sexta-feira, 29 de junho de 2012

Chipre Oficializa Pedido de Ajuda Financeira da União Europeia

Banco do Chipre, maior instituição bancária da ilha, perdeu um bilhão de euros em 2011.
Banco do Chipre, maior instituição bancária da ilha, perdeu um bilhão de euros em 2011.

O Chipre apresentou segunda-feira passada uma solicitação de ajuda financeira à zona do euro, tornando-se assim o quinto país da União Europeia a procurar a ajuda de seus parceiros. Pela manhã, Madri oficializou um pedido de recursos para recapitalizar o sistema bancário espanhol.

A ajuda, que será desembolsada através de fundos de resgate europeu, busca "conter os riscos existentes sobre a economia do país”, explica o comunicado do governo cipriota. Esses riscos, acrescenta o documento, são “provenientes do setor financeiro, muito exposto à economia grega”.

Após a Grécia, Irlanda, Portugal e Espanha, que também depositou um pedido formal de ajuda aos bancos  segunda-feira passada, o Chipre é o quinto país da união monetária a recorrer a uma assistência financeira.
Há dias que os membros da zona do euro esperavam um pedido formal do Chipre para conseguir pagar dívidas que vencem no dia 30 de Junho.

Na segunda, a agência Fitch rebaixou a nota atribuída à ilha, passando de BBB- a BB+, com perspectiva negativa. As duas outras maiores agências do mercado financeiro, a Standard and Poor's e a Moody’s, já haviam feito a redução em Janeiro e em 13 de Junho, respectivamente. "A redução da nota soberana de Chipre reflete um aumento das necessidades de capital dos bancos do país", justificou a Fitch, em um comunicado.

Segundo a agência, os três principais bancos do país - que é parte da zona do euro e assume a presidência semestral da União Europeia em 1º de Julho - estão muito expostos à crise da dívida grega. Tratam-se do Bank of Cyprus, Cyprus Popular Bank (CPB) e Hellenic Bank.

Além dos 1,8 bilhões de euros necessários para a recapitalização do CPB, a Fitch estima que as necessidades totais dos bancos do país poderiam elevar-se a 4 bilhões de euros, 23% do Produto Interno Bruto (PIB) do país.

Primeiro Comício do PAIGC Depois do Golpe de Estado na Guiné-Bissau

Sede do PAIGC em Bissau
Cerca de cem militantes do partido que estava no poder até ao golpe de Estado de 12 de Abril participaram esta quarta-feira em Bissau no primeiro comício organizado pelo PAIGC desde a queda do governo de Carlos Gomes Júnior.

Até agora, todas as manifestações de condenação ao golpe de Estado decorriam dentro da sede do partido, todavia, esta quarta-feira, cerca de uma centena de militantes do PAIGC decidiram sair à rua. Inicialmente, os militantes pretendiam realizar uma marcha pacífica até à sede da CEDEAO em Bissau, para perguntar aos representantes dessa organização o motivo do não-cumprimento das orientações das Nações Unidas para a resolução da crise na Guiné-Bissau. Contudo, a manifestação não foi autorizada pela Câmara Municipal de Bissau, pelo que os militantes não passaram da porta da sede do PAIGC.

Durante o comício, vários militantes teceram duras críticas à atitude da CEDEAO que a seu ver pretende fazer voltar atrás a democracia na Guiné-Bissau. Pelo contrário, para os manifestantes, a CPLP, a União Africana, a União Europeia bem como as Nações Unidas são entidades "amigas da Guiné-Bissau".

Durante esta concentração na qual não foi visível a presença de agentes da polícia ou militares, não foram registados quaisquer incidentes. O PAIGC promete, entretanto, realizar daqui por diante outras acções de luta política contra as autoridades de transição que continuam a não reconhecer.

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Síria: NATO Considera Abate de Avião Turco «Ato Inaceitável»

A NATO condenou o abate de um avião turco pela Síria e manifestou o seu «forte apoio e solidariedade» com a Turquia, no final da reunião de emergência do Conselho do Atlântico Norte.

«Os aliados manifestaram o seu forte apoio e solidariedade à Turquia. Vamos manter-nos atentos», acrescentou.Rasmussen falou à imprensa depois de o Conselho do Atlântico Norte se ter reunido para consultas sobre o abate de um caça-bombardeiro "Phantom 4" turco, na sexta-feira passada, pelas defesas anti-aéreas sírias. Os dois pilotos continuam desaparecidos.

