segunda-feira, 9 de julho de 2012

ONU Rejeita Intervenção no Mali após Destruição de Mesquitas Históricas

Mali-O Conselho de Segurança da ONU afirmou que não está pronto para apoiar uma força de intervenção no Mali, que teve vários monumentos e mesquitas históricas destruídos nos últimos dias por militantes islâmicos.


A Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental, Cedeao, quer enviar 3 mil soldados ao Mali, mas um diplomata da ONU disse à BBC que o Conselho de Segurança quer mais detalhes sobre o plano de envio dos soldados e o objetivo da operação.

Os países vizinhos do Mali estão pressionando para que a ONU dê apoio ao envio de soldados pois temem que a militância islâmica que dominou o norte do Mali se espalhe para além das fronteiras.

O Conselho de Segurança da ONU condenou a destruição, que atingiu o patrimônio da cidade de Timbuktu, afirmando que é um crime de guerra. Os monumentos históricos de Timbuktu estão sendo destruídos pelos combatentes da milícia extremista Ansar Dine, que teria ligação com a Al-Qaeda.

Contra os Islã

A milícia tomou o controle da cidade em Abril e já destruiu vários templos, afirmando que as construções vão contra as interpretações mais severas do Islã. O porta-voz do Ansar Dine, Sanda Ould Bamana, disse à BBC que a lei islâmica não permite a construção de mausoléus com mais de 15 centímetros de altura.

A cidade de Timbuktu, no norte do Mali, é conhecida por abrigar várias construções históricas, tidas como patrimônio da humanidade pela Unesco. A cidade é famosa internacionalmente por causa de seu papel como centro de aprendizado islâmico, baseado nas três grandes mesquitas da cidade, durante os séculos 15 e 16.

Timbuktu também é conhecida como a "Cidade dos 333 Santos", da qual se origina a tradição sufista islâmica. No entanto, o Ansar Dine segue a vertente islâmica salafista, que condena a veneração de santos.A Unesco e o governo do Mali pediram para que o Ansar Dine pare com a destruição na cidade. A organização da ONU também teme que artefatos valiosos e manuscritos estejam sendo contrabandeados para fora da região.

Anunciado Prémio de US$ 100 Mil para Inovadores Africanos

Nova York - A Comissão Económica da ONU para África, ECA, lançou a segunda edição do Prémio Inovação. A iniciativa visa reconhecer inovadores de setores vitais do continente.De acordo com o regulamento do concurso, são elegíveis pesquisadores que apresentem projetos para revelar o potencial africano numa ou várias áreas de setores que incluem indústria e serviços, agricultura, agro-negócios ou Tecnologias de Informação e Comunicação, informa a rádio da ONU.Propostas para as áreas de saúde e bem-estar, energia, meio ambiente e águas são também elegíveis para a competição.

A expectativa da organização é que o prémio promova a ciência, tecnologia, engenharia e aplicativos para a área de negócios. Os objetivos incluem também mobilizar líderes para promover a inovação em serviços-chave de interesse através da concorrência.

À proposta da vencedora serão atribuídos US$ 100 mil e os dois lugares seguintes devem ter US$ 25 mil cada um. As inscrições para o prémio de 2013 decorrem até 31 de Outubro deste ano.

A primeira realização, de 2012, foi vencida pelo engenheiro egípcio, Mohammed Sanad, que projetou uma antena interna em telemóveis, preparada para reduzir a exposição do corpo às radiações.

Simões Pereira Quer Voltar Para Bissau e Confia que sucessor Terá "Maiores Credenciais"



Domingos Pereira Simões, Secretário executivo da CPLP
Domingos Pereira Simões, Secretário executivo da CPLP


Lisboa - O secretário executivo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), Domingos Simões Pereira, quer "voltar para a Guiné-Bissau" e confia que o seu sucessor, a ser conhecido no dia 20, "terá maiores credenciais" do que as suas. 
 

"Eu sou engenheiro civil, vim exercerum cargo fundamentalmente de diplomacia; a única coisa que tentei foi não me transformar num diplomata, não por achar que não fosse esse um requisito importante, mas porque iria perder quatro anos a tentar ser aquilo que não fui. Limitei-me a emprestar à organização aquilo que sou". 
 
