sexta-feira, 13 de julho de 2012

“Todos os Estados-Membros da CPLP Acolheriam Macau Com Muito Agrado

Macau-Domingos Simões Pereira está prestes a completar o segundo e último mandato como secretário executivo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa. Em jeito de balanço, considera que o mais recente golpe de estado na Guiné-Bissau foi o dossier “mais complexo” com o qual teve de lidar. Já sobre a possível integração de Macau na organização, o diplomata guineense não vê entraves, mas lembra que é um processo dependente da iniciativa de Pequim.

Não é a primeira vez que Domingos Simões Pereira deixa claro que Macau tem espaço para integrar a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP); mas para que isso aconteça, o secretário executivo da organização recorda que é necessário o Governo Central avançar com uma proposta formal.

Prestes a terminar o segundo e último mandato na CPLP, o diplomata guineense aceitou o convite do Ponto Final para fazer um balanço do trabalho iniciado em 2008. O dossier mais complicado que teve em mãos, reconhece, foi o do golpe de estado no seu país natal, a Guiné-Bissau.

Outro dos temas quentes com o qual Simões Pereira teve de lidar foi o processo de integração da Guiné-Equatorial; um tema que se arrasta desde 2004 e que deve fazer parte da agenda da próxima Conferência de Chefes de Estado e de Governo da CPLP.

O encontro terá lugar já no dia 20 do correnre mês em Maputo e, servirá para conhecer o novo secretário executivo, que será um diplomata moçambicano “com experiência”. Quanto à presidência da comunidade, que se faz de forma rotativa, também será assumida por Moçambique, substituição de Angola.

Que balanço faz destes dois anos de mandato?

Domingos Simões Pereira – Foram quatro anos que coincidiram com o período da crise, primeiramente nos Estados Unidos e depois na Europa. Esta questão acelerou a agenda económica para a CPLP.

Apesar de ser uma organização que se baseia na solidariedade entre os estados e que tem como eixos a cultura e a língua, a crise e os desafios que despoletou fez com que os países começassem a reclamar abertura para o domínio económico.

Todos eles ou algum em particular?

D.S.P.(Domingos Simões Pereira) – A minha entrada coincidiu com a presidência portuguesa. Talvez por isso, Portugal liderou o processo dessa abertura. Todos os estados-membros expressaram interesse em acompanhar este novo passo e, decorridos quatro anos, houve avanços assinaláveis, não só na criação de um ambiente favorável às trocas comerciais entre países, como também por parte dos próprios empresários de cada um dos estados-membros. Hoje, para além daquilo que tínhamos que era um conselho empresarial, temos uma confederação com mais dinamismo e aberta aos mercados.

A vertente económica da CPLP deve ser cada vez mais efectiva (até para aproveitar a pujança de mercados como Angola, Brasil e Moçambique)?

D.S.P. – Espero que a CPLP continue a não ser uma organização especializada; se a organização se especializar na componente económica, corremos o risco de começar a competir com os espaços de integração regional dos estados-membros. Enquanto a CPLP se definir como tem feito, que é tirar proveito dos espaços económicos de integração sem se assumir como actor económico, penso que estará bem alinhada.

O ministro português da Economia e Emprego, Álvaro Santos Pereira, esteve na semana passada em Angola. Mal aterrou em Luanda disse que a CPLP deveria assumir-se como um instrumento para promoção de negócios.

D.S.P. – Concordo com essa visão. Mas a CPLP não deve resumir-se a isso porque não devemos cingir-nos à componente económica.Os países têm outras afinidades e outros valores que os aproximam.

Em alguma imprensa de países africanos de língua portuguesa, vemos que há quem reclame mais acção social. Durante o seu mandato, houve progressos nesta área?

D.S.P. – Isso é muito interessante. Há criticas, ou seja, as pessoas despertaram para a CPLP, reclamando maior presença da organização. Mas a CPLP não se pode sobrepor à sociedade civil de cada estado. Todos nós devemos ser a CPLP e as diferentes entidades da sociedade civil devem procurar representar a organização. Temos tentado dinamizar este processo e existem alguns exemplos. Em São Tomé e Príncipe, no ano de 2009, desenvolvemos uma quinzena da CPLP onde transmitimos muita informação sobre economia e educação. No ano seguinte, fomos a Bissau e desenvolvemos actividades com foco para os negócios e formação no espaço da CPLP. Também realizámos o primeiro fórum de sociedade civil no Brasil e agora vamos ter o segundo em Maputo. Exige-se sempre mais e eu compreendo isso. O problema é que temos de ter atenção que não podemos substituir a sociedade civil. Há um risco de estatizar essas estruturas e com isso perde-se o que têm de melhor.