«É mais um exemplo do desrespeito das autoridades sírias pelas regras internacionais, pela paz, pela segurança e pela vida humana», disse Rassmussen.«Continuaremos a acompanhar a situação de perto e com grande preocupação», acrescentou.

«Consideramos este ato inaceitável e condenamo-lo nos termos mais fortes», declarou o secretário-geral da Aliança Atlântica, Anders Fogh Rassmussen.

A Visita à República da Irlanda que a Rainha Isabel II , a Primeira de um Monarca do País Vizinho em 100 Anos, é Considerado Um Sinal de Pacificação Entre os Dois Países

 Isabel II à saída da catedral de Saint Macartin's, em Enniskillen
Primeiro-Ministro irlandês, Enda Kenny, descreveu o momento à BBC  como o "início de uma nova era entre os dois países baseado no respeito  e amizade e o reconhecimento mútuo de dois países que normalizaram relações".

Sky News, afirmou simbolizar "o sanar do passado", referindo-se ao  processo de independência da Irlanda, que resultou em muitos mortos e um  conflito entre republicanos e protestantes na Irlanda do Norte que demorou  a pacificar. 

A rainha Isabel II foi a primeira monarca britânica a pisar o solo  irlandês desde a independência, formalizada em 1922, e desde que o seu avô,  Jorge V, visitou o país, em 1911. 

Acompanhada pelo marido, o príncipe Filipe,foi recebida pela presidente  da República, Mary McAleese, de quem partiu o convite formal para a visita  de quatro dias.  

 A visita começou com uma cerimónia em que foi plantada uma árvore  na áras an Uachtaráin, a residência oficial da chefe de Estado irlandesa,  antes usada pelo governador britânico na Irlanda. 

Foi depois depositada uma coroa no Jardim da Memória, que lembra aqueles  que morreram pela liberdade do país, e visitada a universidade Trinity College,  onde está depositado o Livro de Kells, um manuscrito ilustrado por monges  celtas dos quatro evangelhos do Novo Testamento. 

Na quarta feira houve uma visita aos produtores da cerveja Guinness,  ao Primeiro-Ministro irlandês e a Croke Park, estádio na capital Dublin,  onde em 1920, durante luta pela independência, as forças britânicas dispararam  sobre o público e mataram 14 pessoas. 

O dia terminará com um banquete oficial no castelo de Dublin, antiga  sede das autoridades britânicas na Irlanda, onde deverá realizar um discurso  para mais de dois mil convidados.  

Nos dias seguintes viajou ainda até à Coudelaria Nacional, em Kildare,  e uma viagem à cidade de Cork, no sul.

A visita da rainha à Irlanda está a ser rodeada de fortes medidas de  segurança, especialmente após uma alegada ameaça de bomba em Londres perto  do palácio de Buckingham por dissidentes do grupo terrorista IRA.  
 

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Golpe Militar Preocupa Gabinete Anti-Narcotráfico da ONU


Nova Iorque - O gabinete anti-narcotráfico da ONU (UNODC), está "preocupado" com o golpe de Estado de 12 de Abril na Guiné-Bissau e a tentar determinar o impacto no tráfico de droga no país, disse terça-feira o director do organismo.   

"A UNODC pode apenas lamentar que isto tenha acontecido porque a Guiné-Bissau é um dos mais problemáticos países da África Ocidental, em termos de abertura das suas fronteiras ao abastecimento de droga ilícito da América do Sul, para a África Ocidental e também a União Europeia", afirmou o director do organismo, Yuri Fedotov.    

"Politicamente falando, (o golpe de Estado) é um evento preocupante, um motivo de preocupação que só pode prejudicar a situação", adiantou.

Fedotov, afirma ser "cedo" para perceber com precisão se o tráfico aumentou após o golpe militar, cujos protagonistas incluem oficiais acusados pelo governo de ligação ao narcotráfico internacional.  

Promete respostas "num futuro próximo", quando estiver concluído um relatório de "avaliação de ameaças" na África Ocidental, em que a Guiné-Bissau será incluída.   

Na apresentação do relatório anual da UNODC, em Nova Iorque, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, alertou para o facto de o tráfico de droga estar a aumentar na África Ocidental e Central e a "minar severamente" Estados da região.   

"A governação na África Ocidental e Central está a ser severamente minada pelo crescente tráfico de drogas nestas regiões", adiantou Ban Ki-moon.   

