da tribo dos tuaregues declararam neste domingo que abandonaram sua reivindicação de criação de um Estado separado no norte de Mali, país do oeste da África, depois que militantes islamistas ligados à rede Al Qaeda tomaram a frente da rebelião. O Movimento Nacional pela Liberação de Azawad (MNLA) e seus ex-aliados islâmicos expulsaram as forças do governo em Abril e assumiram o controle de uma faixa de território do deserto do Saara maior do que a França.

Mas a declaração de independência do Estado de Azawad, feita pelo MNLA, foi amplamente ignorada e, depois disso, o movimento vem sendo marginalizado por grupos islâmicos mais bem-armados do que os rebeldes, e que têm como meta aplicar estritamente em todo Mali a lei islâmica da sharia. "Nós buscamos independência econômica, política e cultural, mas não a secessão", disse à Reuters, por telefone, Ibrahim Ag Assaleh, um dirigente do MNLA.

Um outro líder do MNLA, Hama Ag Mahmoud, declarou à Reuters, em Nouakchott, capital da Mauritânia: "A independência era a nossa meta desde o início do conflito, mas nós estamos a buscar o ponto de vista da comunidade internacional para resolver esta crise". Grupos islamistas, incluindo o Ansar Dine, ligado à rede Al-Qaeda, promoveram chicotadas em público de supostos adúlteros no norte de Mali e destruíram santuários de divindades locais, listadas pela Unesco, na antiga cidade de Timbuktu, argumentando que esse tipo de adoração não é islâmica

União Africana Será Comandada Por Uma Mulher



Nkosazana Dlamini Zuma nesse domingo em Addis Abeba, na Etiópia / Simon Maina / AFP

Adis Abeba-Pela primeira vez, a União Africana, que reúne 53 países, será comandada por uma mulher. Nkosazana Dlamini-Zuma, da África do Sul, foi eleita a presidente da comissão da União Africana, derrotando Jean Ping, do Gabão, que tentava a reeleição. Porém, em janeiro deste ano, nenhum dos dois conseguiu a maioria de dois terços dos votos entre os membros da instituição. Ping ficou mais seis meses no cargo até encerrar o impasse.

A nova líder é ex-mulher do presidente sul-africano Jacob Zuma e uma das ministras há mais tempo no cargo em seu país. Analistas indicam que sua candidatura quebra uma tradição extra-oficial do continente que costuma evitar membros dos grandes países africanos no posto de liderança do bloco.

Além dos objetivos permanentes de promover a paz e a segurança, a União Africana se propõe a avançar no progresso social e econômico. A agenda do bloco inclui um incentivo ao comércio entre os membros do continente, a instabilidade política no Mali, a crescente violência na República Democrática do Congo e a tensão entre o Sudão e o Sudão do Sul.A União Africana teve um papel de destaque durante os conflitos na Líbia. O Brasil é um dos parceiros do bloco.

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Ruanda e RDC Fecham Acordo Para Neutralizar Rebelião no Leste

Rebeldes do M23 em um caminhão das Forças Armadas da RDC, em Bunagana

Adis Abeba - Ruanda e República Democrática do Congo (RDC) acertaram domingo o envio de uma força internacional para neutralizar os rebeldes no leste da RDC, paralelamente a uma reunião de cúpula da União Africana marcada também por um gesto amigável entre os dois Sudões.
 
O acordo foi fechado após uma reunião bilateral entre os presidentes congolês, Joseph Kabila, e ruandês, Paul Kagame. A ONU havia acusado Ruanda de abastecer com armas e recrutas os rebeldes do Movimento de 23 de Março, protagonistas de uma nova crise no leste da RDC. Nos últimos meses, os rebeldes tomaram as armas contra o Exército - ao qual haviam sido integrados em virtude de um acordo anterior - e tomaram várias localidades do leste daquele país.

"Aceitamos o princípio de pedir a outros que nos ajudem, mas os detalhes ficarão para mais tarde", assinalou Kagame, ao ser consultado sobre a força internacional após o encontro paralelo à reunião da União Africana (UA), realizada em Adis Abeba.

Esta manhã, na abertura dos trabalhos, o presidente da Comissão da UA, Jean Ping, revelou que a organização continental "está disposta a contribuir para a criação de uma força regional que coloque um ponto final na ação dos grupos armados" no leste da RDC. 

Mais tarde, Kagame e o presidente da RDC, Joseph Kabila, assinaram um documento em que pedem a colaboração da UA e da ONU "para pôr em andamento, imediatamente, uma força internacional neutra, com o objetivo de erradicar o M23 e qualquer outra força negativa na região dos Grandes Lagos".