Mas a questão social é ou não uma prioridade da CPLP?

D.S.P. – A nível dos estados é a nossa agenda permanente. Foi definida uma nova visão estratégica para a cooperação, mas há muito que temos planos estratégicos em diversos domínios, como na saúde. Na próxima cimeira de Maputo, por exemplo, vamos apostar na segurança alimentar e nutricional.

Há países africanos da CPLP que não cumpriram com os Objectivos do Milénio. Como comenta isso?

D.S.P. – África precisa de ultrapassar os níveis de pobreza. Não basta que a economia esteja a crescer a dois dígitos. É preciso saber se os estados estão a atender às necessidades do país e se não estão a ficar dependentes da indústria extractiva. Precisamos de aprender a combinar as duas coisas. Mas os estados sabem o que estão a fazer.

Consegue nomear o caso mais difícil que teve em mãos durante estes quatros anos como secretário executivo?

D.S.P. – O golpe de estado da Guiné-Bissau, em Abril, foi o mais complexo. Estou convicto que o principal problema do país passa pela combinação terrível entre um analfabetismo pronunciado, níveis de pobreza muito grandes e a falta de preparação das forças armadas. Durante a independência, tiveram um papel muito importante, mas não se souberam adaptar aos novos tempos da reconstrução do país. A conjugação destes factores é terrível e tem reduzido os níveis de confiança dos cidadãos. As pessoas não confiam umas nas outras. A divisão dos recursos naturais do país também é muito discutível.

A possível adesão da Guiné-Equatorial à CPLP foi outro tema em destaque durante os seus dois mandatos. Na cimeira de Maputo perspectiva-se alguma decisão?

D.S.P. – Sim, mas já temos tido decisões que adiam a integração.

D.S.P. – Sim. Isso acontece desde 2004, ano em que a Guiné-Equatorial apresentou o seu pedido de adesão em São Tomé e Príncipe. Desde aí, tem havido decisões com os nossos estados a não encontrarem um consenso. É preciso lembrar que as decisões da CPLP só se tomam quando há unanimidade. Ou seja, quando todos os países estão de acordo. Até agora, não tem havido essa unanimidade.

Desde o pedido de adesão, nota mudanças na Guiné-Equatorial?

D.S.P. – Cheguei da Guiné-Equatorial há cerca de 15 dias e há quase quatro anos que estou a acompanhar a situação do país. Hoje vamos apresentar um relatório ao Conselho de Ministros da CPLP, que tomará uma decisão sobre a adesão ou não da Guiné-Equatorial. Penso que o mais importante é dizer que esta adesão, a partir de 2010, entrou numa nova fase. Uma fase em que estamos a trabalhar na integração paulatina do país. A instrução saiu da reunião de Luanda, quando o secretariado e a presidência da CPLP foram direccionados para assistir a Guiné-Equatorial nesse sentido.

Esta decisão atrai muitas atenções, mas estou ciente de que o mais importante é que este acompanhamento tem resultado em algumas mudanças no país.

A entrada da Guiné-Equatorial causa polémica. Já a possível entrada de Macau – sempre dependente da vontade de Pequim é um tema mais pacífico?

D.S.P. – Arrisco-me a pensar que sim. Todos os estados-membro da CPLP acolheriam Macau com muito agrado e isso seria considerado como uma adesão natural. Mas evitamos avançar com qualquer agenda que possa ter uma interpretação política e menos consensual. A Guiné-Equatorial vem de uma linha espanhola. Só em tempos muito remotos está ligada à realidade portuguesa e, por isso, há elementos estranhos que têm de ser aplanados para integrarem a realidade da CPLP. O caso de Macau não é bem assim.Há muita coisa a aproximar-nos.


Nunca houve movimentações nesse sentido?

D.S.P. – Nunca. Por isso é que não está na agenda. Mas em manifestações culturais, como os Jogos da Lusofonia, Macau tem participado. Eu próprio, antes da minha última deslocação a Macau, tive um encontro com o embaixador da China em Portugal. Pretendi perceber como a China vê a relação entre Macau e os países da CPLP. Fiquei agradavelmente surpreendido com a posição chinesa.

Foi em 2010 e o embaixador dizia-me que a criação do Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países Lusófonos é a expressão da vontade chinesa em cooperar com os países membros da CPLP.