A 15 dias de deixar o cargo que ocupa há quatro anos, Domingos Simões Pereira está entusiasmado com o fim de um ciclo e a passagem da pasta. A quem? "Seria muito presunçoso da minha parte definir perfis. Entrei sem qualquer agenda e saio sem qualquer intenção de fazer avaliações. É essa abordagem que posso deixar como recomendação. Esta é uma organização que se vai fazendo", vinca. 
Reconhecendo que já tem "algumas indicações de quem será" o seu sucessor à frente do Secretariado Executivo da CPLP, frisa que é preciso aguardar pelo dia 20 de Julho, altura em que, na cimeira de chefes de Estado e de Governo que se vai realizar em Maputo, o Presidente da República de Moçambique, país que assumirá a presidência da CPLP, oficializará o nome.

Ao contrário do habitual, e por razões de ordem alfabética, é também a vez de um moçambicano exercer o cargo de secretário executivo. Domingos Simões Pereira aprova "totalmente" o provável sucessor, realçando que "voltará a ser alguém com competência num domínio", possivelmente a diplomacia, no qual o ainda secretário executivo considerava ter "limitações".


Guineense, não tem dúvidas sobre o futuro: "Quero voltar à Guiné, quero trabalhar na Guiné. Estou completamente disponível para a Guiné-Bissau."
 
Militante do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC, no poder até ao golpe de estado de 12 de Abril) desde os anos 1980, afasta, para já, futuras candidaturas políticas. E garante que será tão mais activo quanto puder contribuir para "produzir confiança". Se não, saberá "ficar calado". 
 
Simões Pereira já foi à Guiné-Bissau após o golpe de Estado que depôs o Presidente e primeiro-ministro do país e condenado pela CPLP.  

"Não posso dizer que tenha experimentado um ambiente de total liberdade, mas também não posso dizer que tenha experimentado alguma situação mais apertada", descreve, acrescentando: "Nunca tive problemas em estar na Guiné e ajustar-me às realidades e, com base nas realidades, definir o meu espaço de intervenção. Espero poder fazê-lo. Se algum dia não puder voltar à Guiné, isso sim, seria realmente muito difícil." 

Líbia Realiza Primeira Eleição Pós-Kadafi com Participação de 60% dos Eleitores


Líbia-A Líbia realizou sábado (07/07) sua primeira eleição nacional em 48 anos com uma participação de cerca de 60% dos eleitores inscritos. Os eleitores votaram para escolher os representantes do Conselho Nacional Geral, órgão legislativo que irá substituir o atual Conselho Nacional de Transição. A eleição foi marcada por alguns incidentes, principalmente no leste do país.

"Continuamos receber as informações dos colégios eleitorais, mas sabemos que a quantidade de votos alcançou 1,6 milhão, ou seja, 60% dos inscritos", declarou o presidente da Comissão Eleitoral, Nuri al-Abar, em uma coletiva de imprensa.Segundo ele, 1,2 milhão de pessoas haviam votado até às 16h local , ou seja, 40% do padrão eleitoral. Às 20h, os centros de votação começaram a fechar em Trípoli e em Benghazi. Ao final da tarde, 98% dos colégios eleitorais ainda funcionavam normalme.Alguns eleitores levavam bandeiras negras, vermelhas e verdes da revolução de 2011, enquanto que das mesquitas de Trípoli eram emitidas mensagens sonoras dizendo frases como "Alá Akbar" ('Deus é o maior’) e nas ruas se ouviam as buzinas dos carros.A alegria também era visível em Benghazi, apesar dos pedidos dos federalistas para que as pessoas boicotassem as eleições.

"Tenho a impressão de que até agora minha vida vinha sendo desperdiçada, mas meus filhos terão uma vida melhor. Tudo o que eles precisam é de um impulso e creio que os novos dirigentes darão este impulso", disse Hueida Abdul Cheikh, uma mulher de 47 anos que foi uma das primeiras a votar.

Incidentes

Segundo uma eleitor entrevistada pela Agência Efe, grupos de líbios defensores do federalismo, que consideram que o leste do país estará pouco representado na assembleia legislativa, e alguns radicais islâmicos irromperam em vários centros de votação e queimaram ou roubaram as urnas.

Na zona de Briga, um grupo de manifestantes mantém fechados há dois dias vários portos petroleiros em protesto pelo que consideram uma marginalização da região oriental.

O Conselho Nacional Geral terá 200 cadeiras, 100 para legisladores do oeste do país, cuja principal cidade é Trípoli, 60 para deputados do leste, onde estão situadas Ajdabiya e Briga, e 40 para parlamentares do sul, cuja maior cidade é Sebha. Essa é a primeira eleição do país após a queda do ex-ditador Muammar Kadafi em 2011.Os resultados preliminares devem ser anunciados "a partir de hoje ou amanhã", disse a comissão.