"Não podemos ceder terreno aqueles que se alimentam da falta de lei e que usam países como caminho para a entrega de drogas ilícitas", prosseguiu.   

O relatório anual refere que as "afinidades linguísticas com o Brasil e alguns países africanos", fizeram com que Portugal tenha sido importante no transbordo de cocaína, sobretudo entre 2004 e 2007, perdendo de aí em diante a importância, como "porta de entrada" para o tráfico de droga sul-americana, através de países da África Ocidental. 



Médio Oriente: Abbas Pede Ajuda a Putin


 Presidente da Autoridade Palestiniana pediu ajuda ao chefe de Estado russo para desbloquear o processo de paz com Israel e organizar uma conferência internacional em Moscovo. No segundo dia de visita ao Médio Oriente, Vladimir Putin deslocou-se à Cisjordânia e reuniu-se em Belém com Mahmoud Abbas. O processo de paz israelo-palestiniano está bloqueado há dois anos.

Para o presidente russo só uma solução negociada pode trazer a paz e deixou o aviso:
“Qualquer ação unilateral por parte de Israel ou da Autoridade Palestiniana será contraprodutiva. É preciso contenção e honrar os compromissos assumidos pelos dois campos.”

Vladimir Putin viajou em seguida para a Jordânia. No primeiro dia de visita à região, o presidente russo esteve em Israel. Putin pretende com esta viagem defender a posição russa relativamente às crises na região e em particular no conflito sírio.

Putin Visita Israel para Reforçar Papel da Rússia no Oriente Médio

Desde que começou a Primavera Árabe, a Rússia se esforça para convencer seus parceiros de que "as mudanças democráticas precisam ser implementadas de forma civilizada", declarou Putin, durante entrevista coletiva ao lado do Primeiro-Ministro israelense, Benjamin Netanyahu.

Para o chefe de governo israelense, é "necessário encontrar o modo de acabar com as matanças e com o terrível sofrimento do povo sírio e de promover (...) a paz, a segurança e a estabilidade na região".

Netanyahu também pediu o reforço das sanções contra o Irã, país acusado pelas potências ocidentais e por Israel de tentar fabricar a bomba atômica, o que Teerã nega.Anteriormente, o presidente israelense, Shimon Peres, havia declarado que "a Rússia pode aportar uma contribuição decisiva para a paz no Oriente Médio".


Pouco depois de chegar a Israel, o chefe de Estado russo inaugurou em Netanya, ao norte de Tel Aviv, um monumento erguido em memória dos soldados do Exército russo que contribuíram para a vitória sobre a Alemanha nazista na Segunda Guerra Mundial.

Este monumento "nos lembra que o mundo continua sendo frágil e que devemos fazer o possível para que as criminosas doutrinas nazistas (...) continuem reclusas no passado", disse Putin na cerimônia.Em seguida, Putin se reuniu com Netanyahu.

Na terça-feira passada, o presidente russo esteve reunido com o colega palestino, Mahmud Abbas, na Cisjordânia.Depois viajou para a Jordânia, onde foi recebido pelo rei Abdullah II.A visita de Putin é marcada pela crise na Síria.

"O tema sírio e a situação em torno do Irã" serão objeto de debate, informou domingo passado o principal conselheiro diplomático de Putin, Yuri Ushakov. A visita de Putin permite destacar "a importância desta região", na qual a Rússia quer "reforçar sua posição", acrescentou.

A Rússia está em claro desacordo com os países ocidentais sobre a crise síria e se opõe a qualquer intervenção externa ou a sanções contra Damasco, um aliado desde a época soviética.Os confrontos na Síria deixaram 150 mil mortos em 15 meses de rebelião, segundo o opositor Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH), com sede em Londres.

Moscovo, que parecia ter se distanciado nos últimos dias do presidente sírio, Bashar al-Assad, negou qualquer mudança de posição e continua se recusando a apoiar um plano que preveja a renúncia do presidente sírio.

No entanto, o ministro russo das Relações Exteriores, Serguei Lavrov, declarou na sexta-feira passada ter advertido ao colega sírio, Walid Moualem, que Damasco deve fazer "muitos mais" esforços para aplicar o plano do emissário internacional Kofi Annan, durante encontro do Fórum Econômico em São Petersburgo.Em Israel - formalmente em estado de guerra com a Síria - o chefe de Estado-maior, general Beny Gantz, se disse preocupado pela instabilidade das Colinas de Golã, em consequência do enfraquecimento do regime de Damasco.