Crê que a criação do Fórum inviabilizou a adesão de Macau na CPLP?

D.S.P. – Não penso nisso. Até porque as acções das duas estruturas são perfeitamente complementares.

O Instituto Internacional de Macau pertence à esfera dos observadores consultivos da CPLP. Porquê?

D.S.P. – A CPLP é uma estrutura em afirmação e pretende alargar a sua visibilidade. Portanto, organizações que se manifestem interessadas em acompanhar a organização são benéficas.

Timor-Leste saiu no sábado de um novo processo eleitoral, com elogios sobre a maturidade democrática que apresenta. Concorda com a análise?

D.S.P. – Partilho dessa opinião e congratulo-me. Temos uma missão no país e estamos em contacto. O acto eleitoral decorreu com grande civismo e maturidade por parte do povo. Depois das eleições, tivemos logo uma projecção dos resultados que não foi acompanhada de contestações. Timor-Leste é o exemplo claro de um país que compreende a importância de dar uma oportunidade a si próprio. Isso merece o nosso apreço e aplauso.

Depois de abandonar o cargo de secretário executivo, já tem planos profissionais?

D.S.P. – Vou voltar à Guiné-Bissau e colocar-me à disposição das estruturas políticas do país.Nasceu na cidade de Farim, Guiné-Bissau, em 1963. Na antiga União Soviética, estudou engenharia civil e industrial no Instituto de Engenharia de Odessa (Ucrânia). Na Califórnia, tornou-se mestre em Ciências da Engenharia Civil.

Antes de assumir as funções de secretário executivo da CPLP, a partir da VII Conferência de Chefes de Estado e de Governo que teve lugar em Lisboa a 25 de Julho de 2008, ocupou diversos cargos públicos no país de origem. Entre 2002 e 2003, foi ministro do Equipamento Social, posição que antecedeu a experiência como titular da pasta das Obras Públicas, Construções e Urbanismo (2004 a 2005). Depois, foi nomeado conselheiro do primeiro-ministro guineense para as infra-estruturas por conta do Banco Mundial (2006 a 2008).

Guiné-Bissau: "Chefe Forças Armadas Diz que Transição Vai Muito Bem"

Bissau, 10 Julho - O Chefe das Forças Armadas da Guiné-Bissau, general António Indjai, afirmou que o processo da" transição vai muito bem" e acredita nos apoios dos países da África Ocidental para ajudarem os guineenses.

O general Indjai fez estas observações em declarações aos jornalistas à margem de uma visita que efetuou ao quartel de Cumeré, 35 quilómetros a norte de Bissau, onde estão estacionadas as tropas da CEDEAO (Comunidade Económica para o Desenvolvimento Económico dos Estados da África Ocidental) que apoiam a transição na Guiné-Bissau.

"O país está melhor. Para os que querem sentir isso, agora para os que não querem saber, isso já é outra coisa. A transição vai muito bem. Penso que vamos até ao fim e vamos ter sucesso com o apoio dos nossos irmãos da CEDEAO", considerou António Indjai.

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Sarkozy Foi Alvo de Buscas

Sarkozy foi alvo de buscas
Russia-Juízes de instrução efetuaram buscas em casa e no escritório do ex-presidente da França, Nicolas Sarkozy, suspeito de financiamento ilícito de sua campanha eleitoral em 2007.

O ex-presidente, cuja imunidade expirou em 16 de Junho, dois dias depois enviou uma carta ao juiz de instrução, esperando, assim, eximir-se de suspeitas. Os investigadores não excluem que em 2007 Sarkozy tivesse visitado Liliane Bettencourt, dona da companhia L´Oréal, para receber dela dinheiro vivo. Em Fevereiro e Abril daquele ano, Bettencourt levantou 800 mil euros da sua conta num banco suíço

Dívidas Serão Parceladas

Alunos da Guiné-Bissau reuniram-se ontem com a procuradora da República Nilce Cunha

Brasil-O Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) ainda não foi assinado. Porém, Ministério Público Federal (MPF) e representantes das faculdades Evolução e Fatene (Damas e Caucaia) chegaram a um consenso sobre como os alunos africanos poderão quitar suas dívidas na instituição.
Na semana passada, um grupo de estudantes de Guiné-Bissau denunciou ao MPF a dificuldade em regularizar o pagamento das mensalidades e obter a declaração de aluno em curso. Essa última é exigida pela Polícia Federal para a renovação anual do visto de estudante no País.