Presidente Interino da Guiné-Bissau Envia Mensagem ao Presidente da Mauritânia


Nouakchott - O presidente mauritano, Mohamed Ould Abdel Aziz, recebeu quinta-feira em Nouakchott o secretário de Estado da Guiné-Bissau para as Comunidades, Frides Manuel Gomes Fernando, que lhe transmitiu uma mensagem do presidente de transição, Manuel Serifo Nhamadjo.

Esta visita do secretário de Estado da Guiné-Bissau para as Comunidades surge após a instauração da obrigação de posse de cartão de residência para os estrangeiros residentes na Mauritânia.

Presença de Soldados no Parlamento Provocou a Suspensão dos Trabalhos


Militares da força de alerta da CEDEAO montaram posições à entrada do Parlamento

A presença de cerca de uma dezena de soldados armados da CEDEAO nas instalações do Parlamento da Guiné-Bissau levou  à suspensão dos trabalhos, depois dos deputados os terem contestado.

O primeiro a questionar a presença, logo à entrada do Parlamento, dos soldados da força de alerta da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental foi Rui Diã de Sousa, líder da bancada do PAIGC.

“Gostávamos de saber o porquê da presença inusitada de soldados à porta do Parlamento?”, perguntou Diã de Sousa, dirigindo-se a Ibraima Sory Djaló, presidente em exercício do Parlamento guineense.

“Também não sabemos bem, mas julgamos que a presença deles é no âmbito do mandato da força da CEDEAO no país para proteger as instituições do Estado. Pode ser isso”, afirmou Sory Djaló. “Na nossa óptica, essa justificação não colhe até porque nunca isso aconteceu e mesmo que seja isso, o Parlamento devia ser previamente informado da sua presença. Por esse motivo a bancada do PAIGC vai abandonar a sessão para uma concertação”, disse Rui Diã de Sousa, precipitando o abandono de todos os deputados do PAIGC da sala do hemiciclo.

Sory Djaló ainda tentou demovê-los, pediu calma, mas ­suspendeu os trabalhos e marcou nova sessão para hoje. Enquanto os deputados trocavam impressões sobre o que sucedera, os soldados da CEDEAO mantinham-se em cima de uma carrinha de caixa aberta com armas apontadas para a sede do Parlamento.

Encontro de Carlos Gomes Júnior com Diáspora da Guiné-Bissau em Paris

Primeiro-Ministro deposto da Guiné-Bissau, Carlos Gomes Júnior,  em Paris no dia 7 de Julho de 2012
Primeiro-Ministro deposto da Guiné-Bissau, Carlos Gomes Júnior, em Paris no dia 7 de Julho de 2012

Foi num ambiente efusivo que decorreu na tarde de Sábado na região Parisiense o encontro da Diáspora Guineense com Carlos Gomes Júnior, Primeiro-Ministro deposto, Mamadú Djaló Pires, seu Ministro dos Negócios Estrangeiros e Iancuba Indjai, Secretário Executivo da Frenagolpe, a Frente Nacional Anti-Golpe.

Durante esse encontro, os participantes reiteraram a exigência da reposição da ordem constitucional, exigiram o regresso ao país dos titulares do poder político antes do golpe de Estado, teceram severas críticas ao posicionamento assumido pela CEDEAO e alertaram sobre a necessidade de uma reforma das forças armadas.

Este último aspecto foi designadamente sublinhado por Carlos Gomes Júnior que o considera de extrema importância. O chefe do governo deposto também não deixou de evocar as consequências negativas que o golpe a seu ver teve sobre a economia da Guiné-Bissau. No cômputo das críticas, a CEDEAO também não deixou de ser um alvo. Na óptica do Primeiro-Ministro deposto, a CEDEAO não pode ser o único organismo a resolver a crise na Guiné-Bissau, são necessários outros parceiros.

À saída do seu encontro com a Diáspora Guineense, Carlos Gomes Júnior não deixou igualmente de fazer um balanço da situação vigente no seu país, expressando preocupação quanto às possibilidades da Guiné-Bissau conseguir ultrapassar as suas dificuldades económicas. Ao referir-se, por outro lado, aos contactos que tem estabelecido a nível internacional, o Primeiro-Ministro deposto enunciou os motivos que o conduziram em particular até Paris.