Ainda não se conhecem os detalhes da articulação entre esta força neutra e os 17 mil militares e 2 mil civis da missão da ONU (Monusco) enviados no fim de 1999 à região. A questão será decidida em uma nova reunião, nos dias 6 e 7 de Agosto, em Kampala.

Os presidentes de outros dois países que têm uma relação tensa, Sudão e Sudão do Sul, foram aplaudidos na sala quando apertaram as mãos. Eles já haviam conversado por uma hora em um hotel da capital etíope, na noite de ontem. O encontro foi o primeiro entre Omar al-Bashir e Salva Kiir após os combates fronteiriços entre seus Exércitos, há menos de três meses.
 

França Manda Prender Filho do Presidente da Guiné Equatorial




Teodoro Nguema, presidente da Guiné Equatorial: É a segunda vez que ''Teodorín'', seu filho, evita uma convocação da Justiça francesa

Paris - A Justiça da França emitiu um mandado de prisão contra Teodoro Nguema Obiang Mangue, filho do presidente da Guiné Equatorial, por não ter se apresentado a um tribunal para prestar depoimento na quarta-feira passada em Paris.

A ordem contra o filho de Teodoro Obiang Nguema Mbasogo procede do juiz Roger Le Loire. O suspeito, conhecido como ''Teodorín'', é suspeito de desvio de verbas públicas e lavagem de dinheiro, informou o jornal francês ''Le Monde''.

É a segunda vez que ''Teodorín'' evita uma convocação da Justiça francesa. O ''Le Monde'' indica que o mandado de prisão - expedido na quinta-feira - permite a detenção do filho do presidente da Guiné Equatorial ''em todo o espaço judicial europeu'' e a extradição à França.

A Justiça francesa abriu uma investigação sobre supostas irregularidades(ilegalidade) no patrimônio dos Obiang e no das famílias do presidente do Congo, Denis Sassou-Nguesso, e do ex-presidente do Gabão Omar Bongo.

O processo que levou à investigação foi movido pela ONG Transparência Internacional, que pediu também o impedimento de ''Teodorín'' como delegado permanente adjunto da Guiné Equatorial na Unesco.

Justiça dos EUA Estuda criminalizar Manipulação de Taxas

Estados Unidos da América-Em meio a uma onda crescente de fiscalização da atividade dos bancos relacionada à manipulação de taxas de juros, a Justiça dos Estados Unidos da América investiga a possibilidade de criminalizar casos da prática que envolvam entidades e funcionários no país. Isso implicaria um novo patamar de investigação e punição das infrações cometidas por entidades e funcionários ligados ao mercado financeiro e ao capital especulativo, pressionados pela crise econômica global. A informação é do New York Times.

Acredita-se que, num ambiente de falta de crescimento, ausência de crédito e aumento das dívidas, algumas entidades financeiras estejam falsificando as taxas de juros interbancárias, tornando-as atrativas e mais seguras a investidores. Foi o que ocorreu com o Barclays, gigante do mundo financeiro. Recentemente, entidades reguladoras dos EUA e do Reino Unido multaram o banco em 290 milhões de libras (aproximadamente R$ 900 milhões) por ter modificado, entre 2005 e 2009, as taxas Libor e Euribor (ligadas à regulação diária de juros cobrados, respectivamente, no Reino Unido e na Europa e responsáveis por influenciar tanto as operações interbancárias como os juros a pessoas físicas).

O processo pelo qual o Barclays acabou multado é de natureza civil, e é aqui que a Justiça americana pode escrever um novo capítulo na busca global por novas maneiras de controlar a especulação e, com ela, evitar a crise. Segundo o Times, os processos civis (já existentes), quando acrescidos aos criminais (em estudo) poderiam representar um custo de dezenas de bilhões de dólares à indústria bancária. Mas, mais que isso, um processo criminal poderia, além de multas bilionárias, resultar em sentenças que incluem a prisão.

Segundo fontes não reveladas ouvidas pela reportagem do Times, a extrema complexidade que envolver uma investigação criminal de bancos de atuação global poderia resultar em acordos (mediante pagamento de multas) antes que acusações levassem a condenações. A estimativa, em todo caso, é que pelo menos uma entidade bancária seja processada já este ano. Entre os possíveis alvos da Justiça estão inclusive funcionários do Barclays. Judicialmente, menciona o jornal, a Justiça americana poderia julgar o Barclays, um banco londrino, por este exercer influência sobre os Estados Unidos.