A expectativa é que a assinatura do TAC ocorra na sexta-feira, e a mesma aconteceu. No mesmo dia, ficou acertado uma reunião entre Ministério Público e Superintendência da Polícia Federal para discutir a situação dos alunos africanos.

Ontem, na sala da Procuradora da República Nilce Cunha, por quase três horas, advogados que representavam as faculdades discutiam as cláusulas do TAC até chegarem a um acordo. “As faculdades estão sensíveis à situação desses alunos. As acusações não procedem. Vamos assinar o TAC”, comentou o advogado Felipe Amaral sobre a recusa das faculdades em liberar a declaração de curso e a diferença de valores cobrados.

Segundo a procuradora da República, ficou acertado que os alunos poderão pagar as parcelas vencidas até seis vezes, sem cobrança de juros, multas ou perda de bônus. “É uma situação particular. Cada aluno deverá comparecer ao MPF para assinar o termo de adesão”, afirma. Os alunos terão a possibilidade também de realizar a transferência para outra faculdade.

Os estudantes africanos alegam que a dificuldade em quitar as dívidas foi gerada porque os valores apresentados em real não correspondiam aos 35 mil francos africanos (moeda de Guiné- Bissau), combinados para o custeio dos estudos. “O nosso sonho é se formar e voltar para Guiné Bissau”, disse um dos estudantes, sem se identificar.

De 2009 até o ano passado, cerca de 300 alunos foram selecionados para estudar nessas faculdades. “Anunciaram valores que não correspondiam à realidade brasileira. Muitos estudantes acabaram por ter dificuldade em pagar os estudos”, comenta a advogada Patrícia Oliveira, da assessoria jurídica popular Frei Tito de Alencar, da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa.

ENTENDA A NOTÍCIA

Estudantes de Guiné-Bissau em dívida com as faculdades devem comparecer ao MPF a partir da próxima segunda-feira (mediante assinatura do TAC na sexta-feira desta semana) para assinar termo de adesão para o pagamento das dívidas.

Saiba mais

Segundo a procuradora da República, a assinatura do TAC não significa um reconhecimento do MPF de qualquer fraude cometida pelas faculdades. “Nada comprova que houve fraude. As acusações estão sendo investigadas”, disse. Representantes das faculdades negaram qualquer ajuste nas mensalidades.

Após o fim reunião, os estudantes de Guiné-Bissau estiveram com a procuradora da República para entender o que ficou acertado. Eles se mostraram dispostos a pagar as dívidas, de acordo com o que foi estabelecido.

 Uma jovem da Guiné Bissau foi detida por estar em situação irregular no país; não fez a regularização da sua situação porque ela estava em débito com a faculdade e estava com o visto estudantil vencido desde 2010.

Guiné Equatorial «Não Fez Progressos Suficientes» Para Aderir à CPLP

Paulo Portas
Portugal-O ministro dos Negócios Estrangeiros português, Paulo Portas, manifestou-se,quarta-feira, contra a adesão plena da Guiné Equatorial à comunidade lusófona na próxima cimeira da organização, em Maputo, considerando que o país não fez «progressos suficientes» nas questões dos direitos humanos.

«Na cimeira de Luanda foi estabelecido um conjunto de passos que a Guiné Equatorial teria de dar para passar de observador a membro efetivo. Olhamos para o mapa e registamos progressos [...], mas os progressos são mais formais que materiais e, em determinados aspetos, não houve progressos suficientes que permitam tomar uma decisão em Maputo», defendeu Paulo Portas.

O ministro referia-se, nomeadamente, à questão das violações dos direitos humanos e à manutenção da pena de morte no país.

Apesar de assinalar a evolução em matéria de introdução do Português como língua oficial, Paulo Portas sublinhou que não estão criadas as condições para que seja tomada uma decisão na cimeira de chefes de Estado e de Governo da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP), marcada para 20 de Julho em Maputo.

O ministro português, que falava aos jornalistas à saída de um conselho de ministros preparatório da cimeira de Maputo, onde apresentou a posição portuguesa, adiantou que Portugal «não está nada sozinho nesta posição».

O Conselho de Ministros extraordinário da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), no qual participaram quatro ministros dos negócios estrangeiros, o ministro deposto da Guiné-Bissau e representantes dos outros países, decorreu durante a manhã de quarta-feira na sede da CPLP.

O pedido de adesão da Guiné Equatorial como membro de pleno direito da CPLP foi um dos principais assuntos em discussão.

Na cimeira de Maputo deverá ser tomada uma decisão sobre a adesão do país africano liderado por Teodoro Obiang desde 1979, que detém já o estatuto de observador associado da CPLP.A generalidade dos estados-membros da CPLP tem dado indicações de que não se oporá a uma futura entrada da Guiné Equatorial no bloco lusófono, sendo Portugal o país que maior resistência tem mostrado.

A adesão plena da Guiné Equatorial à organização lusófona é contestada por organizações não-governamentais e personalidades dos oito países da CPLP, que a 11 de Junho enviaram uma carta aos chefes de Estado e de Governo lusófonos e ao secretário-executivo da CPLP «exigindo que a admissão da Guiné Equatorial seja negada».

Remédios de Baixa Qualidade Aprovados pela OMS São Vendidos em Países Pobres

Organização detetou falhas nos fármacos  (foto D.R.)
Portugal-A revista britânica Research and Reports in Tropical Medicine publicou dois estudos, na terça-feira, onde avisa que um número considerável de medicamentos, incluindo antibióticos e remédios contra o paludismo, vendidos em África e aprovados pela Organização Mundial de Saúde (OMS), têm defeitos graves.

Numa das investigações, os autores recolheram de farmácias e armazéns de países pobres ou intermediários 2652 medicamentos para o tratamento do paludismo, tuberculose e infeções bacterianas.

Os investigadores verificaram que entre os medicamentos aprovados pela OMS, 7 por cento chumbaram estes exames, dos quais 18 por cento foram fabricados na China. Enquanto nos tratamentos não autorizados pelas autoridades de regulação ou pela OMS, falharam nos testes de qualidade cerca de 13 por cento.

Um dos principais autores destas investigações, Roger Bate, do American Enterprise Institute, uma organização privada, suspeita que esta falha nos exames de qualidade se deve ao facto de se tratar de fármacos contrafeitos.

Guiné-Bissau Deve Ser representada "Pelas Autoridades que Derivam do Voto"

Logotipo da CPLP
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Lisboa - O ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal, Paulo Portas, afirmou hoje (quinta-feira) que a representação da Guiné-Bissau na cimeira de Maputo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) "deve ser assegurada pelas autoridades que derivam do voto popular".

À saída do conselho de ministros extraordinário da CPLP, em Lisboa, o ministro disse aos jornalistas que o país deve ser representado pelas autoridades eleitas "e não por quaisquer outras de natureza violenta pela forma como se instalaram no poder", referindo-se aos autores do golpe de Estado de 12 de Abril.

O chefe da diplomacia portuguesa comunicou esta posição descrevendo-a como "de consenso" e "coerente com as posições de princípio" que têm vindo a ser assumidas pelo bloco lusófono em relação à situação política na Guiné-Bissau.

"Deve haver tolerância zero quanto a alterações inconstitucionais da ordem democrática estabelecida", disse aos jornalistas.

Questionado sobre o facto de a Comunidade Económica para o desenvolvimento dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) estar em diálogo com o Governo de transição, no poder na sequência do golpe de Estado, Paulo Portas vincou que essa não é a posição da CPLP.
Para o ministro português, a CPLP tem "outro olhar" sobre a situação na Guiné-Bissau, sobre a qual manifestou "uma linguagem nítida desde o primeiro dia".

Essa posição foi sempre "de tolerância zero para golpes de Estado e golpistas", sublinhou.
Na reunião de hoje (quinta-feira), a Guiné-Bissau foi representada pelo ministro dos negócios estrangeiros deposto pelo golpe de Estado de 12 de Abril, Djaló Pires.

O ministro dos Negócios Estrangeiros do Governo de transição da Guiné-Bissau, Faustino Imbali, disse na terça-feira em Bissau que as actuais autoridades "têm toda legitimidade" para representar o país na cimeira de Maputo, depois de o Primeiro -ministro deposto, Carlos Gomes Júnior, ter dito que deve ser ele a representar o país na reunião.
O golpe de Estado na Guiné-Bissau ocorreu a 12 de Abril, na véspera do início da segunda volta da campanha eleitoral para as eleições presidenciais.

Um Governo de transição, negociado entre o grupo de militares responsáveis pelo golpe (auto intitulado Comando Militar) e a Comunidade Económica para o desenvolvimento dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), foi nomeado e deverá promover a realização de eleições no prazo de um ano.
No entanto, as autoridades de transição não são reconhecidas pela restante comunidade internacional.